Ler O Marido Malvado (Novel) – Capítulo 162 Online

Só depois de ouvir aquelas palavras Eileen percebeu que havia pessoas preocupadas com ela.
Os cavaleiros, mais do que qualquer um, devem ter ficado ansiosos ao saber que ela havia estado dentro do Pantheon desabado. Devem ter corrido até ela, tomados pela preocupação. Ela não podia simplesmente dispensá-los sem encontrá-los.
Ela também tinha muitas perguntas a fazer.
Eileen fechou o livro que estava lendo e se levantou.
— Claro, eu deveria—
Mas, no momento em que se pôs de pé, sua visão oscilou. Uma onda repentina de tontura a fez cambalear, obrigando-a a se apoiar na mesa.
— Eileen!
Sonio a segurou rapidamente. Ele sempre a tratou formalmente como ‘Minha Senhora’, e ouvi-lo chamá-la pelo nome, como fazia antes do casamento, era algo raro. Apoiando-se nele, Eileen mal conseguiu se estabilizar.
— Me… desculpe…
O pedido de desculpas fraco fez Sonio balançar a cabeça enfaticamente. Ele a aconselhou a descansar, embora pela sua expressão, estava claro, já sabia que ela não o faria.
— …Não sei o que Sua Graça fez para magoá-la, — disse Sonio, examinando cuidadosamente seu rosto, — mas se houver algo que eu possa fazer para ajudar, por favor, me diga. Estou ao seu lado.
Sonio era um dos homens de Cesare. Ela sabia que ele nunca poderia colocá-la acima de tudo. Ainda assim, sua disposição em ficar ao seu lado trouxe certo conforto.
Eileen respondeu em voz baixa:
— Obrigada.
Com a ajuda de Sonio, ela foi até a sala de estar, onde os cavaleiros a aguardavam.
— Deixarei que conversem em particular.
Sonio apenas abriu a porta e não entrou. Os cavaleiros, que estavam sentados inquietos, imediatamente se levantaram ao ver Eileen.
— Senhora Eileen!
Diego, que estava andando de um lado para o outro agitado, foi o primeiro a se aproximar. Só depois de ver com seus próprios olhos que ela estava ilesa que ele finalmente suspirou aliviado.
Ele segurou as mãos de Eileen com força, sua tensão visivelmente se dissipando enquanto seu rosto se contorcia, quase à beira das lágrimas. Com a voz trêmula, ele murmurou:
— Estou tão feliz que você está segura.
Só depois que Lotan se aproximou e deu um tapinha firme em suas costas, é que Diego percebeu que havia segurado as mãos de Eileen sem permissão. Ele a soltou rapidamente, murmurando uma desculpa, e então pressionou os lábios.
Ao olhar para ele, Eileen percebeu que seus olhos estavam avermelhados.
Diego tinha a pele naturalmente morena, suas emoções raramente apareciam em seu rosto. Mas, para seus olhos estarem tão vermelhos, ele devia ter chorado bastante.
Eileen lentamente desviou o olhar. Atrás de Diego, Lotan estava em seu silêncio habitual, mas quando seus olhos se encontraram, ele fez um lento aceno respeitoso. Seu rosto permaneceu impassível, mas até Eileen conseguia ler a mistura de preocupação e alívio em seu olhar.
— …Minha Senhora.
Michelle, meio escondida atrás de Lotan, deu um pequeno passo à frente, finalmente se revelando. Ela franziu o nariz, tentando desesperadamente conter as lágrimas.
Senon, ao lado dela, também se moveu levemente para ter uma visão melhor de Eileen. Embora ele estivesse no templo, parecia que só agora, ao confirmar mais uma vez que ela estava segura, conseguia respirar de verdade.
Os cavaleiros estavam todos pálidos, como se tivessem sido eles os soterrados sob os escombros. Se alguém os visse naquele momento, poderia pensar que todos eles tinham ficado presos sob o Panteão desabado.
Eles devem ter largado tudo para correr para a residência do arquiduque ao saber da notícia.
Eileen abriu os lábios trêmulos. Ela queria tranquilizá-los, sorrir de forma radiante e mostrar que estava completamente bem. Planejava dizer alegremente que não tinha se machucado nem um pouco.
— M-Muito obrigada…
Mas as palavras que saíram foram instáveis, sua voz trêmula. No momento em que falou, lágrimas vieram aos seus olhos. Antes que pudesse contê-las, uma gota escorreu pelo seu rosto. Ao verem isso, os cavaleiros congelaram no lugar, os olhos arregalados.
Eileen limpou rapidamente as lágrimas com a manga. Mas suas roupas já estavam encharcadas por ter chorado antes, e isso já não ajudava. Ainda sem conseguir secar o rosto direito, ela perguntou:
— Vocês… sabiam?
