Ler Icing On The Cake (Novel) – Capítulo 05.8 Online

5. Medovik (Parte 8)
De todo modo, teve um fim lamentável. Yurij não queria descartá-lo levianamente.
—Morreu. Era um rapaz e no fim não era uma pessoa má, então não acho necessário se irritar mais. O Cheriot não sabe, então eu preferiria que isso ficasse entre nós.
—…Entendi.
Dolly, que antes estava furiosa, fez uma expressão complexa diante de suas palavras.
—Se ele era realmente o namorado do chefe, talvez não houvesse necessidade de matá-lo… Ele era contratado?
—Parece que sim. Originalmente pretendiam que o Cheriot, assustado pelas ameaças, procurasse a polícia e se gerasse o escândalo, mas como ele procurou meu amigo e se escondeu, decidiram matá-lo. Se o Cheriot morrer no processo, com certeza vão dizer que ele morreu por ter cometido uma infidelidade com a pessoa errada. Porque quem o persegue continuam sendo mercenários dos Guardiões do Inferno.
Dolly girou seu copo, pensativa. Depois de um breve silêncio, perguntou a Yurij.
—Mas como você conectou os Guardiões do Inferno à família do Cheriot?
—Uma amiga em comum do meu amigo e do Cheriot é uma excelente jornalista. Através de seus contatos, ela rastreou a origem dos fundos que fluíram para os Guardiões do Inferno. O dinheiro foi canalizado através de empresas de fachada depois de vários desvios de Boston para outros países. Não sabemos a fonte exata, mas o fato de ser Boston é suspeito…
Lembrando do rosto de Marty, que confessou a verdade enquanto sofria pelo ferimento de bala, Yurij acrescentou.
—O cara que me perseguiu disse que se o Cheriot morresse, o cliente receberia uma enorme quantia de dinheiro.
—Hmm.
Depois de soltar um suspiro indecifrável, ela bebeu o uísque lentamente. Yurij, cuja garganta tinha secado de tanto falar, finalmente bebeu um gole também. A sensação ardente desceu por sua garganta e o clareou no instante. Dolly, observando-o franzir os olhos, perguntou:
—Você o matou?
A mão que segurava o copo se apertou momentaneamente. Yurij se perguntou o que ela pensava dele, mas não podia saber. No entanto, não parecia algo puramente negativo. Ele detectava facilmente emoções ameaçadoras como desdém, repulsa, vontade homicida ou raiva, mas não distinguia bem as demais. Como esta não parecia nenhuma dessas, provavelmente era um tipo de emoção que Yurij desconhecia.
—Deixei ele ir vivo.
Um gesto de alívio apareceu no rosto de Dolly. —Ah, entendi. —Ela estava preocupada que ele tivesse feito algo que Cheriot detestaria? Conhecendo-o havia tanto tempo, era natural que soubesse.
—Obrigada, rapaz.
Dolly deixou seu copo sobre a mesa e falou com voz séria.
—O Cheriot não suporta que alguém morra por algo que aconteceu com ele quando era pequeno. Se você tivesse matado aqueles caras e ele viesse a saber depois, sem dúvida sofreria muito.
Ambos se calaram e o silêncio os envolveu. O rosto de Dolly, com o olhar baixo e absorto, parecia tremendamente triste, então Yurij esperou em silêncio.
Ao ficar a sala em calma, escutaram-se ao longe as vozes de Cheriot e Benji conversando em voz baixa perto do lago lá fora. Embora não se distinguissem as palavras, pareciam estar se reconciliando. Ao escutar a risada serena e baixa de Cheriot, o coração de Yurij se sentiu mais aliviado. Parecia que o susto por seu ferimento tinha se acalmado graças ao primo.
«Que alívio.»
«Que a última coisa que ele viu antes de dormir não tenha sido o meu ferimento horrível.»
Yurij esboçou um leve e amargo sorriso enquanto voltava a aproximar o copo dos lábios. Tinha decidido fazê-lo sorrir porque seu rosto radiante era lindo, mas desde então não tinha conseguido alegrá-lo nem uma vez. Pelo contrário, só o tinha entristecido; nunca mais voltou a ver aquele sorriso branco e puro de quando comeram panquecas.
Se tivesse terminado só em tristeza, teria sido um alívio, mas além disso o fez chorar até lhe faltar o ar, por isso Yurij se sentiu tomado por uma culpa indescritível. O sentimento de desprezo por si mesmo que sentiu desde a farmácia se intensificou e lhe colocou uma pergunta:
«Será que quanto mais eu faço, mais eu entristeço o Cheriot?»
Franzindo os olhos, tentou pensar em desculpas para refutar a dúvida que tinha surgido de repente. Mas não lhe ocorria nada. Hoje, Yurij não tinha feito nada direito. Por uma distração estúpida esbarrou nos perseguidores na farmácia, voltou muito depois da hora combinada e, ao enfrentar apenas duas pessoas, se feriu fazendo Cheriot chorar.
Yurij não tinha talento algum para fazer os outros felizes.
Embora Alexei dependesse dele, a única pessoa que realmente o fazia feliz era Valery, e seu pai não costumava sorrir para ele. Talvez porque toda vez que o via se repreendia por suas próprias decisões do passado. Yurij entendia, então nunca culpou o pai por não ser carinhoso. Para amigos como Timac, Yurij era só alguém em quem confiar…
Não era uma pessoa divertida nem que desse alegria.
Agora que pensava nisso, era ridículo. Tendo vivido assim esse tempo todo, como ia conseguir fazer alguém feliz de repente? Yurij achou patético ter decidido vagamente fazê-lo sorrir. Foi um impulso estúpido sem saber como.
—Por que você está com essa cara?
Dolly o chamou. Yurij, mergulhado em seus pensamentos, abriu os olhos de repente e olhou para ela. Franzindo o cenho, observou detidamente o rosto de Dolly e depois, lembrando que ela conseguia fazer Cheriot sorrir com facilidade, perguntou:
—Eu estava pensando em como alegrar o Cheriot. Porque eu o entristeci com o meu ferimento.
Dolly ergueu uma sobrancelha, negou com a cabeça e se levantou.
—Rapaz, isso não é culpa sua. Se for pensar bem, você se machucou por ele, então é normal que ele esteja triste.
—Mas mesmo assim eu quero vê-lo sorrir.
Ao sussurrar com sinceridade, Dolly o olhou de cima. Uma profunda pena cruzou seu rosto.
—Sinto muito, mas eu também não sei como. O sorriso do Cheriot é em parte um hábito. Depois de ver o pai morrer, ele praticou como sorrir para não angustiar a mãe, e chegou um ponto em que nem eu distingo quando ele sorri de verdade.
Yurij, que esperava obter alguma pista, ficou rígido com a boca ligeiramente aberta. Uma rachadura apareceu em seu rosto inexpressivo e suas sobrancelhas escuras se retorceram de angústia.
«O Cheriot definitivamente disse que os pais dele sofreram um acidente durante umas férias e que o pai faleceu…»
—Ele te disse que os pais dele sofreram um acidente?
Como se tivesse adivinhado o que Yurij escutou, os olhos azuis de Dolly, que fazia a pergunta, se embaçaram levemente antes de clarear. Com uma expressão obstinada, como se odiasse mostrar fraqueza, deixou umas palavras que Yurij nunca esqueceria.
—Coitadinho. Ele não quis acreditar no que viu, então apagou a memória. O Chelsea… não morreu num acidente. Foi assassinado. A Madison e o Cheriot estavam com ele naquela noite. A família toda tinha ido de férias para a Flórida e lá aconteceu uma coisa horrível…
Com o cenho franzido, passou as mãos pelo rosto como se o lavasse, vez após vez. Yurij viu como o dorso de suas mãos enrugadas tremia levemente. Sua visão girou ao seguir o movimento convulsivo daquelas mãos. Pensou que fosse pelo álcool, mas logo compreendeu que não era isso.
Era porque a verdade oculta atrás da história que Cheriot contou com naturalidade e um sorriso era espantosa demais, e porque ele se odiava de maneira insuportável por tê-lo considerado simplesmente uma pessoa alegre.
—O ladrão esfaqueou o Chelsea até matá-lo na frente do Cheriot e da Madison, que suplicavam por sua vida em lágrimas. Esfaquearam ele tantas vezes, dezenas delas… que aquela pessoa tão bonita ficou reduzida a um corpo mutilado sem justiça. O cadáver era tão medonho que ninguém pôde vê-lo no funeral. Só o filho e a esposa dele que presenciaram aquela noite, e eu, nos lembramos.
Finalmente, Dolly afastou as mãos do rosto. Seus olhos azuis, úmidos, agora brilhavam com uma luz fria e azulada, cheios de determinação. Via-se o desejo de vingança.
—Eu fui buscá-los e vi o corpo do Chelsea na cena. Aquilo… não é algo que um simples ladrão anônimo faria. Depois, o criminoso fingiu ser um louco de nascença, dizendo que tinha feito aquilo por um impulso irrefreável de esfaquear sem controle, mas enfim…
Com um sorriso torto, Dolly esvaziou seu último copo. Depois, como se indicasse que até ali podia falar, se espreguiçou. Com um rosto sereno, como se nada tivesse acontecido, deu o dia por encerrado.
—Graças à sua informação, eu mais ou menos sei quem está atrás do Cheriot. Provavelmente os atacantes chegaram até perto de Big Fox porque essa pessoa contou a eles. Alguns familiares sabem que a Madison e o Chelsea tinham uma casa aqui. De agora em diante, nós cuidamos disso, então você não se mete e não se machuca mais. Afinal de contas, eu soube que a condição era que você ficasse com ele só até a gente chegar. O Benji trouxe o seu pagamento, então amanhã você pega e vai embora.
Yurij, que não conseguia articular palavra por causa do passado de Cheriot que Dolly lhe tinha revelado, reagiu finalmente às suas palavras de despedida. Ao se perguntar o que aquilo significava, franziu os olhos e olhou para ela, até que lembrou lentamente de um fato que tinha esquecido.
É isso. O prazo original não era dez dias, mas até chegarem as pessoas de confiança de Cheriot. Inconscientemente, acreditou que passariam dez dias juntos e pensou que ainda restavam uns três… mas na verdade não era assim.
O homem, que tentava se agarrar à areia que escorria entre seus dedos, sentiu um arrepio ao perceber que seu tempo já tinha terminado.
«Agora que eu mal estou conhecendo o Cheriot de verdade.»
«Se eu soubesse um pouco antes, não teria passado tanto tempo no banheiro pra ele não se angustiar, e teria cumprido a hora prometida de algum jeito.»
A razão que permanecia em algum canto de sua mente dizia a Yurij que aquilo não era uma despedida eterna. Se voltassem a Vancouver como Cheriot tinha dito hoje, poderiam se ver de novo, então ele se autoexigiu que não fizesse drama e aceitasse em silêncio as palavras de Dolly.
Se Yurij não soubesse o quanto era lindo o sorriso de Cheriot, teria decidido que não valia a pena se arriscar, teria pegado o dinheiro e ido embora. Talvez tivesse ficado incomodado por não completar a missão, por seu inato senso de responsabilidade, mas com certeza não teria sentido essa pegajosa sensação de que seus pés estavam cravados no chão.
Mas agora no mundo de Yurij existiam as marcas que Cheriot tinha deixado. Já não era um intruso passageiro, mas alguém que importava a Yurij, e talvez alguém que lhe tinha dado seu coração.
Por isso ele queria ver com seus próprios olhos que Cheriot estava a salvo. O pagamento já não importava. Afinal de contas, desde o momento em que deixou o hotel, tinha aceitado o trabalho não por dinheiro, mas com a única ideia de salvá-lo.
—Eu vou com vocês. De agora em diante não vou aceitar nenhum pagamento. Eu imploro.
Como fazia tempo demais que não implorava algo a alguém com sinceridade, sentiu constrangimento ao dizer aquilo com sua própria boca. Mas essa estranha vergonha não era problema nenhum para Yurij. Se descartar seu orgulho lhe permitisse ficar um pouco mais com Cheriot, isso era muito mais vantajoso.
—Não.
Mas Dolly o recusou com firmeza.
—Isso é algo que nós temos que resolver. Não quero envolver mais pessoas de fora.
Ao traçar uma linha clara com a palavra «de fora», Yurij ficou sem palavras. Não tinha nenhum argumento para refutar Dolly.
A promessa que fez a Heather de proteger Cheriot até tudo se resolver era, na verdade, apenas um assunto pessoal de Yurij. Eles não tinham nenhuma razão para envolver um completo estranho como ele em assuntos familiares sensíveis. Pelo contrário, da perspectiva de Dolly ou Benji, Yurij era pouco mais que um forasteiro em quem não podiam confiar. Um homem estranho com antecedentes criminais. Um sujeito misterioso que apareceu de repente na vida de Cheriot dizendo que o protegeria. Seria mais estranho que Dolly o aceitasse facilmente.
Cheriot tinha sido simplesmente excepcionalmente inocente. O normal era agir como ela.
O intruso era Yurij. Agora entendia que sua atitude de protegê-lo sem sequer esconder direito seus ferimentos, sem conhecer nada da situação de Cheriot, devia parecer incômoda. E com razão, porque Yurij não tinha justificativa alguma.
O contrato tinha terminado, e Yurij já não podia continuar sendo seu segurança.
Fora do papel de segurança, Yurij nem sequer tinha uma relação que pudesse ser chamada de amizade com Cheriot. Era apenas alguém que conhecia havia uma semana, um recém-chegado. Embora algum sentimento intenso tivesse passado entre eles, sua relação atual não estava definida como algo especial.
Yurij não era nada para Cheriot.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna
Ler Icing On The Cake (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Chegou um convidado indesejado.
Um dia aconteceu algo estranho na vida de Yurij Kiselyov, que havia vivido no fundo da sociedade lidando apenas com gente da mesma laia que ele. Recebeu a incumbência de proteger Cheriot Goodnight, um famoso atleta norte-americano muito distante de sua pessoa repugnante.
—De perto você é ainda mais bonito, gato.
Desde o primeiro encontro, Yurij sentiu que ele e Cheriot não eram compatíveis. Apesar de ambos serem alfas, Cheriot flertava descaradamente com ele. Yurij pensou que jamais conseguiria se aproximar de uma pessoa assim.
—Então você era lixo, Yurij.
E, como era de se esperar, mal assumiu a incumbência, a relação entre Cheriot e ele logo tomou o pior rumo. Cheriot, que odiava profundamente os criminosos, ao descobrir a verdadeira identidade de Yurij o rejeitou sem hesitar com palavras cortantes, demonstrando uma forte hostilidade, ao contrário da atitude proativa e próxima que tinha antes.
Mas o que Yurij achou que fosse um simples drama passional se transformou em uma ameaça à vida de Cheriot, e Yurij, a contragosto, assumiu o papel de protegê-lo temporariamente até que encontrasse um novo guarda-costas.
—Você não disse que não queria tocar em gente ruim?
—Te odiar e te tocar são duas coisas diferentes.
Embora soubesse claramente que Yurij era um criminoso, Cheriot, ao contrário da atitude que mostrou no início, em algum momento começou a desconcertá-lo com palavras doces que não paravam.
—Por quem você me toma, Yurij? Para te carregar no colo me sobra força. Os jogadores de hóquei não são bons só de briga, também são fortes.
—Você gosta desse tipo? Qualquer ômega serve para você?
—Por mais que eu olhe, não sou eu o mais bonito? Mesmo se você considerar pelo lado da fofura, não continuo sendo eu o mais fofo?
O homem, a quem ele só havia considerado uma pessoa superficial, colocou nas mãos de Yurij coisas que ele nunca havia conseguido segurar, como se não fosse nada, e no fim fez com que Yurij cobiçasse sentimentos que jamais deveria almejar.
Embora soubesse que era alguém com quem não podia ter um relacionamento, sem que percebesse uma faísca se acendeu no coração de Yurij, e começou sua campanha devota para proteger Cheriot.
Nome alternativo: Cherry On Top Icing On The Cake