Ler Lamba-me se puder – Capítulo 208 Online


Modo Claro

— Haa… haa…

Koy corria desesperadamente pelas ruas sem nem perceber o próprio fôlego.

A voz de Bernice continuava ecoando em sua cabeça.

〈O Júnior recebeu alta. Ele deve voltar para casa hoje. Você pode continuar esperando o contato dele… ou ir até lá e esperar, tanto faz.〉

Devido aquele tom profissional como sempre, Koy acabou respondendo sem perceber:

— Obrigado!

〈Ah… por que a senhora me avisou?〉

Ele havia parado por um instante antes de sair correndo, perguntando cautelosamente. Bernice respondeu no mesmo tom frio de sempre:

〈Eu sou uma pessoa que cumpre promessas.〉

A ligação terminou ali, mas Koy não tinha intenção de prolongá-la. Ele cancelou o trabalho que havia combinado e se sentiu inquieto e ansioso enquanto ia até a casa de Ashley, alternando entre o metrô e o ônibus.

Será que o Ash está bem?

Se Bernice não disse nada, então ele deve estar bem — Koy tentou se tranquilizar, mas não conseguia afastar a inquietação.

Por que ele não entrou em contato nem uma vez sequer durante esse tempo…?

Se Ashley tivesse acabado de acordar, era preocupante; se não fosse o caso, também era preocupante, pois ele não saberia o motivo. No primeiro caso, significaria que ele não estava bem de saúde; no segundo, ele não conseguia entender.

Vai ficar tudo bem… eu vou vê-lo agora.

De repente, Koy percebeu que tinha esquecido do anel. Mas logo mudou de ideia.

Posso comprar depois. Ou então podemos ir juntos. O mais importante agora é ver como o Ash está.

— Haa…

Depois de respirar fundo, Koy começou a correr assim que desceu do ônibus. Acelerou como um louco em direção ao prédio imensamente alto e luxuoso que dava para o parque.

 

***

 

— Olá, senhor Niles.

O porteiro sorriu e cumprimentou Koy, que estava ofegante, quase sem fôlego. Felizmente, era o homem que o conhecia, e Koy, aliviado, respondeu com a voz entrecortada.

— B-boa tarde… o Ash… ha… o senhor Miller… já vo… voltou?

Entre respirações ofegantes, ele mal conseguiu perguntar, e o homem balançou a cabeça.

— Sim, ele subiu há cerca de três horas.

O porteiro confirmou e foi na frente, apertando o botão do elevador.

Koy entrou no elevador apressadamente, e seu coração agora começou a bater por um motivo diferente. 

Vou vê-lo… agora… finalmente.

Assim que as portas do elevador se abriram, Koy saiu disparado como uma bala. Atravessando o amplo apartamento, ele chegou à cozinha… E naquele instante, puxou o ar com força. 

Ele estava ali. Apoiado com uma mão na bancada, bebendo uísque enquanto olhava para fora através da grande janela.

Ao ver o homem alto, Koy parou onde estava e tapou a boca com as duas mãos.

— Ash…

A voz, tão baixa que parecia apenas um sopro, se dissipou dentro da palma da mão.

— Haa… haa…

Sua respiração ofegante escapava da boca sem parar. Mesmo com os ombros subindo e descendo, ele não conseguia dizer mais nada.

Quando seus olhos começaram a embaçar, tomados por uma emoção inexplicável, Ashley virou a cabeça.

Seus olhares se encontraram. Por um breve instante, o corpo inteiro de Koy congelou. 

Mas não durou muito. Um sorriso se espalhou lentamente pelo rosto inexpressivo de Ashley.

Então ele chamou:

— Koy.

Ashley pousou o copo de uísque e abriu bem os braços. Koy imediatamente se atirou sobre ele.

— Ash…!

Ele se lançou contra Ashley e o abraçou com força. No mesmo instante, a sensação de realidade o atingiu. O corpo firme e robusto entre seus braços… o calor… Era tudo real.

Não é um sonho.

Quantas vezes ele já tinha sonhado com Ashley? Mas, nesses sonhos, por mais que tentasse alcançá-lo, ele sempre se afastava. Dessa vez era diferente.

Com as mãos trêmulas, Koy tateou o corpo de Ashley, como se confirmasse sua existência.

É real… ele voltou mesmo.

— Eu senti sua falta.

Ao ouvir isso, Ashley também o envolveu nos braços e sussurrou carinhosamente:

— Eu também.

— Então por que…?

Uma voz embargada de lágrimas escapou, e Koy forçou-se a conter a respiração para continuar.

— O que aconteceu? Por que você não entrou em contato…? Você voltou e mesmo assim não… Ah, não, tudo bem. Tá tudo bem. O importante é que você voltou. Isso já basta.

Ele apagou apressadamente qualquer tom de reprovação e continuou repetindo que estava tudo bem. Com o rosto colado ao peito dele, sentindo seu calor, Koy ouviu o som do coração de Ashley. 

Tão regular… Normal… Perfeito demais.

— Ash…?

A voz animada de Koy vacilou. Hesitante, ele ergueu a cabeça, e imediatamente encontrou os olhos roxos de Ashley. Foi naquele momento que algo pareceu… estranho. As palavras de Bernice cruzaram sua mente.

Então, com um sorriso radiante, Ashley se inclinou e beijou sua bochecha.

— Como você soube que eu estava aqui?

Diante daquela voz gentil, tão familiar, Koy respondeu, ainda incerto:

— A senhorita Bernice me avisou. Disse que você tinha recebido alta… Eu vim correndo assim que soube.

— …Entendo.

Após uma breve pausa, Ashley murmurou. Ainda sorrindo, ele tentou tranquilizá-lo:

— Você ficou muito preocupado, não foi? Desculpa. Agora está tudo bem.

Koy apoiou a cabeça novamente no peito dele e confessou com dificuldade:

— A senhorita Bernice disse que… tinha algo errado com a sua memória… Você está bem, não é? Não é nada sério, certo?

— Não é nada demais.

Dessa vez, a resposta veio sem hesitação, e Ashley acrescentou com naturalidade:

— A Bernice exagerou. Não se preocupe com isso.

— Então sua memória está mesmo bem?

Koy perguntou mais uma vez, como se quisesse confirmar e Ashley desviou o assunto com leveza.

— Não é nada grave. Mas me diz uma coisa Koy… você estava na casa da Al, não é?

A mudança repentina de assunto pegou Koy de surpresa.

— Ah… sim… aconteceu umas coisas…

— Que tipo de coisa?

Ashley sorriu e roçou o nariz no de Koy. Diante daquela brincadeira carinhosa do namorado, Koy riu e passou os braços ao redor do pescoço dele.

As palavras de Ariel, que tanto haviam pesado em seu coração, desapareceram de sua mente num instante.

Não importa.

Koy repetiu para si mesmo, como já tinha feito incontáveis vezes, e abriu a boca:

O Ash me ama agora.

— A Al disse… que você não me ama.

Koy continuou, ainda com um sorriso no rosto.

— Que… o motivo de você tentar me fazer feliz… é justamente para me tornar ainda mais infeliz. Que você disse isso pra ela.

Ashley ficou apenas olhando para ele. O coração, que antes batia acelerado de expectativa, começou a afundar lentamente. 

Ele ainda sorria. Mas seus olhos… não. Aqueles olhos violetas, fixos nele, começaram a despertar uma inquietação no fundo do peito de Koy.

— …Ash?

Forçando o sorriso, ele falou:

— É mentira, né? …O que a Al disse… foi só uma brincadeira, não foi?

A voz de Koy tremia levemente.

Por favor, negue… Mesmo que seja mentira… só me diz que não é verdade.

Se você disser isso… eu vou acreditar em tudo.

— E então?

Ashley perguntou.

Em vez da resposta que Koy queria, veio outra pergunta.

— O que mais?

Koy já não conseguia mais sustentar o sorriso.

Sentindo os lábios enfraquecerem, respondeu com dificuldade:

— Que você… já ficou noivo.

Como se forçasse a voz a sair da garganta, ele continuou, dolorosamente.

— Que tinha alguém com quem você ia se casar… Que ela era rica… e muito bonita.

Ao ouvir isso, Ashley franziu levemente a testa.

Hesitando, Koy confessou:

— Eu encontrei ela por acaso… naquele restaurante francês. A pessoa com quem eu estava conhecia ela…

Com o pouco de força que lhe restava, Koy forçou um sorriso.

— Deve ter havido algum motivo, não é? Você sempre gostou de mim… não foi?

Com a voz trêmula, ele insistiu:

— Quem você sempre amou fui eu… não é?

Enquanto o pressionava por uma resposta, o braço que envolvia sua cintura afrouxou. Koy viu Ashley soltá-lo e tirar um cigarro e um isqueiro do bolso.

— Fuu…

Ashley soltou a fumaça lentamente. A névoa branca se espalhou no ar, turvando o espaço entre eles. Levando o cigarro novamente à boca, ele respondeu:

— É verdade.

Os olhos de Koy se arregalaram em choque.

Ashley continuou, com um tom completamente indiferente, completamente desprovido de emoção.

— É tudo verdade — Tudo o que você disse.

Por um instante, a mente de Koy ficou completamente em branco. Mesmo que Ashley tivesse batido com força em sua cabeça, não teria ficado tão atordoado assim. Era como se sua consciência tivesse simplesmente se apagado.

Ele abriu a boca com dificuldade, tentando dizer algo, mas nenhuma palavra saiu.

— Quer saber por que eu fiz isso?

Como se falasse por ele, Ashley perguntou. 

Não havia mais nenhum traço da expressão gentil de antes. No lugar dela, restava apenas um rosto frio e implacável, olhando diretamente para Koy.

 

°

°

Continua….

 

Tradução:  Ana Luiza

Revisão:  Thaís

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Em breve será disponibilizado uma sinopse!
Nome alternativo: Kiss Me If You Can

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