Ler Icing On The Cake (Novel) – Capítulo 05.12 Online


Modo Claro

5. Medovik (Parte 12)

Por último, desceu Cheriot. Usava o capuz de uma jaqueta corta-vento, colocado ligeiramente por cima de seu boné de beisebol branco de uso habitual. Vestido com uma camisa branca estampada com um logo e jeans, embora estivesse com o rosto coberto por uma máscara, sua silhueta por si só era cativante. Suas pernas longas de proporções quase desenhadas, seu tronco largo e seus bíceps grossos aparecendo pelas mangas dobradas mostravam o quanto ele era atraente.

Caminhou lentamente seguindo o caminho que Benji tinha feito. Ao passar diante do carro onde Yurij estava sentado, parou um momento, olhou para dentro e, ao descobrir Yurij, abriu e fechou os lábios. Como se quisesse dizer algo, hesitou brevemente e depois virou a cabeça. Não havia em lugar nenhum a imagem dele se aproximando de Yurij e o apressando para irem embora, como tinha feito até então.

Yurij, que ainda olhava os óculos escuros que segurava, pensou em devolvê-los a Cheriot, junto com um agradecimento por tê-los emprestado. Dolly tinha lhe dado a oportunidade de reconsiderar e segui-los, mas o importante era o coração de Cheriot.

Como já tinha colocado seus sentimentos à frente e envergonhado Cheriot, Yurij queria manter a distância adequada que ele desejava. Veio-lhe à mente tarde o lamento de Timac de que os jovens de hoje não formam relações profundas facilmente, e também percebeu que seu jeito de ser certamente diferia do de alguém como Cheriot.

Bem quando Yurij engoliu um pequeno suspiro e segurou os óculos escuros para abrir a porta, ouviu-se uma batida na janela do passageiro. Ao erguer a vista, viu Cheriot colado ao vidro olhando para ele de fora. Como que enfeitiçado pelos olhos verdes que apareciam sob o boné, baixou a janela.

—Wolfie, se você achar bom, quer comer com a gente?

Assim que a janela se abriu, Cheriot falou como se estivesse esperando. Seu coração, que deliberadamente se resignava para não criar ilusões, começou a bater com força. À medida que seu pulso acelerava, seu rosto pálido, antes inexpressivo e tenso, foi se suavizando gradualmente.

—Como eu não sei quando vou voltar pra Vancouver, se a gente se despedir agora eu não vou poder te ver por um tempo. Então… eu quero comer uma sobremesa com você. Embora estivesse mais cuidadoso que o habitual, Cheriot não desviava o olhar de Yurij. Como se o silêncio de Yurij o frustrasse, suas lindas sobrancelhas se arquearam com ternura. Em meio ao silêncio constrangedor, ouviu-se o som de Cheriot batendo na janela: toc, toc, toc.

—Você não quer?

Como o silêncio se prolongava, Cheriot perguntou com voz desanimada. Enquanto observava aquela expressão que partia o coração de qualquer um, Yurij apertou o punho com suavidade. O pulso que sentia na palma era tão rápido que lhe revirava o estômago.

«Não entendo o que você pensa.»

«Ao te ver cuidar de cada detalhe e se aproximar assim pra perguntar, parece que você sente o mesmo que eu, mas no momento em que você traçou uma linha dizendo que não podia ficar com ninguém por causa do fundo fiduciário, eu senti que o nosso caso era como uma brincadeira de uma noite de verão.»

Diante do enigma do coração desse jovem homem, impossível de decifrar, Yurij separou lentamente os lábios.

—Quero.

Mas ao ver seu rosto esperando por ele ansiosamente, não conseguiu pensar muito. Ao romper o silêncio e responder, as pupilas de Cheriot se encheram de alegria. Enquanto via um sorriso impossível de esconder florescer em seus olhos, Yurij acreditou entender um pouco como era sua expressão quando ele ria de verdade.

O sorriso seguro com que ele costumava curvar os cantos da boca era impecável e perfeito, mas quando ria porque acontecia algo que desejava, como agora, seus olhos brilhavam primeiro. Seguindo a luz brilhante que se expandia do centro de seus olhos verde-claros, os cantos se curvavam e depois seus lábios rosados traçavam uma curva assimétrica. Por isso se formava uma covinha em apenas uma bochecha.

«Então… eu ainda tenho uma chance?»

«Mesmo que agora seja difícil, se o Cheriot herdar o fundo fiduciário e mesmo então, sem estar com outra pessoa, continuar sorrindo pra mim assim…»

Assim que abriu a porta do passageiro, Cheriot segurou a porta e esperou para que Yurij pudesse sair com facilidade. Quando entraram juntos na loja, Cheriot abriu primeiro a porta de entrada, passou e esperou. Antes de fazer o pedido, olhou o cardápio e depois perguntou a opinião de Yurij.

—O que você vai querer, Wolfie?

Dentro da loja realmente cheirava a comida deliciosa. Parecia que preparavam comida russa, de sobremesas a bolinhos e sopas, que também vendiam na mercearia anexa. Embora fosse cedo para o almoço, havia bastante gente. Ao procurar Dolly, viu-a sentada num canto com Benji comendo bolo. Dolly deteve com alguma palavra Benji, que tentava olhar em volta e, ao encontrar o olhar de Yurij, sorriu como se dissesse «viu só?».

Ele se perguntou se estava se enganando porque queria acreditar, ou se na verdade Cheriot o tinha no coração, mas havia algo que o preocupava e por isso não podia se aproximar mais; enquanto refletia pela última vez e com cautela sobre isso, o sussurro de Cheriot se ouviu em seu ouvido.

—Se tem alguma coisa de que você gosta, eu também quero provar. A Dolly só pede o Napoleão.

Yurij baixou a vista e observou as sobremesas organizadas na vitrine. Embora fossem sobremesas russas, só havia uma que Yurij reconhecia.

—…Medovik.

—Medovik?

—Aquele.

Levantando a mão lentamente, apontou o bolo marrom de camadas finas de massa intercaladas com mel e creme.

Aquela sobremesa que ele até tinha evitado de propósito porque não queria lembrar do passado, Yurij a pronunciou.

—Beleza. Eu também vou comer esse.

—Vamos dividir.

—Hein?

Como ao provar algo doce lhe viriam lembranças da mãe, Yurij não comia doces havia muito tempo. Quando o sabor doce se espalhava sobre sua língua, ele costumava lembrar da mãe, a quem já não poderia ver, e do tempo que passavam fazendo medovik.

E depois de evocar o passado assim, as lembranças se encadeavam. Quando passavam por sua mente a infância, pobre mas feliz porque estavam juntos, e as noites de pequenas festas dividindo comida antes de os pais de Alexei morrerem, a saudade daqueles tempos o fazia sofrer a ponto de morrer.

—Vamos?

Mas agora, embora a lembrança de fazer medovik com a mãe tenha lhe acudido, Yurij não sentia aquela agonia mortal. Pelo contrário, a única coisa que rondava sua mente era a curiosidade de saber se Cheriot gostaria do medovik.

Os dois, que pediram dois cafés e uma fatia de bolo, sentaram-se na mesa junto à janela. Ao ficarem sentados um de frente para o outro, houve um momento de constrangimento, mas quando Cheriot pegou o garfo e partiu um pedacinho do medovik, toda a sua atenção se concentrou ali. Ele estava prestes a acrescentar a Cheriot que também não o provava havia tanto tempo que talvez não estivesse tão gostoso quanto em sua memória…

—Está gostoso.

Ao ver seu rosto satisfeito, que se inclinou para a frente para olhar nos olhos de Yurij e sorrir, já não foi necessário dizer aquilo. Como estava com a máscara baixada um pouco e colado a Yurij para que só ele visse seu rosto, Yurij também estendeu o garfo. Ao cortar a parte de cima, a massa macia se partiu limpamente. No momento em que colocou com cuidado o pequeno pedaço na boca para que não caíssem migalhas, a doçura se espalhou.

O medovik estava delicioso, muito diferente daqueles dias em que só cheirar algo doce lhe revirava o estômago. Depois da doçura profunda e característica que criava a mistura de mel e creme, apareceu a lembrança de si mesmo criança olhando a mãe fazer o bolo. E também o que ele pensava naquela época.

«Depois, num futuro distante, se eu encontrar alguém pra proteger, eu quero fazer medovik com essa pessoa.»

—Yurij, e aí?

Seus olhos verdes, esperando sua opinião, se encontraram com seu olhar.

—Está gostoso.

—Tem gosto igual ao que você provou?

—Um pouco diferente.

—Diferente em quê?

—O sabor muda dependendo de como se prepara o creme azedo que vai no medovik.

Cheriot, que escutava com interesse, estendeu o garfo, partiu um bom pedaço de medovik e o comeu de uma bocada. Mastigando com os lábios e provando o bolo com educação, Cheriot perguntou a Yurij:

—Quando a gente voltar pra Vancouver, vamos procurar um medovik parecido com o que você provou? Estou curioso.

—…Também existem formas de preparar.

Então Cheriot sorriu amplamente, com uma covinha numa bochecha.

—Pelo que eu vi dos sanduíches que o Wolfie fazia, isso vai ser difícil.

As pupilas azuis de Yurij também se curvaram suavemente.

—Com sobremesas talvez seja diferente.

—Pra descobrir, eu vou ter que voltar logo pra Vancouver.

Cheriot terminou o medovik limpinho. Recusou com um gesto de cabeça a oferta que Cheriot lhe fez duas vezes estendendo o garfo, e depois, enquanto bebia café, aproveitou observando Cheriot comer a sobremesa. Por ora, com apenas uma garfada era suficiente.

Assim que terminaram a sobremesa, Benji se aproximou. Ao ver que pareciam ter dividido uma fatia de bolo entre os dois, fez uma expressão de desgosto e disse:

—Dois alfas dividindo um bolo.

Sua voz soou indignada.

—Nem são um casal. Que ridículo, Cherry.

No instante em que Benji terminou de falar, o silêncio caiu entre os dois. Como se também sentisse algo estranho, o olhar de Benji ficou cortante e ele cravou os olhos em Yurij. Antes que saísse uma frase com a clara insinuação de que ele não devia se juntar com um cara daqueles, Cheriot deixou o garfo sobre a mesa.

—Vamos, Benji. Você disse que a gente ia pegar o voo do meio-dia.

—Você está mudando de assunto agora?

—Não. Yurij, a gente já vai. Quando a gente chegar…

Cheriot hesitou e acrescentou:

—O meu número… vai estar nas chamadas perdidas.

Cheriot, que bloqueou com o corpo Benji, que tentava se aproximar de novo, sorriu de forma brincalhona e levou a palma da mão à orelha.

—Me liga.

Cheriot, que tinha terminado seus assuntos, se apressou em separar Benji de Yurij e saiu. Dolly, que já estava lá fora fumando um cigarro, ao vê-los saindo, fez um gesto de despedida com os olhos para Yurij, sentado junto à janela.

Yurij só largou a xícara de café depois de ver Cheriot levar Benji até o carro e Dolly, que voltou ao volante, sair do estacionamento com um braço pendurado para fora da janela. Durante todo o caminho até ali sua mente tinha estado revirada, mas enquanto comia o bolo ela se clareou de maneira simples.

«Não importa se eu não sou algo especial pro Cheriot.»

«O fato importante é que o Cheriot é alguém especial pro Yurij.»

Um homem de temperatura corporal quente que mostrou diversas cores a ele, que só vivia dentro de uma cidade cinzenta e monótona. Um homem cujo sorriso é lindo e que sabe correr com mais liberdade que qualquer um.

Embora tivesse decidido fazer qualquer coisa por aquele homem, por um momento titubeou por uma razão estúpida. Pensou que devia se retirar porque os conhecidos de Cheriot apareceram e não o receberam bem. Mas Yurij nunca tinha esperado nada de Cheriot. Pelo contrário, queria lhe dar algo.

Por exemplo, segurança.

Tomou a decisão de ajudá-lo do seu jeito, para que ele não tivesse mais que cobrir seu belo rosto com bonés ou máscaras.

Segundo as palavras de Dolly, provavelmente com os seguranças em Boston seria suficiente, mas os assuntos humanos são imprevisíveis…

Yurij também queria ver com seus próprios olhos o rosto de quem tentava matar Cheriot. Precisava ver o cara que ousou empurrá-lo para essa situação.

Bem quando Yurij, com sua decisão tomada, saía da cafeteria e caminhava até o carro, o telefone tocou. Ao pegar o celular que vibrava, por um instante pensou que Cheriot já tivesse ligado, mas ao ver o nome na tela, apertou o botão de atender imediatamente.

—Aliocha.

[—Yurij, eu descobri.]

Antes que ele pudesse perguntar o que tinha feito durante quatro dias sem contato, Alexei falou. Em sua voz sussurrante percebia-se um leve êxtase e a urgência de uma situação premente.

[—Vem pra Boston. Eu já estou aqui.]

Alexei pronunciou o destino para o qual ele se dirigia. No instante em que escutou aquela voz baixa e profunda, um arrepio percorreu seu corpo. Como se tivesse recebido uma revelação, um arrepio percorreu seu corpo e lhe deu a certeza de que era aquilo que ele devia fazer.

«Proteger o Cheriot.»

«Ficar ao lado dele aconteça o que acontecer.»

De algum lugar, uma voz ressoou dizendo isso.

。・゚♡゚・。。・゚♡゚・。

Continua….

⌀ ⌀ ⌀

✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna

Ler Icing On The Cake (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse: 
Chegou um convidado indesejado.
Um dia aconteceu algo estranho na vida de Yurij Kiselyov, que havia vivido no fundo da sociedade lidando apenas com gente da mesma laia que ele. Recebeu a incumbência de proteger Cheriot Goodnight, um famoso atleta norte-americano muito distante de sua pessoa repugnante.
—De perto você é ainda mais bonito, gato.
Desde o primeiro encontro, Yurij sentiu que ele e Cheriot não eram compatíveis. Apesar de ambos serem alfas, Cheriot flertava descaradamente com ele. Yurij pensou que jamais conseguiria se aproximar de uma pessoa assim.
—Então você era lixo, Yurij.
E, como era de se esperar, mal assumiu a incumbência, a relação entre Cheriot e ele logo tomou o pior rumo. Cheriot, que odiava profundamente os criminosos, ao descobrir a verdadeira identidade de Yurij o rejeitou sem hesitar com palavras cortantes, demonstrando uma forte hostilidade, ao contrário da atitude proativa e próxima que tinha antes.
Mas o que Yurij achou que fosse um simples drama passional se transformou em uma ameaça à vida de Cheriot, e Yurij, a contragosto, assumiu o papel de protegê-lo temporariamente até que encontrasse um novo guarda-costas.
—Você não disse que não queria tocar em gente ruim?
—Te odiar e te tocar são duas coisas diferentes.
Embora soubesse claramente que Yurij era um criminoso, Cheriot, ao contrário da atitude que mostrou no início, em algum momento começou a desconcertá-lo com palavras doces que não paravam.
—Por quem você me toma, Yurij? Para te carregar no colo me sobra força. Os jogadores de hóquei não são bons só de briga, também são fortes.
—Você gosta desse tipo? Qualquer ômega serve para você?
—Por mais que eu olhe, não sou eu o mais bonito? Mesmo se você considerar pelo lado da fofura, não continuo sendo eu o mais fofo?
O homem, a quem ele só havia considerado uma pessoa superficial, colocou nas mãos de Yurij coisas que ele nunca havia conseguido segurar, como se não fosse nada, e no fim fez com que Yurij cobiçasse sentimentos que jamais deveria almejar.
Embora soubesse que era alguém com quem não podia ter um relacionamento, sem que percebesse uma faísca se acendeu no coração de Yurij, e começou sua campanha devota para proteger Cheriot.
Nome alternativo: Cherry On Top Icing On The Cake

Gostou de ler Icing On The Cake (Novel) – Capítulo 05.12?
Então compartilhe o anime hentai com seus amigos para que todos conheçam o nosso trabalho!