Ler Lamba-me se puder – Capítulo 220 Online

O barulho dentro do quarto cessou, e um silêncio repentino tomou conta. Foi apenas um breve instante de um ou dois segundos, mas o atual astro do time de hóquei não desperdiçou a oportunidade.
— Me salva, Koy!
— Ah…!
Aproveitando a brecha, Bill saiu correndo e gritou desesperado. Ashley soltou um palavrão ao ver suas costas. Bill sentiu como se estivesse fugindo desesperadamente da foice da morte e correu com todas as suas forças. Ele sabia instintivamente que havia apenas uma pessoa que poderia salvá-lo: Era Koy, que estava do lado de fora da porta naquele momento.
Três, dois, um.
A porta ficou cada vez mais próxima. Bill esticou o braço com tudo e girou a maçaneta.
Clack!
No instante em que a porta se abriu, um som pesado ecoou atrás de sua cabeça.
— UGH!
— AHH!
O grito de Bill se misturou com outro vindo de fora. No campo de visão de Ashley, que havia parado com o taco na mão, apareceram Koy, pálido, e Ariel, com os olhos arregalados.
— AAAH! AAAH!
Segurando a parte de trás da cabeça, Bill rolava no chão. Os dois correram rapidamente até ele para verificar seu estado.
— Você está bem, Bill? Não precisa ir a um hospital?
— Temos que chamar uma ambulância! Ele levou uma pancada na cabeça!
— Não parece estar sangrando… não foi só de raspão?
Como Ariel disse, não parecia que a cabeça tinha estourado. Aliviado por isso, Koy soltou um suspiro e então levantou a cabeça e olhou para Ashley.
— Ash, o que está acontecendo? E isso… o que é?
Ashley baixou o olhar.
Seus olhos encontraram imediatamente os de Bill, que ainda segurava a cabeça e espiava com medo. No mesmo instante, Bill soltou um som assustado e começou a gemer ainda mais alto. Ao ver aquilo, Koy empalideceu de novo e falou apressado:
— Eu te expliquei tudo, você disse que tinha entendido, então por que está fazendo isso? Larga isso, o Bill tá com medo.
Ashley não respondeu. Ficou parado, imóvel.
— Fala…
Koy insistiu.
Então, após um breve silêncio, Ashley falou:
— E você… o que acha que está fazendo agora?
— Hã?
Sem entender, Koy repetiu a pergunta. Ashley continuou, lentamente, com uma calma quase assustadora:
— Você está… defendendo o Bill? Na minha frente?
— Hã…?
Surpreso com aquelas palavras inesperadas, Koy só conseguiu repetir sons confusos. Ariel então interveio rapidamente:
— Ele está fazendo isso porque você pode acabar virando um assassino. Não está defendendo o Bill, está tentando te proteger, seu idiota.
— Não, eu estou preocupado com os dois…
— Fica quieto.
Rosnando em voz baixa para Koy, que se intrometeu sem perceber, Ariel voltou o olhar para Ashley.
— Vamos resolver isso conversando. O Koy também está com medo, não está?
— A-Ah… estou…
Dessa vez, Koy não desperdiçou a oportunidade e concordou rapidamente. Trocando um olhar com Ariel, ele voltou a falar:
— Então… vamos conversar primeiro. Pode largar isso, por favor?
A voz saiu quase como um pedido desesperado. A postura de Ashley pareceu suavizar um pouco. Pelo cheiro mais brando de seus feromônios, Bill e Ariel perceberam isso — mas Koy não. Ele apenas o observava, apreensivo.
Então Ashley falou:
— Se afaste, você pode se machucar.
— Hã?
Koy piscou, hesitante. Seus olhos vacilaram entre o taco de hóquei e o rosto de Ashley.
— Então… larga isso primeiro…
— Eu disse para se afastar.
Ashley rosnou entre os dentes, em voz baixa.
— Você primeiro.
Diante disso, não havia mais como insistir. Depois de olhar alternadamente entre Bill e Ariel, Koy recuou alguns passos. Só então Ashley abaixou o taco que segurava. Ainda assim, ele o deixou ao alcance da mão, o que continuava sendo perigosíssimo.
De qualquer forma, parecia que o pior já tinha passado. Koy soltou um suspiro de alívio e levou a mão ao peito. Ariel ajudou Bill a se levantar, e finalmente os quatro ficaram frente a frente.
— Que diabos foi isso?! Você queria me matar?!
Como esperado, o primeiro a extravasar sua raiva foi Bill. Com uma mistura de indignação e mágoa, ele gritou para Ashley:
— Mesmo que a gente não se fale há dez anos, como você pôde fazer isso?! Eu sou o Bill Gulliver! Seu melhor amigo do ensino médio!
As lembranças dos tempos que passaram juntos vieram à tona, e seus olhos se encheram de lágrimas. Enxugando-as com o braço grosso, ele fungou alto. Ao ver aquilo, Ariel deu leves tapinhas em suas costas para confortá-lo.
— É, dessa vez você passou dos limites. Mesmo que você fique cego quando o assunto é o Koy. Dá pra entender seu lado, mas ainda assim…
— Entender? O Ash?
Bill rebateu imediatamente. Como a situação agora se voltava contra ele, Ariel respondeu com uma análise fria:
— Do ponto de vista do Ash, você, que era seu melhor amigo, acabou seduzindo o Koy. Então é claro que ele deve ter ficado ainda mais furioso.
— Não foi nada disso! Você também não acredita em mim?
— Aaah!
Gritando, Bill bagunçou o próprio cabelo de forma agressiva, mas Ariel o beliscou na cintura para fazê-lo se acalmar e ergueu os olhos com firmeza.
— Ouça direito. Eu disse do ponto de vista do Ash.
Com o rosto agora visivelmente abatido, Bill a encarou enquanto ela continuava:
— O Ash fica totalmente fora de si quando se trata do Koy. Até hoje, nunca vi esse desgraçado agir de forma racional em nada relacionado ao Koy.
De braços cruzados e com o queixo erguido, Ariel estreitou os olhos em tom de deboche.
— E olha que ele ainda pegou leve com você. Teve um cara antes que passou meses no hospital e ainda ficou na miséria.
— Não foi?
Ariel perguntou, mas Ashley não respondeu. Ignorando o olhar confuso de Bill e Koy, ela continuou:
— Agora que todos se acalmaram, que tal sentarmos para conversar? Já que estamos juntos depois de tanto tempo, não precisamos ficar aqui em pé, parados, nos encarando, não é?
Ariel, tendo feito a sugestão, foi a primeira a se sentar no sofá. Então, Ashley olhou para Koy e estendeu o braço como quem diz: “Por favor, sente-se.” Koy hesitou por um momento, depois assentiu e sentou-se em frente a Ariel, como instruído. Ashley, sentando-se ao lado de Koy como se fosse a coisa mais natural do mundo, passou um braço pelo ombro dele e segurou um taco de hóquei na outra mão — como se estivesse pronto para usá-lo no mesmo instante, caso alguém dissesse algo errado.
Vendo aquilo, Bill recuou devagar e sentou-se o mais longe possível de Ashley, apenas com a ponta do traseiro na cadeira, medindo a distância até a porta, pronto para fugir a qualquer momento.
Ignorando completamente seu comportamento, Ashley vasculhou o bolso interno do paletó e tirou um cigarro. Com a testa franzida, ele colocou o cigarro na boca e ia acender o isqueiro quando hesitou. Logo, tirou o cigarro da boca e o guardou novamente no bolso. Koy o observava em silêncio, e então Ashley falou:
— Então, qual é a tal conversa que vocês queriam ter?
Com o tom frio de sempre, ele fez a pergunta. Ariel lançou um olhar de lado para Bill, que ainda parecia perdido, e então abriu a boca para falar.
— O Bill não tem segundas intenções com o Koy. Ele veio para o Leste por minha causa.
Ashley ergueu uma sobrancelha. Diante daquele olhar que parecia perguntar o que aquilo significava, Ariel explicou com certa relutância:
— Ele veio porque quer tentar voltar comigo. E Koy, como é amigo de nós dois, só fez o papel de intermediário. Agora entendeu? Pare com esse ciúme sem sentido e essa implicância.
Diante da explicação calma de Ariel, Koy concordou com a cabeça várias vezes. Achou que aquilo já seria suficiente, mas a reação de Ashley foi completamente diferente do esperado.
— Até quando você pretende continuar bancando a babá?
— O quê?
Não foi só Ariel que ficou confusa com a pergunta repentina. Sob o olhar de todos, Ashley fitava apenas Ariel enquanto falava com deboche:
— Já não foi o bastante brincar de abelha-rainha na época da escola? Ficar correndo atrás dos seus amigos e resolvendo tudo para eles até hoje não é exagero?
— Ash, o que você tá dizendo…
— Então o que você quer dizer é—
Cortando Koy, que tentava intervir, Ariel rebateu:
— Você está dizendo que te incomoda e te irrita o fato de que, sempre que acontece algo com o Koy, ele vem até mim para se apoiar? Então por que você não procurou o Koy antes e construiu uma confiança para que ele pudesse se apoiar em você?
O rosto de Ashley endureceu.
Ariel, que havia acertado em cheio, continuou sem piedade:
— Você não faz ideia de como o Koy viveu nesses dez anos depois que vocês se separaram, faz? Ele chegou a passar fome, deixou de dormir, juntou dinheiro… tudo só para vir até aqui te encontrar.
— AL…
Koy pensou, aflito: pra que falar disso…, e tentou detê-la, mas Ariel não parou.
— Enquanto o Koy se matava de trabalhar pensando só em você, a gente só podia ficar do lado, torcendo por ele. E você? O que fez nesse tempo? Enquanto ele lutava para chegar até você, o que você fez? Ficou noivo de uma mulher de boa família, foi em festas de feromônio… Pra você foram dez anos para esquecer o Koy, mas pra ele não. Foram dez anos lembrando ainda mais de você, vivendo só por você.
A voz dela ficou ainda mais dura.
— E agora você, que não fez absolutamente nada e fingiu que não era com você, acha que tem direito de chegar aqui, desconfiar do Bill e sentir ciúme? Sem fazer ideia do quanto a gente cuidou do Koy esse tempo todo?
Ashley permaneceu imóvel, o rosto pálido e rígido, sem dizer uma única palavra.
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Continua….
Tradução: Ana Luiza
Revisão: Thaís
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Em breve será disponibilizado uma sinopse!
Nome alternativo: Kiss Me If You Can