Embora a pergunta fosse breve, as expressões dos cavaleiros vacilaram ao mesmo tempo. Até eles, acostumados a lidar com pessoas, não conseguiram esconder completamente suas reações.
Eileen perguntou novamente:
— Vocês sabiam, não é mesmo? Que Cesare ficou assim… por minha causa.
Nenhum deles conseguiu falar. Vê-los permanecer em silêncio, como se estivessem presos por um acordo tácito, fez as lágrimas de Eileen caírem ainda mais.
As lágrimas incessantes eram frustrantes. Enquanto esfregava os olhos bruscamente com a manga, os cavaleiros simultaneamente colocaram as mãos nos bolsos e puxaram lenços.
De repente, ela tinha quatro lenços nas mãos.
Ela pressionou dois deles contra os olhos, segurando o choro. Foi então que Lotan falou, com a voz pesada:
— …Sinto muito.
Ele observou cuidadosamente Eileen enquanto continuava:
— Não foi nossa intenção esconder isso de você. Mas nós mesmos não entendemos completamente a situação. Pensamos em te contar quando tivéssemos mais clareza.
— E… Cesare não queria que eu soubesse, não é?
Lotan não negou suas palavras. Ele admitiu em voz baixa:
— …Isso é verdade.
Eileen abaixou lentamente o lenço. Segurando o tecido úmido nas mãos, ela se virou para Michelle.
— Michelle.
Michelle, que estava observando nervosamente, se encolheu antes de responder com uma voz baixa:
— Sim?
— Você lembra do que eu te pedi antes?
— Claro! Eu não esqueci, nem por um segundo!
Eileen havia pedido anteriormente a Michelle que lhe contasse tudo o que sabia sobre Cesare, coisas das quais Eileen não tinha conhecimento. Na época, ela concordou. Mas até agora, não contara nada.
Agora, em pânico, Michelle estava tagarelando, dizendo que até se desdobraria para ajudar se Eileen pedisse. Ela estava nervosa demais para falar de forma coerente.
Eileen encontrou o olhar de cada cavaleiro. À medida que seu olhar recaía sobre eles, os quatro enrijeceram como se tivessem sido perfurados por uma lança.
— Então me contem tudo agora. Tudo o que sabem.
A essa altura, suas lágrimas haviam cessado. Com determinação inabalável, ela declarou:
— Eu quero trazer Cesare de volta ao que ele era.
O Império Traon estava em turbulência após uma série de incidentes na residência arquiducal.
Muitos testemunharam o Arquiduque, que supostamente estava se recuperando de um ferimento, cavando desesperadamente entre os escombros do Panteão, procurando freneticamente pela Arquiduquesa.
Rumores se espalharam de que, apesar do ferimento no ombro, ele havia removido os destroços com as próprias mãos até sangrarem, gritando o nome de Eileen.
Felizmente, a Arquiduquesa foi resgatada ilesa, e o império se comoveu com o profundo amor entre eles. No entanto, alguns acharam a situação estranha.
Como o Arquiduque, ferido por um tiro, conseguiu levantar pedras tão pesadas?
Ainda assim, dada a gravidade do incidente, essas dúvidas logo foram enterradas sob questões mais urgentes.
Enquanto isso, o Arquiduque Erzet solicitou uma audiência não oficial com o Imperador.
Publicamente, o encontro não foi anunciado. Não se tratava de uma discussão formal entre soberano e súdito, e sim uma conversa entre irmãos.
— …Cesare.
Leone soltou uma risada curta e seca ao olhar para o irmão mais novo. Diferente de seu uniforme militar habitual, Cesare estava vestido com trajes formais, sem demonstrar sinais de desconforto físico.
Exceto por sua pele ligeiramente pálida, ele parecia completamente bem. Embora seus olhos estivessem sombreados pela falta de sono, suas íris brilhavam com um vermelho ainda mais intenso.
Leone franziu a testa ao falar:
— Seu ombro já está curado? Mesmo assim, no Pantheon, você—
— Por que fez isso?
Cesare o interrompeu abruptamente. Leone ficou em silêncio por um momento antes de responder:
— …Fiz o quê?
— Por que você mandou Eileen ao templo? Você sabia que ela não se dava bem com a senhorita Farbellini.
Cesare deu um passo à frente. Por um breve instante, Leone sentiu um perigo instintivo, a vontade de recuar. Mas ele se forçou a permanecer firme.
Cesare o encarou de cima, seu rosto ilegível.
— Você não está escondendo nada de mim, não é, irmão?
Continua…
Tradução: Elisa Erzet
Ler O Marido Malvado (Novel) Yaoi Mangá Online
Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
Sinopse
Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui