Ler Deflower Me If You Can (Novel) – Capítulo 117 Online


Modo Claro

. Capítulo 117

33.

Bliss apenas piscava os olhos, completamente atônito. Tinha ouvido claramente as palavras de Cassian, mas não conseguia processar o significado. Será que não havia entendido por se tratar de inglês britânico?
Diante daquela reação de Bliss, que apenas o encarava com um olhar perdido, Cassian sentiu um gosto amargo na boca. Pensou consigo mesmo que ele deveria ter ficado quietinho, e virou o rosto para o lado; mas esse detalhe milimétrico na sua movimentação fez Bliss despertar de seu torpor em um estalo.
— Es… espera um pouco. O que significa isso? Como assim, “o universo que foi estabelecido para eu gostar de você”? Não estou entendendo nada. Que papo é esse de universo? Do que diabos você está falando?!
Bliss segurou Cassian às pressas, despejando uma pergunta atrás da outra, até que finalmente se deu conta do real peso das suas próprias palavras. Não, não podia ser. …Impossível, não faria o menor sentido.
— Quer dizer, então…
Sua voz, agora sem forças, tremeu de leve. Bliss mordeu o lábio inferior e, reunindo toda a sua coragem, olhou para cima para encará-lo.
— Você não gosta de mim?
Ah. Cassian soltou um suspiro baixo. Ao notar o vislumbre de hesitação nos olhos trêmulos de Bliss, uma onda de arrependimento o atingiu. “Por que ele tinha que ser tão obstinado e insistir tanto em arrancar uma resposta?”, pensou, culpando o garoto internamente antes de abrir a boca.
— É por isso que eu disse para mantermos o universo intacto.
— Mas o que diabos isso significa?!
Bliss gritou de forma ríspida, mas sua expressão estava completamente desfigurada. Olhando de cima para o garoto, que parecia prestes a desabar em lágrimas a qualquer segundo, Cassian começou a falar com um tom de voz seco e mecânico:
— Você é Bli Blair, um parente distante de Penelope. Veio para cá temporariamente para aprender o ofício, e eu acabei me apaixonando por você. Esse é o universo que estabelecemos agora, entendeu?
— M-mas eu sou o Bliss…
— Não, você é o Bli Blair.
Cassian cortou a fala dele sem a menor piedade. Diante de um Bliss encolhido e paralisado, Cassian repetiu as palavras como se estivesse fazendo uma lavagem cerebral:
— E eu gosto de você, Bli Blair. Não é isso?
A última frase soou quase como uma imposição. Como se dissesse: “Aceite essa versão dos fatos de uma vez”. Embora fosse uma história absurda de acreditar, Bliss conseguiu compreender com dolorosa clareza o real significado por trás do que aquele homem dizia.
— Então… — Com um olhar de puro vazio fixado em Cassian, Bliss murmurou para si mesmo, como se estivesse em um devaneio: — Realmente… você não gosta de mim.
Por mais que ele estivesse fantasiando aquela ladainha sem pé nem cabeça, a verdade por trás de tudo era uma só: tudo tinha sido uma farsa. Cassian estava apenas “fingindo” encenar aquele papel. Sem uma única gota de sentimento genuíno.
Diante do sussurro de Bliss, Cassian desviou o olhar para o outro lado e respondeu friamente:
— Não precisa complicar as coisas, basta manter esse universo.
“E então eu também continuarei fingindo que gosto de você.” — Foi exatamente assim que Bliss interpretou a fala de Cassian. A mão que até então agarrava as roupas do homem perdeu as forças aos poucos, e sua cabeça pendeu totalmente para baixo.
“Eu não gosto de você.”
— Entendi… — Bliss murmurou bem baixinho. Cassian havia negado aquilo inúmeras vezes. Quem insistiu em não acreditar tinha sido o próprio Bliss. “Sim, o Cassian estava sendo sincero o tempo todo. Ele, verdadeiramente…”
Nunca tinha gostado dele.
— …Foi tudo uma mentira.
Ao ver Bliss repetir a mesma frase mais uma vez, Cassian hesitou por um momento, sem saber ao certo como reagir. Como o garoto estava de cabeça baixa, era impossível decifrar sua expressão exata, mas não restavam dúvidas de que não era um rosto muito alegre.
— U-hum. — Cassian soltou um pigarro para quebrar o gelo e mudou de assunto como se nada tivesse acontecido. — Você deve estar cansado, sente-se e descanse um pouco, Bli… Blair. A Penelope logo vai trazer um chá com alguns doces…
— Não, não precisa.
Bliss recusou a proposta sem sequer ouvir o final da frase. Enquanto Cassian hesitava, o garoto continuou com a cabeça baixa:
— Vou descansar no meu quarto. …Vai ser melhor assim.
Sua voz saía tão espremida que era impossível notar qualquer vestígio de vitalidade. Observando aquela silhueta se afastar com os ombros caídos e arrastando os pés, Cassian finalmente se sobressaltou e esticou o braço.
— Bli… Blair, espere um pouco…
Ele tentou correr para segurar Bliss, mas bem nessa hora batidas soaram e a porta se abriu em seguida.
— Trouxe o chá, Conde… Bli… Blair? O que houve?
Penelope, que empurrava um carrinho abastecido com chá e quitutes, começou a falar com um rosto iluminado, mas levou um enorme susto ao notar o estado de Bliss a poucos passos de distância. No entanto, sem dizer uma única palavra e mantendo a cabeça totalmente baixa, Bliss passou direto por ela e cruzou a porta.
— Bli… Blair. Blair? Blair!
Ela chamou por seu nome repetidas vezes, mas Bliss sequer olhou para trás. Sem conseguir correr atrás dele, Penelope assistiu àquela silhueta se distanciar sem saber o que fazer, e então virou-se para Cassian com os olhos arregalados.
— O que aconteceu aqui? Por que o Ble… quer dizer, por que o Bliss está agindo desse jeito?
O tom de voz mais agudo que o habitual deixava transparecer o tamanho do seu desespero naquele momento. Cassian, que até então mantinha o braço esticado no ar, abaixou o membro de forma sem jeito, lutando para encontrar as palavras certas. Com uma feição amarga, ele confessou:
— O Bli… Ble… não, o Bliss… descobriu tudo.
Depois de se embananar com o nome e balançar a cabeça com força para clarear as ideias, ele concluiu a frase, deixando Penelope ainda mais confusa.
— Descobriu? Descobriu o quê? O que diabos o Bliss descobriu? — Ela insistiu, demonstrando uma impaciência angustiante. Cassian hesitou por um instante antes de murmurar, tentando se justificar: — Não tive escolha, aquele garoto fez o maior escarcéu exigindo que eu dissesse a verdade.
— E o que foi que aconteceu, afinal?! Fale logo, este velho coração aqui vai acabar saindo pela boca de tanta aflição! — Penelope cobrava uma resposta enquanto esmurrava o próprio peito com os punhos. Sem saída, Cassian acabou desembuchando o que havia acontecido pouco antes.
— Eu disse a ele que estamos encenando uma peça. Que o Bliss veio para cá na condição de seu parente, Blair, e que eu estou apenas fingindo estar apaixonado por esse tal Blair.
— O quê?! Meu Deus do céu, como você pôde fazer uma crueldade dessas?! — Penelope soltou um grito estridente e deu um sobressalto. Como era a primeira vez que via sua governanta de longa data elevar a voz daquele jeito, Cassian assustou-se e deu um passo para trás sem perceber. Mas ela não parou por aí.
— Como teve coragem de dizer uma coisa dessas?! Mesmo que não fosse verdade, era isso o que você deveria ter dito de boca para fora?! Para o Bliss, que veio até aqui olhando única e exclusivamente para o Conde, o que o senhor acabou de dizer foi básico: “Eu não gosto nem um pouco de você, mas como preciso dormir, trate de ser obediente e faça tudo o que eu mandar”, não foi exatamente isso?!
