Ler Deflower Me If You Can (Novel) – Capítulo 124 Online


Modo Claro

Diante daquela última pergunta, os olhos de Bliss arregalaram-se de par em par. Todas as perguntas que Penélope fizera até então eram coisas sobre as quais ele jamais havia parado para pensar, mas aquela última superava todas.
O que ele deveria responder? O que ele faria agora?
“Rápido, rápido, funcionem, minhas pequenas e adoráveis células cerebrais!”
— Bem, veja bem, aquilo… quero dizer…
Por mais que colocasse a cabeça para funcionar em um desespero total, suas células cerebrais não faziam outra coisa senão correr em círculos, sem conseguir produzir uma única resposta convincente.
“Ah, que droga! Mas que cabeça de vento!”
— Bliss, Bliss!
Diante do chamado insistente de Penélope, Bliss parou de esmurrar a própria cabeça de uma vez.
— M-meu noivo, não é?
Massageando com a palma da mão a região que havia ficado dolorida, ele forçou um sorriso amarelo. Penélope continuava a fitá-lo com uma feição intrigada enquanto avaliava suas reações. Enquanto isso, do lado de dentro de sua mente, o caos permanecia generalizado.
“O que eu faço? O que eu faço?”
Foi exatamente nesse instante de puro pânico que uma de suas células cerebrais, que até então estava em absoluto repouso, acendeu um alerta para um ponto que ele não havia considerado.
“Por que a Penélope está me fazendo esse tipo de pergunta logo agora?”
A dúvida que de repente atravessou seus pensamentos o deixou completamente atordoado.
“Realmente, isso é muito esquisito. Até hoje ela nunca tinha me perguntado uma única palavra sobre o meu noivo, não é? Então por que cargas d’água resolveu interrogar logo agora? E justamente em uma situação como esta?”
No segundo seguinte, outra célula cerebral que andava perambulando por ali soltou um estalo. O motivo era óbvio!
“Será que ela não passa de uma espiã enviada por aquele desgraçado?!”
Ao ponderar sobre essa hipótese, todas as peças do quebra-cabeça se encaixaram perfeitamente. Na época em que ele ainda acreditava piamente que Penélope era o seu par destinado, jamais cogitaria uma coisa dessas. Mas agora ele tinha plena consciência da realidade.
Penélope era uma confidente que agia sob as ordens diretas daquele homem.
“Sendo assim, por que aquele canalha mandou ela me fazer essas perguntas?”
Bliss observou Penélope de soslaio, com os olhos estreitados em pura suspeita, enquanto fingia dar um gole no chá preto. Ele simulou estar refletindo sobre a resposta para ganhar tempo, mas sabia que não poderia esticar aquela corda por muito além disso. Após soltar um breve suspiro, ele finalmente abriu a boca:
— A verdade é que eu não sei muito bem.
— Hum? Como assim não sabe? — Penélope perguntou, visivelmente sobressaltada, e Bliss assentiu com a cabeça.
— ​Sim. Apenas me comunicaram o fato. Disseram que eu tenho um noivo e que irei me casar daqui a… uns dois ou três anos.
​Ele esteve a ponto de soltar um “quando eu atingir a maioridade”. Ao mudar a escolha das palavras na velocidade da luz, ele quase mordeu a própria língua, mas conseguiu contornar a crise e finalizar a frase com sucesso.
“Será que vai dar certo? Será que a Penélope vai engolir uma desculpa dessas…?”
Ao avaliá-la de relance, seu palpite se confirmou: Penélope exibia uma fisionomia estranha e estava com o cenho completamente franzido.
“Como eu imaginei, essa mentira não colou!”
No exato momento em que ele começou a empalidecer de nervoso, Penélope quebrou o silêncio, ainda ostentando as sobrancelhas unidas:
— Casar-se com alguém sobre quem você praticamente não sabe nada? Por acaso isso faz algum sentido?
Bliss moveu as mãos rapidamente no ar, tratando de negar a afirmação dela:
— N-não. Não é que eu não conheça a fisionomia dele. Eu já vi o rosto dele, sim.
— Sério? E que tipo de homem ele é? — Penélope insistiu na mesma hora.
É claro que ele também já tinha um roteiro preparado para aquela réplica.
Trazendo à memória a imagem de “determinada pessoa” que permanecia vívida em sua mente, Bliss passou a descrevê-la detalhadamente, item por item:
— Hum, ele tem os cabelos castanho-escuros. Os olhos dele também são dessa mesma cor. Ele ostenta uma barba bem cheia, mais ou menos deste tamanho aqui, contornando o maxilar. Ele é mais baixo que o Conde, mas é bem mais alto do que eu. E, além de tudo, tem um porte físico extremamente robusto.
Ele estava descrevendo, com precisão cirúrgica, a fisionomia exata do chefe de sua equipe de segurança.
Como estava baseando seu relato em alguém que de fato existia no mundo real, toda a descrição ganhou um tom infinitamente mais convincente.
Com aquele argumento, seria impossível Penélope não morder a isca.
“Ela vai acreditar… não vai?”
Enquanto a observava tomado pela inquietação, Penélope, que acariciava o próprio queixo como se estivesse imersa em profundas reflexões, voltou à carga com mais uma pergunta:
— Perfeito, agora eu já consegui visualizar o tipo físico dele. Mas qual é a ocupação dele? O que esse homem faz da vida?
“Não resta a menor dúvida, ela é mesmo uma espiã infiltrada daquele desgraçado!”
Diante daquele novo questionamento, Bliss alcançou a certeza absoluta. Afinal de contas, Penélope estava exigindo detalhes minuciosos demais. Até poucas horas atrás, ela jamais havia demonstrado o menor vislumbre de interesse pelo assunto.
— Eu não sei muito bem — desta vez, Bliss optou por esquivar-se de uma resposta direta. — Só sei que o meu pai determinou que eu deveria me casar com esse sujeito, então eu simplesmente aceitei que as coisas seriam assim. Eu não tenho o menor interesse nele.
Agindo dessa forma, mesmo que a farsa viesse à tona em um momento futuro, ele não teria maiores dores de cabeça para se justificar.
— Meu Deus do céu.
Penélope deixou escapar uma exclamação penalizada e, em um ato contínuo, puxou um lenço para enxugar os cantos dos olhos:
— Mas que situação terrível! Casar-se com alguém cujo rosto você mal deve ter visto uma única vez na vida… O senhor Miller passou de todos os limites. Em pleno século vinte e um, insistir em arranjar um matrimônio tão retrógrado e antiquado assim!
— Ah… haha, pois é…
Bliss reagiu com um sorriso amarelo e desconfortável, voltando a baixar o olhar para o prato. Ele sentiu uma pontada no peito por ver o pai ser criticado daquela maneira, mas não tinha outra alternativa no momento.
“Me desculpe, papai. Assim que eu retornar para casa, eu vou implorar pelo seu perdão.”
Após se redimir mentalmente com Ashley, ele acrescentou em tom de conformismo:
— De qualquer forma, essa é uma decisão que já foi devidamente tomada, então não há nada que possa ser feito. Eu não tenho nenhuma escolha.
— Não, de jeito nenhum! Bliss, você não pode aceitar uma coisa dessas de braços cruzados! — Penélope rebateu suas palavras com total firmeza. — Bliss, você já tem alguém de quem gosta de verdade. Sendo assim, você não pode simplesmente jogar a toalha e desistir. Não, mesmo que essa pessoa não existisse, um casamento nesses moldes é algo totalmente inadmissível. No mínimo, vocês deveriam se conhecer pessoalmente, conversar cara a cara e namorar por algum tempo. Isso não faz o menor sentido. De verdade, é um absurdo sem tamanho.
— Mas…
Diante das contestações de Penélope, que insistia em repetir os mesmos argumentos exaustivamente, Bliss respondeu sem a menor energia:
— De qualquer forma, o Conde não nutre o menor sentimento por mim…
— Isso é a mais pura mentira! Acredite em mim!
Penélope segurou a mão de Bliss em um movimento abrupto por cima da mesa e disparou com total convicção:
— O Conde é completamente apaixonado por você, Bliss. Essa é a verdade. Não desista. Muito em breve ele vai acabar cedendo e deixando de lado toda aquela teimosia!
É claro que Bliss não engoliu aquela história. Para começo de conversa, como ele seria tolo o bastante para dar crédito às palavras de Penélope, sabendo que ela estava ali cumprindo uma missão a mando de Cassian? Por acaso ele se deixaria ser feito de bobo duas vezes? Nem pensar.
Sem fazer a menor ideia do turbilhão de suspeitas que passava pela cabeça de Bliss, Penélope afrouxou o aperto em sua mão e levantou-se da cadeira:
— Por hora, trate de descansar. Mais tarde, certifique-se de comer os sanduíches também. Além disso, eu vou providenciar algumas bebidas refrescantes para deixar aqui, então lembre-se de ir bebendo aos poucos. Se você quer continuar resistindo e mantendo sua posição, o mais importante de tudo é não deixar as forças se esgotarem.
E, ao finalizar a instrução, ela piscou um dos olhos em um gesto cúmplice e emendou:
— Eu vou guardar o seu segredo a sete chaves. Vou reportar ao Conde que eu lhe trouxe os alimentos, mas que você os rejeitou veementemente. Dessa forma, aquele homem vai se corroer de tanta preocupação, não acha?
— Ah… sim.
Diante daquela declaração totalmente inesperada, Bliss respondeu gaguejando, completamente atônito com a reviravolta. Penélope já se preparava para deixar o recinto exibindo um semblante saltitante quando, de repente, estacou no meio do caminho.
— Ah, é mesmo.
Ela girou o corpo, como se tivesse acabado de se lembrar de um detalhe crucial que havia deixado passar batido, e questionou Bliss novamente:
— E qual é o segundo gênero dele?
— Eh?
A pergunta veio de forma tão abrupta que Bliss limitou-se a ecoar a palavra de forma automática. Sendo assim, Penélope reforçou o questionamento:
— Qual é o segundo gênero daquele homem? Isso com certeza você deve saber, não é?
Afinal de contas, se eles estavam formalmente noivos com o propósito de contrair matrimônio, era mais do que óbvio que ele deveria ter conhecimento desse detalhe. Bliss puxou o ar com força por um instante antes de formular a resposta:
— Sim, ele é um alfa.
Na realidade, o chefe de sua equipe de segurança era um beta convicto, mas aquele detalhe não fazia a menor diferença. Afinal, tratava-se de um personagem fictício construído a partir de traços visuais de terceiros.
— Entendi… Perfeito.
Penélope assentiu com a cabeça e, sem qualquer transição, mudou o rumo da conversa:
— A propósito, Bliss. Você é um ômega, correto?
— Eh? Sim…
E, mentalmente, Bliss acrescentou: “Muito provavelmente”.
Se Penélope de fato o tivesse visto durante sua infância na residência do ducado, ela saberia que ele já havia manifestado seu subgênero. E, mesmo que esse não fosse o caso, Cassian muito bem poderia ter confidenciado esse detalhe a ela…
No exato momento em que ele articulava esse raciocínio, Penélope deu continuidade ao assunto exibindo uma feição profundamente séria:
— Não me interprete mal, Bliss. É que… até o presente momento eu não havia me dado conta disso, mas eu não consigo captar o menor vestígio de aroma de feromônios vindo de você. Por acaso você está fazendo uso de supressores?
— Eh? Não…
Bliss respondeu com total sinceridade.
— Hum, o meu aroma é praticamente imperceptível, então eu não tenho a menor necessidade de tomar esse tipo de medicamento.
A pura verdade era que ele sequer havia passado pelo seu primeiro período de cio até então. Não era o caso de seu aroma ser meramente sutil ou discreto; a realidade era que ele não exalava fragrância alguma.
Ao ouvir aquela justificativa, as feições rígidas de Penélope relaxaram por completo, como se um grande peso tivesse sido removido de seus ombros:
— Sério? Se é assim, que enorme alívio…
Bliss imaginou que, com aquilo, ela finalmente se retiraria de seus aposentos, mas, contra todas as expectativas, Penélope hesitou por um breve instante antes de voltar a falar com extrema cautela:
— Eu estou tocando nesse assunto apenas por precaução, mas se você estiver fazendo uso de qualquer substância desse tipo, peço que me diga a verdade. Não é nada saudável submeter o corpo ao uso prolongado de supressores. Como todos os funcionários que residem neste castelo são betas, você não precisa se dar ao trabalho de camuflar seus feromônios e nem se forçar a ingerir remédios.
As palavras de Penélope carregavam um tom de sinceridade tão genuíno que Bliss sentiu uma onda de calor confortante inundar um pedaço de seu coração. Ele assentiu com a cabeça de prontidão:
— Sim, não precisa se preocupar com isso. Eu não estou tomando nenhum tipo de medicamento.
— Que bom, fico muito mais tranquila então.
Após esboçar um sorriso aliviado, Penélope despediu-se e cruzou a porta do quarto. E assim, Bliss finalmente encontrava-se sozinho mais uma vez.

Continua…

•Raws, Revisão e Tradução: Othello

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Sinopse:
Bliss Miller, o filho mais novo da família Miller e um ômega dominante, apaixona-se à primeira vista por Cassian Strickland quando ainda era criança. Chega até a pedi-lo em casamento com a inocência da sua idade.
Cassian, herdeiro da poderosa família Strickland, não leva a sério essa promessa e eles se separam após um ano. No entanto, Bliss nunca esquece o que aconteceu.
Anos depois, ao ver por acaso o rosto de Cassian no noticiário, lembra-se de tudo o que aconteceu entre eles. A promessa, a traição e a humilhação que sofreu. Decidido a se vingar, Bliss toma uma decisão extrema: infiltrar-se na casa de Cassian como empregado para fazer com que aquele homem arrogante acabe de joelhos pedindo perdão.
Mas o reencontro entre ambos não será tão simples como ele imaginava.

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