Ler Cão Real. – Capítulo 62 Online


Modo Claro

Era o mesmo aeroporto para onde, alguns meses antes, Pavel havia arrastado Hayul à força em seu jato particular. Foi ali que ele conheceu Viktor pela primeira vez, e agora estava ali novamente, voltando a vê-lo no mesmo lugar. A diferença era que, desta vez, Pavel não estava presente.

Havia ainda outra diferença em relação àquela ocasião.

Na primeira vez em que pousaram ali, Hayul não passava de um convidado. Agora, porém, era um membro da família Kirov. Ele embarcou no jato particular na condição de cônjuge de Pavel Kirov, herdeiro de Oleg Kirov. Ao caminhar lado a lado com Viktor em direção à aeronave, toda a equipe responsável pelo jato saiu para recebê-los, curvando-se em cumprimento.

Assim que entrou no avião, até o comandante e o copiloto vieram cumprimentar Hayul.

— Vamos levá-lo com todo o conforto até o seu destino, senhora Kirov.

Ao ouvir aquelas palavras, a expressão de Hayul se fechou automaticamente. Achando que talvez tivesse cometido alguma gafe, o comandante ficou visivelmente constrangido e passou a observar Hayul com cautela. Vendo aquilo, Viktor interveio para aliviar o clima.

— Ah, o senhor Jin detesta mortalmente ser chamado de senhora, madame, ou qualquer coisa assim. É melhor chamá-lo apenas de sr. Jin.

O comandante sorriu, pediu desculpas e cumprimentou Hayul novamente, desta vez usando o tratamento “Sr Jin”, antes de voltar ao seu lugar.

— Já passou da hora de se acostumar com isso. O que tem de tão importante num simples tratamento para ficar se irritando toda vez? 

— Acho que chamar um homem de senhora ou madame simplesmente não faz o menor sentido.

— Você é teimoso até em coisas sem importância. 

Viktor riu baixo, cruzou as pernas, sentou-se confortavelmente e tirou um tablet da bolsa que havia levado. Ele parecia extremamente tranquilo. Hayul, no entanto, ainda sentia uma dor no peito que dificultava até a respiração. Ao perceber que ele não tocou na taça de champanhe que a comissária havia servido, Viktor voltou a falar.

— Não fique tão preocupado, aproveite para descansar. Aquele desgraçado do Pavel não morre assim tão fácil. Se você já está se esgotando assim, o que vai fazer depois? Só avisando: você está indo para lá não apenas como responsável pelo Pavel, mas também como membro da família Kirov. Existe a possibilidade de você ter que assumir assuntos que o Pavel não conseguiu resolver.

Hayul, que olhava pela janela, desviou o olhar e encarou Viktor.

— Igor Kuzmin é um Alfa real?

— É, sim. Afinal, ele também é um magnata mafioso de origem nobre.

— Não haverá problemas se ele for eliminado?

Viktor tirou os olhos do tablet e olhou para Hayul. Ao ver a expressão séria e endurecida em seu rosto, deu um meio sorriso.

— A limpeza será feita pela equipe especializada.

Era uma forma elegante de dizer que, se Hayul cometesse algum ato extremo, alguém trataria da “limpeza”.

— Entendo. Certo.

— Então você pretende dar um fim nele?

— Não posso perdoar o filho da puta que machucou meu marido.

—Ha ha ha. — Viktor caiu na gargalhada. — Se o Pavel ouvisse isso, ficaria tão feliz.

Hayul ignorou o comentário, levantou a taça de champanhe com borbulhas subindo e bebeu. Logo depois, a aeronave começou a se mover, correndo pela pista de decolagem. Era o momento de deixar a Rússia, para onde fora arrastado à força no passado, amarrado ao cinto de segurança, mas não se sentia particularmente emocionado. Quando foi arrastado dos Estados Unidos para a Rússia, Pavel estava sentado à sua frente, no lugar onde agora estava Viktor.

— Sem o Pavel aqui, parece tudo tão vazio, não acha?

Hayul não respondeu. Apenas virou o rosto novamente e voltou a olhar pela janela.

‘Vou matar esse bastardo, não vou deixar barato. Igor Kuzmin. Como ousa tocar no alfa que eu escolhi? Seu desgraçado.’

Por dentro, uma fúria vermelha fervia. Era uma sede de sangue intensa, algo que ele não sentia havia muito, muito tempo.

***

O clima da Alemanha era tão miserável quanto o da Rússia. Em vez de flocos de neve, uma chuva fria e cortante caía sobre o aeroporto onde os dois desembarcaram. Quem os recebeu foi um homem chamado Jülich. Ele acrescentou, em uma explicação breve, que atualmente era agente da SEK, a tropa especial da polícia alemã, e que, quando estava na Rússia, havia sido subordinado direto de Oleg Kirov. Ele cumprimentou Hayul com um aperto de mãos e um breve.

— Seja bem-vindo. Senhora Kirov.

A irritação subiu em ondas por dentro dele, mas Hayul se forçou a engolir o incômodo. Viktor estava certo. Não era hora de desperdiçar energia com esse tipo de besteira inútil. No carro a caminho do hospital, Jülich começou a falar sem parar.

— O velho Igor Kuzmin originalmente possuía uma enorme plantação ilegal de drogas em território russo. Como o senhor deve saber, o presidente da Rússia vem restringindo recentemente a escala dos negócios de mercado negro dos magnatas mafiosos aristocratas. Por isso, eles transferiram suas bases para regiões como América do Sul, Norte da Europa e Ásia, onde passaram a fabricar e distribuir drogas. Só que dessa vez, Pavel Kirov, seguindo ordens diretas do presidente, explodiu a enorme fábrica secreta de drogas de Igor em território russo. Nesse processo, ele também matou Alexei, o filho de Igor.

Dentro do carro que seguia para o hospital, Jülich despejava, um após o outro, os antecedentes de Igor Kuzmin.

— Alexei era o único filho de Igor. Ele está com os dentes rangendo de ódio, jurando queimar vivos não só Pavel, mas toda a família Kirov. E, aproveitando esta oportunidade, o próprio Pavel parece ter iniciado tudo, já preparado para exterminar completamente a família Kuzmin. Pelo que sei, Igor Kuzmin chegou a invadir a mansão Kirov e fez ameaças diretas. Bom, para ser sincero, pouco me importa quem vive ou morre. O problema é detonar bombas em território estrangeiro. Por causa disso, as autoridades alemãs estão em alerta máximo.

Jülich expôs minuciosamente cada ação que Pavel havia tomado na tentativa de capturar Igor Kuzmin. Chegou até a comentar que, considerando o valor astronômico dos prejuízos e indenizações, talvez as bases da família Kirov pudessem ser abaladas.

— Não consigo entender por que o senhor Pavel matou Alexei Kuzmin. Ele sempre foi alguém cuidadoso e extremamente racional. Deveria ter se limitado a destruir a plantação de drogas, como sempre fez.

Diante daquela reflexão sincera, Hayul não teve coragem de dizer que Alexei foi morto simplesmente por tê-lo insultado.

— Para ser honesto, eu gostaria que ambos os lados parassem por aqui e encerrassem isso — continuou Jülich. — O que a senhora Kirov precisa fazer é levar o senhor Kirov de volta ao seu país.

— O senhor acha mesmo que Igor Kuzmin vai simplesmente nos deixar voltar em silêncio?

Jülich não respondeu. Ele próprio sabia que aquilo era um pedido absurdo. Não era uma briga de crianças em que se pudesse dizer “já chega por hoje” e apertar as mãos. Aquilo era um jogo que só terminaria quando um dos lados morresse.

— Além disso, a família Kirov jamais perdoa alguém que toque em um de seus familiares.

Com o rosto sério, Jülich olhou fixamente para Hayul em silêncio.

— Ouvi dizer que a senhora Kirov é o Anjo da Morte, não é? O assassino oculto da organização de Marco. Também foi das forças especiais.

— Pare com essa porra de me chamar de senhora.

Ele havia tentado ignorar, mas ouvir aquilo repetidamente já era demais. Hayul explodiu, incapaz de se conter.

— Suas habilidades são bem conhecidas — continuou Jülich, sem se abalar. — Mas Igor Kuzmin não é como os alvos que o senhor matou até agora. Ele reuniu soldados de forças especiais do mundo inteiro, armados com armamento pesado, e formou um exército privado. Como está no mercado negro há muito tempo, sua organização é extremamente sólida. Nem mesmo nós conseguimos avaliar com precisão o tamanho das forças do Kuzmin. Não o subestime. O próprio senhor Kirov foi pego de surpresa.

Após encerrar o longo discurso, Jülich soltou um suspiro profundo e voltou a falar.

— E, por mais forte que o senhor seja, ainda é um ômega. Lembre-se de que, em termos de hierarquia, um alfa real está em outro nível.

— Diante de uma arma, todo mundo está no mesmo nível. Ou vai me dizer que um alfa real também consegue desviar de balas?

— Bem… nisso o senhor tem razão.

Hayul continuou.

— E o senhor também não conhece exatamente o tamanho das nossas forças, conhece? O poder militar da nossa família não deve ficar atrás do de Kuzmin.

Sem perceber, a palavra “nossa” saiu de forma natural. Mesmo sem saber os detalhes, ele tinha certeza de que o tamanho do exército particular do clã Kirov não ficava atrás do de Kuzmin. Acima de tudo, os Kirov tinham a proteção direta do presidente russo. Será que o poder de uma família que tem como respaldo o chefe de um país inteiro seria menor do que o poder de um chefe do tráfico?

Diante das palavras de Hayul, Jülich soltou uma risada seca.

— Bom, tudo bem. Mas, mesmo que decidam agir, façam isso depois de retornar ao seu país. É um pedido sincero que faço em nome da Alemanha. Se ampliarem ainda mais o conflito, não teremos escolha a não ser intervir em nível estatal. Este país não é a Rússia, onde o nome Kirov, por si só, concede imunidade, senhora Kirov.

Jülich manteve até o fim aquela maldita forma de tratamento, mesmo sendo  advertido de maneira polida. No fundo, estava dizendo que recorreria ao uso da força pública.

— Jülich, atrás dos Kirov está o presidente — disse Viktor em voz baixa, sentado no banco do passageiro, que até então apenas escutava em silêncio.

— Por mais que o presidente estime o senhor Kirov, dificilmente poderá intervir facilmente em algo que pode se transformar em um conflito entre países. Imagino que o chefe de uma nação não colocaria todo o país em risco apenas para salvar um único cão fiel. Acredito que ele tenha discernimento suficiente para isso.

Ele era um homem com um talento peculiar para provocar. Diante do olhar fixo de Hayul, Jülich esboçou um sorriso breve, recostou-se no banco e virou o rosto para a janela. A conversa terminou ali. O carro avançou sob a chuva em direção a um hospital nos arredores de Berlim.

Ao chegar em frente ao hospital e deixar Viktor e Hayul descerem, Jülich despediu-se com um sorriso.

— Espero que o encontro de hoje tenha sido o primeiro e o último. Da próxima vez que nos virmos, não estarei em roupas civis, mas com uniforme militar e totalmente armado.

Assim que o carro se afastou, deixando apenas os dois para trás, Viktor xingou em voz alta:

— Filho da puta.

Os veículos de escolta que vinham logo atrás do carro de Jülich também pararam em seguida.

Havia seguranças do lado dos Kirov ao redor do prédio do hospital, no saguão e, aqui e ali, pessoas que pareciam ser agentes alemães. O mesmo acontecia no corredor do 11º andar, onde ficava a suíte especial.

No instante em que pisaram no corredor do 11º andar, um aroma cítrico intenso se espalhou pelo ar. Era o feromônio de Pavel. O cheiro era tão forte que preenchia todo o corredor. Ou Pavel havia liberado deliberadamente seus feromônios ao máximo, ou estava ferido demais para conseguir controlá-los, só podia ser uma das duas coisas.

Por causa daquele feromônio denso que saturava todo o andar, apenas pouquíssimos subordinados próximos permaneciam no corredor. Os médicos também usavam máscaras ou tossiam levemente, visivelmente desconfortáveis. Até Hayul, já acostumado ao cheiro de Pavel, começou a tossir. Ele tirou um neutralizante do bolso e colocou na boca, mastigando e engolindo a seco, sem água.

O chefe da equipe de segurança de Pavel, um de seus homens de maior confiança, que estava sentado em frente ao quarto, reconheceu Hayul e se levantou num pulo para cumprimentá-lo.

— Peço desculpas por isso.

Ele se curvou, pedindo perdão. Também parecia ferido, com o braço e o rosto cobertos por ataduras.

— Onde está Pavel?

Mesmo tentando parecer indiferente, a voz de Hayul tremeu um pouco. Era inevitável. Desde o momento em que entrou no hospital, a ansiedade o invadiu e seu coração começou a bater forte. O chefe da segurança abriu passagem e empurrou a porta do quarto.

Hayul respirou fundo e entrou. Mas a cama posicionada no centro da suíte estava completamente vazia.

— Não tem ninguém aqui.

— O quê?

— Como assim?

Ao ouvir as palavras de Hayul, o chefe da segurança e Viktor exclamaram ao mesmo tempo. O homem correu para dentro e, ao ver a cama vazia, soltou um gemido aflito.

— Até agora há pouco ele estava deitado ali, eu tenho certeza.

Os subordinados que apareceram em seguida entraram em pânico, comunicando-se freneticamente por rádios. Hayul tocou imediatamente a cama desarrumada. Ainda estava quente. O cheiro de desinfetante, misturado a um leve odor de sangue e ao aroma cítrico de Pavel, permanecia intenso. Era sinal de que ele havia saído há pouco tempo.

— Qual era a gravidade do ferimento do Pavel?

