Ler O Marido Malvado (Novel) – Capítulo 171 Online

As palavras inesperadas quase fizeram Eileen soltar um “Hã?”. Ela engoliu o som antes que escapasse e esperou pelo restante da explicação do funcionário.
— Disse que queria o funcionário de óculos para atendê-lo, e por mais que eu pense…
Ele continuou inclinando a cabeça, confuso.
— Você é o único aqui que usa óculos.
Era verdade, era a única. Eileen tocou os óculos em seu rosto como se perguntasse por que alguém se daria ao trabalho de chamar um ajudante de bastidores, então apontou com o queixo para os camarotes.
— Apenas vá. Estamos muito ocupados para perder tempo procurando outra pessoa com óculos.
Ele entregou a ela uma bandeja com comida. Pegou e olhou para ele de forma hesitante.
‘Eu só fiz trabalhos simples até agora. Será que posso mesmo levar algo diretamente para um cliente tão importante?’
Havia tantas perguntas que queria fazer, mas nenhuma que pudesse dizer em voz alta. Tudo o que conseguiu foi lançar um olhar suplicante. Ele deu um tapinha em seu ombro, assegurando que o cliente parecia educado e cavalheiro, e que, como as cortinas estavam fechadas e ele nunca saía, tudo o que ela precisava fazer era deixar a comida e ir embora.
Sem outra opção, Eileen carregou a bandeja em direção aos camarotes. Subiu a mesma escada em espiral pela qual havia subido correndo dois dias antes, embora desta vez se movesse com cuidado, passo a passo, olhando de soslaio para a bandeja.
Continha petiscos simples, azeitonas em conserva, castanhas e, de forma bastante incomum, uma granita de limão. A sobremesa congelada feita de limão, açúcar e gelo picado era algo que a própria Eileen gostava.
Ela havia imaginado que um cliente rico pediria caviar ou ostras como aperitivo, então a escolha pareceu um pouco inesperada.
‘Então não é que os camarotes tenham perdido a popularidade… é que este convidado reservou a ala inteira para si.’
Pensando bem, não fazia sentido que na taverna mais popular da Rua Fiore apenas um camarote estivesse ocupado. Ela nunca havia pensado muito nisso antes, mas saber agora que era tudo para um único cliente rico a deixou tensa.
‘E se eu cometer um erro? Não… eu já cometi.’
Ela já havia pedido a este convidado importante que a escondesse e foi embora sem agradecer direito. Talvez ele a tivesse chamado hoje apenas para repreendê-la.
Mesmo sem terem visto o rosto um do outro, ela havia falado, então ele devia saber que ela era uma mulher. Se ele a expusesse publicamente, “Ilen” estaria acabada.
‘E eu não posso simplesmente fugir quando Alessia ainda não voltou.’
Perdida nesses pensamentos, logo chegou ao topo da escada. Empurrou a pequena porta de madeira e entrou no corredor.
Diferente da última vez, quando estava completamente vazio, hoje tinha funcionários e guardas ali. Ainda assim, havia apenas um cliente. O espaço reservado só para ele parecia estranhamente silencioso, apesar da música alta que preenchia o ar.
Ela caminhou devagar, espiando furtivamente para baixo. Dali, podia ver claramente todo o interior — não só o palco animado onde as dançarinas se apresentavam, mas até os bastidores. Viu um ajudante carregando adereços em direção ao depósito.
Apesar do seu ritmo lento, ela logo se viu em frente ao camarote. O funcionário que a acompanhara bateu na porta.
— Este é o funcionário que o senhor pediu.
Ele abriu a porta e fez um gesto para que ela entrasse. Paralisada, adentrou com a bandeja.
A porta se fechou atrás dela. As cortinas estavam fechadas novamente. Ela colocou a bandeja sobre a mesa, a mesma em que havia se escondido antes. Uma garrafa de vinho permanecia intocada ao lado de duas taças limpas.
Ela hesitou por um longo momento, encarando a cortina, antes de falar.
— O senhor… me chamou?
Mas o cliente além da cortina permaneceu calado. Engolindo o silêncio pesado, ela decidiu agradecer primeiro.
— Obrigada por me esconder antes.
Ainda assim, não houve resposta. Ela tentou novamente, observando qualquer sinal de reação.
— O senhor deve pensar que sou suspeita, mas não estava fazendo nada de errado. Só tive meus motivos para estar aqui…
Ouvir a si mesma dizendo aquilo a fez parecer ainda mais suspeita. Pensou em explicar melhor, mas quanto mais falasse, pior pareceria, então parou.
— De qualquer forma… eu sou Ilen. O senhor deveria beber a granita antes que derreta.
Enquanto ela tagarelava, a apresentação lá embaixo terminou, seguida de aplausos e gritos. Quando o barulho começou a diminuir, uma estreita abertura apareceu na cortina. Uma mão enluvada apareceu, segurando um pedaço de papel entre os dedos. Ela encarou aquilo, surpresa, e os dedos se moveram levemente, como se indicassem que ela pegasse.
Movendo-se com cuidado, ela se aproximou e estendeu a palma da mão. O pedaço de papel caiu nela. Ela olhou para a caligrafia impecável.
[Por que não bebe você mesma?]
Ela encarou as palavras. Os traços eram retos e precisos, as terminações limpas, o estilo formal, mas estranhamente familiar.
Por um momento, pensou em Cesare, mas rapidamente balançou a cabeça. Como Príncipe e Arquiduque, a caligrafia dele era mais ornamentada, mais condizente com a realeza.
Depois de encarar o bilhete por um tempo, ela finalmente respondeu, hesitante.
— EE-u? O senhor quer dizer a granita?
O homem atrás da cortina não respondeu. Ela hesitou, então pegou o copo de granita.
‘Foi feita agora na cozinha. Não é como se pudesse ter algo estranho.’
Mesmo assim, achou difícil beber. Mas recusar poderia ofendê-lo, especialmente depois que ele a ajudara. Pensando naquele momento, ela finalmente levou o copo aos lábios.
O frescor ácido e doce preencheu sua boca, despertando seus sentidos. Quando percebeu, o copo já estava vazio. Colocando-o de volta, murmurou:
— Obrigada…
Ela achou ter ouvido uma leve risada baixa, mas foi tão breve e abafada pela música que não pôde ter certeza. Apertando o pedaço de papel com as duas mãos, ela olhou para a cortina.
— O senhor salvou minha vida antes, e agora ainda me deu granita. Agradeço sinceramente.
Ainda assim, não conseguia acreditar que fosse pura gentileza. Queria perguntar se ele queria algo em troca.
Mas não conseguiu formular a pergunta. Não saber suas intenções a deixava com medo da resposta.
Enquanto tentava encontrar palavras, a cortina se abriu novamente. A mão enluvada apareceu outra vez, elegante mesmo que apenas as pontas dos dedos estivessem visíveis. Quando juntou as mãos e as estendeu, outro papel caiu em suas palmas.
[Por que você está se escondendo aqui?]
Ela leu a pergunta curta várias vezes. Talvez ele fosse apenas um homem rico entediado, com muito tempo livre. Ter ajudado ela teria sido apenas um capricho? Girando o papel entre os dedos, murmurou:
— Tenho algo que preciso fazer. Mas acho que não posso fazer isso… em casa.
Saber que ele era um completo estranho a fez relaxar um pouco, e ela deixou escapar um pouco de sua frustração.
— Ninguém quer que eu faça isso. Sou a única insistindo. Mas ainda assim…
Sua voz foi diminuindo até quase desaparecer:
— Ainda tenho que fazer.
Ela não acrescentou que sentia que não suportaria de outra forma. Quando calou a boca, o silêncio voltou. Começou a pensar que deveria ir embora, imaginando se havia perdido o momento certo.
Então a cortina se abriu novamente, revelando uma mão enluvada, mas desta vez sem papel. Os dedos fizeram um pequeno gesto de chamado.
Ela hesitou, mas quando o gesto se repetiu, deu um passo à frente.
— O senhor… quer minha mão?
No momento em que estendeu a mão com incerteza, seu pulso foi agarrado e ela foi puxada para dentro da cortina.
Continua …
Tradução: Elisa Erzet
Ler O Marido Malvado (Novel) Yaoi Mangá Online
Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
Sinopse
Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui