Ler Jardim de Maio – Capítulo 12 Online

Ela o encarou, sem palavras. Claro, tinha muito a dizer. Havia tantas coisas que queria questionar, tantas coisas que despertavam sua curiosidade e uma montanha de queixas que desejava colocar para fora.
O problema era que ela não fazia ideia de qual deles deveria explodir primeiro. O céu estava anormalmente limpo, o jardim, impregnado com o aroma de grama fresca, era tão sereno quanto se estivesse separado do resto do mundo, e o homem à sua frente era, infelizmente, deslumbrantemente bonito.
— Não. Absolutamente nada.
Vanessa arregalou os olhos e forçou os cantos da boca para cima. Virou-se bruscamente e caminhou em direção às roseiras, seus passos rápidos. Pelo menos, tentou fazer parecer assim. Franziu o nariz e apertou o regador com força.
‘Não chore. E não se atreva a olhar para ele sem motivo.’
Seu esforço para evitar mais sofrimento desmoronou em menos de meia hora. Tudo por causa de River Ross, que estava completamente focado nos choupos, agindo como se ela nem existisse.
— …
Ela odiava o quanto se tornava patética sempre que estava diante dele. Odiava sua situação, esperando apenas o dia em que seria vendida; este castelo, cheio de falsificações convincentes; este jardim, deixado em desordem como seu coração; e este relacionamento, no qual apenas ela estava consciente do outro.
Vanessa engoliu um longo suspiro. Sentia-se ridícula e miserável.
— Dahlia!
Foi um grito dramático. Theodore interrompeu o plantio de uma muda e estreitou os olhos na direção do som. Um filhote corria pelo jardim, latindo alegremente. Um sorriso raro e brilhante floresceu no rosto de Vanessa enquanto ela pegava a pequena bola de pelos brancos nos braços.
Dahlia. O nome que ela pronunciou com tanta doçura soou familiar. Era a filhote mais fraca de uma cadela moribunda que as empregadas haviam acolhido por impulso alguns dias antes. Depois de ser pega algumas vezes entrando furtivamente na cozinha para pegar comida para ela, parecia que agora tinha decidido abertamente se tornar a dona do filhote. O cãozinho lambia lealmente o rosto e as mãos de Vanessa.
— Isso faz cócegas… Por que você está aqui? E a Mary?
Para sua surpresa, a senhorita Vanessa estava tentando conversar com o filhote. Theodore observou aquele perfil tolo enquanto bebia lentamente a água morna de seu cantil.
Ela era bastante persistente e diligente. Essa foi a conclusão a que chegou após observá-la o dia todo. No começo, não conseguia se concentrar e cometia erros constantemente, mas em determinado momento passou a tomar a iniciativa, remexendo entre as roseiras. Cortava folhas manchadas de preto, aplicava tratamento, cavava a terra e espalhava cuidadosamente agulhas secas de pinheiro sob cada arbusto…
Parecia não perceber que estava coberta de poeira da cabeça aos pés. Nesse ritmo, trabalhava melhor do que o gato preguiçoso do quintal.
— Olha essa barriguinha. Dahlia, o que você comeu para ficar tão cheia assim?
Seu toque era gentil enquanto acariciava suavemente a barriga rechonchuda da filhote. A luz do sol de maio, atravessando os galhos exuberantes, iluminava os cabelos dourados da mulher. Cada vez que as folhas balançavam ao vento, sombras surgiam e desapareciam repetidamente sobre sua testa, na ponte de seu nariz, lábios e a delicada curva de sua orelha.
Theodore lentamente apagou o sorriso que usava como parte de sua etiqueta social. A dor agoniante do desejo que surgia sempre que olhava para ela tinha começado a se tornar incômoda. Parecia a água morna que ele segurava na boca, incapaz de cuspir ou engolir.
Se quisesse a mulher, poderia simplesmente tomá-la agora. Eles haviam feito um acordo, e a escolha era justa para ambos. Não havia espaço para consequências persistentes e, mesmo que surgisse algum problema, não era como se lhe faltasse poder para resolvê-lo.
Então por quê. Por que ele ainda estava hesitando?
Não importa quantas vezes se perguntasse, nunca encontrava uma resposta clara. Desde o começo, aceitara aquilo impulsivamente demais. Ele desviou deliberadamente o olhar de Vanessa, como se afastasse um pensamento incômodo. Foi nesse momento que a voz da mulher, que vinha tagarelando constantemente, mudou de repente.
— Ri-River…
Quando retirou a mão que havia colocado sobre os olhos em sinal de cansaço, viu o rosto de Vanessa ficar mortalmente pálido num instante. Como se tê-la visto sorrindo e brincando com a filhote momentos antes tivesse sido apenas uma ilusão.
Ela mal conseguia falar alto; parecia alguém que havia engolido um sapo vivo. O que ela tinha feito dessa vez? Theodore suspirou e se afastou da árvore onde estava apoiado.
— O quê?
— N-Nas minhas costas…
— Fale devagar. Respire.
Vanessa assentiu, aparentemente tentando obedecer. Mas o esforço parecia inútil. Seu tremor não dava sinais de diminuir.
Depois de tentar inutilmente forçar um sorriso tranquilo, percebeu que era impossível e finalmente sussurrou, o rosto completamente pálido:
— U-Uma aranha… Acho que uma aranha entrou… entrou na minha roupa.
— Uma aranha?
