Ler Late Bloomers (Novel) – Capítulo 101 Online


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CAPÍTULO 101

 

— Todos os Mansaengjong da Terra… acabaram de ser convocados para Naraka.

Os olhares dos dois, como se estivessem encharcados de chuva, se encontraram e se cruzaram no ar seco.

— E nós?

Por um instante Seowoon confundiu o lugar em que estava com Naraka, mas continuava sendo o banheiro do hotel.

“E o menino? E Abdul Aziz? E o hyung?”

Seowoon se enrolou numa toalha e saiu apressado do banheiro. Por sorte ou por azar, o menino continuava dormindo profundamente. Ao entrar correndo no quarto ao lado, encontrou o corpo sem vida de Abdul Aziz ainda ali.

Seowoon pegou rapidamente o celular. Tinha dez chamadas perdidas do Centro de Controle de Desastres Mutantes. Bem na hora em que ia atender uma delas, Cahaya o impediu bruscamente.

— Se você responder agora, vão desconfiar que somos os únicos aqui.

Era uma suposição natural, considerando que todos os Mansaengjong tinham desaparecido.

— Você acha que o Han Donhee e os outros também…?

— Sim, todos, sem exceção.

Todos os Mansaengjong tinham desaparecido enquanto Seowoon demorava mais que o normal no banho por causa do Mensageiro; aquilo era realmente desconcertante.

— Ei, como você sabe que todos foram para Naraka?

Era mais curiosidade do que desconfiança.

— É como quando todos nós desaparecemos no dia 1º de janeiro.

Isso mesmo, no dia 1º de janeiro todos tinham desaparecido ao mesmo tempo. Seowoon tirou uma roupa de baixo da mala e vestiu rapidamente a camisa e a calça que estavam penduradas no armário. O cabelo ainda estava molhado, mas, assim como Cahaya, ele não teve tempo de secá-lo.

O menino não era um Mansaengjong e Abdul Aziz tinha perdido a vida, então era natural que os dois continuassem ali… mas por que ele e Cahaya eram os únicos a salvo?

— Se todos, menos nós, foram teletransportados…

Seowoon deixou a frase inacabada, apertando os lábios com força. De repente, agarrou com firmeza o pulso de Cahaya.

— É porque a gente não usou minério wu?

Tanto Cahaya quanto Seowoon tinham usado o Portão sem consumir minério wu — embora, no processo, Cha Seowoon tivesse sido arrastado brevemente e sozinho para o Planeta Craypas.

— Acho que provavelmente é essa a razão.

Todos os Mansaengjong usavam o minério wu como passagem para acessar o Portão; era, em essência, um bilhete só de ida para permanecer na Terra. Em outras palavras, era o núcleo do cosmos, ou a energia de cada ser.

Os Mansaengjong naturalmente precisariam de energia para permanecer em Naraka, já que era uma dimensão diferente da Terra.

Talvez Naraka fosse uma dimensão sustentada pelo consumo do cosmos de mutantes e Mansaengjong. O fenômeno de reinício dos pontos de referência também poderia estar relacionado a isso.

Seowoon se lembrou do que Cahaya tinha dito antes:

1. Ao retornar da Terra para Naraka, o Portão absorve o próprio cosmos do Mansaengjong, e não o minério wu. Essa energia absorvida é usada para sustentar Naraka.

2. O minério wu absorvido pelo Portão como passagem para a Terra é consumido como custo para que o Mansaengjong permaneça em Naraka.

Na época, Seowoon se perguntava se seria uma coisa ou outra, mas talvez fossem as duas?

“Mas se só nós dois não fomos convocados de volta……”

3. O Portão consegue rastrear os Mansaengjong através das passagens de ida (minério wu) que eles pagaram.

Era só uma hipótese, mas aquilo acrescentava mais uma teoria sobre o Portão. Não havia outra forma de explicar por que apenas os dois tinham sido excluídos.

Ou será que dessa vez eles haviam sido transferidos para uma dimensão diferente, e não para Naraka? Como nenhum dos dois tinha ido a Naraka, ainda não dava para ter certeza.

A televisão que Cahaya havia ligado transmitia notícias de emergência sem parar. Imagens de Mansaengjong lutando contra enxames de gafanhotos que escureciam o céu também eram exibidas. A transmissão garantia aos telespectadores que todos os mutantes tinham sido eliminados, mas a área devastada parecia ter pelo menos o tamanho do distrito de Gangnam. Toda aquela região tinha ficado completamente arrasada.

Parecia que as equipes de resgate enviadas pelo governo indonésio ainda não tinham chegado ao hotel. Seowoon olhou da varanda para avaliar a situação.

Os funcionários do hotel que tinham se refugiado no porão agora estavam do lado de fora, fazendo ligações ou andando de um lado para o outro apressados. Entre eles também havia alguns funcionários do Centro de Controle.

Se Seowoon e Cahaya fossem os únicos que restassem na situação atual, sem dúvida surgiriam todo tipo de mal-entendido.

Enquanto Seowoon andava de um lado para o outro, organizando os pensamentos, Cahaya estava ao telefone falando com alguém em indonésio. Ao encerrar a ligação, ele enrolou bruscamente o corpo de Abdul Aziz num lençol.

— O que… o que você está fazendo?

Cahaya dobrou os braços que se projetavam das costas dele, dando-lhes um formato estranho para que não ficassem visíveis por fora.

— Vamos embora.

— Para onde?

— Não se preocupe, não vamos para debaixo da terra.

— Do que você está falando?

Seowoon quis repreender Cahaya por brincar bem no meio de tudo aquilo, mas percebeu que era o jeito dele de tentar aliviar o clima.

— Vamos para a casa do meu tio. Ele disse que o carro do grupo chega em vinte minutos.

Cahaya tirou uma máscara da mala e passou os elásticos pelas orelhas de Seowoon. A máscara preta cobria todo o rosto dele, exceto os olhos, e, por fim, ajustou o boné. Cahaya também cobriu o próprio rosto com uma máscara.

— Mas o Abdul hyung e o menino ainda estão aqui.

Os olhos violeta de Seowoon estavam cheios de ansiedade enquanto encaravam as esferas verdes e claras acima da máscara.

— Eu conferi a saída dos fundos quando subi até o telhado.

Cahaya colocou o corpo de Abdul Aziz sobre o ombro. Ao ver que Seowoon continuava ansioso, fechou os olhos e sorriu.

— Devo nocautear todo mundo se a gente for pego?

Apesar da tentativa de humor de Cahaya, a tensão de Seowoon não passou tão fácil, mas ele entrou em ação rapidamente. Tomou o menino nos braços e ele, embora sonolento e resmungão, se agarrou ainda mais nele. Seowoon deu tapinhas suaves nas costas do menino.

— Garoto, a gente vai embora agora, então nada de chorar ou gritar, tá bom?

O menino apenas assentiu. Assim que Seowoon ficou pronto para sair, parou na frente de Cahaya. Ele tinha guardado os celulares dos dois com cuidado.

— Você sabia que existe um terraço para fumantes no quinto andar, do lado da saída de emergência?

Aquilo significava que teriam que pular vinte andares dali.

— Aquela é a nossa saída dos fundos.

— Uma saída dos fundos no quinto andar?

— Não é exatamente uma saída dos fundos, mas se descermos por ali, vai ser a nossa saída — disse Cahaya. — O carro do grupo também vai estar esperando lá.

Ele abriu a porta de repente e percorreu o corredor com o olhar.

Reinava o silêncio, sem qualquer sinal do Centro de Controle ou dos funcionários do hotel que pudessem ter chegado até ali.

Cahaya correu em direção à saída de emergência, com Seowoon logo atrás. Mesmo correndo, Cahaya conferia de vez em quando se Seowoon estava conseguindo acompanhar o ritmo.

Seowoon segurou o menino o mais junto de si possível enquanto desciam as escadas, para minimizar qualquer movimento brusco. O menino, provavelmente recém-acordado, piscava olhando para Seowoon. Com o boné e a máscara cobrindo o rosto dele, parecia que o menino tentava confirmar que era Seowoon olhando para os olhos roxos. Felizmente, o menino não choramingou nem voltou a chorar.

Desceram rapidamente do vigésimo andar para o décimo sétimo, depois para o décimo terceiro e por fim para o sétimo. Conforme desciam, as vozes das pessoas ficavam mais intensas e mais próximas, o que sugeria que a saída de emergência do primeiro andar provavelmente tinha ficado aberta.

Como Cahaya tinha dito, no quinto andar, junto à saída de emergência, havia uma porta que dava para fora.

Quando Cahaya abriu a porta, uma velha van branca estava lá embaixo. A pintura estava descascando, dando a impressão de que o veículo estava prestes a ser rebocado. Um homem com a pele queimada de sol, se debruçando do banco do motorista, chamava especialmente a atenção.

— Cahaya, aquela pessoa está com a gente?

— Está. Eu vou primeiro e…

— Não.

Tranquilizado, Seowoon saiu correndo do terraço dos fumantes num movimento rápido. Cahaya, sem conseguir terminar a frase, observou Seowoon com um sorriso breve.

“Cha Seowoon, deixa eu me preocupar um pouquinho com você.

Você sempre é rápido demais, né?”

Ao aterrissar, Seowoon ajustou o cosmos para criar uma barreira que funcionou como um colchão, amortecendo o impacto e minimizando o barulho da queda.

A barreira se curvou para baixo, absorvendo o impacto como uma esponja. O menino juntou as mãos com delicadeza para não fazer barulho.

Naquele momento, Seowoon sentiu um lampejo de dúvida.

Mesmo antes de perder as habilidades, ele conseguia criar barreiras protetoras simples, mas tinha se especializado mais em combate. No entanto, ultimamente parecia capaz de usar o cosmos de várias maneiras diferentes, como acabara de fazer. Dava a impressão de que suas habilidades tinham se expandido de formas que ele não lembrava.

“Ei, se aparecer um mutante em Seul, deixa comigo. Quero verificar o quanto eu recuperei das minhas habilidades.”

O motivo de ter pedido esse favor a Cahaya antes de usar o Portão sem minério wu era porque estava sentindo uma sensação de mudança diferente de antes.

O corpo humano é composto por aproximadamente 60 trilhões de células, cada uma com o próprio núcleo. Quando Seowoon despertou pela primeira vez, conseguia sentir todas e cada uma das células, mas não na totalidade dos 60 trilhões.

Agora, porém, tinha confiança de conseguir controlar pelo menos metade desse número.

De espadachim de alto nível a um simples musaranho-elefante, o mestre da fuga que só conseguia usar um ou dois movimentos especiais, e agora, para chegar a isso, tinha percorrido um longo caminho.

》”Cha Seowoon” ainda não é possível.《

Foi depois de salvar Kim Hansol, sobre quem o Mensageiro tinha avisado que ele não deveria salvar o jogo, que as habilidades de Seowoon começaram a despertar gradualmente. Será que aquele “ainda não” significava que, em algum momento, ele voltaria a despertar daquele jeito?

Seowoon observou Cahaya pular.

Cahaya, carregando Abdul Aziz no ombro, saltou com uma pancada forte antes mesmo que Seowoon conseguisse posicionar a barreira para amortecer a aterrissagem.

— Ei! A gente não deveria se mover em silêncio?

— Sempre existe a opção de nocautear todo mundo, lembra?

Ao contrário de Seowoon, que estava sussurrando, Cahaya manteve o tom de voz normal e fez um gesto com a mão. Seowoon, se sentindo um pouco lesado, abriu apressadamente a porta traseira da van diante da insistência do homem. Sentou-se no banco junto à janela da frente, colocando o menino ao lado. Cahaya abriu o porta-malas e afastou várias ferramentas agrícolas, como picaretas, para abrir espaço.

Colocou o corpo de Abdul Aziz sobre a lona amassada que estava no porta-malas. Depois, subiu rapidamente e fechou a tampa. A van tinha o porta-malas ligado aos bancos traseiros, então Cahaya se agachou para se sentar ao lado do menino.

[Vá para Matahari.]

Seowoon olhou para Cahaya com uma expressão confusa depois de ouvir “Matahari” em indonésio. A palavra lhe parecia familiar, mas ele não sabia mais nada além disso.

— Por que Matahari?

— Matahari também é o nome do meu antigo bairro.

Cahaya falou enquanto segurava o rosto do menino entre as mãos e o encarava diretamente nos olhos.

Seowoon só sabia que Matahari significava sol, mas não fazia ideia de que era o nome do antigo bairro de Cahaya. Cahaya nunca tinha mencionado o próprio passado antes.

— A gente vai se esconder lá?

— Não, eu vou direto para Gazan pelo muro negro. Cha Seowoon, fique com o meu tio até eu voltar. Cha Byeonjong-ah.

— Sim, Cha Byeonjong!

O menino levantou a mão com entusiasmo.

— Se não se comportar, eu posso te deixar por aí em algum lugar.

— Não, eu vou ficar bem. Cha Byeonjong é bonzinho.

Cahaya soltou uma risadinha e se virou para olhar para a frente. Seowoon, olhando pela janela, contemplava com o olhar perdido a paisagem desolada.

“Mas… será que eu cheguei a mencionar ‘Gazan’ para o Cahaya?”

Ou seja, o verdadeiro nome de Naraka.

· ⋆ · ─ ✦ ─ · ⋆ · Continua

Tradução, revisão e Raws: Belladonna & Othello

 

 

 

 

 

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SINOPSE:
Pessoas com a habilidade de caçar mutantes, os Mansaengjong.
Um dia, eles de repente se viram isolados em Naraka.
Seowoon já foi chamado de um dos de mais alto escalão, conhecido por sua excelente capacidade de combate, mas de repente perdeu todas essas habilidades depois de ser isolado em Naraka. Em troca, ganhou a capacidade de detectar o surgimento de mutantes através do “Mensageiro”.
Para escapar de Naraka, era necessário o minério wu, um subproduto dos mutantes. No entanto, Seowoon morreria só de encostar num mutante, quanto mais caçá-los.
Ao saber disso, Cahaya fez uma proposta a ele:
— Cha Seowoon, a partir de agora, seja meu buscador de mutantes?
Com a ajuda de Cahaya, Seowoon conseguia ir e vir de Seul, mas achava isso cada vez mais difícil.
“Por que eu te afastei…?”
Ele só queria negar os sentimentos de atração que sentia por Cahaya.
Nome alternativo: Perennial Species Late Bloomers Late Blooming Species Mansaengjong

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