Ler Late Bloomers (Novel) – Capítulo 102 Online

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CAPÍTULO 102
À medida que se afastavam do hotel, a estrada asfaltada foi se transformando aos poucos numa estrada de terra, e a van subia a sinuosa via rural. Só a subida já parecia exigir demais da van, que nem sequer tinha o ar-condicionado funcionando direito. Por sorte, a brisa que entrava pelas janelas abertas era refrescante e trazia consigo o aroma da mata.
Enquanto o ar fresco revitalizava seus pulmões, a mente de Seowoon continuava perturbada.
O tal “Gazan” mencionado pelo menino mutante-galinha era o nome oficial de Naraka. Para perguntar a Cahaya como ele sabia disso, Seowoon teria que começar pelo sonho que tivera naquele dia. Seowoon também precisava organizar os pensamentos para explicar os detalhes sobre o Mensageiro.
— Ei.
Seowoon chamou Cahaya, que estava sentado de braços cruzados e olhos fechados.
O menino ao lado dele também tinha adormecido havia um tempo. A criança, que aos poucos foi se encolhendo durante o sono, agora descansava contra a coxa de Cahaya.
Ver os dois dormindo tão profundamente deixava claro que acordá-los não seria fácil.
A aparência juvenil que Cahaya adquiriu por causa do veneno da água-viva parece se refletir no menino. Como ambos estavam de olhos fechados, a semelhança ficava ainda mais evidente. O menino poderia facilmente ser confundido com um irmão mais novo de Cahaya, ou até com um filho dele.
A van deu um solavanco ao passar por uma pedra grande, o que fez o corpo do menino quicar. Seowoon estendeu a mão para garantir que ele não caísse, segurando-o com firmeza e cuidado.
Seowoon apoiou o cotovelo no batente da janela e olhou para fora. Conforme subiam a montanha, o ar ficava mais denso, e a vegetação espessa tornava difícil acreditar que alguém pudesse viver num lugar daqueles.
Sinceramente, o interior que Seowoon tinha imaginado tinha lojinhas locais em vez de franquias. Achava que haveria lan houses antiquadas ou salas de karaokê em prédios velhos, mas agora tudo o que via era uma vasta extensão de mata exuberante.
Pouco depois, apareceu uma placa de madeira indicando a entrada do vilarejo. A van virou seguindo a indicação da placa, e Seowoon ficou boquiaberto com a cena que se desdobrava diante dele.
Dentro do vilarejo, casas com projetos parecidos estavam alinhadas umas de frente para as outras.
Isso até era comum; o surpreendente era o formato dos telhados. Cada casa parecia ter um grande barco colocado em cima.
As casas de madeira pareciam precárias demais para serem consideradas um conjunto residencial, mas as curvas dos telhados lhes davam um charme único. Entre as casas, alinhadas com esmero, havia um caminho largo o suficiente para a passagem de duas vans. Seowoon passou o trajeto inteiro admirando as casas.
As casas eram sustentadas por dezenas de pilares de madeira, então era preciso uma escada de madeira para chegar até elas. Um bando de galinhas amontoadas na sombra embaixo das casas era muito fofo.
[Tongkonan.]
Seowoon virou a cabeça na direção do motorista, que apontava para a casa que ele estava olhando e repetiu:
— Tongkonan.
Embora a palavra desconhecida tenha surpreendido Seowoon, parecia se referir às casas em indonésio.
— O que você está olhando?
A voz de Cahaya estava levemente rouca, como se ele tivesse acabado de acordar.
— Quando você acordou?
— Agorinha.
Cahaya sacudiu de leve o menino adormecido em seu colo. O pequeno se mexeu rápido e se recostou na coxa de Seowoon, ainda com cara de sono. Seowoon pretendia manter o menino dormindo até a van parar completamente.
— Você também cresceu aqui?
— Um pouco mais acima daqui.
Como ele tinha dito, a van não parou no meio do vilarejo, e sim continuou subindo a montanha. Depois de passar pelo celeiro de grãos da vila, dirigiram por mais cinco minutos até que duas casas com telhados em formato de barco apareceram.
Situadas ao pé de um penhasco, essas casas pareciam isoladas, como se estivessem numa ilha remota, separadas do vilarejo.
Diante delas estava o tio, com as mãos nas costas. A van, que vinha fazendo barulhos estranhos, parou, e Cahaya estendeu a mão para abrir a porta.
Depois de sair primeiro, Cahaya tirou o corpo de Abdul Aziz do porta-malas. O tio se aproximou, observou o rosto de Abdul Aziz e soltou um suspiro.
— Esse cara… Você sabe por que isso aconteceu com ele? — perguntou o tio, enquanto Seowoon saía da van com o menino, que já estava acordado.
— Talvez ele tenha entrado no muro negro.
A resposta de Cahaya fez Seowoon assentir com hesitação. Naquele momento, ele não tinha outra explicação.
O tio tomou o corpo das mãos de Cahaya, carregando-o com firmeza sobre o ombro apesar do peso considerável. Apontou para a casa da direita.
— Entrem por enquanto.
— E você, tio?
Seowoon tentou deter o tio, que estava indo em direção à casa da esquerda.
— Para onde estão meu pai e minha mãe.
Parecia que ele também pretendia enterrar Abdul Aziz ali. O corpo de Abdul Aziz, embora rígido, não mostrava sinais de decomposição, talvez porque seu núcleo cósmico ainda não tivesse sido destruído.
Seowoon observou o tio se afastar, baixando a cabeça quando uma onda de calor subiu de dentro dele, fazendo-o sentir que ia chorar de novo. Respirou fundo e expirou devagar.
[Você não disse que tinha um filho.]
A voz do motorista da van soou cada vez mais alta. Seowoon, incomodado, olhou para o motorista que conversava com Cahaya em indonésio, se perguntando o que estava acontecendo. O motorista ignorou o dinheiro que Cahaya lhe oferecia e apenas apontou para o menino com o olhar.
[Isso deve dar um ano de salário. Ainda não é suficiente?]
[Não, você deu dinheiro demais. Isso me deixa inquieto. Cahaya, você não está aprontando nada, está?]
[O que eu poderia estar aprontando? Esse menino nasceu do meu coração e do coração daquele cara, sabia?]
[Você está de brincadeira, né? Você sempre fala as coisas de um jeito esquisito. Mas eu te ajudei porque me arrependo do que fiz no passado. Você não precisa me dar dinheiro.]
O motorista empurrou de volta o dinheiro que Cahaya tinha oferecido.
Seowoon, ainda sem entender a conversa, puxou a barra da camisa de Cahaya.
— O que foi? O motorista está dizendo que o dinheiro não é suficiente?
A postura de Seowoon estava um pouco tímida, talvez porque estivesse num lugar desconhecido. Cahaya, por outro lado, apenas olhou para Seowoon com uma expressão meio divertida, achando aquilo fofo.
— Sim. Esse cara é um golpista de verdade, né? Eu dei um ano de salário e ele ainda diz que não é suficiente.
— ……O que a gente faz? Eu não tenho dinheiro em espécie.
Seowoon tinha uma carteira no bolso de trás, mas só continha cartões, nada de dinheiro vivo.
— Mentir é feio.
O menino se intrometeu de repente.
— Hã? Por quê?
perguntou Seowoon, olhando para o menino com surpresa.
— Você não disse que tinha um filho. Você deu dinheiro demais. Isso me deixa inquieto. Você não está aprontando nada, está?
O menino imitou a voz áspera do motorista, mas ainda assim soava fininha. Cahaya abriu um sorriso debochado.
— Então Cha Byeonjong é mentiroso, é? Inventa as coisas na hora?
— Cha Byeonjong não mente. Eu sou um bom menino.
O menino segurou firme a mão de Seowoon.
Seowoon se perguntou se o menino também sabia falar indonésio. Ao refletir sobre o que tinha acontecido, percebeu que o menino vinha falando coreano desde o início.
Será que absorver o cosmos permitia aprender os idiomas dos outros? O menino tinha até conseguido imitar Cahaya e ele mesmo a tal ponto que não era absurdo pensar nisso.
[Esse menininho é muito fofo. Espero que o meu filho seja igualmente adorável. E Cahaya, não vá fazer nada de errado, tá?]
Seowoon só entendeu a parte em que o motorista disse “Cahaya”. Decidiu perguntar sobre o resto depois e fez uma reverência para o motorista, que já tinha voltado para dentro da van.
O motorista, ainda parecendo inquieto, não ligou o motor; em vez disso, desceu da van de novo. Quando tirou algo do bolso de trás, Cahaya tentou detê-lo, mas era só um celular.
O motorista tocou a tela e então estendeu o celular para Seowoon. Em seguida, apertou o botão do alto-falante.
— Quero seu autógrafo.
A voz do tradutor era mecânica. O motorista apertou o botão de novo, repetindo a frase.
— Quero seu autógrafo.
— Autógrafo?
O motorista assentiu com entusiasmo. Com a mão áspera, abriu o porta-luvas da van e tirou uma caneta e um caderno.
— Ele está me pedindo um autógrafo agora?
Seowoon perguntou a Cahaya, que entregava o dinheiro em espécie ao motorista.
— Não faça isso. Ele provavelmente vai leiloar depois. Viu como ele é ganancioso?
Ainda que as palavras de Cahaya fossem verdade, teria sido difícil chegar até ali sem a ajuda do motorista.
Seowoon pegou a caneta e apoiou o caderno contra a porta do carro.
Considerando que os Mansaengjong também são famosos no exterior, não foi surpreendente pedirem um autógrafo. Seowoon quase escreveu o nome em coreano, mas em vez disso optou por escrever “Cha Seowoon, de Tacheon” em letras do alfabeto latino.
Para finalizar, desenhou umas asas dos dois lados para completar a assinatura.
O motorista mostrou os dentes num sorriso satisfeito.
Seowoon estava prestes a devolver a caneta e o caderno quando Cahaya os arrancou ainda mais rápido que o motorista. Abrindo o caderno, Cahaya começou a rabiscar ao lado do autógrafo de Seowoon.
Cahaya! o͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡╮(。❛ᴗ❛。)╭o͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡͡
[Eu não preciso do seu!]
O motorista, furioso, esbravejou. Mesmo assim, Cahaya assinou com uma letra ainda maior que a de Seowoon e fechou o caderno com um baque. Jogou o caderno e a caneta no banco do carona. O motorista balançou a cabeça, incrédulo. Depois de voltar para dentro da van, fez um sinal de positivo para Seowoon antes de pegar o volante.
Enquanto a van se afastava roncando, Seowoon a observou partir e então se virou para Cahaya com uma pergunta.
— Qual é a sua relação com esse motorista?
— Ele costumava me perseguir e infernizar a minha vida quando eu morava aqui. Ah, eu devia ter pedido para o Cha Seowoon dar uma bronca nele!
Cahaya fingiu dar um soco usando o braço do menino, como se imitasse a maneira como ele arrancou a cabeça do gafanhoto.
Em vez de repreendê-lo pela palhaçada, Seowoon apenas o encarou com os olhos arregalados.
— Hã? Aquele motorista é seu amigo?!
— Nossa, Cha Seowoon, você está julgando as pessoas pela aparência?
— Ah, não. Não é isso.
Seowoon apertou os lábios, com medo de falar alguma coisa inadequada. A verdade é que ele não esperava que o motorista tivesse a idade deles.
Cahaya, intuindo os pensamentos dele, caiu na gargalhada.
— Estou com fome. Vamos comer.
disse Cahaya com indiferença enquanto subia a escada de madeira até a casa. O menino, ainda nos braços dele, fez sinal para Seowoon entrar.
Assim que Seowoon entrou na casa, se deu conta de como tinha sido preconceituoso e sentiu uma pontada de autocrítica.
· ⋆ · ─ ✦ ─ · ⋆ · Continua
Tradução, revisão e Raws: Belladonna & Othello
Ler Late Bloomers (Novel) Yaoi Mangá Online
SINOPSE:
Pessoas com a habilidade de caçar mutantes, os Mansaengjong.
Um dia, eles de repente se viram isolados em Naraka.
Seowoon já foi chamado de um dos de mais alto escalão, conhecido por sua excelente capacidade de combate, mas de repente perdeu todas essas habilidades depois de ser isolado em Naraka. Em troca, ganhou a capacidade de detectar o surgimento de mutantes através do “Mensageiro”.
Para escapar de Naraka, era necessário o minério wu, um subproduto dos mutantes. No entanto, Seowoon morreria só de encostar num mutante, quanto mais caçá-los.
Ao saber disso, Cahaya fez uma proposta a ele:
— Cha Seowoon, a partir de agora, seja meu buscador de mutantes?
Com a ajuda de Cahaya, Seowoon conseguia ir e vir de Seul, mas achava isso cada vez mais difícil.
“Por que eu te afastei…?”
Ele só queria negar os sentimentos de atração que sentia por Cahaya.
Nome alternativo: Perennial Species Late Bloomers Late Blooming Species Mansaengjong