Ler Late Bloomers (Novel) – Capítulo 105 Online


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CAPÍTULO 105

 

— Dia 450 após a destruição da Terra. Estamos abandonando o planeta Sejak e seguindo em frente.

Cahaya estava sentado sobre uma duna de areia do planeta em ruínas.

Segurava um gravador retangular junto ao ouvido, enquanto apoiava com cuidado sobre a própria coxa a cabeça da pessoa que parecia estar dormindo.

“Se eu continuar fazendo isso, será que ele abre os olhos logo?”

Cahaya afastou suavemente a areia do rosto de Seowoon, mas Seowoon não abriu os olhos.

O gravador que Seowoon vinha segurando estava gasto nas bordas, e o logotipo da empresa estava quase apagado, como se tivesse passado por uma jornada longa e difícil.

Cahaya despejava o próprio calor no corpo frio e sem vida de Seowoon, esperando que ele logo abrisse os olhos e dissesse: “Ei, se assustou?”

Cahaya continuou acariciando a testa de Seowoon sem parar.

Aproximou do ouvido o gravador com a voz de Seowoon. Sentia que, se não pudesse ouvir aquela voz querida, sua cabeça ia explodir. Tinha o coração feito em pedaços e a mente mergulhada num caos total.

— Dia 500 após a destruição da Terra. Finalmente chegamos ao Planeta Cellus depois de passar por vários outros. Eu estava realmente ansioso para ver este aqui.

— Cha Seowoon, você é sentimental pra caralho, né?

— Ah, qual é. Han Donhee, não me interrompa. Vou começar a gravar de novo. A gente passou pelos planetas Tanari, Craypas e Sejak…

— Craypas, é? O nome desse planeta é comprido pra caralho, não consigo decorar.

— Para de interromper e me deixa gravar as coisas importantes!

— Qual é o sentido de gravar? Está tudo acabado de qualquer jeito assim que a gente morrer.

— Por que você acha que a humanidade lançou a Voyager? [1] Mesmo que a gente morra, temos que deixar um registro de que existimos no universo.

Nem mesmo a voz de Cha Seowoon resmungando com Han Donhee conseguiu arrancar um sorriso de Cahaya. A voz que saía do gravador era fragmentada, não contínua.

— O planeta Cellus também já está começando a virar deserto. Mas as pessoas daqui são meio estranhas.

Todos parecem aceitar a destruição como se fosse algo natural.

A gravação então pulou para uma data vários dias depois.

— Hoje conhecemos um menino estranho. Ele afirma ser o deus da religião do Planeta Cellus. Para mim, é só uma criança. É diferente de um Mansaengjong, mas também tem a capacidade de absorver o cosmos.

Clique — de novo a voz foi cortada e depois retomada.

— Os Mansaengjong têm o minério wu (宇), um aglomerado de cosmos, mas os usuários de habilidade cellusianos têm o minério ju (宙) [2]. Dia 533 após a destruição da Terra. Descobri por que essas pessoas aceitam o próprio destino com tanta calma. Os usuários de habilidade do Planeta Cellus já viajaram por incontáveis períodos de tempo usando o minério ju deles. Mas a destruição do planeta era irreversível. Quando chegamos, todos os usuários de habilidade estavam mortos. Eles tinham esgotado todo o minério ju numa última tentativa de evitar a destruição do planeta, mas morreram no processo. A religião do Planeta Cellus venera esses usuários de habilidade como santos. E o menino, a quem chamam de deus, é o último usuário de habilidade e portador de minério ju.

Com o passar do tempo, a voz de Seowoon foi ficando mais cansada.

A voz dele, antes suave, agora soava tão áspera quanto uma camisa velha e desgastada.

A tempestade de areia rugia com fúria. Cahaya achou que sua visão estava turva por causa da neblina espessa. A respiração dele parecia quente ao bater na máscara, então ele arrancou o elástico das orelhas.

— Dia 538 após a destruição da Terra… O Donhee morreu.

Seowoon estava soluçando.

Quanto tempo tinha passado? Quanto tempo desde que você, o único que restava neste planeta, morreu?

Ver Seowoon naquele lugar gelado, vestindo apenas uma camisa e uma calça esfarrapadas, sem conseguir vestir um casaco decente, era realmente de partir o coração.

Cahaya não suportava olhar para ele.

Clique.

A gravação parou e depois recomeçou.

— Cahaya.

Os olhos de Cahaya se arregalaram. Seowoon o estava chamando através do gravador.

— Cahaya.

De novo.

— Sim.

Ele respondeu, segurando o gravador com força.

Apesar da voz cansada, mas calorosa, o corpo da pessoa que tocava suas pernas estava gelado.

— ……O muro negro não é uma passagem dimensional. É um túmulo.

Cahaya levou o gravador ao ouvido como se Seowoon estivesse ali com ele.

— Ele leva cada planeta à destruição… Então, por favor…

Os soluços de Seowoon dificultavam a continuidade da fala.

— Se você voltar e encontrar isto, destrua todos os muros negros. Encontre e se livre de todos eles… Ei, está me ouvindo?

Os soluços abafados de Seowoon dificultavam até a respiração de Cahaya.

— Não tome nenhuma decisão extrema, tá? Só venha ver o Ouroboros que eu matei. Eu vou… morrer de um jeito foda pra caralho…

Em meio às risadas misturadas com lágrimas, Cahaya aproximou a cabeça de Seowoon. A tempestade de areia se intensificou, levantando redemoinhos em todas as direções.

— Aquele menino, o último sobrevivente deste planeta… Plantei nele o seu cosmos que eu tinha comigo. O menino vai morrer se gastar todo o minério ju… Cahaya, você sabe o que eu quero dizer, né? Se o passado mudar, o futuro pode ser reescrito. A gente está sempre… esperando por uma chance de mudar as coisas.

Os soluços tinham enfraquecido.

— Desculpa… por ter morrido primeiro…

Mesmo depois de morto, Seowoon se preocupava com ele.

Esse era o Seowoon tolo por quem Cahaya estava apaixonado.

Cahaya se amaldiçoou. Deixar Seowoon naquele lugar era, sem dúvida, culpa de seu eu do futuro. Era como se o tivesse abandonado à própria sorte.

Por fim, a enorme tempestade de areia foi engolida pelo novo muro negro que se aproximava. Cahaya percebeu que o planeta estava se desfazendo.

Tentou erguer o corpo de Seowoon, mas por mais que infundisse seu cosmos nele, o corpo de Seowoon permanecia imóvel. Era como se uma gravidade imensa o tivesse pregado no chão. Quanto mais se esforçava para levantá-lo, mais Seowoon afundava.

Um zumbido baixo e assustador emanava do muro negro, soando quase como o vento uivando numa caverna. Ao mesmo tempo, Cahaya sentiu uma dor insuportável, como se o corpo estivesse sendo dilacerado, célula por célula. Foi um efeito colateral de ser transportado à força entre dimensões.

O muro negro pelo qual Cahaya tinha passado pareceu afastá-lo do planeta em colapso, como se o estivesse resgatando. Em contrapartida, o próprio planeta estava sendo destruído pelo muro negro que se expandia ao longe.

Enquanto sua visão desaparecia aos poucos, Cahaya ativou o cosmos ao ser absorvido pelo muro negro.

No entanto, não conseguia sentir em nenhum lugar dentro de si as coordenadas que tinha tomado do menino.

Cahaya compreendeu instintivamente que as coordenadas do planeta Cellus tinham sido completamente apagadas.

Originalmente, um planeta e suas coordenadas eram uma coisa só. Quando o último sobrevivente de um planeta morria, as coordenadas se perdiam, o que levava à aniquilação do planeta. Ainda que destruição e aniquilação parecessem semelhantes, eram fundamentalmente diferentes.

A destruição implicava que algo poderia ser reconstruído, mas a aniquilação significava desaparecimento completo. Era por isso que os asorianos davam tanta importância ao último sobrevivente.

O último sobrevivente de Cellus tinha viajado no tempo.

Cahaya só podia supor que Seowoon havia implantado as coordenadas da Terra no menino, e que provavelmente ele mesmo escolheu a época. Talvez tivesse vagado por incontáveis eras procurando Seowoon. Ou talvez alguém tivesse interferido.

“Plantei nele o cosmos que eu tinha.”

Tendo assumido as características do minério wu através do cosmos de Cahaya e de Seowoon, o menino tinha se fixado na Terra. Já não podia mais ser chamado de cellusiano.

A única razão pela qual Cahaya conseguiu se deslocar até ali em tão pouco tempo foi porque tinha absorvido a energia do menino antes que o cosmos se fundisse por completo.

Agora, Cellus era um planeta aniquilado, que jamais voltaria a ser encontrado no vasto universo.

Cahaya teve que deixar Seowoon para trás num planeta assim, devastado. O Cha Seowoon do futuro. O Cahaya do presente não conseguiu sequer salvar o Seowoon do futuro.

Se a Terra não tivesse sido destruída…

Seowoon jamais teria viajado para outro planeta.

Cahaya suportou a dor insuportável, quase inaguentável, de ver o corpo frio e inerte de Seowoon.

Ele faria qualquer coisa. Qualquer coisa para mudar o futuro. Não se importava com os sacrifícios necessários.

Mas e se o seu eu do futuro, que vivia na mesma época que o Seowoon do futuro, soubesse da morte de Seowoon?

O seu eu do futuro teria feito qualquer coisa para trazer Seowoon de volta.

“Ei, não tome nenhuma decisão extrema, tá?”

A voz de Seowoon continuou ecoando em seus ouvidos. A imagem de Seowoon rindo e se irritando.

De alguma forma, tudo parecia distante e incerto. Só restavam as lembranças persistentes do rosto frio dele, dos olhos se fechando para sempre.

Cahaya extraiu o cosmos num só fôlego e atravessou o muro negro.

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— Você tem noção de como eu fiquei preocupado?!

Enquanto Seowoon corria em direção à caverna, Cahaya ficou paralisado. Seowoon não teve escolha senão gritar.

— Quantos dias se passaram?!

Seowoon pretendia agarrar Cahaya pelo colarinho, mas parou bruscamente diante dele.

O rosto de Cahaya estava encharcado de lágrimas. Os olhos dele, como nebulosas, estavam cheios de lágrimas. Mas ele nem sequer tentava enxugá-las, como se não percebesse que estava chorando.

— O que… O que foi? Aconteceu alguma coisa?

O rosto irritado de Seowoon se distorceu, como se ele estivesse prestes a chorar junto com Cahaya.

— Cha Seowoon.

— Sim.

Seowoon respondeu apressado.

Ele nem sequer teve coragem de perguntar onde Cahaya tinha estado durante a última semana ou o que tinha acontecido. O jeito como Cahaya pronunciou seu nome transmitia uma dor imensa. Até os cílios dele estavam molhados, como se tivessem sido encharcados pela chuva.

Cahaya estendeu a mão e acariciou as bochechas de Seowoon. Seowoon acompanhou cuidadosamente o toque com o olhar antes de encará-lo de novo.

— Você está machucado?

A voz de Seowoon tinha se suavizado.

De que tipo de lugar ele vinha? “O corpo dele cheira levemente a enxofre, como se viesse do inferno.”

Seowoon engoliu todas essas palavras porque estava aliviado por Cahaya ter voltado são e salvo.

— Ouroboros.

Cahaya deixou escapar um suspiro, a palavra saindo como um sopro.

— O corpo… tinha desaparecido.

Talvez tenha sido eu quem fez isso…

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Nota:

[1] Sondas Voyager: naves espaciais da NASA lançadas para explorar os planetas exteriores do nosso sistema solar e enviar dados enquanto viajam rumo ao espaço interestelar.

[2] Minério ju: Ju (宙) significa tempo infinito.
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Tradução, revisão e Raws: Belladonna & Othello

 

 

 

 

Ler Late Bloomers (Novel) Yaoi Mangá Online

SINOPSE:
Pessoas com a habilidade de caçar mutantes, os Mansaengjong.
Um dia, eles de repente se viram isolados em Naraka.
Seowoon já foi chamado de um dos de mais alto escalão, conhecido por sua excelente capacidade de combate, mas de repente perdeu todas essas habilidades depois de ser isolado em Naraka. Em troca, ganhou a capacidade de detectar o surgimento de mutantes através do “Mensageiro”.
Para escapar de Naraka, era necessário o minério wu, um subproduto dos mutantes. No entanto, Seowoon morreria só de encostar num mutante, quanto mais caçá-los.
Ao saber disso, Cahaya fez uma proposta a ele:
— Cha Seowoon, a partir de agora, seja meu buscador de mutantes?
Com a ajuda de Cahaya, Seowoon conseguia ir e vir de Seul, mas achava isso cada vez mais difícil.
“Por que eu te afastei…?”
Ele só queria negar os sentimentos de atração que sentia por Cahaya.
Nome alternativo: Perennial Species Late Bloomers Late Blooming Species Mansaengjong

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