Ler O Marido Malvado (Novel) – Capítulo 170 Online

O piso dos camarotes tinha apenas um assento vendido. Como praticamente não havia clientes ali, a inspeção seria mais branda.
Além disso, eram caros. O cliente que havia reservado aquele lugar certamente devia ser alguém de alto status ou muito rico. A menos que alguém tivesse denunciado especificamente que esse cliente estava usando drogas, os soldados provavelmente fariam apenas uma verificação rápida e seguiriam adiante.
É claro que poderia haver um esconderijo melhor do que aquele. Mas ela não tinha tempo para pensar nisso com calma agora.
Decidida, saiu correndo do corredor e entrou na escada de serviço. A escada em espiral estreita, usada para servir comida e bebida, levava direto para o andar superior.
Ela empurrou uma pequena porta de madeira e saiu no último andar, agachando-se. Com cuidado, ela se arrastou e espiou entre o corrimão.
A taberna já havia sido completamente tomada pelos soldados. O ambiente antes escuro agora estava bem iluminado. A música alta que tocava momentos antes havia parado de repente, substituída por um murmúrio baixo e ansioso.
As dançarinas que cantavam e dançavam, assim como os clientes que as aplaudiam, estavam todos sentados no chão. O brilho da embriaguez havia desaparecido de seus rostos, restando apenas expressões de medo e olhares inquietos. Ela examinou rapidamente a multidão para ver se seu pai estava entre eles, mas com tantas pessoas, era difícil localizá-lo.
Soldados uniformizados circulavam pela taverna. A busca já havia começado. Eles estavam revistando o corredor de onde Eileen viera, e alguns até olhavam para cima, apontando em sua direção.
Ela recuou rapidamente do corrimão. Parecia que aquela área também seria revistada em breve. Precisava encontrar um esconderijo antes que eles chegassem. Evitando os assentos mais na ponta, que seriam mais expostos, ela avançou para dentro e abriu a porta de um camarote.
— …!
Eileen abafou um grito silencioso. Estava ocupado. De todos os lugares, ela havia aberto o único camarote reservado.
Dentro, o assento estava escondido por cortinas para impedir que a equipe visse diretamente o cliente. Normalmente, comida e bebidas eram deixadas na mesa do lado de fora da cortina. Se o cliente quisesse que levassem para dentro, puxava a cortina para sinalizar.
Ela olhou para a cortina bordada com padrões de damasco dourado. Nada podia ser visto através do tecido espesso.
O cliente deve ter ouvido a porta se abrir, mas não disse nada. Como não parecia se importar com a presença dela, pensou que talvez fosse seguro sair fininho. Estava prestes a fechar a porta em silêncio quando ouviu o som das botas dos soldados bem perto.
‘O que eu faço?’
Ela lançou um olhar nervoso em direção ao cliente. Ainda não havia resposta atrás da cortina.
Talvez o cliente tivesse saído, mas se fosse o caso, a cortina estaria aberta. Incapaz de decidir, ela finalmente entrou no camarote.
O clique da porta se fechando soou alto em seus ouvidos. Ela cerrava e abria os dedos ao redor da perna da calça.
— Eu– eu sinto muito, senhor. Eu tenho meus motivos. Se puder deixar eu me esconder por um instante… Juro que não usei nenhuma droga…
Seu murmúrio foi interrompido quando ela viu soldados começando a revistar cada camarote do lado oposto. Ela rapidamente se enfiou debaixo da mesa. A longa toalha de mesa a escondia bem, a menos que alguém se abaixasse de propósito para olhar.
Cobrindo a boca com a mão, ela se encolheu e prendeu a respiração, desejando que sua sorte durasse um pouco mais.
A porta se abriu. Botas pesadas avançaram, então pararam. Uma voz educada pediu cooperação.
— Recebemos uma denúncia de uso de drogas. Estamos realizando uma inspeção. Por favor, coopere por um momento.
Ainda assim, o cliente atrás da cortina não disse nada. O silêncio se estendeu, e as botas dos soldados avançaram mais para dentro.
O som da cortina sendo aberta veio em seguida, acompanhado por um forte cheiro de fumaça de cigarro. Ao mesmo tempo, os soldados bateram os calcanhares com força no chão. Eileen conhecia aquele som. Era o que os soldados faziam antes de prestar continência.
— Vossa–
Mas a voz foi interrompida abruptamente. Os soldados então recuaram com cuidado, fecharam a porta e saíram. A revista terminou tão de repente quanto começara.
Eileen lentamente abaixou a mão da boca, os olhos arregalados de confusão.
Uma cadeira foi arrastada. Passos lentos se aproximaram de seu esconderijo. Pararam bem diante da mesa.
Olhando para baixo, ela viu sapatos polidos, claramente de couro sob medida da melhor qualidade. As pontas dos sapatos estavam apontadas diretamente para ela.
E entre aqueles sapatos, ela viu seus próprios óculos. Deve tê-los derrubado quando rastejou para debaixo da mesa.
— …Ah.
Ela fez um pequeno som, querendo agradecer ao cliente por tê-la escondido, mas ele se virou sem dizer uma palavra. Saiu do camarote, deixando-a sozinha novamente.
Permaneceu debaixo da mesa por um longo tempo, esperando a inspeção terminar. Graças ao cliente do camarote, ela escapou sem incidentes.
Muitos outros não tiveram tanta sorte; vários clientes foram presos por uso de drogas e enfrentariam punição sob a lei do Império. O simples uso acarretava penas mais leves do que venda ou fabricação, mas multas pesadas e sentenças de prisão ainda eram inevitáveis.
Eileen pensou no laboratório do Arquiduque cheio de ópio, e um calafrio a percorreu. Ela imaginou soldados invadindo para levá-la embora, mas passar por uma inspeção sem aviso prévio a fez perceber que a realidade era muito mais assustadora.
Alessia explicou mais tarde que havia saído durante a inspeção por causa de uma breve briga e não conseguiu entrar depois que ela começou. Ela ficou aliviada que Eileen conseguiu passar ilesa, mas também achou aquilo suspeito.
— Inspeções aleatórias acontecem de vez em quando, mas justo agora…
Dizendo que investigaria mais a fundo, Alessia saiu novamente depois de verificar a segurança de Eileen, lembrando-a de ficar em seu quarto até que voltasse.
A taberna ficaria fechada no dia seguinte devido à confusão. Eileen planejava ficar em seu quarto até lá. Ela havia estocado comida, empilhando pães em uma pequena torre e enchendo uma garrafa grande de água até a borda.
Com algum tempo livre, começou a ler os livros antigos que Alessia havia conseguido para ela. Enquanto virava as páginas, continuava pensando no cliente do camarote.
Quem poderia ser?
Ele não esperou recompensa alguma, nem sequer aguardou para ouvir seus agradecimentos antes de ir embora. Como os soldados haviam prestado continência a ele, era claramente um nobre.
Além disso, ela não sabia de nada. A julgar pelo tamanho de seus sapatos, ele provavelmente era bem alto. Sem saber a idade, a altura por si só era uma pista muito vaga, havia muitas possibilidades.
Ele podia nem ser um nobre da capital, talvez apenas um visitante de alguma província.
Eileen balançou a cabeça. Era uma curiosidade inútil. Provavelmente nunca mais se encontrariam, e já tinha coisas demais para pensar sobre Cesare.
E quanto ao pai?
Ele deveria estar no rancho, mas ali estava, frequentando uma taverna na Rua Fiore. Ela precisava encontrá-lo e exigir uma explicação, mas por enquanto não havia nada que pudesse fazer.
Quando Alessia voltasse, pediria que investigasse.
Afastando seus pensamentos dispersos, Eileen voltou sua atenção para o livro antigo.
Um dia se passou, e Alessia ainda não havia retornado. Eileen ficou preocupada, mas sem ter como contatá-la, concentrou-se em desempenhar bem seu papel como “Ilen”.
Ela havia aplicado a maquiagem de sardas como Alessia ensinou, embora sentisse que tinha ficado desajeitada. Felizmente, a taverna era escura o suficiente para que não ficasse óbvio.
Mais uma vez, ela foi incomodada pelas brincadeiras das dançarinas. Sem Alessia por perto, suas travessuras eram ainda piores, deixando-a sem graça. Então um dos funcionários da taverna foi procurá-la.
— Ilen.
Eileen, segurando um leque de renda como adereço, aproximou-se dele. Ele a observou com curiosidade.
— O que você fez?
Assustada, ela balançou a cabeça rapidamente. Pensando se havia cometido algum erro, olhou ao redor nervosamente, mas ele apontou com o queixo para cima.
— Você conhece o cliente do camarote, certo? Aquele que sempre reserva toda a seção só para ele?
Observando a expressão dela, ele continuou.
— Esse cliente está te chamando.
Continua…
Tradução Elisa Erzet
Ler O Marido Malvado (Novel) Yaoi Mangá Online
Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
Sinopse
Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui