Ler Icing On The Cake (Novel) – Capítulo 05.11 Online

5. Medovik (Parte 11)
Cheriot não pôde viajar com eles. Embora o desejasse com o olhar, Benji se opôs terminantemente, então no fim viajaram em dois carros separados. Dolly partiu primeiro e Benji a seguiu.
—Quando a gente voltar aos Estados Unidos, vai ter várias pessoas para proteger aquele jovem playboy rico. Só viemos nós dois porque não podíamos expor a localização da casa de veraneio, mas não pretendemos proteger o Cheriot só com uma velha e um policial como você teme, então não se preocupa.
Yurij, que escutava suas palavras de braços cruzados, perguntou sobre algo que lhe parecia estranho desde antes de ver Cheriot ontem à noite.
—Mas vocês chegaram três dias antes. É uma grande coincidência.
Diante da pergunta de Yurij, que tinha se tornado mais direto em apenas um dia, Dolly soltou uma risada estrondosa. Quando ela ria assim tão alto, era um pouco confuso se era de espanto ou se realmente achava graça.
—Você acha que eu os atraí até aqui?
—Ou poderia ser o primo do Cheriot.
—Oh, meu Deus. Não sei em que tipo de mundo você viveu…
Dolly bateu no volante com os dedos e deu de ombros.
—Não é ruim desconfiar. Numa situação em que a própria família tenta se matar, não há razão para não suspeitar do primo.
Yurij ficou em silêncio como afirmação. A risada de Dolly se intensificou diante de sua expressão descarada.
—Desde que o Cheriot me contatou, a Madison estava tão inquieta que não conseguia fazer nada, então eu só ajustei o horário. A gente planejava viajar hoje ou amanhã, mas a nossa Moody Maddie se levantou de um salto e nos expulsou, o Benji e eu, dizendo que a gente tinha que ir já.
Parecia que Moody Maddie era um apelido para Madison. Ocorreu-lhe que o costume de Cheriot de dar apelidos às pessoas a seu bel-prazer talvez viesse de Dolly.
—Outra das condições do fundo fiduciário do Cheriot é que ele complete trinta anos. Se viver até lá sem causar problemas, herdará a fortuna diretamente. Por isso a Madison e eu tínhamos nos preparado e estávamos prontas pensando que algo poderia acontecer este ano ou no que vem.
Yurij perguntou sobre algo que não entendia desde antes.
—Geralmente, quando o marido falece, a esposa herda o patrimônio. Por que só atacam o Cheriot?
—A Madison assinou um acordo pré-nupcial, então não recebe nada além do apartamento onde mora agora. Desde o começo, a Maddie também não tinha essa ambição.
Com expressão severa, Dolly soltou um palavrão curto.
—Malditos velhos Goodnight.
Ele não se sentiu incomodado, como quando ela xingou Samuel antes, então Yurij continuou escutando seus impropérios. Segundo o que Cheriot lhe contou, parecia que os pais ricos tinham interferido muito na vida do filho.
—Entendo. Mas… por que aparece agora quem cobiça o fundo do Cheriot?
Não esperava uma resposta, mas de Dolly veio um comentário significativo.
—Todo mundo achava que o Cherry não cumpriria as condições do fundo. Como ele parecia tão imaturo, devem ter pensado que não seria preciso esperar muito… Muita gente não sabe que aquele menino tem uma teimosia incrível.
O canto dos lábios de Dolly se ergueu.
—E além disso, talvez agora o dinheiro deles esteja acabando.
—…Por acaso nem todos na família Goodnight são ricos?
—Ao nascer, eram. Mas dependendo de como você usa o dinheiro que recebe, a vida pode virar um inferno rapidinho. Os gastos aumentam e a vaidade cresce junto, mas o dinheiro é um sujeito desagradável que sabe como o dono o trata. Se o dono o subestima, o dinheiro também subestima o dono.
Dolly agitou os dedos indicador e médio imitando o bater de umas asas.
—Se ele sabe que o dono é bobo, não aumenta de tamanho, e sim voa para outro lugar. Como o amor.
Era um temperamento peculiar, desses que Yurij nunca tinha visto à sua volta. Embora parecesse falar sem filtro, na verdade se preocupava com o outro e, apesar de seu tom brusco, seus gestos e expressões eram delicados. Enquanto sentia que uma parte de Cheriot claramente vinha de Dolly, também pensou que outras partes de que ele gostava deviam ter origem no pai e na mãe dele.
—Embora eu não conheça muito sobre o Cheriot…
Yurij intuiu que era hora de se retirar de forma limpa. Pela conversa da manhã soube que Cheriot se sentia constrangido com ele, e ao confirmar que o grupo de Dolly tinha um plano preparado durante anos, aquilo era a última coisa que ele podia fazer.
—Mas eu fico feliz que exista alguém que tranque a porta pelo Cheriot. Eu ficava preocupado que ele esquecesse toda vez e não soubesse o que fazer sozinho.
Seria uma observação impertinente? Mas na verdade Yurij achava uma sorte que tivesse aparecido um adulto que, mesmo não sendo ele, pudesse trancar as portas por Cheriot.
O sol lhe espetava os olhos repetidamente, então Yurij ergueu a mão sobre a testa para fazer sombra. Era um pouco menor que a que Cheriot fazia e, por alguma razão, não dava tanto alívio.
—Ele enfiou as cervejas na mala.
—Como assim?
Como faltavam umas duas horas para chegar ao aeroporto, bem quando pensava em fechar os olhos um pouco, Dolly puxou um assunto inesperado.
—Eu disse que ele enfiou na mala todas as cervejas que o rapaz comprou. Foi engraçado ver ele colocando as cervejas entre os espaços já cheios, fazendo cara séria e arregalando os olhos quando o Benji disse pra ele jogar fora.
Ao escutar que Cheriot tinha guardado as cervejas que ele pensava deixar para trás ou descartar, o maxilar de Yurij se retesou por um instante. Observando seu perfil, que apertou os lábios e ficou em silêncio, Dolly suspirou.
—Está claro que ele gosta de você.
Quis perguntar o que aquilo significava, mas não queria se deixar afetar sem motivo pelas palavras de Dolly. Era como colocar uma pedra num recipiente prestes a transbordar. O desejo que parecia se derramar com apenas um pouco de vento se agitava a cada ação ou palavra de alguém.
—Ele gosta de você o suficiente para desejar que você não se meta mais em perigo.
Não conseguia entender por que a mulher, que ontem parecia traçar uma linha clara diante dele definindo sua relação, de repente agia assim. Yurij, meio incomodado, perguntou com voz baixa:
—…Com essa lógica, nem o Benji nem a senhora deveriam ser seguranças do Cheriot.
—O que a gente vai fazer? A gente é mais velho. Além do mais, como fomos seguranças da Madison até agora, em certo sentido isso é um pedido da mãe dele.
Apesar da voz incomodada de Yurij, ela continuou.
—E é diferente como você se sente quando o seu parceiro se machuca e quando um familiar se machuca.
—Eu…
Ele a interrompeu.
—Não tenho direito a isso, e o Cheriot também não teria motivo para pensar assim.
—Nada é fácil quando se é jovem. O coração humano é como um precipício; basta um pequeno deslize para tudo descarrilar.
Em vez de confirmar, como Benji, que Yurij era esse tipo de pessoa, Dolly lhe deu um conselho que soava como provérbio.
A conversa se cortou ali. Como não conseguia adivinhar o que Dolly pensava, Yurij fechou os olhos com a mente revirada. O sol que se infiltrava entre suas pálpebras ardia, então franziu ligeiramente o cenho, quando de repente algo caiu sobre sua coxa com um baque seco. Ao baixar o olhar surpreso, viu óculos escuros familiares.
O Ray-Ban de Cheriot.
—Ele disse que o sol estava forte e que com certeza ia te incomodar.
Eram os mesmos óculos que ele usou o tempo todo enquanto caminhavam juntos pela cidade. Os óculos que ele insistiu teimosamente que Yurij usasse porque não gostava que outros os tocassem tinham voltado para ele.
Yurij os tinha deixado sobre a mesa hoje de manhã antes de partir.
Temeu que ele não os encontrasse, mas por sorte encontrou e, ao que parece, os deu a Dolly. Yurij franziu os olhos sem saber o que fazer com os óculos descansando tranquilamente sobre sua coxa.
«Eu achei que o certo era a gente ficar como conhecidos, como amigos que se veem de vez em quando.»
—Não franze o cenho e não amassa essa cara tão bonita, põe eles logo.
Ao escutar isso, já não sabia que decisão tomar. Seu cabelo preto caiu desalinhado sobre a testa inclinada. Seus olhos azuis, como que tristes, olharam fixamente os óculos escuros por um momento, e depois ele acariciou com a mão as armações onde se notava o uso. A sensação da borda arredondada ao toque da ponta de seu polegar esquerdo era vívida, como se lhe dissesse que ele ainda podia sentir algo, mesmo com a mão esquerda. Como se não fosse tarde demais.
—O Benji sem dúvida acha que você é perigoso, e o Cheriot deseja que você não se machuque mais e por isso quer que você não venha, mas eu mudei de ideia hoje de manhã.
A ele, que só segurava os óculos, Dolly falou com voz de adulta.
—Então, se você também mudar de ideia, vem pra cá.
Um papel amassado caiu junto aos óculos com um baque seco. Ao abrir lentamente o bilhete dobrado em forma quadrada, viu um endereço escrito: «37 Berrie St, Boston, MA». Ao ler a palavra Boston, ergueu a cabeça e olhou para Dolly.
Ela também olhava para ele. Levantando ligeiramente os óculos escuros, cruzou o olhar com Yurij por alguns segundos com seus olhos azuis desbotados, e depois voltou a olhar para a frente.
A conversa tinha terminado. Ela ligou o rádio, aumentou o volume e escutou a música do único canal que pegava. Enquanto a canção, que mudava conforme o gosto do apresentador, passava para a seguinte, Yurij pensou que lembrava de tê-la escutado em algum lugar.
Enquanto escutava a melodia alegre e a voz doce ao fundo, Yurij lembrou, ao chegar ao refrão, que era a canção que Cheriot cantava ao seu lado.
O sol escaldante, a brisa fresca, o lago brilhante e os beijos úmidos, o riso fresco e lindo que ressoava e as mãos que o chamavam.
Todo o tempo que passou com Cheriot… foi verão.
O verão de que falava aquela gente do lado de fora, na qual ele acreditou que nunca poderia pôr os olhos, caminhando pelos becos de Saratov… Yurij também o estava vivendo.
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Quando faltavam uns vinte minutos para chegar ao aeroporto, Dolly de repente se desviou da direção indicada pela placa e pegou outro caminho. Diante da guinada inesperada, Benji, que os seguia, pôs a cabeça para fora da janela e gritou:
—Dolly, pra onde a senhora está indo?!
—Cala a boca e me segue, Benjamin!
Embora estivesse cansado, Yurij não tinha dormido, só estava de olhos fechados como quando Cheriot dirigia ao seu lado, e ao se alterar o clima se aprumou. Seu destino era uma cafeteria parecida com uma padaria, com um estacionamento amplo. O aeroporto de Calgary era um lugar modesto localizado em direção ao centro da cidade, então via-se gente por toda parte, e essa cafeteria não era exceção. Yurij ergueu as sobrancelhas diante das letras familiares que via na placa.
Ao ver a placa que dizia «Produtos alimentícios» em russo, Yurij olhou para Dolly. Talvez ela tivesse escutado sobre ele de Cheriot, mas ainda assim não conseguia entender o que aquilo significava, assim de repente.
—Por que a gente veio aqui?
—Em Boston não tem um lugar que venda um bolo Napoleão tão gostoso quanto aqui, então eu tenho que comer antes de ir pro aeroporto. É uma sorte que eles ainda estejam no ramo depois de quase quinze anos.
Como suas sobrancelhas com certeza continuavam franzidas, Dolly subiu os óculos escuros para a cabeça e devolveu a pergunta a Yurij.
—O que significa essa expressão?
—Não entendo por que a senhora escolheu justamente este lugar.
—Por quê?
Dolly entrou de um impulso no estacionamento, estacionou de ré de uma vez e, ao desligar o motor, disse:
—Que razão é preciso pra comer o que a gente gosta?
Ao abrir a porta e descer, voltou e jogou as chaves do carro para Yurij.
—Entra e vê a cara do Cherry mais uma vez, ou vai pro aeroporto primeiro. Você escolhe.
Agora que estavam na cidade, era hora de se separar. Enquanto segurava as chaves do carro, que pareciam pesadas, e continuava sentado no banco do passageiro, Benji estacionou no mesmo lugar. Embora tenha sido uma freada repentina, a expressão de Benji estava surpreendentemente boa. Seu rosto, visto várias vezes, estava sempre cheio de reclamações ou ocupado demais vigiando Yurij, mas agora, seguindo Dolly em direção à cafeteria, parecia bastante animado. Tanto era seu entusiasmo que por um momento seu olhar cruzou com o de Yurij, mas em vez de franzir o cenho, ele apenas bufou com desdém e o ignorou.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna
Ler Icing On The Cake (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Chegou um convidado indesejado.
Um dia aconteceu algo estranho na vida de Yurij Kiselyov, que havia vivido no fundo da sociedade lidando apenas com gente da mesma laia que ele. Recebeu a incumbência de proteger Cheriot Goodnight, um famoso atleta norte-americano muito distante de sua pessoa repugnante.
—De perto você é ainda mais bonito, gato.
Desde o primeiro encontro, Yurij sentiu que ele e Cheriot não eram compatíveis. Apesar de ambos serem alfas, Cheriot flertava descaradamente com ele. Yurij pensou que jamais conseguiria se aproximar de uma pessoa assim.
—Então você era lixo, Yurij.
E, como era de se esperar, mal assumiu a incumbência, a relação entre Cheriot e ele logo tomou o pior rumo. Cheriot, que odiava profundamente os criminosos, ao descobrir a verdadeira identidade de Yurij o rejeitou sem hesitar com palavras cortantes, demonstrando uma forte hostilidade, ao contrário da atitude proativa e próxima que tinha antes.
Mas o que Yurij achou que fosse um simples drama passional se transformou em uma ameaça à vida de Cheriot, e Yurij, a contragosto, assumiu o papel de protegê-lo temporariamente até que encontrasse um novo guarda-costas.
—Você não disse que não queria tocar em gente ruim?
—Te odiar e te tocar são duas coisas diferentes.
Embora soubesse claramente que Yurij era um criminoso, Cheriot, ao contrário da atitude que mostrou no início, em algum momento começou a desconcertá-lo com palavras doces que não paravam.
—Por quem você me toma, Yurij? Para te carregar no colo me sobra força. Os jogadores de hóquei não são bons só de briga, também são fortes.
—Você gosta desse tipo? Qualquer ômega serve para você?
—Por mais que eu olhe, não sou eu o mais bonito? Mesmo se você considerar pelo lado da fofura, não continuo sendo eu o mais fofo?
O homem, a quem ele só havia considerado uma pessoa superficial, colocou nas mãos de Yurij coisas que ele nunca havia conseguido segurar, como se não fosse nada, e no fim fez com que Yurij cobiçasse sentimentos que jamais deveria almejar.
Embora soubesse que era alguém com quem não podia ter um relacionamento, sem que percebesse uma faísca se acendeu no coração de Yurij, e começou sua campanha devota para proteger Cheriot.
Nome alternativo: Cherry On Top Icing On The Cake