Ler Deflower Me If You Can (Novel) – Capítulo 123 Online


Modo Claro

Toc, toc, toc.
Toc, toc, toc.
Diante do leve som dos golpes na porta, Bliss, que estava se revirando de um lado para o outro na cama, sobressaltou-se e endireitou o corpo. “Será que é aquele desgraçado?”, pensou. Enquanto o esperava em segredo, prendendo a respiração tomado pela expectativa, uma voz gentil ecoou do outro lado:
— Bliss, Bliss! Sou eu, Penélope. Você poderia abrir a porta para mim?
“É a Penélope.”
Decepcionado, ele acabou desabando os ombros, e a governanta voltou a chamá-lo:
— Abra só por um instante. Você passou esse tempo todo sem comer nada, não é? Não está curioso para saber o que eu trouxe?
“Eh?” No mesmo segundo em que as orelhas de Bliss se ergueram em alerta, Penélope, como se pudesse prever a reação dele através da porta de madeira, continuou com a voz banhada em riso:
— Eu trouxe um chá preto preparado com folhas fresquinhas e uma torta de creme de limão que combina perfeitamente com ele. Venha dar uma olhada. Mmm, o aroma está realmente maravilhoso.
“Limão! Creme! Torta!”
Eram palavras mágicas, capazes de fazê-lo arregalar os olhos de par em par. De imediato, sua boca encheu-se de saliva, e Bliss teve que limpá-la às pressas com o dorso da mão. Enquanto encarava a porta com os olhos brilhando de desejo, ele baixou o olhar para a barra de cereal proteica que segurava na mão. Não tinha um gosto ruim, mas também não era algo que ele fizesse questão de ficar mastigando repetidas vezes.
“Até agora eu consegui aguentar firme…”
Mas já era o quarto dia de confinamento, e ele estava atingindo o limite de suas forças.
Afinal de contas, era uma tarefa ingrata manter-se de pé apenas à base de petiscos e barras de cereais. Não haveria problema em comer só um pedacinho, haveria? Além do mais, Penélope tinha se dado ao trabalho de preparar aquelas delícias e carregá-las até ali por pura consideração.
E os agrados não paravam por aí.
— Bliss, eu também trouxe alguns sanduíches. Não acha que eles ficariam deliciosos acompanhados de uma bebida gaseificada bem gelada? São sanduíches realmente divinos, preparados com um molho especial que o chefe de cozinha fez.
Gruuug.
Sem o menor senso de oportunidade, um ronco estrondoso reverberou de seu estômago. Bliss, que até então acariciava a pele retraída de seu abdômen, soltou a barra de cereal discretamente de lado. Ainda assim, a dúvida persistia e ele hesitava em abrir a porta. Penélope, após um breve instante de silêncio, murmurou com um tom de voz completamente desolado:
— Bliss, por favor. Estou tão preocupada… Fico com o coração na mão pensando que você possa ter desfalecido aí dentro. O Conde também não tem conseguido dormir nada. Ele está extremamente preocupado por você não ter tocado na comida.
Após fazer o apelo, Penélope colou a orelha na porta. Ela mantinha-se em alerta máximo, concentrando toda a sua atenção para captar o menor indício de movimento vindo do lado de dentro.
E então, ao ouvir o clique nítido da maçaneta girando, ela sobressaltou-se e recuou em um salto. Logo em seguida, a porta abriu-se fresta por fresta, e Bliss colocou o rosto para fora com timidez:
— É verdade…?
“Isso!”
Penélope comprimiu os lábios com força para conter o sorriso radiante que queria se abrir em sua face e forçou uma feição pesarosa:
— Sim. Por isso, tente dar ao menos uma bocada. Está recheada com creme de limão, uma verdadeira delícia.
Quando ela ergueu levemente a bandeja para exibi-la, os olhos de Bliss acompanharam o movimento de imediato. O aroma agridoce e fresco espalhou-se pelo ar do corredor e, no mesmo instante, as feições rígidas de Bliss relaxaram por completo. Ahh… Exibindo um semblante transbordando felicidade, ele pareceu recobrar a postura um segundo depois; arregalou os olhos de golpe e, após pigarrear com um “ahem”, disparou:
— Eu… bem, então… quem sabe eu não devesse provar apenas uma fatia?
E, abrindo a porta de par em par, ele afastou-se para o lado dando passagem:
— Entre, Penélope. Embora este seja um aposento bem humilde.
— Oh, muito obrigada pelo convite, Bliss. Com licença, então.
Penélope cruzou o umbral do quarto exibindo um sorriso iluminado, caminhando com passos leves e saltitantes. Sob circunstâncias normais, os aposentos destinados aos funcionários dispunham apenas de um armário embutido, uma cama e uma escrivaninha de pequeno porte, mas no quarto de Bliss haviam montado especialmente uma mesa de chá acompanhada de duas cadeiras. Pensando que havia sido uma excelente ideia ter providenciado aquela mobília com antecedência, Penélope acomodou a bandeja sobre a mesa e aguardou por ele. Somente após o dono do quarto acomodar-se em uma das cadeiras, ela empunhou a faca e começou a fatiar a torta.
— Vamos, experimente. O aroma está incrivelmente fresco, não acha? Foi preparada com limões selecionados a dedo.
Após servir uma generosa porção em um prato, Penélope estendeu-a para que Bliss a degustasse, enquanto vertia o chá fumegante em uma xícara e a posicionava logo ao lado do prato.
— Está simplesmente maravilhoso!
Diante da exclamação deslumbrada de Bliss, Penélope assentiu com a cabeça, satisfeita:
— Coma bastante. Que alívio, de verdade.
Acomodando-se com elegância na cadeira oposta, ela serviu uma xícara de chá para si mesma e deu continuidade à conversa:
— Eu estava à beira de um ataque de nervos vendo você passar todo esse tempo sem se alimentar. Se você recusasse o meu apelo desta vez, eu já estava planejando arrastá-lo para fora daqui à força.
Por um breve instante, Bliss interrompeu o movimento do talher e fixou os olhos arregalados em Penélope. Ela devolveu um sorriso doce e brando, acrescentando em um tom reconfortante, como se dissesse para ele não se afligir:
— Se algo de errado acontecesse com a sua saúde, teríamos um problema gravíssimo em mãos, então eu pretendia chamar um médico para examiná-lo de qualquer forma. Mas você parece bem forte e saudável, o que me deixa muito mais tranquila. Você não faz ideia do tamanho da preocupação que tomou conta de mim e do Conde.
— Ah… haha.
Bliss sorriu de forma amarela e sem jeito enquanto levava a xícara de chá aos lábios. Somente após molhar a garganta é que ele tomou a iniciativa de perguntar com cautela:
— O Conde… ele realmente estava tão preocupado assim comigo?
Diante do questionamento incrédulo de Bliss, Penélope respondeu elevando o tom de voz com clara dramaticidade:
— Mas é claro que sim! Estou lhe dizendo, o Conde não conseguia pregar o olho um minuto sequer, com a cabeça totalmente voltada para você, Bliss.
— Mas o Conde nunca consegue dormir direito quando está sozinho mesmo.
Ao ouvir Bliss apontar cirurgicamente para o cerne da questão, Penélope sobressaltou-se por um instante:
— Bem, sim, de fato ele sempre teve esse problema, mas…
Recuando estrategicamente um passo em sua argumentação, ela mudou a tática e prosseguiu:
— Mas desta vez a situação foi completamente diferente. Como eu poderia explicar…? Não foi o caso de o sono simplesmente não vir, mas sim de ele estar consumido por uma enxurrada de preocupações.
— Preocupações? Por eu não estar comendo?
Ao ouvir a pergunta de Bliss, Penélope soltou um suspiro profundo de forma deliberada e apoiou a lateral da face sobre uma das mãos, inclinando a cabeça:
— Obviamente. Além do mais, você permaneceu trancado aqui dentro sem colocar os pés para fora do quarto. Seria impossível para qualquer um não ficar apreensivo.
Diante daquela justificativa, Bliss optou pelo silêncio e levou mais um pedaço de torta à boca. Enquanto mastigava sem emitir som, parecendo imerso em seus próprios pensamentos, Penélope o observava sentindo uma nítida tensão interna. Somente após engolir o bocado e tomar mais um gole do chá preto é que Bliss finalmente quebrou o silêncio:
— Se ele nem sequer gosta de mim, por que insiste em dizer que está preocupado? Ele bem que poderia simplesmente me ignorar.
“É só porque eu sou um Miller”, pensou Bliss consigo mesmo.
“O único motivo para aquele desgraçado estar arrancando os cabelos de preocupação por minha causa é o papai. Se não fosse por isso, ele não teria razão alguma para dar a mínima para alguém de quem ele claramente não gosta. Ele está morrendo de medo de o papai ficar furioso com ele. Com certeza é isso!”
Convencido de sua própria teoria, Bliss ergueu os olhos e sobressaltou-se. Penélope o encarava exibindo uma feição de extrema complacência e satisfação:
— Isso é algo que ninguém pode afirmar com total certeza.
Penélope quebrou o silêncio ao notar a confusão estampada no rosto de Bliss:
— Bliss, o Conde definitivamente nutre um carinho muito especial por você. O único detalhe é que ele próprio ainda não se deu conta disso.
— Eu não acredito nisso de jeito nenhum.
Quando Bliss rebateu exibindo uma feição completamente emburrada e de poucos amigos, a governanta moveu as mãos no ar enquanto soltava risadas brandas:
— Às vezes, existem homens que, na ânsia de proteger seu orgulho tolo e inflado, não conseguem admitir com facilidade os próprios sentimentos. O Conde é simplesmente um desses homens cabeçudos.
“Será que é verdade?”
Se aquela conversa tivesse acontecido tempos atrás, ele sem dúvida alguma teria acreditado piamente nas palavras de Penélope de olhos fechados. Mas agora Bliss tinha consciência da realidade. Penélope não era o seu par destinado e, além do mais, ela agia sob as diretrizes de Cassian.
— Não se aflija. Tudo acontece no seu devido tempo. É só que o momento certo de vocês dois ainda não chegou.
Após consolá-lo mais uma vez daquela maneira, Penélope bebericou o chá com total tranquilidade e pousou a xícara sobre a superfície da mesa:
— A propósito…
Ela ergueu levemente o olhar e, exibindo um sorriso despretensioso, introduziu o assunto desejado:
— Como é a pessoa que você diz ser o seu noivo?
A abordagem repentina pegou Bliss totalmente desprevido, fazendo com que ele quase se engasgasse com o líquido. Ele tossiu repetidas vezes, tentando engolir o chá às pressas:
— Cof, cof!
Quando ele finalmente conseguiu recuperar o fôlego, Penélope, fingindo-se sobressaltada, perguntou em tom de urgência:
— Meu Deus, Bliss! Você está bem?
— Sim, sim… Eu estou… estou bem. Cof, eu estou bem.
Penélope continuou a olhá-lo com um semblante carregado de falsa preocupação enquanto ele respondia a duras penas:
— Deve ser porque você passou muito tempo em jejum e, de repente, colocou alimento no estômago. Coma devagar. Eu posso trazer o que você quiser da cozinha.
— Não, não… Eu já estou melhor.
Bliss respondeu apressadamente e largou o garfo sobre o prato. Ele já havia devorado metade da torta de limão. Seu estômago agora encontrava-se plenamente satisfeito, mas uma sensação de que todo o sacrifício feito até ali havia sido jogado no lixo o invadiu.
“Eu planejava aguentar firme até que aquele desgraçado viesse pessoalmente me implorar…!”
Lamentando sua própria falta de força de vontade diante da gula, ele deixou escapar um suspiro desanimado. No entanto, um problema ainda maior já se desenhava bem diante dele.
Penélope permanecia estática na cadeira, aguardando pacientemente por uma resposta. Sem vislumbrar outra saída para escapar da saia justa, Bliss abriu a boca apenas para ganhar tempo:
— M-meu noivo…?
— Sim, ele mesmo.
Penélope assentiu com a cabeça e reforçou os questionamentos:
— De que linhagem familiar ele descende? Qual é a profissão dele? Como é o temperamento e a personalidade dele?
Após despejar a enxurrada de perguntas, ela acrescentou com cautela e em tom de confidência o último detalhe:
— E qual é o segundo gênero dele?

Continua…

•Raws, Revisão & Tradução: Othello

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Sinopse:
Bliss Miller, o filho mais novo da família Miller e um ômega dominante, apaixona-se à primeira vista por Cassian Strickland quando ainda era criança. Chega até a pedi-lo em casamento com a inocência da sua idade.
Cassian, herdeiro da poderosa família Strickland, não leva a sério essa promessa e eles se separam após um ano. No entanto, Bliss nunca esquece o que aconteceu.
Anos depois, ao ver por acaso o rosto de Cassian no noticiário, lembra-se de tudo o que aconteceu entre eles. A promessa, a traição e a humilhação que sofreu. Decidido a se vingar, Bliss toma uma decisão extrema: infiltrar-se na casa de Cassian como empregado para fazer com que aquele homem arrogante acabe de joelhos pedindo perdão.
Mas o reencontro entre ambos não será tão simples como ele imaginava.

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