Ler Late Bloomers (Novel) – Capítulo 104 Online

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CAPÍTULO 104
No primeiro dia, Seowoon o esperou na caverna por mais de meio dia, mas o tio o obrigou a voltar para casa, insistindo que ele não devia se preocupar.
Apesar disso, Seowoon passou noites em claro, se perguntando aflito o que teria acontecido com Cahaya. Sacudia repetidamente o celular, que mal funcionava, tentando obter notícias sobre os outros Mansaengjong.
Ainda hoje, Seowoon não conseguia dormir profundamente. Acordava constantemente depois de apenas trinta minutos de descanso, voltava a dormir por mais dez minutos e acordava outra vez.
Mesmo que todos os Mansaengjong de Naraka o atacassem, Cahaya não era alguém fácil de derrotar, então estava claro que algo devia ter dado errado com o muro negro.
Cada dia parecia uma morte lenta, mas o motivo pelo qual Seowoon não pôde ir imediatamente ao Colégio Seongsang não foi só o menino. Na verdade, talvez tenha sido graças ao menino que ele não agiu de forma imprudente.
Enquanto esperava por Cahaya, Seowoon pediu ao tio que cuidasse de vários assuntos. Com todos desaparecidos, ele não podia assumir pessoalmente o papel principal. Na aparência, continuava sendo o tio, o líder da guilda, quem ajudava pessoalmente com as consequências do que ocorrera no hotel em relação às vítimas. Embora fosse chegar um advogado para lidar com a situação.
Quanto aos procedimentos de indenização, o advogado expressou em particular ao tio sua preocupação com o assunto.
O governo indonésio ficou indignado ao descobrir que o humano mutante era um Mansaengjong. Alguns chegaram a afirmar que os enxames mutantes de gafanhotos foram um desastre causado pelos Mansaengjong. Ainda que tenham sido os Mansaengjong que lidaram com os mutantes, eles desapareceram num instante, sem deixar nenhuma prova de sua inocência.
No entanto, não demorou muito para que surgisse um incidente que tornou desnecessário provar essa inocência.
No dia seguinte ao desaparecimento de Cahaya pelo muro negro, mutantes surgiram no deserto do Saara, na África.
Um enxame de escorpiões venenosos mutantes — predadores mortais — surgiu, causando centenas de vítimas antes de ser contido pelas forças militares. A notícia de que o deserto do Saara estava se expandindo a um ritmo sem precedentes foi mais um choque.
Quando os mutantes começaram a aparecer em países fora da influência dos Mansaengjong, o mundo foi varrido por uma onda de mudanças. Até então, só haviam ocorrido dois incidentes registrados, mas outros países se apressaram em propor um aumento dos fundos militares para combater os mutantes.
As imagens de desastres envolvendo gafanhotos e escorpiões, antes considerados simples insetos, bastavam para instaurar um medo que ia muito além da mera precaução. Havia uma preocupação crescente com a possibilidade de que até as formigas, que sempre fugiram das solas dos sapatos humanos, também pudessem se transformar em monstros ameaçadores.
Além disso, alguns argumentam que o surgimento dos mutantes estava relacionado à poluição ambiental, afirmando que se tratava de um desastre provocado pela própria humanidade.
Seowoon só conseguia acompanhar todas essas atualizações com atraso, hospedado na casa do tio.
— Seowoon, se você pegar um avião, vai ser o único suspeito.
Seowoon era o único Mansaengjong que restava na Terra.
— Eu não posso esperar para sempre.
O menino ao lado de Seowoon continuava soluçando, mas não fez birra nem gritou para ir junto.
Seowoon abraçou o menino com força, sentindo uma pontada de tristeza ao pensar em deixá-lo sozinho num lugar sem os pais.
Na verdade, como o menino também tinha viajado entre dimensões, Seowoon se perguntou se ele poderia usar o Portão do Colégio Seongsang.
Depois de muita deliberação, decidiu que precisava deixá-lo com o tio. Não podia arriscar a levar o menino sem saber que perigos poderiam espreitar.
— Garoto, eu prometo que volto para te buscar.
O menino assentiu com energia.
— Isso não é só uma promessa vazia. Assim que eu encontrar o Cahaya, com certeza volto para te pegar.
Parecia a desculpa de um responsável que deixa a criança com parentes porque a situação está difícil.
Seowoon sentiu uma mistura de covardia e impotência.
Em vez disso, o menino abraçou Seowoon como se tentasse consolá-lo antes de se separarem. Naquele instante o telefone tocou, e o tio disse a ele para ficar ali e esperar. Seowoon observou as costas do tio se afastando e então se ajoelhou diante do menino.
— Garoto.
— Sim.
Seowoon segurou os bracinhos do menino e o olhou nos olhos.
