Ler Lamba-me se puder – Capítulo 219 Online

Do outro lado da linha, Bill não conseguiu entender absolutamente nada das palavras que vinham do outro lado da linha. Em sua cabeça, apenas o nome “Ashley Miller” girava sem parar. Ficou parado, atordoado, até que a voz o chamando através do telefone o trouxe de volta à realidade, e ele perguntou:
— A-Ashley Miller? O advogado?
— Sim, ele disse que é seu colega de escola. Podemos autorizar a subida dele?
Ao ouvir a explicação repetida com paciência, Bill deu um tapa forte na própria bochecha. Forçando-se a recobrar os sentidos, esfregou o rosto dolorido enquanto organizava os pensamentos. Pelo que Koy havia dito, Ashley já sabia da situação. Talvez tivesse vindo oferecer algum conselho como advogado.
Uma esperança cautelosa começou a surgir. Mas, de repente, a voz do outro lado mudou.
— …?
— O-Oi?
Diante daquela voz inesperada, Bill acabou gaguejando sem perceber. Mesmo depois de tanto tempo, ele reconheceu imediatamente quem era. E então Ashley falou:
— Temos algo para conversar, só nós dois. Posso subir?
A voz dele era extremamente calma e fria. Não havia emoção alguma ali. Isso fez Bill sentir certa distância… mas, ao mesmo tempo, estranhamente o tranquilizou. Lembrando-se da sua longa amizade com Koy, uma confiança sem fundamento tomou forma dentro dele.
Isso mesmo… nós éramos amigos inseparáveis.
As memórias do tempo de escola o encheram de expectativa.
— Cof…
Após pigarrear rapidamente, Bill passou o telefone de volta para o funcionário e aceitou a visita sem hesitar:
— Sim, pode deixá-lo subir. Ah, e pode trazer uma garrafa de champanhe também? Qualquer uma serve.
Depois de desligar, ele soltou um suspiro e esfregou as mãos. Não era hora para isso. Começou a arrumar rapidamente o quarto bagunçado, se preparando para encontrar o antigo colega depois de tanto tempo.
É, nessas horas, nada melhor do que um amigo. Tomar um drink juntos, relembrar o passado…
Mas… por causa daquela matéria com o Koy, vou ter que pedir desculpa.
Se fosse com ele, provavelmente teria vontade de espancar o outro até quase matá-lo. Ainda assim, Bill confiava em Ashley. Mais precisamente, confiava profundamente na amizade que os dois tinham compartilhado.
<O Ash pareceu não se importar tanto assim…>
Ao lembrar da voz inocente de Koy, Bill conseguiu se acalmar mais uma vez.
Quando a campainha finalmente tocou, ele já tinha imaginado, dentro da própria cabeça, um reencontro emocionante com seu velho amigo. Correndo até a porta, abriu sem hesitar, recebendo-o com um sorriso radiante:
— Ash, quanto tempo— ugh!
A saudação animada nem chegou a terminar e virou um grito. Com um pá! alto, sua visão piscou, e ele recuou cambaleando, segurando o nariz.
— O-q… o quê…
Mal recuperando os sentidos, os olhos de Bill se arregalaram. O homem que entrou a passos largos era, sem dúvida, Ashley. Vestido com um longo casaco e um terno impecável, com o cabelo cuidadosamente penteado — um homem elegante.
Mas a razão pela qual a imagem dele se sobrepunha à versão mais jovem que Bill conhecia do ensino médio era uma só. Assim como naquela época… Ashley estava segurando um taco de hóquei.
— E-espera, Ash, se acalma! O que você tá fazendo?!
O rosto de Bill ficou pálido num instante, e ele estendeu a mão, desesperado.
— Que porra é essa? Você disse que queria conversar!
— Disse.
Diante do grito desesperado, Ashley ajustou o taco na mão e respondeu, ainda com aquela voz fria:
— Então vamos conversar. Com o meu taco.
No mesmo instante, Ashley balançou o taco — e Bill gritou, cobrindo a cabeça.
— Seu maluco desgraçado!
***
— Koy!
Assim que abriu a porta, Koy se deparou com Ariel entrando apressada, pálida, e se assustou ao recebê-la.
— O que foi? Aconteceu alguma coisa?
Achando que talvez alguém estivesse seguindo ela, Koy olhou rapidamente para fora, mas Ariel o interrompeu, urgente:
— Quem está com problema é você! Você tá bem? Não aconteceu nada?
Depois de olhar ao redor, Ariel voltou o olhar para o rosto dele. Confuso, Koy respondeu que não. Ela o observou por um momento e então soltou um suspiro de alívio, levando a mão ao peito.
Sentando-se no sofá, Ariel recebeu o chá de ervas que Koy trouxe e, só então, ele começou a perceber a situação.
— Você não faz ideia da confusão que tá rolando desde cedo?
Depois de tomar um gole no chá, finalmente recuperando o fôlego, Ariel perguntou. Koy, meio sem graça, coçou a cabeça ao responder:
— Fiquei sabendo porque o Bill ligou. Nem entrei na internet hoje, então não vi nada… mas parece que ele tá numa situação complicada.
Ariel não comentou que tinha virado “uma mulher inexistente” na história. Aquilo não era o mais importante agora.
— A situação é mais séria do que parece. Os repórteres podem vir atrás de você e invadir aqui.
— Sério?
— Koy arregalou os olhos e gritou, assustado. Mas havia algo ainda mais preocupante.
— E o Ash? Você falou com ele? O que ele disse?
— Hã? Não…
Koy balançou a cabeça.
— O Ash me ligou primeiro. Não falou muita coisa, só perguntou sobre o Bill… mas parecia ter entendido tudo quando desligou. Não precisa se preocupar com ele.
Mesmo dizendo isso com um sorriso, o rosto de Ariel foi ficando cada vez mais pálido.
— Quando foi isso?
Diante do tom urgente, Koy piscou.
— Hm… acho que… depois do almoço?
— Me dá seu celular. Não, espera— liga pra ele. Agora. Pro Ash.
Koy, sem entender direito, obedeceu e ligou, mas logo balançou a cabeça.
— Ele não atende.
— O Bill também não.
Ariel largou o celular e se levantou de um salto.
— Não dá pra ficar aqui parada. Vamos.
— Pra onde?
Sem entender, Koy foi puxado pelo braço. Indo apressada em direção à porta, Ariel virou-se rapidamente para ele.
— Para o hotel do Bill.
— O quê? Por quê?!
— Porque o Ash não vai deixar isso passar.
— O quê? Não, espera!
Koy tentou argumentar, nervoso.
— Isso não faz sentido! Ele disse que entendeu tudo!
— Tomara que sim…
Ariel olhou para ele com seriedade.
— Mas, se minha intuição estiver certa, a única pessoa que pode parar o Ash… é você.
***
— Espera aí, Ash! Para! Eu disse pra parar— UGH!
Ao tentar pular o sofá às pressas, Bill perdeu o equilíbrio e caiu de cara no chão. Por sorte havia um tapete, mas isso não significava que não doía. Ele precisava ter cuidado com o pulso lesionado, mas naquele momento sobreviver era mais importante.
Ashley estava furioso. Tão furioso que seus olhos roxos pareciam quase negros, e o feromônio que emanava dele era sufocante.
— Não aconteceu nada entre mim e o Koy. É verdade, acredite em mim!
Desviando por pouco do taco que quase acertou seu rosto, Bill gritou com todas as forças. De repente, Ashley parou o movimento e o encarou de cima.
Respirando com dificuldade, Bill levantou os olhos para ele. Então Ashley falou, em um tom baixo e gelado:
— Não foi você… quem chamou o Koy para o quarto do hotel?
Bill hesitou antes de responder.
— B-bem… isso é verdade, mas…
— Também foi você quem ofereceu champanhe para o Koy, não foi?
— I-Isso também fui eu, mas…
— …E o beijo?
— Isso também… fui eu…
Bill começou a perceber que estava sendo encurralado. A prova disso era Ashley estreitando os olhos e perguntando com um sorriso debochado, sem disfarçar o desprezo:
— Então o que exatamente eu entendi errado? Está tudo correto, não está?
— Não, está certo, mas… digo… está errado. Ai, para com isso! O que aconteceu foi que— ARGH!
Ele desviou por pouco de mais um golpe e rolou pelo chão, gritando.
— Você disse que confirmou com o Koy, então por que está fazendo isso?! Tá dizendo que o Koy mentiu pra você?
— Koy não mente.
Ashley respondeu de imediato, sem sequer alterar a respiração. No momento em que Bill tentou se agarrar a essa esperança, ele completou friamente:
— Meu Koy nunca me trairia. Você é quem deve tê-lo seduzido.
— “Meu Koy”…?
Bill repetiu, incrédulo. Não fazia ideia de que tipo de situação absurda era aquela. Enquanto desviava por pouco do taco, lembranças da amizade entre eles passaram pela sua cabeça como um filme. Eles eram tão próximos… então como ele podia estar fazendo aquilo?
Dominado por um sentimento de injustiça, Bill gritou.
— Então o Koy também tem culpa por ter se deixado levar! Por que você só está fazendo isso comigo?! Dele você aceita tudo numa boa!
Mesmo diante do grito, a resposta de Ashley foi calma, quase indiferente:
— Eu não posso bater no Koy.
— Seu desgraçado!
No momento em que Bill gritou novamente, ele acabou encurralado em um ponto sem saída. E o taco veio direto na direção da sua cabeça. Mas então… O som da campainha ecoou, junto com uma voz do lado de fora. E imediatamente, Ashley parou de se mover.
— Bill, sou eu, o Koy! O Ash está aí?
°
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Continua….
Tradução: Ana Luiza
Revisão: Thaís
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Em breve será disponibilizado uma sinopse!
Nome alternativo: Kiss Me If You Can