Com os olhos cheios de lágrimas, Vanessa assentiu. Um pouco de sangue escorria de seus lábios, que ela mordia com força para conter um grito.
Theodore engoliu uma risada seca e passou a mão pelo rosto. Ver seus lábios sangrando o irritou no instante em que viu.
Havia realmente motivo para suportar aquilo tão desesperadamente? Vanessa agia como alguém que precisava suportar tudo a qualquer custo. Ou talvez como alguém que passara a vida inteira suportando as coisas dessa forma, sem sequer saber como ousar gritar ou chorar.
— …
Theodore exalou lentamente a emoção que ameaçava sufocá-lo. Agora ele sabia, compreendia de quem era o rosto que vinha sobrepondo ao de Vanessa todo esse tempo. Entendia por que aquele olhar silencioso, ansiando por sua atenção, lhe parecia tão dolorosamente familiar.
— River, por favor…
— Fique parada.
Ele segurou os braços da trêmula e suplicante Vanessa e a puxou em sua direção. Sua breve suspeita de que isso pudesse ser algum novo truque se mostrou infundada. Sob a gola frouxa da blusa dela, escondia-se uma aranha, vermelha-escura e peluda. Era bastante grande, e até para ele parecia bem assustadora. Sem demonstrar o menor incômodo, Theodore capturou a criatura e a lançou ao chão. Depois, da maneira mais natural possível, retirou um único fio dourado de cabelo preso à gola de Vanessa. No momento em que soltou, Vanessa abriu os olhos que mantivera firmemente fechados.
— V-Você tirou?
— Não havia aranha. Você confundiu seu próprio cabelo com uma.
— …O quê?
— Aqui.
Theodore virou a palma da mão de Vanessa para cima e depositou nela o fio de cabelo.
Ela inclinou a cabeça, mordendo os lábios, enquanto olhava para ele. Seus olhos arregalados e redondos estavam cheios de desconfiança.
— Você verificou direito? Não tinha mesmo nada?
— Eu já disse que não.
— Isso não pode ser. Olhe de novo, com cuidado.
Vanessa abriu a gola da blusa e abaixou a cabeça. Ela até juntou o cabelo ondulado e solto para um lado para que ele pudesse enxergar melhor.
Theodore soltou uma breve risada incrédula diante daquela cena absurda. Afinal, o que essa mulher pensava que ele era?
— Quer que eu coloque a mão aí dentro e verifique?
— Você faria isso?
A resposta veio instantaneamente à sua pergunta meio sarcástica. Os olhos de Theodore se arregalaram por um momento antes de seus lábios se curvarem num sorriso torto. Essa é uma tática bem nova, ou ela é apenas imprudentemente ingênua. Por um momento, ele realmente ficou sem palavras.
Vanessa, que havia desabotoado alguns botões da blusa, o pressionou com olhos suplicantes.
— Depressa, River.
Ele engoliu uma risada feroz. Ela era uma mulher incrível. Flertava com as palavras todas às vezes, mas nunca era exatamente a resposta errada. E então se perguntou quanto tempo mais ela conseguiria sustentar aquela fachada inocente irritantemente pura.
Theodore passou um braço pela cintura de Vanessa e a puxou contra si. Ao mesmo tempo, sua mão esquerda soltou o fecho da saia e retirou a blusa cuidadosamente presa por dentro dela. Foi então que a serenidade do rosto da mulher começou a se quebrar.
— Ah…
O rubor que surgiu em suas bochechas um instante depois era irritante. Como se não tivesse ideia do que aconteceria, apesar dela mesma ter solicitado aquilo.
A mão de Theodore deslizou para dentro de suas roupas e percorreu lentamente suas costas.
Aquecido pelo sol de verão, o corpo de Vanessa estava agradavelmente morno, macio e flexível. Sua pele era delicada e clara. Toda vez que ele a tocava, marcas tênues de seus dedos permaneciam por um instante antes de desaparecer.
Mantendo os olhos fixos no rosto de Vanessa, sua mão deslizou lentamente pela curva de sua coluna. Ele pressionou de leve com as pontas dos dedos e esfregou suavemente, depois massageou firmemente com a palma. Cada vez que sua palma calejada roçava com aspereza contra a pele delicada, a respiração de Vanessa se tornava mais ofegante.
— Ngh…
Os cílios trêmulos, o lábio mordido, a nuca ficando vermelha, o cabelo caindo sobre ela, as mãos apertando seu braço com força….
Seria mentira dizer que ela não era bonita, reagindo tão sensivelmente a cada pequeno movimento.
— Vanessa.
Quando sussurrou seu nome, a orelha que surgia entre os cabelos dourados se moveu como a de um gatinho. Ele deu um sorrisinho e mordiscou levemente o lóbulo.
— Não consigo verificar direito assim.
Ele levantou levemente a surpresa e trêmula Vanessa e a sentou na mesa do jardim. As pontas dos dedos dela, agarradas ao antebraço dele, tremiam fracamente. A blusa estava amassada, a saia havia subido até os quadris, e uma pequena peça íntima com laço mal cobria seus seios fartos.
A visão dela despenteada, à mercê dele, provocou uma excitação lenta e ardente. Theodore mal podia acreditar, que pudesse sentir tanto tesão por uma mulher coberta de poeira de jardim, babaca de cachorro e com os cabelos bagunçados.
Continua…
Tradução e Revisão: Elisa Erzet
Ler Jardim de Maio Yaoi Mangá Online
Em breve será disponibilizado uma sinopse!