Ler Icing On The Cake (Novel) – Capítulo 05.7 Online


Modo Claro

5. Medovik (Parte 7)

Se aquela pessoa era importante para Cheriot, também era para Yurij, e ele não queria que, por sua culpa, Cheriot tivesse conflitos com quem tinha sido como sua família por tanto tempo.

Yurij… não era uma pessoa que valesse tanto.

Claro que era inesperadamente gratificante que Cheriot tivesse saído em sua defesa. Ao lembrar das mãos que com cuidado tinham tocado seu ferimento e de sua atitude indignada de pouco antes, sentiu que Cheriot o respeitava.

Respeito.

Yurij mastigou aquela palavra que de repente lhe tinha vindo à mente. Nunca antes tinha sentido algo assim. Nem mesmo quando era menosprezado ou ignorado ele achava que fosse uma grosseria, e sim algo natural. O conceito de respeito lhe era estranho.

—Eu vou cuidar de tratar esse rapaz, então vocês dois saiam um pouco e conversem. Afinal de contas, ele se machucou por se meter em assuntos do Cherry, então, Benji, você errou agora. Pede desculpa.

Diante das palavras de Dolly, Benji franziu o cenho, deu meia-volta e saiu. Enquanto o via ir embora batendo a porta, Cheriot se aproximou de Yurij e se desculpou no lugar dele.

—Desculpa, Yurij. O Benji é…

Embora tivesse discutido com ele, Cheriot fez uma expressão complicada, como se não estivesse realmente bravo.

—É meu primo por parte de mãe. Depois que meu pai faleceu, meu tio se mudou para os Estados Unidos para cuidar da minha mãe, e o Benji cresceu vendo isso. Para o Benji, tanto a minha mãe quanto eu somos pessoas que ele deve proteger, por isso às vezes ele reage assim. Peço desculpas de novo.

Yurij negou com a cabeça. Seu rosto, que tinha ficado duro pela surpresa da situação inesperada, se suavizou assim que viu Cheriot. Embora não tenha sorrido pela tensão do ambiente, com uma voz suficientemente gentil tentou acalmá-lo:

—Estou bem, então pode ir, Cheriot.

—Como assim você está bem? Com todos esses ferimentos…

O semblante de Cheriot se ensombreceu e seus olhos verdes se umideceram imediatamente. Yurij franziu os olhos e, dirigindo-se a Cheriot, ordenou com o tom severo de antes:

—Sai, Cheriot.

Mas não teve o mesmo efeito de antes. Cheriot mordeu com força o lábio, olhou para Yurij com pena, engoliu um suspiro úmido e lhe deu as costas. Quando Cheriot saiu seguindo Benji, Dolly se aproximou de Yurij.

—Deve ser porque são jovens, os dois estão transbordando de vitalidade. Não acha?

—Parece que sim.

—Mas você, jovem segurança, é sereno demais pra sua idade. Deve ser mais velho que o Cheriot, mas muito mais novo que o Benji. O Benji tem trinta e oito. Ainda banca o justiceiro e não age conforme a idade dele. Com essa atitude, vai custar muito pra ele subir na carreira. E olha que ele é policial.

Depois de soltar aquele suspiro que era quase um lamento, sentou-se diante de Yurij com um baque seco. Cortou de uma tesourada a fita adesiva que Cheriot não tinha ousado arrancar com força. Depois, estalando a língua, aproximou um cotonete com antisséptico dos arredores do ferimento que Yurij tinha enfaixado de forma tão desastrosa. Uma pontada de dor aguda o invadiu.

—Se você arranca isso errado, o ferimento pode rasgar. Com esse tipo de curativo, não é estranho que você tenha tantas cicatrizes.

Deu uma olhada em Yurij, que apenas franziu os olhos e permaneceu quieto apesar da dor que devia sentir, e com mãos habilidosas retirou com cuidado a fita adesiva. A sensação de que o ferimento se abria era tão vívida que por um momento sua respiração se agitou, mas comparado com o sofrimento que tinha experimentado até então, realmente não era nada. Talvez fosse porque fazia tempo que não sentia algo assim e seu corpo reagia de forma exagerada. Ou talvez tivesse mudado ao ficar mais velho. Afinal de contas, desde pequeno tinham lidado com ele com dureza, então talvez fosse hora de seu corpo começar a falhar.

Depois de examinar o ferimento, Dolly vasculhou o kit de primeiros socorros e voltou a estalar a língua. Parecia um hábito próprio que lhe saía naturalmente toda vez que via algo de que não gostava.

