Ler O Marido Malvado (Novel) – Capítulo 161 Online

Enquanto aguardava a resposta de Cesare, Eileen desejava fervorosamente apenas uma coisa: que ele negasse sua pergunta.
Mas Cesare não negou. Ele apenas soltou uma risada curta e amarga. Uma risada dirigida a si mesmo.
Eileen sentiu seu mundo desmoronando. Como a queda do Panteão, era como se tudo que compunha seu mundo estivesse ruindo.
Em meio aos destroços de seu mundo despedaçado, Eileen olhou para Cesare. Ela o encarou em branco por um momento antes de, de repente, empurrá-lo.
Mas Cesare não a soltou. Presa firmemente em seus braços, Eileen não conseguia se mover.
Aprisionada em seu abraço, ela lutou para respirar por um tempo. Talvez, na desgraça, houvesse uma pequena misericórdia: nenhuma lágrima caiu. Era como se o choque as tivesse secado. Depois de uma agonia que pareceu uma eternidade, ela finalmente encontrou sua voz:
— Por que… você mentiu pra mim…? — Seu aperto em suas roupas se intensificou. Ela agarrou o tecido com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos enquanto o questionava: — Por que só está me contando isso agora?
Cesare olhou para Eileen, absorvendo sua angústia sem desviar o olhar. Ele absorveu tudo.
— Se eu pudesse permanecer em silêncio, teria ficado para sempre.
O significado por trás de seu murmúrio baixo era claro. Fora por causa dela.
A mão que a segurava, impedindo-a de se afastar, afrouxou. Sem hesitar, Eileen se soltou de seu abraço e baixou o olhar.
— O colapso do Panteão hoje foi um aviso dos deuses. De que você pode morrer novamente a qualquer momento.
Cesare permaneceu calmo ao explicar isso para a trêmula Eileen. Ela cerrou os dentes.
— Você realmente fez um acordo com os deuses? Se foi para me trazer de volta à vida… — Eileen perguntou com a voz mais controlada que conseguiu reunir: — O que você ofereceu em troca?
— Você já sabe. Um corpo imortal.
— isso é mentira!
Pela primeira vez em sua vida, Eileen o interrompeu e gritou. Algo que nunca havia feito antes, que jamais imaginou fazer. A voz que ela mal conseguia manter firme agora tremia incontrolavelmente:
— Não pode ser apenas isso. Tem mais, não é?
Para alguns, a imortalidade pode parecer um desejo de vida inteira. Mas para alguém pedir aos deuses que invertessem a própria ordem da vida e da morte, exigindo a ressurreição de alguém, não havia como o preço ter sido algo tão simples quanto a imortalidade.
Especialmente se, como em seu sonho, Cesare realmente tivesse sacrificado inúmeras vidas inocentes como oferenda.
Eileen fechou o punho e o pressionou contra o peito dele. Ela queria socá-lo, tomada pelo ressentimento, mas não conseguia se forçar a machucá-lo, nem um pouco. Em vez disso, só conseguiu soluçar e murmurar:
— Por que você fez isso? Por quê, por quê…?
— Porque eu precisava de você. — Cesare segurou a mão de Eileen, que havia ficado vermelha pela pressão. — Eu precisava de você na minha vida… isso é tudo, Eileen.
Cesare admitiu que tudo aquilo tinha sido sua própria decisão profundamente egoísta.
Mas Eileen não conseguia entender a escolha dele. Ela tentou se livrar dele, mas o homem a segurou com firmeza.
— Me solta.
— Eileen.
Cesare chamou seu nome. Era um nome que ela sempre ficava feliz em ouvir. Um nome que antes fazia seu coração disparar, a enchia de alegria e, às vezes, a confortava.
Mas não agora. Neste momento, ela desejava desesperadamente que ele não a chamasse assim. Contendo os soluços que cresciam, ela olhou para Cesare.
Ela não sabia que expressão estava fazendo. Mas certamente não era o mesmo olhar com que sempre o encarou, como se fosse um sonho.
Pela primeira vez, os olhos normalmente claros de Cesare se turvaram. Sombras passaram por eles. Eileen, observando-o, sussurrou em um tom suplicante:
— Por favor…
A força nas mãos de Cesare enfraqueceu. Imediatamente, Eileen se libertou de seu abraço.
O calor que a envolvera desapareceu num instante, deixando um frio que penetrava sua pele. Era um frio que ela não havia notado enquanto estava em seus braços.
Eileen estremeceu. Mas ela não se virou. Mesmo sentindo o olhar dele agarrado a ela, ela não olhou para trás. Simplesmente se afastou do quarto, sozinha.
Desde a infância até agora, Eileen sempre viveu com uma mente profundamente lógica.
O único momento verdadeiramente irracional de sua vida tinha sido quando ela rezou por Cesare. Ela implorou a todos os deuses existentes que cuidassem dele.
Mas os deuses não responderam suas orações.
— Hhic, hh….
Eileen engoliu os soluços que ameaçavam escapar. Lágrimas escorriam sem parar por seu rosto. Enxugá-las era inútil; continuariam caindo. Mas não podia danificar o livro. Franzindo o rosto em aflição, enxugou os olhos desajeitadamente com a manga.
Não era o suficiente. Pressionando o tecido firmemente sob os olhos, ela continuou a folhear as páginas. Ao seu lado, uma pilha imponente de livros se formara, todos sobre os mitos da fundação.
As palavras dispersas de Cesare, o sonho que ela tivera no Panteão…
Ela tentou juntar as peças. As pistas pareciam se alinhar com os antigos mitos da fundação.
‘Eu tenho que aceitar coisas que não podem ser comprovadas cientificamente.‘
Tanta coisa já se distorcera além da realidade. Se ela queria entender o que Cesare sacrificou e qual era realmente seu estado atual, teria que entrar nesse sonho também.
‘Ele deve ter querido que eu descobrisse eventualmente. Por isso deixou pistas esse tempo todo.’
Cesare não havia escondido completamente a verdade. Se tivesse, não teria dito nada. E ainda assim, mesmo sabendo que a verdade a machucaria, ele deixou escapar esses fragmentos.
Só podia haver uma razão.
‘Há um limite de tempo.’
Eventualmente, chegaria um momento em que a verdade seria revelada — algo que nem mesmo Cesare poderia impedir.
‘Algo deu errado desta vez, e é por isso que o Panteão desabou.’
O acordo entre Cesare e os deuses não estava indo bem. Isso era certo. O desastre havia sido um aviso. O fato de apenas ela ter saído ilesa era prova disso.
Eileen examinou o texto obsessivamente antes de fechar os olhos. Por mais que tentasse, não conseguia afastar os pensamentos que invadiam sua mente.
‘Por quê? Por que ele faria algo assim por alguém como eu?’
Se vidas humanas tivessem peso, a de Cesare seria muito mais pesada que a dela. Ela não passava de uma simples boticária, enquanto Cesare era a espada do Império. Sem ele, o Império Traon não poderia se sustentar.
E ainda assim, alguém que deveria entender seu próprio valor melhor do que ninguém havia escolhido se sacrificar por ela.
Era uma verdade absurda. Mais parecida com um sonho do que qualquer ilusão.
Lágrimas brotaram novamente. Enxugando sua visão embaçada com a manga, Eileen se esforçou para absorver o conteúdo do livro.
[[…Diz-se que o imperador fundador ofereceu um leão alado como sacrifício em holocausto, mas essa parte está aberta à interpretação.
Alguns argumentam que o leão alado é apenas simbólico, e como representa a família real de Traon, o imperador pode ter sacrificado um membro da realeza, ou até mesmo o povo do império.
O imperador havia rezado aos deuses, declarando que, se não realizassem seu desejo, ele ofereceria sacrifícios humanos…]
Eileen recordou do ritual de sangue realizado diante do altar em chamas. Rapidamente, ela fez anotações sobre a passagem. Não encontrando mais nada útil no restante do texto, ela pegou outro livro.
Foi então que—
— Minha senhora…
Absorvida na leitura, ela nem sequer ouviu a batida na porta. Só percebeu quando ouviu a voz bem ao seu lado. Levantou o olhar, com os olhos inchados de tanto chorar.
— Sonio…
Ele colocou uma pequena bandeja sobre a mesa. Nela havia uma xícara de leite quente.
— Não vou perguntar por que a senhora está assim.
Sonio colocou um lenço ao lado da bandeja.
— Mas por favor, ao menos descanse um pouco. É o pedido de um velho.
Só então Eileen percebeu que não havia comido nem dormido. Apenas chorou e leu sem parar.
— Receio que isso lhe fará muito mal.
Diante do pedido sincero de Sonio, Eileen abaixou o olhar lentamente. Ele estava certo. Mas ela não sentia fome nem sono. Se fosse sincera, tinha medo de fechar os olhos. Com a voz rouca, murmurou:
—…Desculpa.
— Não há necessidade de se desculpar.
O rosto de Sonio se contorceu em preocupação. Ele se ajoelhou, ficando na altura dos olhos de Eileen.
— Nesse caso, posso fazer um pedido?
Ele falou gentilmente:
— Os cavaleiros vieram vê-la. A senhora irá recebê-los?
Continua …
Tradução Elisa Erzet
Ler O Marido Malvado (Novel) Yaoi Mangá Online
Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
Sinopse
Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui