Ler Jardim de Maio – Capítulo 11 Online

‘Até mesmo aquilo.’
Vanessa cobriu a boca, assustada com o próprio pensamento. Era uma imaginação excessivamente safada para o meio do dia. Claro, ela sabia que não deveria, mas sua mente continuava reproduzindo aquele momento repetidamente.
O momento em que estavam pressionados um contra o outro, a respiração quente e úmida pairando sobre seus lábios, a mão pressionando firmemente sua nuca, o tecido fino se amassando sob seu aperto.
Quanto mais tentava não pensar nisso, mais vívidas as sensações se tornavam. Seus dedos, que haviam estado inquietamente tocando seus lábios, desceram lentamente. As pontas dos dedos de Vanessa tremeram levemente enquanto acariciavam a vagina, que ainda guardava uma sensação persistente.
“Você vai embora amanhã, né? Vou te ver aqui nas próximas férias de verão também?”
“Não. Provavelmente não poderemos mais brincar juntos, Somerset. Meus pais estão preocupados.”
“Você sabia quem eu era.”
Memórias puras dos dias de infância, vagando pelo jardim juntos cobertos de terra. O dia em que ela se sentiu surpresa e envergonhada quando descobriu que havia escondido sua posição social.
“Nós nos vimos durante todo o verão. Como eu não saberia?”
Misteriosamente, o rosto do menino que respondeu assim estava borrado. Como era uma memória de quando tinha apenas seis ou sete anos, era natural que fosse imprecisa. Talvez até mesmo essa conversa fosse uma invenção construída sobre o passado por suas próprias ilusões.
Uma coisa era certa: não eram mais o menino e a menina inocentes daqueles dias.
“Senhorita Vanessa.”
River Ross, que apareceu e sobrepôs a imagem residual do menino, era semelhante àqueles dias e, ao mesmo tempo, desconhecido Sua voz, pousando suavemente em seu ouvido, e seus olhos azuis profundos não eram mais confortáveis ou gentis como eram naquela época.
Pelo contrário, ele era um homem provocante em todos os sentidos. O jeito como falava, o sorriso em seus olhos que não continha entusiasmo particular, a voz suave, a vibração do ar quando ele ria alto, o corpo sólido se movendo com flexibilidade sob o sol quente…
Vanessa soltou uma respiração trêmula e deixou as costas escorregarem um pouco mais contra aquilo em que estava apoiada. Sua mão errante se movia lentamente para cima e para baixo, do laço em seu peito até a vagina. Sempre que suas coxas se tocavam como se estivessem se esfregando, a barra de sua longa saia subia um pouco mais.
Vanessa encostou lentamente sua bochecha ruborizada contra o chão frio. Ela não sabia o que queria ou o que tinha que fazer para esfriar esse calor terrível… mas uma coisa era certa: tinha que haver mais do que isso.
“E se você não se cansar do meu corpo mesmo depois que o verão acabar?”
No momento em que aquela voz finalmente veio à mente, uma estranha sensação de perigo a atingiu de repente. Um gemido febril escapou por seus lábios, que ela pressionou firmemente com o dorso da mão.
River Ross havia se tornado um homem magnífico demais em todos os sentidos. Esse era exatamente o problema.
— …Como podem ver, este é um novo galho que cresceu, mas passou do momento em que deveria ter parado de crescer. A partir de agora, a árvore produzirá seus frutos usando os nutrientes que armazenou durante o inverno e a primavera.
Vanessa soltou um suspiro, deixando a explicação do Sr. Ross, o jardineiro, entrar por um ouvido e sair pelo outro. No fim de seu olhar distraído estava justamente o homem que a deixava tão perturbada. River Ross. A raiz de todo mal e a culminação de tudo que era prejudicial a uma dama.
— Um galho que cresceu demais assim apenas consome nutrientes, dificultando que os frutos amadureçam adequadamente. Então, quando for cortá-lo, se cortar esta parte assim…
O homem que ela imaginava que seria indisciplinado e devasso havia sido nada além de educado, como um sacerdote, por vários dias. Como se ela fosse a única ansiosa. Não houve troca de olhares que pudesse ocorrer entre amantes, nenhum contato menor e nenhuma mensagem suspeita prometendo um encontro secreto.
Eles haviam prometido fidelidade um ao outro, mas como nunca foram exatamente um casal de verdade, esse resultado era natural. Para ser sincera, ela até havia se preparado para a possibilidade de que o relacionamento deles evoluísse para algo baseado apenas no desejo físico, mas não esperava que ele fosse tão indiferente.
‘Seria bom se pudéssemos construir afeto enquanto nos conhecêssemos devagar, mas o tempo para esse tipo de relacionamento é limitado de qualquer forma.’
Mesmo sendo apenas o final da primavera, o início do verão antes mesmo do calor chegar, Vanessa sentia o fim desta estação se aproximar a cada momento. E assim, o tempo escapando tão impotentemente parecia tão, tão, tão desperdiçado…
— Senhorita.
Ao chamado do Sr. Ross, Vanessa voltou à realidade de repente. Sem perceber, uma pilha miseravelmente cortada de galhos de pessegueiro havia se acumulado aos seus pés. Sua tesoura já estava no meio do corte da próxima vítima. Ao ver a árvore que se tornara uma bagunça no breve momento em que ele desviou o olhar, o Sr. Ross soltou um suspiro profundo e gentilmente tirou a tesoura de sua mão.
— Já está tarde. Por que não vai almoçar e descansar um pouco?
Era uma maneira educada de pedir que ela se retirasse. Depois do que havia feito, Vanessa apenas assentiu melancolicamente, incapaz de insistir em ficar.
— Eu termino de limpar isso. Por favor, vá comer.
Observando Vanessa agachada, recolhendo galhos um por um, o Sr. Ross soltou um suspiro pesado. Era a primeira vez que a jovem senhorita, sempre tão silenciosa e atenta ao humor dos outros, causava um problema daquele tipo.
— Sinto muito, Sr. Ross. Eu vi os livros contábeis.
Alguns dias atrás. O rosto da Senhorita Vanessa estava pálido de vergonha e culpa enquanto fazia sua confissão sincera.
— Eu sei. O senhor precisava de dinheiro para as despesas hospitalares da cirurgia nas costas, não é? Sinto muito por não ter conseguido ajudá-lo antes.
— Não, senhorita. Por mais urgente que fosse, eu não deveria ter feito aquilo…
— Também é minha responsabilidade não ter investigado suas circunstâncias como empregadora. Então, no mínimo, o senhor não precisa se desculpar comigo.
Ela era uma dama tão quieta e gentil. A razão de ter ficado tão estranha devia ser aquele homem. Um hóspede tão nobre que era constrangedor até mesmo cumprimentá-lo, hospedado no depósito abandonado do Jardim das Rosas durante todo aquele verão.
Vendo Vanessa olhando repetidamente para ‘River’ mesmo naquele momento, parecia que não era apenas imaginação do Sr. Ross.
O jardineiro soltou um longo suspiro e acenou para os homens do outro lado do jardim.
— Ei!
Os dois homens que carregavam sacos de fertilizante se viraram ao mesmo tempo. Vanessa lançou um olhar horrorizado ao Sr. Ross, mas ele ignorou sua repreensão silenciosa e fez um gesto desajeitado para que seu sobrinho se aproximasse.
— Bem, a senhorita diz que quer, hum, cuidar primeiro dos arbustos no Jardim das Rosas. River… por que você não… a ajuda?
Vanessa puxou o chapéu para baixo para esconder o rosto vermelho brilhante. Sua intenção era tão óbvia até para o jardineiro?
Foi naquele momento que os olhos de River Ross se estreitaram ligeiramente. Um som como um “hmm” pensativo vibrou em sua garganta. Era uma distância considerável, mas Vanessa sentiu-se certa de que ouviu. Era um som suave, como o bater das asas de um beija-flor de verão.
— Então farei isso.
Respondendo prontamente, ele caminhou em direção ao Jardim das Rosas. Surpresa com a reviravolta repentina, Vanessa saltou de seu lugar, então pegou apressadamente seu chapéu que havia caído na terra.
De repente, começou a se preocupar com tudo: o cabelo parcialmente desfeito, a sujeira na barra da saia e a testa ligeiramente úmida de suor.
— Senhorita.
O Sr. Ross assentiu como se lhe dissesse para segui-lo. Vanessa apertou o chapéu com força e atravessou o caminho com determinação. Seus passos, que hesitaram brevemente diante do portão de ferro enferrujado, aceleraram novamente assim que ela passou por ele.
O Jardim das Rosas já estava tomado por ervas daninhas. Os choupos e os arbustos de flores estavam todos abandonados e altos. Como era o jardim central visto pelos “hóspedes” quando entravam e saíam, parecia que não havia tempo para cuidar de um lugar tão isolado.
River Ross já a aguardava diante do depósito. Vanessa respirou fundo e criou coragem. Ao se aproximar de River Ross com passos firmes e claros, o homem de repente colocou algo em ambas as suas mãos. Ou seja, um regador e uma tesoura de jardinagem.
— …O que é isto?
— O que você precisa para cuidar das roseiras. O jardineiro preparou o remédio para os galhos doentes, então é só pegar um pouco daquilo. Está ali. Quanto às rosas, concentre-se em cortar as que têm manchas pretas nas folhas.
Completamente sem reação, Vanessa alternou o olhar entre os objetos em suas mãos, o jardim negligenciado e o rosto de River. Sua expressão era absolutamente séria. Como se não estivesse brincando e realmente pretendesse começar a trabalhar nas roseiras naquele momento.
— Agora, comece por este lado.
Surpreendentemente, ele era um homem que combinava muito bem com um tom e uma postura autoritários. Apesar de ser ele o trabalhador contratado, e não ela. As folhas balançavam como ondas sob um vento tão inquieto quanto seu coração.
O chapéu de jardinagem de abas largas que ele usava estava inclinado para trás, revelando um rosto bonito adequadamente aquecido pelo sol de verão. Junto com um sorriso que brilhava languidamente, porém brincalhão.
— O que foi, Vanessa? Estava esperando outra coisa?
Continua …
Tradução Elisa Erzet
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Em breve será disponibilizado uma sinopse!