Ler O Marido Malvado (Novel) – Capítulo 169 Online

Trabalhar como faz-tudo sob o nome de “Ilen” acabou sendo mais fácil do que o esperado. Eileen mantinha a boca firmemente fechada, fingindo não saber falar, e apenas se movia entre os bastidores, o depósito e seus aposentos na taverna.
Ninguém prestava atenção a um ajudante pequeno e magricela. Com metade do rosto coberto e sem dizer uma palavra, ela era ainda mais ignorada. As únicas exceções eram as dançarinas, que sempre lhe davam tarefas.
— Ilen!
— A Ilen está aí?
Por algum motivo que não conseguia entender, elas pareciam gostar bastante dela. Talvez fosse porque, sempre que Eileen fazia algo, se assustava e saía correndo, o que a tornava divertida de provocar.
Na verdade, toda vez que ia aos bastidores, Eileen sentia como se sua vida diminuísse um dia. Isso porque as dançarinas que se preparavam para o show se aproximavam dela com pouca roupa.
Achavam graça nas suas reações inocentes e raras, e agiam de forma ainda mais brincalhona com ela. Alessia ignorava todas as brincadeiras que as dançarinas faziam e sumia rapidamente depois de terminar seu trabalho. Mas Eileen se encolhia e reagia a cada pequena provocação, o que divertia ainda mais as dançarinas.
Hoje não foi diferente. Depois de ser cercada e provocada sem piedade, Eileen fugiu às pressas, carregando nos braços os figurinos que haviam deixado espalhados.
— Uh…
Ela estremeceu levemente. Alessia já havia dito várias vezes para não se esforçar demais, mas Eileen não conseguia evitar. Enquanto levava as roupas para lavar e se escondia em um canto, olhou para cima.
Alguns assentos no último andar da taverna eram camarotes de onde se podia ver claramente os bastidores. Haviam sido feitos de propósito para que clientes espionassem as dançarinas trocando de roupa. Eram os lugares mais populares — sempre cheios.
Estranhamente, desde que Eileen começara a trabalhar, os camarotes estavam vazios… exceto por um, que estava sempre ocupado.
De baixo, era difícil ver quem estava ali, então ela frequentemente se perguntava a identidade daquele cliente fixo.
Depois de colocar as roupas no cesto e correr para o depósito buscar os objetos do próximo espetáculo, percebeu que Alessia não estava por perto. Olhou ao redor, confusa—
— Wooooaaah!
De repente, gritos altos de entusiasmo irromperam acompanhados por uma chuva de pétalas. Pedaços de papel brilhantes e multicoloridos choviam de cima enquanto a música ficava mais alta. A reação foi muito mais extravagante que o normal, e Eileen espiou para fora para ver o que estava acontecendo.
Parecia que a multidão estava torcendo pela estreia de uma apresentação recém-preparada. Ela observou por um momento as dançarinas balançando grandes leques de penas, mas então avistou alguém que não deveria estar ali. As palavras escaparam em um murmúrio atordoado.
— …Pai?
Mas a voz dela, cheia de confusão, foi rapidamente engolida pela música alta. Eileen olhou para ele, paralisada.
Por um instante, pensou estar vendo coisas — mas não podia ser. Poderia alucinar sua mãe, mas nunca seu pai. Com olhos vazios e postura curvada, ele se esgueirava entre as pessoas, olhando ao redor nervosamente.
Eileen saiu do transe e se apressou para segui-lo para fora da área dos bastidores. A taverna mais popular da Rua Fiore estava tão cheia que mal dava para andar. Ela abriu caminho entre a multidão.
Seu pai entrou em uma passagem lateral estreita — o mesmo lugar onde já havia ido no passado para procurá-lo. Sem hesitar, levantou o pano da entrada e entrou.
Mas assim que entrou, seus passos vacilaram. O corredor comprido, os muitos quartos, os sons vindos de dentro, passado e presente se sobrepunham, e às vozes dos mortos ecoavam em sua mente.
— …
Uma tontura repentina a paralisou no lugar. Ela sentiu medo. A voz da mãe ainda soava em seu ouvido, mas Eileen se forçou a se mover novamente. Dessa vez, não havia Cesare para segurar sua mão. Ela precisava seguir o pai sozinha.
Queria chamá-lo, mas vestida de homem e se esgueirando, não podia. Ela procurava ansiosamente, pensando se deveria começar a abrir as portas fechadas uma por uma, quando finalmente avistou as costas dele.
Correu e agarrou seu pulso. O pai se sobressaltou e se virou.
— …O-que é isso–?!
Mesmo disfarçada, não esperava que ele não reconhecesse a própria filha. Eileen tirou rapidamente os óculos e sussurrou:
— Sou eu, pai.
Os olhos dele se arregalaram, mas, em vez de alegria, seu rosto se contorceu de raiva.
— Sua garota estúpida!
A explosão repentina fez Eileen se encolher e dar um passo para trás. Ele avançou na mesma medida que ela recuou, gritando:
— Se Sua Graça te escolheu como esposa, deveria estar se humilhando para agradá-lo, não fugindo!
Ela nem teve chance de perguntar o que ele fazia ali. Ele fez questão de mencionar “Sua Graça” em voz alta, e Eileen balançou a cabeça rapidamente.
Mas quando ele parecia prestes a gritar de novo, ela não teve escolha a não ser abrir a porta mais próxima. Por sorte, o quarto estava vazio. Ela rapidamente o arrastou para dentro.
Assim que entraram, o pai dela levantou a mão, mas não a bateu. Ele apenas a baixou novamente, respirando fundo, e a examinou.
— O que você acha que está fazendo?
— …E o senhor, pai?
Seu coração batia dolorosamente, mas ainda assim perguntou:
— O que está fazendo aqui?
— Ha! Você deixou seu pai preso naquele rancho sem sequer mandar uma mensagem, e agora está trabalhando numa taverna?
Falava como se nunca tivesse recebido as cartas que ela enviara. Havia tanto que queria dizer, mas tentou explicar primeiro — sem sucesso.
— Você vai voltar comigo agora mesmo para a mansão do Arquiduque.
Ele agarrou seu pulso e puxou. Eileen lutou para se soltar.
— Eu não posso voltar agora – ai, isso dói…!
Mas ele não tinha intenção de ouvir. Para ser mais precisa, ele não tinha interesse algum nela.
— Deveria ser grata pelo favor de Sua Graça, não agir com arrogância. Por sua causa—
— Por favor, me escute!
As palavras escaparam antes que ela percebesse. O aperto dele afrouxou o suficiente para ela se soltar. Ela esfregou o pulso dolorido e o encarou.
— Eu só saí por um tempo… porque tenho algo que preciso fazer. Quero… ajudar Sua Graça.
Mas ele apenas zombou:
— Você?
— …
— Acorda. Só porque você viveu como Arquiduquesa por alguns meses não significa que se tornou alguém importante. Ajudar Sua Graça? Ha! Agradá-lo e aquecer sua cama é ajudar, não essa besteira egoísta que você está fazendo.
Suas palavras cortantes vinham sem parar, afiadas como cacos de vidro. Mas Eileen não recuou. No passado, poderia ter se encolhido, mas agora pelo menos conseguia responder, mesmo que a voz tremesse.
— …Eu não sou um bichinho de estimação.
Ia continuar, mas o barulho do lado de fora aumentou de repente. Alguém bateu na porta e gritou:
— Saiam agora! Inspeção!
Ao ouvir “inspeção”, seu pai correu para abrir a porta. O corredor, antes silencioso, virou caos. Pessoas saíam dos quartos.
Ele abordou um homem próximo:
— Inspeção? De quem?
— Drogas, o Exército Imperial! Receberam uma denúncia sobre drogas!
Ao ouvir isso, seu pai desapareceu na multidão antes que Eileen pudesse detê-lo.
E ela não tinha tempo para persegui-lo.
O Exército Imperial.
Se fosse pega na inspeção, estava acabada.
Precisava se esconder imediatamente. Mas o quarto era vazio demais para escondê-la, e lugares assim seriam revistados primeiro de qualquer forma. Então lhe veio um esconderijo à mente.
Os camarotes do andar de cima…
Continua…
Tradução: Elisa Erzet
Ler O Marido Malvado (Novel) Yaoi Mangá Online
Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
Sinopse
Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui