Ler O Marido Malvado (Novel) – Capítulo 159 Online

O Duque Farbellini estava fora de si diante do santuário desabado, gritando e gesticulando de forma descontrolada. Seus acessos de fúria estavam atrasando a operação de resgate, a ponto de os soldados precisarem contê-lo.
Quando Ornella finalmente foi resgatada, o duque viu o estado lastimável de sua preciosa filha única. Sem hesitar, ele agrediu um dos trabalhadores que ajudavam no resgate.
Ele precisava culpar alguém pelos ferimentos da filha. O trabalhador, que se esforçara incansavelmente para salvar vidas, só pôde suportar a injustiça; ninguém ousou protestar contra o Duque Farbellini.
Felizmente, o duque logo recuperou a razão. Percebeu que aquele não era momento para fúria; o tratamento de sua filha era a prioridade.
Ele levou Ornella apressadamente de volta à propriedade ducal. Já havia chamado um médico renomado especializado em traumatologia, além do médico pessoal da família. O tratamento começaria imediatamente.
Antes de deixar as ruínas do santuário, o Duque Farbellini se virou para olhar Eileen. Seus olhares se encontraram, mas ele não disse nada.
Era óbvio quem havia prestado os primeiros socorros em Ornella. Elas estavam presas juntas — não havia mais ninguém que pudesse ter feito aquilo. Ainda assim, não houve sequer uma palavra de agradecimento. O duque apenas a encarou por um longo momento antes de se afastar.
Eileen se encolheu sob aquele olhar. Não havia gratidão em sua expressão, apenas uma raiva inexplicável.
‘Será porque fui a única que saiu ilesa?’
Entre todos os que estavam presos no santuário, Eileen foi a única resgatada sem um único arranhão. Os outros guardas e sacerdotes sofreram ferimentos graves — alguns até morreram.
Somente Eileen saiu ilesa. Era praticamente um milagre.
Quando foi retirada dos escombros, Senon, que aguardava ansiosamente do lado de fora, soltou um soluço sufocado. Ele verificou seu estado, a voz tremendo de emoção.
Ela queria tranquilizá-lo, dizer que estava bem. Mas, por algum motivo, não conseguiu.
— …
Eileen se remexeu, inquieta, puxando o cobertor para mais perto de si.
Imediatamente, uma mão grande se estendeu e ajustou cuidadosamente o cobertor para ela novamente.
Sentindo-se um pouco envergonhada, ela olhou para cima. Cesare a observava em silêncio. Confusa, Eileen desviou rapidamente o olhar. Sem dizer nada, Cesare a puxou de volta para seus braços.
Desde o momento em que foi resgatada dos escombros, Eileen permaneceu o tempo todo nos braços de Cesare.
A princípio, ela se agarrou a ele por puro alívio. Mas, com o passar do tempo, começou a se sentir envergonhada.
Inúmeras pessoas estavam reunidas para o resgate, e ela tinha plena consciência dos muitos olhares sobre eles. Ser carregada tão abertamente por Cesare a deixava constrangida.
Pediu que ele a colocasse no chão, mas o homem ignorou completamente. O máximo que conseguiu foi que ele a carregasse com apenas um braço, para manter a aparência de que seu ombro ferido ainda era um problema.
Mesmo depois que chegaram à residência, Cesare desceu da carruagem, ainda carregando Eileen como se fosse a coisa mais natural do mundo.
— Minha senhora!
Sonio, que andava de um lado para o outro na entrada da mansão, correu até eles. Parecia ter envelhecido dez anos em poucas horas. No momento que viu Eileen segura, desabou de alívio.
Os outros criados se assustaram e correram para ampará-lo. Eileen, surpresa, estendeu a mão em sua direção, só então percebeu que ainda estava nos braços de Cesare. Sua mão se agitou inutilmente no ar.
— Graças a Deus… Que alívio… de verdade…
Sonio repetia essas palavras, com os olhos cheios de lágrimas.
Apesar do estado emocional, logo começou a se apressar para cuidar dela.
— Perdoe a tolice deste velho. A senhora deve estar exausta. Mandarei sua refeição aos seus aposentos. O banho já está preparado, e eu—
— Eu cuidarei disso.
Com as palavras de Cesare, tanto Eileen quanto Sonio congelaram. Cesare, porém, não esperou resposta. Sem hesitar, levou Eileen para dentro.
Ainda atordoada, Eileen só percebeu o que estava acontecendo quando suas roupas começaram a ser retiradas.
Ele estava seriamente planejando dar banho nela.
— C-Cesare! Eu posso fazer isso sozinha…!
Seu protesto foi ignorado. Cesare não disse nada enquanto removia o vestido rasgado, estreitando levemente os olhos.
Agora que pensava sobre isso, este era o vestido que Cesare havia lhe dado de presente. A percepção a fez sentir-se culpada; ela o rasgara para tratar Ornella.
Enquanto o homem a despia com facilidade, Eileen tentou explicar, gaguejando:
— O vestido… Eu precisei usá-lo para os primeiros socorros da senhorita Ornella. Ela estava sangrando muito, então eu tive que estancar o sangue e imobilizar o braço quebrado…
No meio de sua explicação, percebeu que estava completamente nua.
Estar exposta diante de Cesare sempre a deixava envergonhada. Mas o fato de não ser um momento íntimo, apenas um banho, tornava tudo ainda mais embaraçoso.
Instintivamente, ela moveu os braços para cobrir o peito, mas Cesare segurou seus pulsos.
Ele começou a examiná-la. Verificou a parte da frente e, em seguida, a virou gentilmente para inspecionar suas costas, certificando-se de que não havia ferimentos.
Uma vez satisfeito, levou-a até a banheira. Sem qualquer aviso, a levantou e a colocou na água morna.
Eileen afundou no calor da água e olhou cautelosamente para Cesare. Ele arregaçava as mangas, preparando-se para lavá-la.
Ela murmurou, quase inaudível:
— Eu realmente posso fazer isso sozinha…
Cesare, no meio do movimento, virou-se para olhá-la. Seu rosto era ilegível, quase indiferente. Mas seu olhar era obsessivo, preso a ela.
Após um momento de silêncio, ele se aproximou e começou a lavá-la.
Eileen tentou ajudar, mas Cesare lançou-lhe um olhar penetrante, e ela obedientemente abaixou as mãos.
Seus dedos roçaram o rosto dela enquanto o limpava. O toque era suave, sem qualquer sinal de ferimento. No entanto, Eileen se lembrava de suas mãos cobertas de sangue.
Seus ferimentos cicatrizavam rápido, mas ela detestava a forma descuidada como ele tratava o próprio corpo. Queria repreendê-lo por isso; mas agora não era o momento.
Em vez disso, apenas o observou em silêncio.
A voz de Cesare ecoava em sua mente.
“Eu fiquei com medo, Eileen.”
“Desejo que Eileen Elrod seja trazida de volta à vida.”
As palavras da realidade e do sonho se misturavam em seus pensamentos, recusando-se a desaparecer.
Ela fechou os olhos por um instante, depois os abriu lentamente e falou:
— Meu relógio de bolso tem estado estranho.
A mão de Cesare parou.
Percebendo que tinha sua atenção, Eileen continuou:
— Não sei se o quebrei, mas ele fica parando e voltando a funcionar. Estava pensando em mandar consertar. E…
Ela hesitou.
Podia dizer isso?
Não tinha certeza. Mas não conseguia guardar para si.
— Enquanto eu estava presa no Templo… bem na hora que ele desabou, eu desmaiei por um momento. E tive um sonho muito estranho. Você estava nele, Cesare.
Uma gota de água caiu de seus cabelos molhados, quebrando a superfície imóvel da água.
Dedos longos roçaram seus lábios. Em seguida, acariciaram sua bochecha corada, aquecida pela água do banho.
A voz dele era baixa e calma ao perguntar:
— Que tipo de sonho?
— Foi completamente absurdo. Porque, no sonho, você estava oferecendo um sacrifício diante do Grande Templo.
Cesare desprezava coisas sem sentido. Eileen hesitou, observando sua expressão.
Mas ele apenas inclinou levemente o queixo, silenciosamente incentivando-a a continuar.
— Você sacrificou homens comuns. Dez num dia, depois cem no seguinte…
Dizendo em voz alta, percebeu o quão absurdo soava. Segurou a mão dele; aquela que ainda tocava seu rosto, e prosseguiu:
— Então as chamas do altar ficaram douradas, como se um deus tivesse descido. Você fez um pedido, mas era tão inacreditável…
Ela parou, olhando para ele.
Seus olhos carmesim estavam estranhamente calmos.
Com uma voz baixa e firme, ele perguntou:
— Qual foi o meu pedido?
Eileen hesitou, então soltou uma risadinha sem graça:
— Você desejou me trazer de volta à vida.
Continua…
Tradução: Elisa Erzet
Ler O Marido Malvado (Novel) Yaoi Mangá Online
Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
Sinopse
Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui