Ler Lamba-me se puder – Capítulo 218 Online


Modo Claro

Ashley Miller viu a notícia já no fim da tarde. Depois de terminar a reunião da manhã e cumprir o almoço agendado, ele voltou ao escritório, afundou-se na cadeira e soltou um longo suspiro contido.

Sua rotina seguia normalmente. Ninguém havia percebido nada de estranho nele. Às vezes, esquecia alguma coisa aqui e ali, mas sua secretária preenchia todas as lacunas com perfeição. Nem ela, nem qualquer outra pessoa, questionava isso — afinal, eram apenas pequenos erros que poderiam acontecer com qualquer um.

Ashley, que havia lido o breve resumo sobre economia e sociedade que sua secretária havia preparado. Agora, tentando ver mais detalhes, decidiu buscar as matérias completas junto com o relatório dela. Foi nesse momento que abriu a internet — e então se deparou com o escândalo de uma estrela do esporte, que já dominava todas as manchetes.

— Senhor Miller?

A secretária, que aguardava instruções, o chamou, estranhando a falta de reação. Mas o olhar de Ashley permanecia fixo no monitor, completamente imóvel.

— Saia.

Sem sequer olhar para ela, ele murmurou. A secretária respondeu prontamente “sim” e saiu do escritório. Curiosa para saber o que havia causado tal reação em seu chefe, ela vasculhou os artigos, mas, atrás do monitor, não conseguiu sequer imaginar o porquê daquela reação dele.

Sozinho, Ashley ficou encarando a tela por um bom tempo. Só cerca de trinta minutos depois é que pegou o celular. A notícia que havia surgido pela manhã já tinha se desdobrado em várias atualizações. Ele passou os olhos rapidamente, organizou as informações na cabeça e discou um número.

A ligação foi atendida após apenas dois toques.

— Alô?

Ao ouvir a voz de Koy, Ashley prendeu a respiração por um instante antes de soltá-la lentamente.

— Sim, sou eu.

Mesmo mantendo o tom frio e profissional, seus olhos continuavam presos ao monitor. Mais precisamente, à foto de Bill e Koy sorrindo carinhosamente um para o outro enquanto brindavam, encostando as taças de champanhe com intimidade. 

O som do próprio coração batendo ecoava dolorosamente em seus ouvidos. 

Do outro lado, Koy ajeitou a respiração e se concentrou totalmente na ligação. Ele havia acordado há cerca de duas horas. Levantando mais tarde do que o normal, tomou banho, arrastou o corpo ainda pesado e preparou uma refeição simples, que acabou servindo como café da manhã e almoço. Ariel já tinha saído para o trabalho, então ele estava sozinho em casa.

Aquela rara manhã tranquila não durou muito. Quando se levantou para pegar mais uma xícara quente de chá de ervas , o toque do celular soou de repente. Assim que viu quem estava ligando, seu rosto se iluminou imediatamente.

— Ash?

Ao chamar seu nome com alegria, a resposta veio logo em seguida.

 

— Sim, sou eu.

A voz de Ashley, como sempre, não transmitia emoção alguma, era muito profissional, mas Koy não estranhou. O fato de ele ter ligado era o que mais importava.

— Oi, como você está? Já é hora do almoço aí? Tá descansando agora?

— Sim.

Houve uma breve pausa antes da resposta, mas Koy nem percebeu e continuou falando, animado:

— Entendi. Eu acordei agora há pouco, tava indo tomar um chá. Não se preocupe, é chá de ervas.

Ele ainda não conseguia acreditar que estava grávido. Nem o fato de ter se tornado um ômega parecia real — quanto mais isso. Distraidamente, acariciou a própria barriga, tentando acalmar o nervosismo, e falou com cuidado:

— Então… você pensou sobre aquilo? Sobre nós?

— …?

Diante da falta de reação, Koy logo se decepcionou, mas, em vez de desanimar, continuou com naturalidade:

— Bom… ainda é muito cedo, não é? Tudo bem, pode pensar com mais calma. Só… não queria que demorasse muito. Não tô tentando te pressionar, mas…

Percebendo que talvez estivesse colocando pressão demais, ele deixou a frase morrer no ar. Do outro lado, não houve resposta. Quando Koy, intrigado, chamou seu nome novamente, Ashley finalmente falou.

— Tenho uma coisa para te perguntar.

— Claro, pode perguntar. Eu respondo tudo.

Assim que respondeu prontamente, Ashley fez a pergunta, após uma pequena pausa:

— Você sabe que o Bill está aqui?

O tom cauteloso soou estranho, mas Koy apenas assentiu, sem suspeitar de nada.

— Sim. Já faz alguns dias. Ah… eu não te contei?

— Não, não contou.

— Ah, é mesmo…

Koy murmurou, sem dar muita importância. Bem, estávamos tão ocupados com os nossos próprios problemas. Convencido, ele continuou casualmente:

— Acho que ele veio resolver umas coisas por aqui. Ele entrou em contato, então eu fui encontrar com ele. Ele ainda não falou com você?

— Resolver o quê?

Ignorando a pergunta de Koy, Ashley retrucou. Koy ia responder, mas hesitou. Não podia sair falando tudo sobre os dois assim. Ainda era uma fase delicada — precisava ser cuidadoso. Se se empolgasse demais e algo desse errado, poderia estragar tudo.

Como realmente torcia pelos dois, Koy se controlou e respondeu de forma vaga:

— Ele disse que veio encontrar alguém. Como ele entrou em contato primeiro, eu fui lá e a gente conversou um pouco. Parece que ele se machucou durante o treino, então o médico mandou ele descansar por umas duas semanas.

Isso deve estar ok… já saiu até nos noticiários mesmo.

Tomando cuidado para falar apenas do que já era público e excluir qualquer coisa relacionada a si mesmo, Koy terminou e Ashley ficou em silêncio por um momento.

— Entendi.

A resposta foi curta. Logo depois, ainda com a voz baixa, Ashley perguntou:

— Foi só isso?

— Foi. Sério. A gente só conversou.

Em seguida, Koy acrescentou sorrindo:

— Ele quis beber champanhe, mas como é álcool eu recusei. Só fiz um brinde mesmo. Ele até reclamou, mas fazer o quê.

E, aproveitando o momento, perguntou:

— Então… quando a gente vai se ver? Preciso esperar mais?

Ele ainda não tinha nada planejado, mas queria vê-lo. Sentindo saudades, perguntou, mas a resposta do outro lado foi morna.

— Depois.

O tom era puramente profissional — como um advogado querendo encerrar logo uma ligação com um cliente.

— Agora estou ocupado, então não dá. Mas vou passar aí em breve. Você disse que está na casa da Al, certo?

— Tô sim. Sabe, alguém chutou e quebrou a porta da minha casa. Será que eu posso entrar com um processo por danos, senhor advogado?

Imitando de propósito o tom de um cliente, Koy brincou — e Ashley soltou uma risada breve.

Na mesma hora, Koy se sentiu aliviado e sorriu também.

— Eu te amo, Ash. Pra mim, só existe você.

Sem conseguir segurar a emoção, ele acabou confessando o que sentia. Do outro lado, não veio nenhuma  resposta. Nem mesmo o som da respiração. Até o riso havia desaparecido, e não dava para saber qual era sua reação. 

Devia ter falado isso pessoalmente…

O arrependimento veio quase na mesma hora. Então, finalmente, Ashley falou:

— …Eu sei.

A ligação foi encerrada logo em seguida.

Ashley não duvidava nem um pouco dos sentimentos de Koy. Nem antes, nem agora — e nem no futuro. Mas isso era uma coisa, confiar em Koy era outra completamente diferente.

Koy ficou olhando para o celular com o rosto sério, mergulhado em pensamentos.

O que eu faço pra ele confiar em mim…?

 

***

 

Astro do hóquei no gelo — afinal, gay?

— Não sou!

Assim que viu o jornal entregue no quarto naquela manhã, os olhos de Bill se arregalaram. Era como um raio caindo em um céu limpo.

Em pânico, ele abriu as notícias na internet — e lá estava o seu rosto estampado por toda parte. E, na maioria das imagens, ele aparecia ao lado de Koy, dentro do quarto de hotel.

E isso não era tudo. O conteúdo das matérias era ainda pior — cada detalhe fazia seu sangue ferver.

Bill Gulliver, que havia desaparecido alegando lesão, na verdade foi flagrado em encontro íntimo com o namorado em um quarto de hotel.

— Não, seus desgraçados!

Bill gritou, puxando o próprio cabelo. Mas não havia como negar, as fotos mostravam claramente ele e Koy. Um paparazzi que vinha o seguindo há tempos finalmente tinha conseguido o que queria.

O pior é que o prédio de onde as fotos pareciam ter sido tiradas ficava absurdamente longe. Ele via aquele prédio todos os dias da janela do hotel, mas nunca imaginou que alguém pudesse fotografar dali.

Aquilo era uma câmera ou um telescópio da NASA? Como alguém pode tirar uma foto de tão longe?

Bill imediatamente ligou para o empresário, tentando corrigir a informação. Disse que tinha ido para o Leste para cortejar uma mulher de quem gostava, e que a pessoa nas fotos era apenas um amigo em comum, que estava lhe dando conselhos. Mas a matéria seguinte conseguiu ser ainda pior.

O acompanhante foi identificado como colega de escola…
…Os dois supostamente eram melhores amigos desde o ensino médio. Será que o relacionamento começou naquela época?
…Ele até inventou a história de estar cortejando uma mulher inexistente para proteger o amante…

— AAAAAAH!

Bill gritou novamente. A esse ritmo, sentia que ia ficar careca, mas mesmo assim não conseguia parar de puxar o cabelo.

Mas por quê… como isso foi acontecer…?

O único alívio que Bill teve foi a conversa com Koy que ficou sabendo do escândalo através da ligação dele, mas antes disso Ashley já tinha ligado para Koy depois de ver a notícia. Sem saber de nada naquele momento, Koy contou tudo com sinceridade, e Ashley aparentemente aceitou bem. No fim, ainda consolou Bill antes de desligar. Isso pelo menos deixou Bill mais tranquilo quanto a esse lado da situação. 

Mesmo assim, o problema continuava. Ele precisava resolver aquilo de qualquer forma.

Sem conseguir sequer sair do quarto o dia inteiro, Bill passou horas tentando conter o caos. Já era quase noite quando recebeu outra ligação da recepção do hotel. Atendeu sem muita vontade, mas o que ouviu o deixou surpreso.

— O senhor tem um visitante. Gostaria de recebê-lo? É o senhor Ashley Miller.

Bill congelou no mesmo instante.

Do outro lado, o funcionário acrescentou:

— Ele disse que tem algo a conversar. Posso autorizá-lo a subir?

 

°

°

Continua….

 

Tradução:  Ana Luiza

Revisão:  Thaís

 

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Em breve será disponibilizado uma sinopse!
Nome alternativo: Kiss Me If You Can

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