Ler Deflower Me If You Can (Novel) – Capítulo 116 Online


Modo Claro

Capítulo 116

 

— Sim, ele está bem de saúde.
Diante da resposta de Cassian, ela assentiu com uma expressão satisfeita e depois direcionou sua atenção para Bliss, que havia descido logo atrás dele.
— Bli, Blair também parece saudável. Presumo que também não houve nenhum problema, certo?
Diante daquele olhar cheio de curiosidade, Bliss ergueu a vista para Cassian. Ele estava ajeitando as roupas com indiferença.
Como ele finge bem que não é com ele.
Pensando nisso, Bliss respirou fundo. Agora é a hora!
Exatamente agora!
Bliss ergueu os olhos com ferocidade e, olhando para Cassian, gritou em voz alta:
— Tudo está bem, exceto pelo fato de que este desgraçado está me traindo!
Nesse instante, a mão de Cassian, que segurava o colarinho do seu terno, ficou rígida; Penelope arregalou os olhos; e todos os empregados ao redor ficaram horrorizados.
Enquanto todos prendiam até a respiração e o lugar ficava submerso no silêncio, apenas Bliss bufava com força pelo nariz enquanto fulminava Cassian com o olhar.
32. Passou-se um tempo que pareceu eterno. Embora, na realidade, não tivessem sido mais do que alguns segundos, todos os que estavam ali se lembrariam depois daquele momento assim:
— Foi como se toda a vida que me restava tivesse passado diante dos meus olhos.
— I-isso, o que… o que está acontecendo?
A primeira a falar foi Penelope. Embora tenha gaguejado com uma expressão que deixava evidente o seu desconforto, pelo menos conseguiu emitir algum som. Ao ouvi-la, Cassian recobrou a compostura e abriu a boca como de costume.
— A comida está pronta?
— Hã? Ah, ainda são apenas quatro horas… Quer que eu prepare agora?
Diante da pergunta repentina, Penelope se sobressaltou novamente e respondeu apressadamente. Cassian continuou falando como se nada tivesse acontecido, embora seu rosto estivesse incomumente pálido.
— Não. Primeiro traga chá preto e alguns petiscos. E… Bli… Blair também deveria comer algo.
— S-sim.
“Este desgraçado?”
Ao ver Penelope responder às pressas e Cassian tentar ir embora o quanto antes, uma veia saltou na têmpora de Bliss. Ele não tinha a menor intenção de deixá-lo escapar assim. Era o momento pelo qual estivera esperando desde a noite anterior. Será que ia deixar passar batido? Nem sonhando!
— Pare bem aí, Cassian Strickland! Para onde você pensa que está fugindo?!
— B-Bli! Não, Blair!
Assim que ele gritou a plenos pulmões, Penelope empalideceu novamente e tentou desesperadamente conter Bliss. Mas Bliss não parou e continuou berrando com Cassian.
— Cassian, sou eu! Sou eu! Eu sei que você sabe de tudo! Já passou da hora de confessar. Maldito desgraçado! Cassian! Mmph!
Cassian virou-se bruscamente e tapou a boca dele. Incapaz de fazer mais do que emitir sons abafados de protesto sob aquela grande palma, Bliss só conseguiu produzir:
— Mmph, mmph!
Sorrindo, Cassian lhe disse:
— Parece que você está muito cansado, a julgar pelas bobagens que está dizendo. Penelope, leve o chá e os petiscos para o meu quarto. Os dele também.
Depois de dar as instruções para a governanta, ele voltou o olhar para Bliss e acrescentou:
— Vamos para o quarto? Se comer alguns biscoitos e dormir um pouco, vai recuperar o juízo. Até lá, é melhor descansar no meu quarto.
— Mmph! Mmmph! Mmph, mmph!
Bliss continuou se debatendo sem parar, mas não adiantou nada. Cassian o ergueu com facilidade, colocou-o debaixo de um braço e, mantendo a boca dele tapada com a outra mão, subiu as escadas. Subindo de três em três ou quatro em quatro degraus de cada vez, desapareceu num instante. Os empregados só conseguiram ficar ali, ainda atordoados, piscando enquanto contemplavam a cena.
A primeira a reagir foi Penelope. Ela piscou várias vezes e depois bateu palmas apressadamente para tirar todos do transe.
— Certo, certo, todos reajam. Vocês ouviram as ordens do Conde, não é? Vamos nos mexer. Eu vou preparar o chá; Mary, você cuida dos petiscos. Os outros, voltem para os seus postos. Vamos! O Conde voltou, então há muito trabalho a fazer. Mexam-se! Rápido!
Diante das repetidas cobranças da governanta, os empregados finalmente começaram a se dispersar, ainda confusos e sem saber muito bem o que pensar. Mas isso não significava que o incidente chocante que tinham acabado de presenciar desapareceria de suas mentes.
— Aquele bastardo ianque acabou de insultar o Conde?
Diante da pergunta incrédula de um dos empregados, outro homem respondeu, atônito:
— É o que eu estou dizendo. Vocês também ouviram, não foi? Achei que tivesse ouvido errado.
Então, começaram a se ouvir exclamações por todos os lados.
— Um ianque sem eira nem beira se atreve a falar assim com o Conde? Ele enlouqueceu de vez.
— Além disso, ficou chamando ele pelo nome como se não fosse nada. Juro que quase desmaiei.
— O que um americano vulgar vai saber? Como nós o tratamos bem, ele perdeu o medo de tudo.
— Você tem razão. Nós o tratamos bem demais todo esse tempo. Já deveríamos ter corrigido os modos dele há muito tempo.
— Ainda não é tarde. Já passou da hora de dar um pouco de “educação” para esse sujeito.
Diante daquelas palavras, todos trocaram olhares nada amigáveis. Então, outra mulher abriu a boca.
— Sim, não podemos continuar deixando passar para sempre. Temos que dar uma lição nele.
— Atrever-se a insultar o Conde… isso é um insulto para todos nós.
— Estou de acordo.
— Eu também.
— Eu também.
— Eu igual.
Depois de confirmarem que todos compartilhavam da mesma opinião, eles se entreolharam. O problema vinha a seguir: como iram castigar aquele americano insolente.
Enquanto permaneciam imersos em seus pensamentos, um deles falou:
— Tive uma boa ideia.
— Aaah!
Ele foi praticamente arremessado no divã, e Bliss caiu de bruços soltando um grito. Levantou a cabeça de golpe do assento macio e virou o pescoço bruscamente para fulminar Cassian com o olhar, enquanto gritava com todas as suas forças:
— Maldito! Mentiroso! Golpista!
— Sim, sim.
Como se já estivesse farto do assunto, Cassian respondeu distraidamente enquanto afrouxava a gravata. Ao vê-lo caminhar tranquilamente pelo quarto como se Bliss sequer existisse, tirando o paletó do terno e desabotoando a camisa branca, Bliss ficou indignado.
— Pare de fingir e confesse de uma vez! Você sabe quem eu sou!
Esperneando de frustração enquanto gritava, ele viu Cassian tirar as abotoaduras e deixá-las sobre a mesa de cabeceira antes de se virar para ele.
— É claro que eu sei, BliBlair.
— Não estou falando disso!
No fim, Bliss ficou de pé num salto, avançou contra Cassian e começou a desferir socos a torto e a direito.
— Eu sou Bliss, Bliss Miller! Você sabia disso há muito tempo e mesmo assim continuou fingindo que não sabia! Você me enganou!
— Eu nunca fiz isso.
— Fez sim!
— Não, BliBlair.
Cassian segurou as duas mãos de Bliss, impedindo-o de continuar batendo nele, e o encarou de cima enquanto murmurava em voz baixa:
— Você é BliBlair, não é? Um americano que veio aprender o ofício de mordomo e que por acaso é um parente distante da Penelope.
Bliss ficou tão estupefato que, por um momento, foi incapaz de responder. Que diabo há de errado com este desgraçado? Por que ele insiste tanto em continuar com isso?
— Me solta, me solta! Ngh!
Ele lutou com todas as suas forças, mas Cassian não se moveu um centímetro. Então, Bliss virou a cabeça bruscamente e mordeu o braço dele.
— Ai! Maldita capivara louca!
Quando Cassian gritou e largou suas mãos de repente, Bliss recuou apressadamente. Enquanto Cassian esfregava com uma das mãos o lugar onde tinha acabado de ser mordido e o fulminava com o olhar, Bliss não se deixou intimidar e gritou de volta:
— Desembuche e confesse logo! Por que continua fingindo que não sabe? Por que continua me evitando e se fazendo de desentendido quando você gosta de mim? Por quê? Desgraçado covarde! Um covarde que nem consegue dizer a verdade!
— Porque é assim que está estabelecido o mundo desta história!
No fim, incapaz de aguentar mais, Cassian gritou. Bliss ainda não tinha terminado de soltar todos os xingamentos que havia preparado quando ouviu aquelas palavras inesperadas e ficou momentaneamente desconcertado.
— …Mundo desta história? O que isso significa?
Diante daquela pergunta, feita enquanto seus olhos vagavam de um lado para o outro, Cassian simplesmente desviou o olhar sem dizer nada. Ele tinha consciência de que havia cometido um erro num surto de raiva, mas não queria admitir. No entanto, desta vez já não dava para escapar.
— Eu te perguntei o que você acabou de dizer! Que mundo desta história? Explique, rápido!
Bliss continuou pressionando-o sem trégua. No fim, Cassian cobriu o rosto com uma das mãos e soltou um longo suspiro.
— Haah…
Sentiu uma espécie de vazio ao perceber que as coisas tinham chegado a esse ponto, mas não havia mais nada a fazer. Finalmente, ele se rendeu e abriu a boca.
— Eu…
Antes de continuar, ele teve que soltar o ar profundamente mais uma vez.
De repente, o cansaço o invadiu e ele começou a sentir que já tanto fazia o que acontecesse. Sim, o que poderia piorar a essa altura? No fim, Cassian passou a mão pelo cabelo e olhou para Bliss. Sem desviar o olhar, encarando-o diretamente, ele falou:
— O mundo desta história em que eu sou apaixonado por você.

 

 

• Continua…

 

 

• Raws, Tradução e Revisão: Othello&Belladonna

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Sinopse:
Bliss Miller, o filho mais novo da família Miller e um ômega dominante, apaixona-se à primeira vista por Cassian Strickland quando ainda era criança. Chega até a pedi-lo em casamento com a inocência da sua idade.
Cassian, herdeiro da poderosa família Strickland, não leva a sério essa promessa e eles se separam após um ano. No entanto, Bliss nunca esquece o que aconteceu.
Anos depois, ao ver por acaso o rosto de Cassian no noticiário, lembra-se de tudo o que aconteceu entre eles. A promessa, a traição e a humilhação que sofreu. Decidido a se vingar, Bliss toma uma decisão extrema: infiltrar-se na casa de Cassian como empregado para fazer com que aquele homem arrogante acabe de joelhos pedindo perdão.
Mas o reencontro entre ambos não será tão simples como ele imaginava.

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