Ler Lamba-me se puder – Capítulo 207 Online

Koy não reagiu, ficou imóvel por um tempo, completamente rígido. Então, lentamente, abaixou as mãos que cobriam o rosto e olhou para Ariel. Sua expressão mostrava claramente o choque e a confusão.
— …O quê?
Ele perguntou quase sussurrando, com a voz quebrada. Diante da pergunta, Ariel contou a verdade sem esconder nada:
— Quando eu soube que vocês tinham voltado a se encontrar, fui falar com aquele desgraçado para saber quais eram as intenções dele. E naquela hora o Ash me disse isso pessoalmente. Que desejar a sua felicidade era justamente para te tornar ainda mais infeliz. …Mais exatamente, ele disse assim.
Ariel respirou fundo e repetiu as palavras dele:
— Quanto mais alto se sobe, maior é o impacto quando se cai no chão.
A respiração de Koy pareceu parar por completo. Vendo o amigo parado, com os olhos arregalados, Ariel finalmente despejou tudo o que vinha guardando no peito.
— Koy, aquele filho da puta também me disse que te ama. Mas eu acho que, se alguém realmente ama outra pessoa, jamais pensaria em torná-la infeliz. Isso não é amor.
Koy continuava sem reagir. Olhando para o rosto dele, atordoado pelo choque, Ariel disse friamente:
— Pode ser que ele ainda tenha uma obsessão por você… mas, Koy, a obsessão não vem necessariamente do amor. As pessoas também ficam obcecadas por quem odeiam.
O silêncio tomou conta do ambiente. Ariel esperou alguma reação de Koy e então falou com cuidado:
— Koy… se eu te magoei…
— Essa pessoa com quem ele ficou noivo… como ela é? Você sabe?
Interrompendo Ariel, Koy perguntou de repente, como se estivesse cuspindo as palavras. Ariel hesitou antes de responder.
— Não sei muito…
Ela ganhou tempo organizando os pensamentos, e então soltou um suspiro.
— Ouvi dizer que ela é uma ômega. Mas o cheiro dela é quase inexistente, então dizem que é praticamente como se fosse uma beta.
Faz sentido. Como ele tem convulsões quando sente cheiro de ômegas.
O pensamento surgiu mecanicamente na mente de Koy.
Ariel continuou:
— O pai dela é dono de uma empresa petrolífera, então eles são absurdamente ricos. E ela é filha única, muito querida pela família. Provavelmente a família do Ash também levou isso bastante em consideração. Pessoas desse tipo costumam arranjar casamentos entre si.
Ariel franziu a testa involuntariamente ao se lembrar do olhar que o pai de Ashley lhe lançara no ensino médio.
— Podem namorar qualquer um… mas casamento, eles fazem com pessoas do mesmo nível.
Ela disse aquilo sem pensar e, e percebeu tarde demais o que tinha acabado de falar e imediatamente se calou. Constrangida, tentou encontrar alguma forma de corrigir suas palavras — mas nada lhe vinha à mente.
Depois de um longo silêncio, Koy finalmente falou, com a voz pesada e abatida:
— …Eu entendi o que você quis dizer.
— Vou descansar um pouco. Obrigado por me contar.
— Koy…
Ariel chamou seu nome, mas Koy não respondeu e entrou no quarto. Sozinha, Ariel suspirou e passou a mão bagunçando os cabelos.
Depois de fechar a porta e se deitar na cama, Koy ficou por um tempo olhando fixamente para um canto escuro do quarto.
“Quanto mais alto alguém sobe, maior é o impacto quando cai no chão.”
“As pessoas também ficam obcecadas por quem odeiam.”
“Podem namorar qualquer um… mas casamento, fazem com pessoas do mesmo nível.”
As palavras de Ariel continuavam ecoando em seus ouvidos. Misturando-se com a voz de Ashley sussurrando que o amava, sua mente estava completamente confusa. Sem saber o que fazer, Koy simplesmente fechou os olhos. Ele passou a noite inteira acordado, perdido naquele vazio. Quando finalmente conseguiu começar a organizar seus pensamentos… o dia já estava amanhecendo.
***
Depois de esperar ansiosamente o tempo passar, Koy pegou o celular por volta da hora em que imaginou que a maioria das pessoas já teria ido trabalhar e ligou para Ash. Mesmo tendo uma pequena esperança… ninguém atendeu. Sem outra opção, ele tomou uma decisão e foi até a casa de Ashley, mas foi impedido logo na entrada.
— O senhor Miller não está no momento.
Justo naquele dia, o porteiro que sempre deixava Koy entrar estava de folga. O homem que estava ali agora o encarava com uma expressão rígida, bloqueando completamente sua passagem. Koy implorou por um bom tempo, mas não conseguiu nem colocar os pés no saguão do prédio, muito menos entrar no elevador.
Diante daquela realidade desesperadora, Koy recorreu ao último recurso que tinha. Forçando a memória, discou o número de Bernice. Ele só o tinha visto uma única vez, então não tinha certeza se lembrava corretamente, mas quando ouviu aquela voz fria do outro lado da linha, quase caiu de alívio.
— Sim, aqui é Bernice.
Koy soltou um suspiro trêmulo antes de conseguir falar:
— Olá… ah… aqui é Connor Niles.
Sua voz falhou, e ele pigarreou rapidamente antes de continuar.
— Eu… liguei porque queria saber como está o estado do Ash. Não tem ninguém em casa… quando ele deve voltar?
Bernice não respondeu imediatamente. Claro que talvez fosse apenas impressão… mas Koy teve a sensação de que ela estava escolhendo as palavras.
Então ela finalmente falou:
— Ainda não posso dizer.
— Não pode?
— Ele está passando por exames.
— Exames?
Koy perguntou, surpreso.
Bernice respondeu no mesmo tom profissional de sempre:
— Sim. Eu já disse, não disse? Há um erro na memória dele. Você entende o que isso significa, certo? Significa que houve um problema no cérebro.
Koy sentiu os ombros tensionarem e perguntou com cuidado:
— É… muito grave…?
Será que os feromônios de um ômega dominante são tão fatais assim para um alfa dominante?
De repente, sentindo-se ansioso, ouviu Bernice dizer:
— Precisamos fazer mais exames. Por enquanto, não posso dizer.
Ele queria perguntar em qual hospital Ashley estava, mas sabia que ela não responderia. Koy mordeu os lábios com força.
Após um breve silêncio, Bernice acrescentou:
— É melhor você se preparar. O Júnior pode ser muito diferente daquele que você conhecia.
— …Como assim?
Koy perguntou, mas Bernice apenas respondeu evasivamente:
— Difícil dizer.
E concluiu:
— De qualquer forma, eu avisei.
Diante da voz fria, Koy respondeu com a voz rígida:
— Desta vez, aconteça o que acontecer, eu não vou me separar do Ash.
Ao finalmente dizer em voz alta a determinação que vinha repetindo para si mesmo, seu corpo inteiro começou a tremer de tensão.
Enquanto Koy prendia a respiração, ela disse:
— Não tenho intenção de impedir. E também não tenho esse direito.
Diante da resposta indiferente, tão contrastante com sua firme determinação, Koy sentiu um certo vazio. Após soltar um breve suspiro, a voz de Bernice chegou aos seus ouvidos:
— Se vão terminar de novo ou não, depende de vocês dois. Se não tem mais nada a dizer, vou parar por aqui…
— E-espere!
Koy a interrompeu apressadamente. Confirmando que a ligação ainda não havia sido encerrada, ele acrescentou rapidamente:
— Quando o Ash acordar, por favor me avise. Por favor.
— …Farei isso.
Após uma despedida breve, ela desligou. Koy ficou olhando para o celular por um tempo. Então percebeu que estava apertando o punho e lentamente abriu a mão. Sua palma estava coberta de suor frio.
— Haa…
Soltando um suspiro trêmulo, ele finalmente relaxou um pouco e virou a cabeça. Voltando até o porteiro que o havia expulsado, Koy insistiu várias vezes para que ele o avisasse caso Ashley voltasse. Ofereceu uma nota amassada de dez dólares como gorjeta, mas o homem apenas sorriu educadamente — como uma máscara — e disse que avisaria. A gorjeta foi recusada com cortesia.
Naquela noite, Koy agradeceu a Ariel e voltou para o quarto no subsolo onde morava antes. Felizmente, como havia pago o aluguel direitinho, o quarto ainda estava disponível.
Depois de limpar completamente a casa empoeirada e tomar um banho, ele adormeceu. A partir do dia seguinte, começou imediatamente a trabalhar em diversos bicos, mergulhando na rotina de trabalho.
Nesse meio-tempo, saiu o resultado do exame que ele havia feito no hospital com Ariel. Mas, como esperado, seu tipo era beta. E nenhum feromônio voltou a vazar.
Não importa qual seja o meu segundo gênero.
Koy pensou enquanto se dedicava ao trabalho
Na verdade, se eu for beta, é até melhor. Ashley tinha convulsões quando sentia feromônios de ômega. Ele tentou pensar positivamente a todo custo.
O tempo continuou passando. Quando percebeu, já fazia quase duas semanas desde a última vez que tinha visto Ashley.
Quando nos encontrarmos de novo… desta vez eu vou pedir ele em casamento primeiro.
Mesmo enquanto trabalhava, seus pensamentos estavam completamente preenchidos por Ashley. Eles se amavam — então não importava quem faria o pedido primeiro.
De qualquer forma, Ashley ainda não tinha feito o pedido. Mesmo que Koy tomasse a iniciativa primeiro, Ashley não teria motivo para reclamar.
Pensando que aquilo até era bom, porque lhe daria tempo para juntar dinheiro para o anel, Koy adormecia todas as noites segurando o celular… esperando por uma ligação que nunca chegava.
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Continua….
Tradução: Ana Luiza
Revisão: Thaís
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Em breve será disponibilizado uma sinopse!
Nome alternativo: Kiss Me If You Can