Ler O Marido Malvado (Novel) – Capítulo 160 Online

Eileen pensou que talvez Cesare fosse rir. Apenas um leve curvar dos lábios, como ele sempre fazia. Secretamente, ela esperava que ele descartasse seu sonho como algo sem sentido, tranquilizando-a com sua habitual certeza.
Mas ele não disse nada.
O som de gotas d’ água caindo na banheira ecoava no silêncio. O vapor quente subia, preenchendo o ambiente com calor e umidade.
Cesare estendeu a mão lentamente e colocou seu cabelo atrás da orelha. Apesar de estar submersa na água morna, a pele que ele tocou se arrepiou.
Quanto mais o silêncio se prolongava, mais ansiosa Eileen ficava. Incapaz de suportar por mais tempo, chamou hesitante:
— Cesare…?
Cesare inclinou levemente a cabeça para trás, revelando a curva marcada do pescoço. Ele encarou o teto por um momento antes de voltar a olhar para ela.
— Por que você acha que eu não faria algo assim?
Não havia nenhum traço de diversão em seus olhos vermelhos.
Os lábios de Eileen se abriram como se fosse responder.
— Porque o Cesare que eu conheço nunca…
Ela queria dizer. Que o Cesare que ela conhecia não era assim.
Mas não conseguiu terminar a frase.
Pensar que conhecia tudo sobre Cesare; isso, por si só, era arrogante.
Enquanto hesitava, procurando as palavras certas, Cesare estendeu a mão e beliscou levemente sua bochecha. A tensão sufocante que preenchia o ar se dissipou como bolhas.
— Você precisa terminar o banho e descansar.
Sem prolongar a conversa, Cesare voltou a ensaboá-la.
Eileen entregou completamente o corpo às mãos dele. Ele tocou tudo, desde o peito às partes mais íntimas entre suas pernas.
Já havia ficado envergonhada quando o homem a carregou em público, então resistir agora parecia inútil. Assim como ignorara seu pedido para ser colocada no chão, ele também não deu atenção às suas tentativas de tomar banho sozinha.
Por fim, Cesare limpou meticulosamente cada parte do corpo dela pessoalmente.
Mesmo quando ela se remexia desconfortável, ele permaneceu indiferente.
E isso foi apenas o começo.
Após o banho, ele a envolveu em uma toalha grande, secou seu cabelo e aplicou óleos perfumados em sua pele. Ele a vestiu com roupas de dormir macias, então a acomodou na cabeceira da cama e começou a alimentá-la com o jantar, colherada por colherada.
Seu cuidado fez seu rosto corar intensamente.
Ela estava tão envergonhada que tinha dificuldade até de abrir a boca, mas Cesare simplesmente pressionava a colher suavemente contra seus lábios, incentivando-a em silêncio a comer. Não teve escolha senão obedecer.
Ele era um príncipe de nascimento, agora o Arquiduque de Traon, abaixo apenas do imperador. Este homem sempre fora servido por outros, mas cuidava dela com a facilidade de alguém que já havia feito isso muitas vezes antes.
Se não soubesse, ela pensaria que não era a primeira vez que ele a dava banho e a alimentava.
Depois de muito esforço, ela finalmente terminou a refeição. Enquanto Cesare se afastava para recolher os pratos, Eileen agarrou o cobertor com ambas as mãos, se contorcendo em silenciosa vergonha.
Ela soltou um suspiro baixo.
Os outros deviam estar preocupados.
Ela ouvira que os outros cavaleiros, exceto Senon, estavam longe demais para vê-la a tempo. Devem ter corrido até a capital, apenas para descobrir que ela já havia sido resgatada e levada de volta à residência do Arquiduque.
Eles deviam estar tão preocupados…
Senon havia chorado, Sonio estivera à beira das lágrimas, e até mesmo Cesare dissera algo completamente inesperado.
Provavelmente já tinham sido informados de que estava bem, mas ainda assim ela se sentia culpada por ter causado preocupação.
Seus pensamentos voltaram para Ornella. Da última vez que Eileen a vira, ela estava completamente inconsciente.
Sabia que Ornella sobreviveria, mas se preocupava que seus ferimentos deixariam danos permanentes, especialmente porque Ornella tinha muito orgulho de sua aparência.
Eileen fez uma nota mental para dar a ela uma pomada de cura junto com os analgésicos.
Enquanto estava perdida em pensamentos, Cesare retornou à cama. Sem hesitar, a puxou de volta para seus braços. Ela passará o dia inteiro assim, então instintivamente ajustou sua posição para ficar confortável.
A mão dele acariciou suavemente seu rosto enquanto murmurava:
— Os cavaleiros querem te visitar amanhã. Se você estiver cansada demais, não precisa vê-los.
— Não, eu quero vê-los!
Ela estava pensando neles momentos atrás, então a notícia a deixou feliz.
Vê-la bem os tranquilizaria.
Eileen apoiou a cabeça no peito de Cesare, ouvindo os batimentos constantes de seu coração. Foi embalada por aquele ritmo até sentir a mão dele deslizar por seu pescoço.
Seus dedos percorreram sua pele macia, pressionando levemente sobre a clavícula. Não era exatamente um toque íntimo, mas também era demorado demais para ser apenas um gesto de carinho.
Seu corpo, já aquecido pelo banho, ficou ainda mais quente sob seu toque.
Fadiga e um prazer tênue se misturaram, deixando-a sonolenta. Ela estava quase cochilando quando,
— Não vá mais ao templo.
A declaração repentina a despertou.
Eileen ergueu lentamente a cabeça para encará-lo.
O olhar de Cesare estava calmo enquanto ele continuava:
— Não busque os deuses. Não reze.
— …
— Mesmo que seja apenas um altar de brinquedo, não chegue perto.
Era estranho. Cesare nunca acreditara em deuses.
Eileen achou perturbador que o homem estivesse falando como se eles fossem reais.
Como se estivesse tentando evitá-los.
Mesmo quando ela ficou soterrada sob o santuário desmoronado, Cesare não rezou. Em vez de implorar por intervenção divina, ele mesmo escavou os escombros para encontrá-la.
Então por que estava dizendo isso agora?
— Por quê…?
Cesare não respondeu.
Apenas acariciou sua nuca em silêncio.
A sonolência desapareceu, substituída por uma clareza inquietante.
A voz de Cesare ecoou em sua mente.
“Por que você acha que eu não faria algo assim?”
“Eu desejo que Eileen Elrod seja trazida de volta à vida.”
Sonho e realidade se misturaram.
Então, memórias ressurgiram — memórias que antes pareciam desconexas, mas que agora se encaixavam como peças de um quebra-cabeça.
“É por isso que você é meu pesadelo, Eileen.”
Ele a havia chamado de pesadelo.
“Os pesadelos com você… eu mesmo os criei.”
“Como você cria um sonho?”
“Você só precisa oferecer os sacrifícios certos.”
Ele havia falado sobre sacrificar pessoas para seus pesadelos.
“Não é por minha causa, certo? O jeito que você é agora…”
“Claro que não.”
Ele negara.
Todos esses fragmentos de memória, cuidadosamente organizados em sua mente, de repente desmoronaram como um castelo de cartas.
E então—
“Eu costumava ter um relógio de bolso idêntico. Ele pertencia a um condenado.”
As peças que faltavam no quebra-cabeça se encaixaram.
Ainda havia lacunas, perguntas sem resposta.
Mas ela tinha visto o suficiente para chegar a uma conclusão horrível.
Sua respiração parou.
Arrepios percorreram todo o seu corpo.
Não era apenas medo ou desespero… era algo muito maior, uma emoção tão esmagadora que ela nunca havia sentido nada igual.
Sua visão escureceu.
Tique-taque. Tique-taque.
O som fantasmagórico do ponteiro dos segundos de um relógio ecoou em seus ouvidos.
Cesare percebeu a mudança nela imediatamente. Segurou seu rosto, seus olhos vermelhos examinando suas feições.
Ela não conseguia esconder dele.
Sua visão estava tão turva que ela mal conseguia distinguir seu rosto, apenas aqueles olhos vermelhos vívidos permaneciam distintos.
E, do fundo de sua alma, ela forçou uma única pergunta dolorosa:
— Cesare… o jeito que você é agora…
As palavras que saíam dela eram dolorosas, como cuspir lâminas. Ainda assim, Eileen perguntou:
— É por minha causa?
Continua…
Tradução: Elisa Erzet
Ler O Marido Malvado (Novel) Yaoi Mangá Online
Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
Sinopse
Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui