Ler Icing On The Cake (Novel) – Capítulo 05.2 Online


Modo Claro

5. Medovik (Parte 2)

O homem, sorrindo com deboche para Yurij como se dissesse “relaxa”, passou por ele e se dirigiu aos caixas. Quando sumiu completamente de vista, Yurij se aproximou imediatamente do balcão e perguntou:

—Quero comprar um neutralizador, onde eu encontro?

—Os neutralizadores eu tenho que entregar pessoalmente. O senhor tem cartão do plano de saúde?

—Deixei em casa. Vou comprar sem ele.

A farmacêutica foi até as prateleiras, procurou o medicamento, colocou-o diante de Yurij e depois perguntou em voz bem baixa:

—O senhor veio aqui uns dias atrás, não foi? Com outro homem alto.

Depois, erguendo um pouco mais a voz, perguntou de novo:

—Sem plano, são 32 dólares. Como deseja pagar?

Yurij tirou lentamente a carteira e entregou dinheiro em espécie, respondendo em voz baixa à pergunta anterior da farmacêutica:

—Por que a senhora pergunta?

—O homem de agora pouco estava procurando a pessoa que veio com o senhor naquele dia. O de óculos escuros e máscara.

A farmacêutica, fingindo contar o dinheiro, murmurou rapidamente e depois trouxe o troco da caixa registradora interna. Ao colocar as moedas diante de Yurij, acrescentou:

—Meu marido é ex-policial, então eu entendo um pouco. Muitos detetives foram policiais antes. Mas é raro encontrar alguém que passe aquela sensação.

A farmacêutica de meia-idade ergueu um pouco a vista e, depois de encontrar os olhos de Yurij, deu-lhe um conselho em voz baixa.

—Tome cuidado.

A farmacêutica virou as costas e entrou, como se dissesse que não se intrometeria mais. Yurij, sem hesitar, pegou o neutralizador e o troco, depois saiu com um passo moderadamente rápido em direção à saída. Antes de sair, checou a área dos caixas, mas o homem de antes já não estava lá.

«…Merda.»

Sua localização estava exposta. Talvez não soubessem o endereço exato da casa de campo onde Cheriot estava hospedado, mas era certo que um mercenário enviado pelos Guardiões o tinha seguido até Big Fox.

Quando? Como o encontraram?

Depois de entrarem na rodovia, Alexei tinha informado que o rastro de seu veículo tinha sido perdido, então não o tinham seguido pelo carro. Descobrir algo além disso seria impossível sem ajuda de uma agência governamental, e ter um funcionário desse nível envolvido também não fazia sentido; se fosse o caso, já teriam descoberto o endereço.

Teriam rastreado o GPS do telefone? Não sabia exatamente quando Cheriot tinha desligado o telefone, mas parecia que tinha sido ao chegar neste lugar. Ainda assim, não fazia sentido. Se tivessem conseguido rastrear o GPS, o teriam encontrado muito antes.

Refletindo sobre onde tinham descoberto seu rastro, decidiu primeiro voltar rápido, planejar trocar de carro, se livrar do telefone de Cheriot e mudar de lugar. Embora sua ansiedade crescesse, em momentos assim sua mente precisava se manter fria. Apertou o punho com força e depois, com dificuldade, soltou-o enquanto respirava fundo. Como se zombasse de seu desejo de que tudo passasse sem problemas, a realidade chegou assim que terminaram os dias de sonho com Cheriot. Sem sequer lhe dar tempo de assimilar, tudo aconteceu rápido demais.

Enfiou o neutralizador na sacola de papel com a bebida e caminhou o mais possível para a parte externa, até chegar ao fim do estacionamento. Ao subir no carro, deixou a sacola no banco do passageiro e ao mesmo tempo digitou o código secreto na maleta que tinha colocado no chão.

Clac. O mecanismo de travamento soou ao se abrir e a maleta se abriu. Dentro havia uma pistola Glock 19 e três caixas de cartuchos de 9mm. Depois de passar rapidamente os olhos pelo cano preto que não segurava havia muito tempo, Yurij carregou rapidamente o carregador, guardou a arma na cintura, baixou a camisa para cobri-la e ligou o motor.

Ao sair do estacionamento, Yurij checou alternadamente o retrovisor central e os laterais para confirmar que não o seguiam. Mas na estrada de volta quase não havia outros carros além do dele, e os poucos que pareciam segui-lo logo pegaram outro caminho.

Ainda assim, não podia se confiar. Às vezes seguiam à distância deliberadamente, então voltar imediatamente para casa seria um erro. Como não queria deixar nenhum elemento de ameaça perto de Cheriot, Yurij decidiu assumir o risco de um trajeto mais longo.

Ao pegar o telefone para avisar que chegaria tarde, percebeu que nem sequer tinham trocado números. Só Alexei tinha o contato de Cheriot e, como depois estiveram sempre juntos, ele não perguntou. Ou talvez fosse mais exato dizer que nem lhe ocorreu. Perguntar o número de alguém era um ato muito estranho para Yurij.

«Agora sim eu posso pedir. Preciso me preparar caso aconteça outra situação assim… e se algum dia ele me convidar pra casa dele, vou ter que entrar em contato.»

Lembrando da conversa que tiveram ao sair da casa de campo, Yurij apertou as mãos no volante.

«Vou pedir o número quando voltar. Se eu conseguir despistá-los direito, nada vai acontecer com o Cheriot. Vai ser assim.»

Pisando fundo no acelerador, checou as mensagens para contatar Heather como plano alternativo. Como pouquíssimas pessoas se comunicavam com ele, a mensagem de Heather estava logo abaixo da de Alexei. Aparecia que ela tinha enviado uma mensagem dizendo que chegou em segurança depois de se separarem no hotel, sete dias antes.

Sem parar de vigiar o retrovisor, ligou para Heather. Felizmente, ela atendeu quase no primeiro toque.

[—Yurij! Você está bem esse tempo todo? Fiquei muito preocupada depois daquele dia. Embora o Alexei tenha me dito uma coisa estranha, que você estava se divertindo.]

Apesar da conversa que tiveram no elevador, Heather, como se não se importasse, perguntou alegremente como ele estava. Suas palavras de preocupação soaram incômodas em seus ouvidos.

—Estou bem. Heather, desculpa ir direto ao ponto, mas você poderia ligar pro Cheriot? Agora mesmo.

[—Ah, hein?! Vocês não estão juntos? Espera um momento!]

Embora surpresa, Heather seguiu obedientemente as palavras de Yurij. Como ele tinha notado antes, apesar de sua alegria quase preocupante em situações normais, em momentos críticos ela fazia o necessário de imediato, uma de suas qualidades admiráveis.

Ouviu-se que Heather largou o telefone e apertou botões em outro. Também se ouviam vozes suaves de outras pessoas ao redor, ela parecia estar no escritório.

Enquanto ele continuava dirigindo e vigiando a parte de trás, Heather voltou. Como não se ouviu nenhuma conversa nesse tempo, parecia improvável que ela tivesse obtido a resposta que ele desejava.

[—Yurij, o telefone está desligado. Eu lembro que também estava desligado quando tentei contatá-lo nesses últimos dias… O que houve? Vocês estão separados?]

«Ah, droga. Eu falei pra ele manter desligado caso houvesse algum rastreamento.» Uma ruga profunda apareceu na testa de Yurij, que até então mostrava uma expressão impassível. As veias azuis saltavam de leve no dorso de suas mãos, que agarravam o volante.

—Não, a gente esteve junto o tempo todo. Eu só queria verificar se tinha acontecido alguma coisa enquanto eu estava fora, e eu não tenho o número do Cheriot…

[—Hein? Depois de estarem juntos vários dias?]

Heather apontou justamente o que já o inquietava. Ao pensar que deixar Cheriot sozinho tinha sido um erro, surgiu nele a consciência de ter sido excessivamente otimista e imprudente. «Em que base eu confiei pra acreditar que nada aconteceria durante o tempo em que a gente ficasse separado? Mesmo que o Cheriot possa fazer isso, eu não devia ter feito», repreendeu-se com força.

—É, eu não devia ter feito isso.

Talvez notando a rigidez em sua voz, Heather tentou mudar o clima com um tom alegre.

[—Se vocês estiveram juntos o tempo todo, é compreensível. Então, você está indo agora pra onde o Cheriot está?]

—Sim. Vou já.

Bem quando ele, respondendo com dificuldade, tentava encerrar a ligação, Heather o deteve.

[—Então, você poderia perguntar uma coisa pro Cheriot? Originalmente eu estava investigando a pedido do senhor Alexei, mas acontece que ele também não deu sinal nos últimos dois dias. Será que tem alguma tendência estranha nisso?]

—Pode falar.

[—Escutei do senhor Alexei que a razão pela qual o grupo Guardiões do Inferno persegue o Cheriot não é por rancor pessoal, mas por um contrato. Que diabos está acontecendo? Depois você vai ter que me contar. Enfim, por isso eu investiguei a fonte dos recursos. Se fosse dinheiro lavado ilegalmente teria sido difícil rastrear, mas felizmente o dinheiro entrou através de uma empresa de fachada. Não sei muito mais, mas descobri uma coisa. Embora tenha passado por vários países, o lugar de origem do dinheiro foi Boston.]

Ao escutar as últimas palavras de Heather, a conversa que tinham tido naquele dia passou pela mente de Yurij.

—Se é Boston, esse deve ser o lugar da família do Cheriot.

Sussurrou sozinho, mas Heather entendeu perfeitamente.

[—Ding dong, correto! Se você sabe disso, parece que vocês ficaram bem próximos nesses dias, né? É informação difícil de saber só procurando na internet.]

A tensão que mantinha sua mente rígida se aliviou um pouco com aquelas palavras. Soltando um suspiro baixo, Yurij lembrou dos últimos dias e afirmou com uma voz mais suave.

—Melhor que antes. Ele tem boa habilidade social.

[—Hein?]

Heather soltou um som como de surpresa.

[—O que houve? Yurij, você está soando um pouco diferente do habitual…]

—…Nada importante. Heather, acho que preciso ir agora. Por via das dúvidas, tome sempre cuidado e peça ao Alexei que alguém leve e traga você.

[—Um senhor chamado Timac já me leva e me traz no caminho do trabalho! Ele disse que vai ser assim por um tempo, será que eu não estou causando muito incômodo?] Veio-lhe à mente o rosto zombeteiro de Timac, que não via ultimamente. «Embora ele não seja muito bom em brigas, sua habilidade de fuga é excepcional, então vai ficar tudo bem.»

—Na verdade, é mais provável que o Timac cause incômodo pra você.

[—Não, ele é tão agradável e divertido. Graças a ele também ganhei um bom amigo. Você também tome cuidado, Yurij.]

—Sim.

Bem antes de desligar, Heather hesitou e disse algo.

[—Ah, desculpa te segurar, Yurij. Mas acho que preciso dizer isso. O Cheriot é uma pessoa tão boa que talvez não pense nisso, mas… a mim me inquieta que a origem do dinheiro seja Boston. A família Goodnight é conhecida em Boston como uma família rica e proeminente na comunidade. E quanto mais dinheiro há numa família, mais provável é que haja conflitos internos. Descobri ao investigar que os membros da família do Cheriot não se visitam com tanta frequência. Em especial, ouvi dizer que a mãe do Cheriot é filha de um fazendeiro que veio do Canadá, um casamento não muito bem recebido. Então…]

Ele já intuía o que ela queria dizer. Embora Cheriot tivesse falado sobre sua família, ao que parecia a situação era mais complexa do que ele pensava. Haveria tristeza escondida sob aquele lindo sorriso? De repente, Yurij se sentiu preocupado.

«Agora que penso nisso, o Cheriot disse que “Anna Kariênina” era um dos seus livros favoritos. No mundo existem muitas formas de família, e à primeira vista não dá pra saber muita coisa. Me pergunto por que, entre tantos livros, o Cheriot mencionou justamente aquele que trata da infelicidade familiar.»

—Então, pode ser que alguém da família esteja envolvido.

[—Parece que sim.]

Heather concordou com um suspiro e depois compartilhou algo crucial.

[—O fundo fiduciário que o Cheriot herdou é enorme, porque pula uma geração. Dentro do GRAT[1], foram depositadas ações e títulos de propriedade no valor de 300 milhões de dólares, além de uma grande quantia em dinheiro. E o seguro de vida pela morte do pai dele não está incluído, então com certeza é ainda mais.]

Embora fosse apenas uma suposição baseada numa pista, Yurij sabia muito bem, até a exaustão, que quase todos os crimes aconteciam por dinheiro. Por mais moralmente que uma pessoa tivesse vivido, quantas vezes traíram sua consciência diante de uma quantia que podia mudar suas vidas por completo. Não, mesmo sem ser uma grande quantia… Yurij tinha vivido entre caras que matavam por uns poucos milhares de dólares.

[—Então continue vigiando ao lado dele. Entre os familiares que se aproximam dele, pode haver alguém com algum motivo. Não me atrevo a dizer isso ao Cheriot, só confio isso a você. No fundo, eu preferiria que fosse um terceiro, mas…]

Apareceu uma bifurcação no caminho. Se pegasse à direita, escolheria o caminho de volta; se fosse pela esquerda, se atrasaria muito mais, mas poderia despistar qualquer possível perseguição.

Checou o retrovisor mais uma vez, mas não havia nenhum carro seguindo-o de imediato. Entre o desejo de ir direto para Cheriot e a ansiedade pela ameaça que tinha enfrentado antes, hesitou e escolheu a esquerda.

«Se soubessem a localização do Cheriot, não teriam necessidade de sair perguntando por aí. Pelo contrário, pelo fato de eu ter me exposto, poderia surgir um perigo maior.» Pela primeira vez em muito tempo, procurou um Deus no qual não acreditava.

«Se existe mesmo um deus nesta terra, que ele não leve a vida de uma pessoa como o Cheriot, deixando pra trás a minha vida humilde.»

—Vai ficar tudo bem.

Encerrando a ligação com Heather, declarou:

—Aconteça o que acontecer, eu vou protegê-lo.

Para proteger Cheriot, Yurij era capaz de qualquer coisa. Embora tivesse pensado que nunca mais sentiria isso depois da morte da mãe, ainda restava uma faísca desse sentimento dentro dele.

Sua alma perguntou até onde ele poderia ir…

Yurij sabia a resposta.

Notas

[1] Grantor Retained Annuity Trust (GRAT).

。・゚♡゚・。。・゚♡゚・。

Continua….

⌀ ⌀ ⌀

✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna

Ler Icing On The Cake (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse: 
Chegou um convidado indesejado.
Um dia aconteceu algo estranho na vida de Yurij Kiselyov, que havia vivido no fundo da sociedade lidando apenas com gente da mesma laia que ele. Recebeu a incumbência de proteger Cheriot Goodnight, um famoso atleta norte-americano muito distante de sua pessoa repugnante.
—De perto você é ainda mais bonito, gato.
Desde o primeiro encontro, Yurij sentiu que ele e Cheriot não eram compatíveis. Apesar de ambos serem alfas, Cheriot flertava descaradamente com ele. Yurij pensou que jamais conseguiria se aproximar de uma pessoa assim.
—Então você era lixo, Yurij.
E, como era de se esperar, mal assumiu a incumbência, a relação entre Cheriot e ele logo tomou o pior rumo. Cheriot, que odiava profundamente os criminosos, ao descobrir a verdadeira identidade de Yurij o rejeitou sem hesitar com palavras cortantes, demonstrando uma forte hostilidade, ao contrário da atitude proativa e próxima que tinha antes.
Mas o que Yurij achou que fosse um simples drama passional se transformou em uma ameaça à vida de Cheriot, e Yurij, a contragosto, assumiu o papel de protegê-lo temporariamente até que encontrasse um novo guarda-costas.
—Você não disse que não queria tocar em gente ruim?
—Te odiar e te tocar são duas coisas diferentes.
Embora soubesse claramente que Yurij era um criminoso, Cheriot, ao contrário da atitude que mostrou no início, em algum momento começou a desconcertá-lo com palavras doces que não paravam.
—Por quem você me toma, Yurij? Para te carregar no colo me sobra força. Os jogadores de hóquei não são bons só de briga, também são fortes.
—Você gosta desse tipo? Qualquer ômega serve para você?
—Por mais que eu olhe, não sou eu o mais bonito? Mesmo se você considerar pelo lado da fofura, não continuo sendo eu o mais fofo?
O homem, a quem ele só havia considerado uma pessoa superficial, colocou nas mãos de Yurij coisas que ele nunca havia conseguido segurar, como se não fosse nada, e no fim fez com que Yurij cobiçasse sentimentos que jamais deveria almejar.
Embora soubesse que era alguém com quem não podia ter um relacionamento, sem que percebesse uma faísca se acendeu no coração de Yurij, e começou sua campanha devota para proteger Cheriot.
Nome alternativo: Cherry On Top Icing On The Cake

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