—Está rasgado de forma comprida, tem que suturar. Nesta casa não tem agulhas, mas eu tenho um grampeador médico. Tudo bem pra você?

—Não importa.

Yurij, que vinha pensando em silêncio, estendeu a mão em direção ao kit e disse:

—Eu posso fazer sozinho. A senhora pode deixar aqui.

—Ha!

Dolly soltou uma risada debochada que, por alguma razão, soou parecida com a de Benji, e bateu com brusquidão no dorso da mão de Yurij.

—Você diz isso depois de enfaixar o ferimento desse jeito. Se eu deixar você fazer, o Cherry vai se assustar de novo, então eu cuido disso.

Depois de avisá-lo para não se mexer, foi até a cozinha com a mesma despreocupação de antes e tirou um grampeador grande de uma gaveta. Não se sabia por que haveria uma coisa dessas na casa de veraneio de um civil, mas Yurij a esperou em silêncio.

Dolly trouxe um novo que parecia não ter sido usado. Assim como o kit de primeiros socorros que Cheriot tinha trazido, tinha um ar antigo, mas parecia perfeitamente útil para suturar. Abriu o invólucro semitransparente lacrado, tirou o grampeador para segurá-lo verticalmente e, antes de fechar o ferimento, perguntou a Yurij:

—Quer que eu traga alguma bebida? No armário deve ter uísque ou algo assim.

—Não é necessário.

Embora em sua testa pálida perolasse um suor frio devido à dor tardia, Yurij negou com a cabeça com indiferença. Dolly o olhou com desaprovação e, sem aviso prévio, beliscou a carne aberta de seu ferimento. Depois, começou a aplicar os grampos de uma vez.

Clac!

Suportando em silêncio a dor que se cravava na carne viva, Yurij prendeu a respiração. Uma vez que começou a se adaptar, seu corpo pareceu lembrar do passado e sua respiração se acalmou cada vez mais. Sim. Não fazia sentido sofrer por uma simples laceração. Aquele ferimento não impediria seus movimentos.

Assim, Yurij não emitiu um único gemido enquanto os grampos de metal se cravavam em seu ferimento. Dolly, que observava seu rosto sereno, olhou para ele com uma expressão que dizia «você é duro na queda» e colocou o último grampo.

—Parece que você também tem a sua história.

Levantou-se, foi à cozinha um momento e voltou com uma gaze embebida em água limpa. Limpou a área suturada com ela, colocou uma gaze nova por cima e, pegando uma atadura, envolveu tudo aplicando a pressão adequada.

Depois de terminar o curativo com esmero, Dolly dirigiu o olhar a outras lacerações que restavam no antebraço esquerdo de Yurij. Pelo fato de ele ter mantido as ataduras que Cheriot lhe tinha colocado antes, seu tronco estava envolvido em ataduras em vários lugares. Ao observar aquela imagem, Dolly suspirou.

—Quantas vezes será que as balas já roçaram o seu corpo? Parece que o Cherry se meteu em algo fora do comum, não é?

Yurij assentiu com a cabeça e depois se calou. Enquanto refletia se devia contar à mulher diante dele o que tinha descoberto hoje, foi Dolly quem tomou a palavra.

—O Benji parece não perceber porque é terrivelmente desligado, mas você não engana os olhos desta velha. Aconteceu alguma coisa entre vocês. Não foi?

Diante daquela menção direta à relação entre os dois, Yurij franziu os olhos com gesto constrangido. Era verdade que tinham passado o rut juntos, e ele também queria acreditar que a conversa que tiveram ao acordar significava algum avanço entre eles… mas ainda não tinha certeza.

—A julgar pelo que o Cherry falou de você, ele deve ter te contado também a história do pai dele. Se é assim, significa que confia em você, então eu também vou te dar uma chance. Então me conta o que você está escondendo.

Yurij hesitou. Se juntasse o que Heather lhe disse e a história que ouviu de Marty, era certo que alguém da família de Cheriot o estava atacando. Dolly parecia gostar sinceramente de Cheriot, mas os traidores costumam rondar perto daqueles a quem apunhalam pelas costas. Embora Yurij não a considerasse esse tipo de pessoa, depois de ver tanta coisa suja ao longo da vida, custava-lhe confiar facilmente.

Ao se prolongar o silêncio, Dolly soltou uma gargalhada aberta. Olhou para Yurij como se estivesse espantada e de repente se levantou do sofá.

—Você não acredita em mim, não é?

—…Desculpe, mas é isso mesmo.

Yurij foi sincero. Dolly ergueu as duas mãos adotando uma pose como de regente de orquestra e depois caminhou até a cozinha estendendo o braço para a parte de cima do armário. Enquanto Yurij hesitava se devia ajudá-la, Dolly resolveu o problema sozinha. Arrastou uma banqueta com um —rrrrr— pelo chão, usou-a como apoio e tirou o uísque do armário.

Agora que a via bem, Dolly era mais baixa do que parecia. Mal passava de um metro e cinquenta. Mas talvez por seus membros longos e sua postura ereta, não parecia pequena de jeito nenhum.

Com a garrafa de Jameson pela metade, colocou dois copos sobre a mesa diante do sofá. Encheu-os e depois estendeu um a Yurij de improviso. Embora Yurij tenha aceitado o copo, o fato de ela oferecer bebida a uma pessoa ferida confirmou que Dolly também não era uma pessoa comum.

—Ei, rapaz. Era Yurij, certo?

Yurij assentiu em silêncio, consciente de que podia parecer meio grosseiro. Que ela fosse alguém importante para Cheriot podia fazê-la parecer confiável, mas isso não transformava Yurij em outra pessoa. Além do mais, com a fadiga se acumulando, ele não queria gastar energia com respostas desnecessárias. —Você deve ter mais ou menos… quantos anos?

—É necessário saber?

—Tanto faz. Eu cuido do Cheriot desde que ele completou catorze anos. Para ser exata, desde então eu protejo a Madison.

Ao ver a leve expressão de curiosidade de Yurij ao escutar o nome Madison, Dolly se explicou.

—É a mãe do Cheriot. É oito anos mais nova que eu, então ainda tenho que cuidar dela… mas enfim, escuta.

Girando a cabeça para o lado, ergueu seu copo de uísque e bebeu de uma vez. Yurij não tinha intenção de beber, mas ao observar Dolly, sentiu uma sede inexplicável.

Agora que pensava nisso, não tinha bebido nada em meio dia. Ao perceber a sede de forma tardia, aproximou o copo dos lábios sabendo que o álcool não a acalmaria. Dolly sorriu satisfeita ao vê-lo.

—Isso, bebe. Às vezes as pessoas precisam de álcool pra vomitar o que carregam por dentro.

Por alguma razão, ao escutar essas palavras deu-lhe vontade de não beber. Enquanto Yurij a encarava fixamente com o copo na mão, Dolly começou a falar por conta própria.

—Bom, até onde eu tinha ido? Ah, Madison. Isso. A Madison… eu a conheci graças ao Chelsea. O Chelsea é o pai do Cheriot e a pessoa que me salvou. Foi Chelsea Goodnight quem resgatou esta condenada à morte por um crime que não cometeu.

Essa parte ele já conhecia mais ou menos. Que o pai de Cheriot, trabalhando como defensor público, tinha conhecido Dolly. Embora Cheriot parecesse ignorar os detalhes, Dolly, surpreendentemente, confiou aquilo a Yurij sem reservas.

—Desde então, decidi dedicar minha vida a ajudar o Chelsea. Aquele casamento deu sentido a uma pessoa como eu, que só abrigava sentimentos de injustiça e ressentimento, vagando sem rumo. Então, rapaz, em vez de duvidar de mim, é melhor você beber. Depois me conta o que está escondendo. Pra que eu possa ajudar o Cheriot.

Os olhos azuis de Dolly ficaram afiados por um instante. Em seus olhos, que pareciam polidos pelo tempo, apareceu um brilho letal. Em vez de se intimidar, Yurij a encarou fixamente com a mesma serenidade com que tinha observado Marty. Embora não pudesse ser chamada de habilidade, ele sabia ler os olhos de quem mentia.

Depois de ver dia após dia os olhos de Igor, que não parava de soltar mentiras carregadas de engano, tinha desenvolvido uma estranha capacidade de detectá-lo.

Mas Dolly não tinha aquela calma inquietante característica dos mentirosos. Em suas pupilas ele só sentia uma pura vontade homicida — como se ela fosse degolá-lo caso não confessasse o que escondia — junto com uma forte determinação de proteger Cheriot. Cheriot tinha razão. Ela não compartilhava seu sangue, mas amava Cheriot como a um filho. Então, definitivamente, era família.

Diferente dos outros “familiares” que perseguiam Cheriot.

—Ouvi dizer que existe um fundo fiduciário em nome do Cheriot. E que uma das condições para mantê-lo é não causar escândalos que “perturbem a ordem social e manchem a honra da família”… Foi isso que eu entendi?

—Sim, é isso mesmo.

Dolly apoiou um braço no encosto do sofá e reclinou o corpo.

—Juntando o que eu descobri até agora… parece que alguém da família do Cheriot cobiça o fundo. No começo, tentaram criar um escândalo de infidelidade para que saísse no noticiário, e para evitar isso o Cheriot procurou meu amigo. O Cheriot não sabia que a outra pessoa tinha um parceiro, e ao que parece eles só mantinham relações quando chegava o rut dele.

—Tss.

Dolly estalou a língua.

—Criaram esse menino com suavidade demais. Eu devia ter ensinado ele a resolver isso com remédio.

—Mas graças a isso ele cresceu como é agora, então acho que está bom.

Diante das palavras de Yurij, Dolly abriu ligeiramente os olhos e o encarou fixamente. Com um sorriso de incredulidade, girou seu copo e perguntou:

—Você acha que a Madison e eu o criamos bem?

Como nunca tinha conhecido alguém tão adorável quanto Cheriot, Yurij assentiu sem hesitar. Então uma expressão de orgulho sutil flutuou no rosto de Dolly. Enquanto ela o observava satisfeita, Yurij retomou sua explicação.

—Mas aquele parceiro da infidelidade era problemático. Eles se chamam “Guardiões do Inferno”, uma organização espalhada pela América do Norte que tem uma base em Vancouver também. A pessoa com quem o Cheriot se encontrava era o namorado de alguém que poderia ser considerado um chefão intermediário que administra aquela área.

—Maldição.

Dolly soltou um impropério.

—Como ele se atreveu a esconder isso e se encontrar com o Cherry?

Como se a raiva a tomasse, voltou a encher seu copo vazio com uísque, bebeu um gole e apressou Yurij a continuar.

—E o que aconteceu com esse cara?

Yurij hesitou. Era verdade que Samuel tinha se aproximado de Cheriot com intenções ocultas, mas no fim o avisou e o ajudou a escapar. Não sabia se foi por culpa ao pensar que Cheriot morreria, ou se… no fim tinha se apaixonado de verdade por ele e por isso tomou aquela decisão.

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Continua….

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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna

Ler Icing On The Cake (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse: 
Chegou um convidado indesejado.
Um dia aconteceu algo estranho na vida de Yurij Kiselyov, que havia vivido no fundo da sociedade lidando apenas com gente da mesma laia que ele. Recebeu a incumbência de proteger Cheriot Goodnight, um famoso atleta norte-americano muito distante de sua pessoa repugnante.
—De perto você é ainda mais bonito, gato.
Desde o primeiro encontro, Yurij sentiu que ele e Cheriot não eram compatíveis. Apesar de ambos serem alfas, Cheriot flertava descaradamente com ele. Yurij pensou que jamais conseguiria se aproximar de uma pessoa assim.
—Então você era lixo, Yurij.
E, como era de se esperar, mal assumiu a incumbência, a relação entre Cheriot e ele logo tomou o pior rumo. Cheriot, que odiava profundamente os criminosos, ao descobrir a verdadeira identidade de Yurij o rejeitou sem hesitar com palavras cortantes, demonstrando uma forte hostilidade, ao contrário da atitude proativa e próxima que tinha antes.
Mas o que Yurij achou que fosse um simples drama passional se transformou em uma ameaça à vida de Cheriot, e Yurij, a contragosto, assumiu o papel de protegê-lo temporariamente até que encontrasse um novo guarda-costas.
—Você não disse que não queria tocar em gente ruim?
—Te odiar e te tocar são duas coisas diferentes.
Embora soubesse claramente que Yurij era um criminoso, Cheriot, ao contrário da atitude que mostrou no início, em algum momento começou a desconcertá-lo com palavras doces que não paravam.
—Por quem você me toma, Yurij? Para te carregar no colo me sobra força. Os jogadores de hóquei não são bons só de briga, também são fortes.
—Você gosta desse tipo? Qualquer ômega serve para você?
—Por mais que eu olhe, não sou eu o mais bonito? Mesmo se você considerar pelo lado da fofura, não continuo sendo eu o mais fofo?
O homem, a quem ele só havia considerado uma pessoa superficial, colocou nas mãos de Yurij coisas que ele nunca havia conseguido segurar, como se não fosse nada, e no fim fez com que Yurij cobiçasse sentimentos que jamais deveria almejar.
Embora soubesse que era alguém com quem não podia ter um relacionamento, sem que percebesse uma faísca se acendeu no coração de Yurij, e começou sua campanha devota para proteger Cheriot.
Nome alternativo: Cherry On Top Icing On The Cake

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