— Você disse que fui eu que te mandei para cá?
— ……
O menino apertou os lábios com força.
Seowoon já tinha feito aquela pergunta várias vezes, mas o menino sempre reagia do mesmo jeito.
Ainda assim, Seowoon não achava que aquele menino de outro planeta estivesse inventando histórias.
— Tinha alguém no seu planeta que se parecia comigo?
O menino balançou a cabeça com firmeza. Então olhou ao redor, conferindo o ambiente, e sussurrou:
— É a mesma pessoa que o Seowoon hyung. Hyung disse que a gente ia se ver de novo. E a gente se viu mesmo de novo.
Ainda que o menino fosse inteligente para a idade, não parecia raciocinar como um adulto.
Então, de repente, o menino ergueu a cabeça bruscamente. Farejou o ar e murmurou:
— Que estranho.
— Estranho? Como assim?
— Está com cheiro da minha casa.
Que tipo de cheiro poderia ser aquele?
Seowoon respirou fundo, mas não conseguiu detectar nada de incomum. Então, de repente, um odor desconhecido fez cócegas em seu nariz. Cheirava a pólvora, ou talvez à fumaça acre de ruínas queimadas.
Conforme o cheiro ficava mais forte, Seowoon se levantou de um salto. Saiu correndo às pressas, com medo de que houvesse um incêndio florestal.
No entanto, ao contrário do que esperava, a montanha escura não mostrava nenhum sinal de fogo. Só a lanterna que iluminava a entrada da caverna brilhava intensamente.
Agora que pensava nisso… o cheiro lembrava o odor de enxofre que ele conhecera numa viagem a umas termas no primeiro ano da faculdade.
Enquanto Seowoon inspirava fundo para localizar a origem do cheiro, ficou paralisado, encarando a caverna.
Alguém estava de pé na entrada escura e aberta. Era a silhueta de uma pessoa segurando uma espada longa.
Seowoon começou a correr em direção à caverna. Sem olhar para trás.
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— Merda.
Essa foi a primeira palavra que escapou. A boca de Cahaya se abriu enquanto ele examinava os arredores.
Embora tivesse dito a Seowoon que iria direto para Naraka, ele tinha outra parada a fazer antes — o planeta de onde vinha o menino.
O muro negro não conectava apenas a Terra e Naraka nas duas direções. Se alguém conhecesse as coordenadas do lugar aonde queria chegar, podia viajar livremente entre planetas.
As coordenadas de um planeta eram como valores absolutos gravados no cosmos de um indivíduo. Assim como um oriental nascido na Coreia não pode se tornar uma raça diferente, como um caucasiano, os terráqueos tinham gravadas em si coordenadas específicas da Terra.
Em outras palavras, os terráqueos tinham as coordenadas da Terra gravadas em seu cosmos desde o momento em que nasciam. E entre os “asorianos” (o povo de Aso), havia aqueles com a capacidade de absorver o cosmos dos outros.
Ao absorver o cosmos de um terráqueo, esses asorianos também obtinham as coordenadas da Terra.
Os asorianos chamavam aqueles que podiam viajar entre planetas de “usuários de habilidade estelar de classe S”.
A razão pela qual Cahaya podia absorver o cosmos dos outros era porque ele era um asoriano e um usuário de habilidade estelar de classe S.
Atualmente, as coordenadas que ele possuía correspondiam ao seu próprio planeta, “Aso”, e à “Terra”.
O terceiro conjunto de coordenadas correspondia ao planeta do menino, “Cellus”.
Quando Cahaya absorveu o cosmos do menino, também ingeriu uma porção da energia dele. Pouco antes de usar o muro negro, liberou o cosmos que havia obtido do menino, o que lhe permitiu viajar primeiro para o planeta dele.
Claro, tratava-se apenas de uma teoria aprendida durante seu treinamento na infância no Instituto de Treinamento de Habilidades Estelares e, para comprová-la, ele mesmo teve que se jogar de cabeça.
O lugar aonde chegou era um mundo já em ruínas.
Cahaya podia resumir o planeta do menino com essas palavras. O cheiro penetrante de enxofre atravessava sua máscara. Não se via nenhum ser vivo em lugar algum, e a cidade tinha virado um deserto, com mais da metade dos arranha-céus soterrados sob a areia.
Ele se agachou e pegou um pouco de areia.
Os grãos pareciam pedaços de gelo. O céu, coberto de cinzas flutuantes, deixava passar tão pouca luz que a temperatura era insuportavelmente fria.
Como só estava ali para verificar as coordenadas, planejava voltar imediatamente para Naraka. Começou a caminhar em direção ao muro negro de onde tinha vindo.
O muro negro, solitário sobre o deserto, permanecia intacto mesmo naquele mundo em ruínas.
Dizia-se que esses Portões interdimensionais foram criados pela primeira geração de usuários de habilidade estelar de Aso. Ainda que fossem heróis de Aso, Cahaya achava o muro negro perturbador.
Antes da destruição de seu planeta, os asorianos tinham percorrido incontáveis planetas em busca de um novo lar. Entre o que criaram, os que eram considerados seguros foram chamados de Portões, enquanto os que não podiam ser controlados foram chamados de muros negros.
Os muros negros eram labirintos que só aqueles com controle perfeito sobre o próprio cosmos conseguiam percorrer.
Em termos mais simples, o Portão podia ser considerado um GPS que guia o viajante até o destino, enquanto o muro negro era como um mapa antigo em que a pessoa precisa encontrar o próprio caminho.
Foi por isso que Cahaya não teve preocupações reais quando enviou Seowoon pelo Portão na Interseção. Seowoon tinha duas medidas de segurança.
Em primeiro lugar, como Mansaengjong de nível máximo, Seowoon tinha as coordenadas da Terra firmemente gravadas em seu cosmos.
Em segundo lugar, o Portão da Interseção era um sistema completamente desenvolvido, com coordenadas fixas para a Terra.
E, ainda assim, Seowoon tinha ficado preso em outra dimensão antes de retornar. Isso era sequer possível?
Para viajar para outra dimensão, é preciso conhecer as coordenadas daquele planeta. No caso de Seowoon, sendo terráqueo, teria sido necessário que ele tivesse absorvido o cosmos dos habitantes daquele planeta para tornar isso possível.
“Ou existe outro método que eu não conheço?”
Depois de ficar isolado em Naraka, Cahaya foi gradualmente recuperando conhecimentos antigos, mas eles permaneciam fragmentados, já que os aprendera em tenra idade.
Outra questão desconcertante era a destruição de Aso, que um dia foi o lar de inúmeros usuários de habilidade estelar.
Todos os que pretendiam migrar para outro planeta tinham morrido, deixando Cahaya como o único sobrevivente.
Ele não conseguia se lembrar de como tinha chegado a Sulawesi. Ainda assim, a lembrança de descobrir o sol quando saiu da caverna permanecia vívida.
Enquanto Cahaya se aproximava do muro negro, algo perturbador chamou sua atenção pelo canto do olho. Era um objeto que se projetava abruptamente da areia.
Ao notar o cabo que despontava, reconheceu instintivamente que era uma espada. No início tentou ignorá-la, mas seus passos pareciam ser atraídos até ali.
A areia, camada após camada, parecia se agarrar a seus tornozelos. Quando finalmente alcançou o cabo e o puxou, a inscrição na lâmina se revelou ao sair da bainha.
Matahari.
Naquele instante, uma explosão cósmica irrompeu do corpo de Cahaya.
A areia congelada se estilhaçou e se dispersou em todas as direções, como se tivesse sido apagada, revelando a forma enterrada debaixo dela.
Era um cadáver, sentado, com o corpo sustentado pela espada.
Quando a areia que cobria o corpo desapareceu, ele finalmente tombou no chão, como se sucumbisse ao descanso eterno.
Cahaya encarou o cadáver com o olhar perdido.
:Cha Seowoon, Cha Seowoon, Cha Seowoon, Cha Seowoon, Cha Seowoon……”
Ainda que o nome ocupasse completamente sua mente, Cahaya não teve coragem de pronunciá-lo em voz alta.
· ⋆ · ─ ✦ ─ · ⋆ · Continua
Tradução, revisão e Raws: Belladonna & Othello
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SINOPSE:
Pessoas com a habilidade de caçar mutantes, os Mansaengjong.
Um dia, eles de repente se viram isolados em Naraka.
Seowoon já foi chamado de um dos de mais alto escalão, conhecido por sua excelente capacidade de combate, mas de repente perdeu todas essas habilidades depois de ser isolado em Naraka. Em troca, ganhou a capacidade de detectar o surgimento de mutantes através do “Mensageiro”.
Para escapar de Naraka, era necessário o minério wu, um subproduto dos mutantes. No entanto, Seowoon morreria só de encostar num mutante, quanto mais caçá-los.
Ao saber disso, Cahaya fez uma proposta a ele:
— Cha Seowoon, a partir de agora, seja meu buscador de mutantes?
Com a ajuda de Cahaya, Seowoon conseguia ir e vir de Seul, mas achava isso cada vez mais difícil.
“Por que eu te afastei…?”
Ele só queria negar os sentimentos de atração que sentia por Cahaya.
Nome alternativo: Perennial Species Late Bloomers Late Blooming Species Mansaengjong