— Eu não disse nesses termos.
— E qual a diferença?! Me diga, por favor, onde é que isso muda de figura?! — Penelope encurtou a distância, encurralando Cassian à medida que ele tentava recuar. Diante da fúria surpreendentemente avassaladora daquela governanta que costumava ser tão silenciosa e leal, Cassian ficou visivelmente desestabilizado.
— Eu apenas… disse a ele que continuaria fingindo que gostava dele, então era para ele ficar ciente disso.
— Meu Deus, meu Deus! Que tragédia! Ouvir uma atrocidade dessas… Que pena do meu pobre Bliss, o que vai ser dele?! — Penelope acabou puxando um lenço, cobrindo o rosto e caindo em um choro copioso. Diante da reação extrema da governanta idosa, Cassian começou a suar frio, sem saber como agir. Tinha achado a reação de Bliss um tanto fora do comum, mas ver a própria Penelope naquele estado o fez questionar: será que havia cometido um erro irreparável?
“Não, que tremenda bobagem.”
— Acalme-se, Penelope. Não há necessidade de pensar de forma tão extremista.
— Extremista?! O Conde não faz a menor ideia da gravidade real desta situação!
— Penelope, eu já disse que não é bem assim. — Cassian rebateu as palavras dela friamente. — O Bliss pode até estar em choque e desapontado agora, mas isso não vai durar muito. Aquele garoto esquece tudo num piscar de olhos. Amanhã mesmo ele vai estar tagarelando na minha frente como se nada tivesse acontecido.
Metade daquela afirmação era uma convicção sincera; a outra metade não passava de pura torcida. Cassian depositava suas fichas na mente simplória de Bliss. “Depois de uma noite de sono, ele vai esquecer tudo”, pensava.
No entanto, a linha de raciocínio de Penelope ia por um caminho completamente oposto.
— O senhor realmente não sabe de nada. Não tem a menor noção do que está prestes a acontecer de agora em diante.
— E o que eu poderia…
Cassian tentou contra-atacar mais uma vez, mas Penelope foi mais rápida e despejou as palavras com pressa:
— Preste bem atenção, Conde. O Bliss nunca mais vai depositar um pingo de confiança no senhor. Mesmo que no futuro o senhor decida abrir o seu coração e se confessar para ele com toda a sinceridade do mundo, o Bliss só vai enxergar desconfiança. Tem noção do quão assustador isso é? É claro que não sabe; se soubesse, não teria a cara de pau de me dizer que o Bliss esquece as coisas rápido ou algo do gênero.
“O quê? Cara de pau?” Cassian franziu o cenho e rebateu:
— Não acha que está pesando demais nas palavras?
Penelope respondeu de forma categórica:
— Perto do que o Conde disse para o Bliss, as minhas palavras são doces e suaves como algodão-doce.

 

 

• Continua…

 

 

• Raws, Tradução e Revisão: Othello&Belladonna

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Sinopse:
Bliss Miller, o filho mais novo da família Miller e um ômega dominante, apaixona-se à primeira vista por Cassian Strickland quando ainda era criança. Chega até a pedi-lo em casamento com a inocência da sua idade.
Cassian, herdeiro da poderosa família Strickland, não leva a sério essa promessa e eles se separam após um ano. No entanto, Bliss nunca esquece o que aconteceu.
Anos depois, ao ver por acaso o rosto de Cassian no noticiário, lembra-se de tudo o que aconteceu entre eles. A promessa, a traição e a humilhação que sofreu. Decidido a se vingar, Bliss toma uma decisão extrema: infiltrar-se na casa de Cassian como empregado para fazer com que aquele homem arrogante acabe de joelhos pedindo perdão.
Mas o reencontro entre ambos não será tão simples como ele imaginava.

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