Ler Deflower Me If You Can (Novel) – Capítulo 122 Online

Capítulo 122
Não era como se tudo fosse uma completa mentira. Claro que, no fundo, a única verdade ali era o fato de que “Larien tinha demorado uma eternidade para atender às ligações”.
Gulp. Bliss engoliu em seco, sentindo o coração tenso enquanto olhava para cima. O chefe da equipe de segurança mantinha os olhos fixos nele, com uma expressão transbordando desconfiança. Aquele olhar parecia o de um agente interrogando um espião de uma nação inimiga; Bliss sentiu o estômago revirar de nervoso, mas precisava resistir. Se ele desabasse no choro e confessasse tudo ali mesmo, aquele seria o fim de seus planos.
“Me desculpe, chefe da segurança! Mas eu prometo que vou fazer a Larien ligar para você de qualquer jeito. Só preciso de um pouco de tempo…!”
Um silêncio pesado e sufocante se arrastou pelo ar. Um segundo, dois segundos, três segundos…
— Hum.
O chefe da segurança, que massageava o queixo com uma expressão profundamente séria, finalmente abriu a boca. Gulp. Bliss engoliu a saliva com a garganta seca e cerrou os punhos com força, aguardando as próximas palavras. O homem continuou com um semblante solene:
— Se é assim, não há outro jeito. Teremos apenas que esperar, conforme as instruções do jovem Bliss.
Ainda tenso por dentro, Bliss piscou os olhos e olhou para o homem. O chefe da segurança, que até então encarava Bliss fixamente, desviou o olhar para o lado antes de acrescentar:
— Hum… Em contrapartida, você poderia me fazer o favor de transmitir um recado para a Larien? Diga a ela… que eu comprei aquelas luvas novas que acabaram de lançar e que gostaria de testá-las. São luvas grandes, do tamanho exato das mãos da Larien, e elas têm um aroma adocicado… idêntico ao perfume dela.
“Por que diabos um par de luvas teria cheiro?”, pensou Bliss, achando aquilo extremamente bizarro. No entanto, sabendo que não era hora de perder tempo fazendo perguntas, ele apenas assentiu com a cabeça de prontidão:
— Entendi, vou passar o recado. Agora o senhor precisa ir!
— É sério, você tem que transmitir sem falta! Antes que todo o perfume das luvas evapore…
— Sim, sim, sem falta! Com certeza!
Reforçando a promessa, Bliss começou a dar passos lentos para trás, distanciando-se. Percebendo que aquela era a deixa ideal para se retirar, o chefe da segurança recuou com agilidade e, de repente, desapareceu em meio à escuridão da noite.
“Uau! Então é isso o que chamam de um verdadeiro agente das forças especiais.”
Bliss piscou os olhos, tomado por uma admiração renovada, e girou o corpo num sobressalto. Pensar em voltar correndo para o quarto para saborear aquelas barras de cereal fez com que seus passos ficassem mais leves do que nunca. E assim, no instante em que ele também sumiu de vista num piscar de olhos, Cassian foi a única pessoa que restou naquele lugar.
Quem diabos era aquele homem?
Cassian segurava a própria cabeça entre as mãos, afundado em um redemoinho de dilemas. Ele havia passado a noite inteira em claro remoendo aquela cena, mas simplesmente não conseguia decifrar o que estava acontecendo.
“Quem é ele para conseguir invadir o meu jardim com tanta facilidade e sumir logo em seguida?”
Como ele jamais havia cogitado a hipótese de uma invasão até então, era natural que a segurança da propriedade fosse um tanto relaxada. Contudo, agora que as coisas haviam chegado a esse ponto, ele precisaria reforçar drasticamente a guarda e até mesmo soltar os cães de caça pelos arredores. Tudo para garantir que uma situação absurda daquelas nunca mais se repetisse.
…Porém.
Não importava o quanto ele quebrasse a cabeça, nenhuma resposta parecia fazer sentido. Qual era a verdadeira identidade daquele brutamontes barbudo?
Para Bliss se dar ao trabalho de se esgueirar daquele jeito para se encontrar com alguém às escondidas — e ainda por cima no jardim de sua própria casa —, a situação era simplesmente ultrajante. Além disso, no instante em que se viram, o garoto havia se lançado nos braços do homem em um abraço apertado.
“Isso significa que a relação deles está longe de ser comum.”
Assim que seus pensamentos atingiram esse ponto, a linha de raciocínio de Cassian retornou estonada ao ponto de partida. Afinal de contas, quem era aquele sujeito?
— Conde, o senhor está bem?
Ao ouvir a voz ecoar de repente acima de sua cabeça, Cassian despertou de seus devaneios. Quando ergueu os olhos, deparou-se com Penelope segurando um bule de chá. Percebendo que ela acabara de servir a bebida em sua xícara, ele piscou os olhos e soltou um som vago:
— …Estou bem.
“Provavelmente”, acrescentou ele mentalmente. Penelope, com um semblante visivelmente preocupado, continuou:
— O seu semblante está péssimo. O senhor tem passado as noites em claro novamente, não é?
— O quê? Ah… bem, sim, acho que sim.
Cassian respondeu de forma desatenta e levou a xícara aos lábios. As palavras de Penelope não estavam totalmente erradas; ele de fato vinha sofrendo de insônia.
No entanto, a causa de seu desvelo na noite anterior havia sido completamente diferente do habitual. Ele passara a madrugada inteira atormentado, tentando decifrar quem era o homem com quem Bliss tivera aquele encontro secreto; em vez de conseguir pregar o olho, ele sequer conseguiu se deitar na cama. Ele passara o tempo todo andando de um lado para o outro do quarto, tão imerso em seus questionamentos que nem percebeu o dia amanhecer.
“Eu deveria ter saído do esconderijo na mesma hora e pego aquele desgraçado pelo colarinho.”
Um arrependimento tardio o invadiu, mas logo ele balançou a cabeça negativamente. Se tivesse feito isso, acabaria entregando o fato de que estava espionando os dois às escondidas. E, em um pior cenário, Bliss poderia acabar descobrindo que ele pretendia ir até o quarto dele por pura preocupação.
“É claro que isso estaria fora de cogitação.”
Para começo de conversa, ele sequer deveria ter ido atrás dele. Deveria ter simplesmente ignorado aquele protesto infantil de uma criança mimada. Afinal de contas, ninguém morre por passar dois ou três dias sem comer. Ao alcançar esse pensamento, Cassian rangeu os dentes e disparou uma enxurrada de xingamentos mentalmente contra si mesmo.
“Seu lixo desgraçado… Como você pode ser capaz de pensar uma atrocidade dessas?”
A lógica de que não haveria problema em deixá-lo passar fome era, sem dúvida, um erro crasso. Como Penelope ainda o observava atentamente, ele não pôde descontar a frustração esbofeteando a própria face; em vez disso, mordeu o lábio inferior com força antes de soltá-lo, afundando mais uma vez em seus pensamentos severos.
“O que diabos eles ficaram fazendo ali?”
Além de estar morrendo de curiosidade para descobrir a identidade do sujeito, ele também não conseguia entender o motivo de terem escolhido justamente o seu jardim para encenar aquela palhaçada. A dinâmica dos dois parecia a de duas pessoas que haviam passado muito tempo separadas e finalmente desfrutavam de um reencontro emocionante…
Espere um pouco.
Ao chegar a essa dedução, Cassian endireitou a postura de forma instintiva e fixou o olhar no horizonte. A imagem daqueles dois não se assemelhava perfeitamente à de um par de amantes que se reencontrava após uma separação? Para que aquele tampinha corresse tão radiante de alegria para os braços de alguém, a ligação entre eles com certeza precisava ser profunda. Sem contar que fazia uma eternidade que ele não via Bliss sorrir e tagarelar daquela maneira tão genuína.
“No passado, era para mim que ele sorria e tagarelava daquele jeito.”
Embora fizesse apenas alguns dias desde que tudo mudara, aquela época já parecia fazer parte de um passado remoto e intangível. Bliss agora se recusava a ficar no mesmo ambiente que Cassian e sequer dava as caras pela casa, mas abria sorrisos e conversava animadamente com aquele sujeito que parecia um bandoleiro das montanhas?
— Aquela capivara…
Cerrando os punhos com força por puro impulso, Cassian foi atingido por um estalo repentino. Não podia ser… Seria possível? Não, mas e se realmente fosse?
— Penelope.
— Sim, Conde — respondeu a governanta prontamente ao ouvir o tom de voz baixo do patrão.
Cassian manteve os olhos fixos em um ponto distante e indagou:
— Você me disse uma vez que aquele garoto tinha um noivo, não é?
— Aquele garoto…? Ah, o senhor se refere ao jovem Bliss? Sim, de fato eu mencionei isso.
Penelope devolveu a resposta esperada, mas inclinou a cabeça para o lado com um ar de estranheza:
— Mas por que esse assunto surgiu do nada?
Cassian olhou de relance para a própria mão oculta sob a mesa. Forçando-se a relaxar os dedos que estavam comprimidos com uma força desnecessária, ele reergueu o olhar e perguntou:
— Por acaso… você já viu o rosto dele?
— Hum? Não, nunca.
Penelope respondeu pega de surpresa, voltando a inclinar a cabeça:
— Eu apenas ouvi os comentários a respeito. Por que a pergunta, afinal?
Era perfeitamente compreensível que ela estivesse curiosa. Afinal, nem o próprio Cassian conseguia entender o motivo de estar agindo daquela forma. Ainda assim, ele levou uma das mãos à testa e, com uma expressão carregada de seriedade, insistiu no questionamento:
— Então você chegou a ouvir qualquer detalhe sobre que tipo de sujeito ele é? De que família ele vem, ou qual é a sua ocupação?
— Não, absolutamente nada. Mas por que tanto interesse, senhor?
Penelope repetiu a pergunta, sentindo-se intrigada, até que um estalo repentino pareceu iluminar sua mente:
— Por acaaaso, Conde… o senhor finalmente começou a se interessar pelo noivo do jovem Bliss?
Cassian fez questão de desviar o olhar para ignorar a expressão maliciosa da governanta, que agora cobria a boca com uma das mãos, e respondeu de forma ríspida:
— Que absurdo, claro que não. Eu apenas me lembrei disso de repente.
— Sim, sim… Claro que foi isso.
Obviamente, uma governanta experiente como ela não se deixaria enganar tão facilmente. Diante daquela reação dela, que soltava risadinhas abafadas contra a palma da mão, Cassian resmungou, irritado:
— Escute aqui…
— Mas se o senhor desejar, eu posso dar um jeito de descobrir essas informações.
Ao ouvir a proposta de Penelope, Cassian hesitou por um instante. Como exatamente ela faria isso? Seria possível que Penelope, a quem ele sempre enxergou como uma governanta comum, escondesse algum segredo do passado? Quem sabe ela não era uma ex-agente do MI6 ou algo do gênero…?
Como se estivesse lendo a enxurrada de teorias mirabolantes que ganhavam forma na mente de seu patrão, ela respondeu com total leveza:
— Ora, basta eu perguntar diretamente ao jovem Bliss.
— Ah…
Diante de uma resposta tão óbvia e anticlimática, Cassian sentiu toda a tensão acumulada em seus ombros desaparecer em um suspiro de frustração. Soltando um murmúrio desanimado, ele indagou com o cenho franzido:
— E como pretende fazer isso? Aquele garoto está trancado no quarto e se recusa a sair para qualquer coisa.
No exato momento em que verbalizou a frase, as lembranças da noite anterior inundaram a mente de Cassian mais uma vez, fazendo com que ele voltasse a cerrar os punhos com força. Quem diabos era aquele maldito sujeito, afinal?
Percebendo a reação desconfiada e inquieta do patrão, Penelope exibiu um sorriso repleto de autoconfiança:
— Deixe isso comigo. Hoje eu pretendo levar até o quarto dele uma torta de limão com creme que está incrivelmente perfumada, acompanhada de um chá preparado com as folhas frescas que recebemos ontem. Duvido muito que ele consiga resistir e se negue a abrir a porta.
Em seguida, ela exibiu um sorriso cúmplice e misterioso:
— Confie em mim, Conde. Eu trarei informações valiosíssimas para o senhor.
• Continua…
• Raws, Tradução e Revisão: Othello&Belladonna
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Sinopse:
Bliss Miller, o filho mais novo da família Miller e um ômega dominante, apaixona-se à primeira vista por Cassian Strickland quando ainda era criança. Chega até a pedi-lo em casamento com a inocência da sua idade.
Cassian, herdeiro da poderosa família Strickland, não leva a sério essa promessa e eles se separam após um ano. No entanto, Bliss nunca esquece o que aconteceu.
Anos depois, ao ver por acaso o rosto de Cassian no noticiário, lembra-se de tudo o que aconteceu entre eles. A promessa, a traição e a humilhação que sofreu. Decidido a se vingar, Bliss toma uma decisão extrema: infiltrar-se na casa de Cassian como empregado para fazer com que aquele homem arrogante acabe de joelhos pedindo perdão.
Mas o reencontro entre ambos não será tão simples como ele imaginava.