Ler Deflower Me If You Can (Novel) – Capítulo 115 Online


Modo Claro

Capítulo 115

— Mas o que diabos é isso?
Bliss descontava sua raiva tardia esmurrando o travesseiro com força. Pensou que finalmente havia chegado a hora, mas aquele covarde acabou fugindo de fininho.
Até quando ele pretendia continuar fingindo que não sabia de nada?
— Logo ele, que disse que gostava de mim!
Mordendo a ponta do travesseiro sem motivo, Bliss bufou enquanto tentava organizar seus pensamentos. “Será que é aquilo de novo? Aquela velha história de ‘eu gosto de você, mas não o suficiente para te apresentar aos meus pais’?”
“Ou seja, talvez para ele tanto faça se eu sou o Bliss ou não.”
Diante daquele pensamento que cruzou sua mente de repente, Bliss soltou o travesseiro que agarrava com tanta força e encarou a parede com uma expressão vazia.
“Será que ele prefere continuar me tratando como um funcionário só porque é mais fácil de me usar como um brinquedo?”
Nesse exato momento, o sangue subiu à cabeça de Bliss e, tomado pela fúria, ele arremessou o travesseiro para longe.
— Canalha!
Com um baque seco, o travesseiro atingiu a parede e caiu no chão. Bliss arfava com os ombros trêmulos, mas, por alguma razão, sentiu suas energias se esvaírem de repente. Soltando um longo suspiro — fuuu —, ele desabou na cama e ficou piscando os olhos enquanto encarava o teto. A raiva avassaladora que sentia sumiu para algum lugar, dando espaço a uma sensação de puro vazio.
“Isso só significa que ele não me ama tanto assim…”
Bliss tateou a cama até encontrar o travesseiro restante e o abraçou com força. Ele não conseguia entender por que seu peito doía tanto, como se estivesse completamente oco. Encolhendo o corpo feito uma bola, ele segurou a respiração.
“Eu gosto de você, Blis… Blair.”
Ele tentou se lembrar da confissão de Cassian, mas seu coração já não disparava como da primeira vez. Pelo contrário, uma pontada gélida e dolorosa atingiu seu peito, fazendo-o fechar os olhos com força.
Após cerca de dez minutos naquele estado.
— Aquele bastardo… Como ele ousa me humilhar desse jeito bem diante dos meus olhos?!
Bliss levantou-se num salto e gritou. Ele simplesmente não podia deixar aquilo barato. Quando se sofre uma afronta, a única regra é devolvê-la na mesma moeda.
“Muito bem. Se você quer jogar assim, eu não vou mais ficar apenas assistindo.”
— Eu vou fazer você admitir com a sua própria boca!
Fechando os punhos com força e rangendo os dentes, ele encarou com determinação a direção onde presumia que ficava o quarto de Cassian.

* * *

— Fuuuu.

De volta ao seu próprio quarto, Cassian fechou a porta e só então conseguiu soltar um suspiro de alívio.
Foi por muito pouco.
— Que droga.
Passando a mão de forma ríspida pelos cabelos, ele caminhou lentamente enquanto afrouxava a gravata. Uma onda repentina de cansaço o atingiu. Utilizando o telefone do quarto, ele ligou para os funcionários ordenando que trouxessem bebida e, em seguida, desabou no sofá.
“Deu tudo certo, não deu?”
Com uma expressão séria, Cassian remoía os acontecimentos de pouco antes. Ao se lembrar de Bliss piscando aqueles olhos arregalados, a resposta parecia óbvia.
“Você está ferrado, Cassian Strickland.”
Sua racionalidade apontava o dedo em sua direção, mas Cassian se recusava a aceitar aquela realidade. “Não, está tudo bem. Eu agi como se nada tivesse acontecido e contornei a situação. Aquele garoto é um bobo, então é claro que ele não vai saber…”
Ao chegar a esse ponto de seus pensamentos, Cassian franziu o cenho.
“Bem, o Bliss não é nenhum bobo.”
Ele podia ter as suas excentricidades, mas definitivamente não era alguém estúpido. De vez em quando, era capaz de ter ideias surpreendentemente brilhantes e até de pegá-lo totalmente desprevenido.
Ao se lembrar daqueles olhos azuis brilhantes que o encaravam de baixo, o canto de sua boca curvou-se de leve em um sorriso. Ele soltou um pigarro — u-hum — e repreendeu a si mesmo internamente. “Chamá-lo de bobo… Que tremenda idiotice você acabou de pensar, Cassian Strickland. Além do mais, isso nem é verdade.”
“Quem agiu feito um bobo aqui foi você, Cassian Strickland.”
Após dar aquela bronca em si mesmo, ele voltou ao ponto inicial de seus questionamentos. Bliss não era bobo, de forma alguma. Sendo assim, existia a chance de ele ter descoberto tudo ali…
No exato momento em que esse pensamento sombrio cruzou sua mente, uma outra perspectiva lhe ocorreu.
“Mas ele é totalmente desprovido de faro para essas coisas.”
— Sim, exatamente. — Cassian verbalizou o pensamento em voz alta, como se tivesse encontrado uma luz de esperança. — É isso. O Bliss é inteligente, mas não tem a menor perspicácia para notar essas entrelinhas. Então ele com certeza não percebeu nada do que aconteceu.
“Com certeza. Como eu não pensei nisso antes? O Bliss provavelmente não pescou o real sentido do que eu disse. Sim, não há dúvidas.”
Bem nessa hora, batidas soaram à porta e um funcionário trouxe a bebida. Após dispensá-lo e ficar sozinho novamente, Cassian deu um gole generoso no copo, sentindo-se revigorado, e encorajou a si mesmo:
— Isso, o Bliss não sabe de nada. O universo dele não desmoronou.
De agora em diante, bastava tomar cuidado para manter as coisas como estavam. O deslize de antes havia sido perigoso demais. Se cometesse um erro daquele nível outra vez, seria o fim e ele seria desmascarado.
O fato de que ele já sabia a verdadeira identidade do garoto.
Ele precisava proteger aquele cenário fantasioso a todo custo. Não podia deixar que tudo desabasse agora.
“Mas eu já não tinha decidido revelar toda a verdade assim que voltássemos para o castelo?”
Diante daquela constatação repentina, ele paralisou o copo no ar bem no momento em que ia levá-lo à boca. Junto com o movimento, seus pensamentos também congelaram. Um segundo, dois segundos… O tempo continuava a correr, mas Cassian permanecia sentado sem sequer piscar os olhos.
“…Não há necessidade de pressa.”
Só depois de um tempo considerável ele finalmente levou o copo aos lábios. Não havia motivo para urgência, então ele poderia pensar no assunto com calma. Que grande dilema para se ter por causa de uma simples capivara.
Ele esvaziou o copo com o coração bem mais leve. Desde que havia chegado à propriedade do Duque, ele vinha sofrendo com a insônia, mas tudo bem. Eles voltariam no dia seguinte e ele poderia recuperar todas as horas de sono perdidas.
Desde que aquele amendoim estivesse por perto.
“Conde!”
Ao se lembrar do rosto adorável de Bliss olhando para ele, um sorriso suave surgiu nos lábios de Cassian. Assim que voltassem, ele pretendia pedir para prepararem alguma sobremesa deliciosa para o garoto. Crianças costumam gostar de doces.
Não era difícil imaginar Bliss exibindo uma feição de pura felicidade ao comer um bolo adocicado. Enquanto Cassian sorria relaxado saboreando seu uísque, no quarto do outro lado do corredor, Bliss descontava toda a sua fúria esmurrando o travesseiro como se fosse o próprio Cassian.

* * *

Na manhã seguinte, o céu amanheceu visivelmente nublado, e relâmpagos secos cruzavam as nuvens escuras de tempos em tempos. “O clima típico da Inglaterra”, pensou Cassian, mas a interpretação de Bliss era completamente diferente: “Humpf, até o céu está furioso junto comigo.”
Bliss lançou um olhar feroz na direção de Cassian, mas o homem, com a maior cara de pau do mundo, estava de costas para ele, despedindo-se calorosamente do casal de duques.
— Já vão embora? Que maldade. Deveriam ficar um pouco mais. — A Duquesa demonstrou sua lamúria abertamente, ao que Cassian respondeu com serenidade:
— Vou tentar encontrar uma oportunidade no futuro. Desta vez, tenho outros compromissos na agenda, então fica difícil estender a permanência.
Observando o filho pedir desculpas de forma tão polida, o Duque soltou um pigarro —
U-hum — para chamar a atenção. Assim que Cassian olhou para ele, o Duque finalmente falou:
— Se há compromissos, não há o que fazer. Mas da próxima vez, reservem um período mais folgado. — Em seguida, ele fixou os olhos ostensivamente em Bliss, que estava parado ao lado de Cassian, e acrescentou: — E certifique-se de trazer o Blis… Blair junto também.
— Obrigado, Duque. — Bliss fez uma reverência contida e fechou a boca em seguida. Cassian, que o olhava de soslaio sentindo uma pontada de ansiedade interna, fingiu tranquilidade e sorriu para os pais.
— Sendo assim, nós já vamos indo. Mãe, feliz aniversário mais uma vez.
— Sim, vão com cuidado. Blis, Blair… Façam questão de voltar. Espero que esse dia chegue o mais rápido possível.
Diante das palavras carinhosas da Duquesa, Bliss respondeu de forma dócil mais uma vez:
— Eu também vou ficar esperando por esse dia. Muito obrigado.
— Prometido, hein? — A Duquesa reforçou o pedido e o abraçou de leve antes de soltá-lo. O Duque repetiu o mesmo gesto e, em seguida, os dois entraram no carro. O casal de duques permaneceu parado diante da entrada principal, observando o veículo até que ele desaparecesse completamente de vista.
“Sinto muito, Duque, Duquesa.”
Bliss pedia desculpas a eles mentalmente. Seu peito estava carregado de culpa por ter sustentado aquela mentira, mas agora já era tarde demais para revelar a verdade. Para dizer a verdade, ele chegou a cogitar soltar aquela bomba durante o café da manhã, mas ficou com medo de que a Duquesa desmaiasse com o choque do impacto.
“Afinal, fui eu quem começou com essa farsa.”
Sentindo-se deprimido por ter enganado um casal tão bondoso, ele logo mudou o foco e lançou um olhar feio de soslaio para Cassian. “A culpa disso tudo é desse bastardo.”
— Quer almoçar assim que chegarmos? — Diante da pergunta de Cassian, Bliss continuou com os olhos semifechados em desdém e não respondeu. Ao notar a reação de Bliss, o homem soltou uma risada genuinamente divertida e deu um beliscão leve, sem machucar, na bochecha do garoto. — O que significa esse olhar petulante?
Ao ver que ele continuava rindo mesmo diante daquela cara feia, Bliss sentiu-se ainda mais irritado, perguntando-se o que raios aquele sujeito pensava que ele era.
— Humpf.
Soltando um bufo nasal, Bliss virou o rosto com ignorância e fixou os olhos na janela, deixando Cassian com uma expressão intrigada. Mas como o homem logo se recostou no banco e fechou os olhos como se nada estivesse acontecendo, era óbvio que ele havia deduzido que não passava de uma pirraça boba.
“Humpf, espere só para ver.”
Bliss abria e fechava os punhos repetidamente, mal podando esperar para que a silhueta do castelo finalmente surgisse no horizonte. E após algumas horas de viagem, a antiga fortaleza da família do Conde finalmente despontou em seu campo de visão.

* * *

— Sejam bem-vindos de volta, Conde!
Penelope, que já os aguardava do lado fora do castelo, recebeu-os com um sorriso radiante. Saindo do carro primeiro, Cassian espreguiçou as costas e perguntou a ela:
— Aconteceu algo na minha ausência?
— Não, claro que não. Tudo correu perfeitamente bem. — Em seguida, ela virou o rosto na direção de Bliss, que descia logo atrás. — O Blis, Blair também parece ótimo. A festa na propriedade do Duque foi divertida?
Diante daquele olhar carregado de curiosidade, Bliss ergueu os olhos para encarar Cassian. O homem apenas ajeitava as próprias roupas com total indiferença.

 

Continua…

 

• Raws, Revisão e Tradução: Othello

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Sinopse:
Bliss Miller, o filho mais novo da família Miller e um ômega dominante, apaixona-se à primeira vista por Cassian Strickland quando ainda era criança. Chega até a pedi-lo em casamento com a inocência da sua idade.
Cassian, herdeiro da poderosa família Strickland, não leva a sério essa promessa e eles se separam após um ano. No entanto, Bliss nunca esquece o que aconteceu.
Anos depois, ao ver por acaso o rosto de Cassian no noticiário, lembra-se de tudo o que aconteceu entre eles. A promessa, a traição e a humilhação que sofreu. Decidido a se vingar, Bliss toma uma decisão extrema: infiltrar-se na casa de Cassian como empregado para fazer com que aquele homem arrogante acabe de joelhos pedindo perdão.
Mas o reencontro entre ambos não será tão simples como ele imaginava.

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