— Uma bala atravessou o ombro dele. Houve muito sangramento, o quadro era grave, mas felizmente a cirurgia foi bem-sucedida.

— Então quer dizer que os membros estão intactos.

Diante das palavras de Hayul, o chefe da equipe de segurança fechou a expressão e ficou em silêncio. Provavelmente pensava o mesmo que ele. Tendo observado de perto a resistência monstruosa de Pavel, o homem sabia bem. Enquanto braços e pernas estivessem no lugar, não havia nada que ele não pudesse fazer.

— Mesmo assim, não consigo entender como ele conseguiu escapar atravessando uma segurança tão rigorosa.

— Por mais rígido que seja o esquema de segurança, sempre existe uma brecha.

Um médico, chamado às pressas, entrou correndo no quarto e se dirigiu a Hayul e ao chefe da segurança.

— Para onde o paciente foi? Durante a cirurgia, o nível de feromônio subiu repentinamente acima do normal e ele sofreu uma parada cardíaca temporária. Depois que a cirurgia terminou, estávamos administrando um soro para reduzir os níveis de feromônio quando…

Pelas circunstâncias, parecia que Pavel havia aproveitado o breve momento em que os feromônios diminuíram por causa do soro para sair do quarto. Como ele conseguiu escapar dali, só o próprio Pavel poderia dizer. O importante não era o “como”. O que importava era o fato de que Pavel tinha fugido do hospital.

— Pode explicar com mais detalhes?

— Por causa de um choque medicamentoso, houve uma anormalidade no órgão responsável pela produção de feromônios do senhor Pavel, fazendo os níveis subirem de forma abrupta. Se ele não receber tratamento medicamentoso, os feromônios podem ficar descontrolados. Além disso, como ele acabou de passar por uma cirurgia, o corpo ainda está instável, então ele não deve conseguir controlar os feromônios.

— Quer dizer que pode entrar em rut?

— Exato. Mas não seria um rut natural, e sim causado por uma reação adversa a medicamentos, o que traria uma carga enorme ao corpo do senhor Pavel. Se ocorrer uma parada cardíaca fora do hospital, então talvez nunca mais possamos vê-lo novamente. Portanto, tragam o paciente de volta imediatamente.

O médico deu a ordem de forma categórica às pessoas no quarto.

— Não se esqueçam de que até mesmo um alfa real pode morrer.

Ele acrescentou aquela frase. Uma única frase, mais impactante do que qualquer outra. O chefe da equipe de segurança começou a fazer ligações freneticamente, e todos os agentes de prontidão passaram a se mover com urgência.

No quarto vazio, restaram apenas Hayul e Viktor.

— Desgraçado… Por causa desse filho da puta, meu coração não vai aguentar e eu vou acabar morrendo antes da hora, sério!

Viktor, visivelmente exausto, jogou-se no sofá do quarto e resmungou.

— O que você acha que aquele desgraçado está planejando?

— Só pensa em matar o Igor Kuzmin.

Hayul conseguia imaginar exatamente porque Pavel havia escapado do hospital. A ideia fixa devia ser acabar com Igor Kuzmin com as próprias mãos, custasse o que custasse. A notícia de que Hayul estava vindo até ali certamente já tinha chegado aos ouvidos dele.

A culpa por ter arrastado o próprio ômega para o campo de batalha, misturada à fúria contra o inimigo que o tinha colocado naquela situação… era óbvio o que enchia a mente dele.

A determinação de terminar tudo sozinho, de qualquer jeito, sem expor o próprio parceiro ao perigo.

Com a convicção absoluta de não manchar as mãos preciosas do seu cônjuge com sangue, ele deve ter se levantado, mesmo com o corpo dilacerado, e começado a se mover.

A imagem de Pavel arrancando agulhas e aparelhos presos ao corpo, levantando-se cambaleante e escapando dali, desenhou-se claramente na mente de Hayul. Os olhos dele, ardendo em intenção assassina enquanto encarava o inimigo, surgiram vívidos diante de si.

Deve ter doído. Mesmo sofrendo, deve ter rangido os dentes e suportado. Como o médico disse, até um Alfa real pode morrer. Se machucam, sangram e sofrem como qualquer ser vivo. Então como teria sido para Pavel? Alguma vez, em toda a vida, ele teve o luxo de deitar e adoecer em paz? Mesmo ferido, deve ter se levantado à força, cambaleando sob uma dor que parecia despedaçar o corpo inteiro.

Assim como Hayul suportou a dor ao longo da vida, Pavel também deve ter feito o mesmo.

Todos os que vivem com as mãos manchadas de sangue são assim. Estão sempre feridos, com buracos abertos aqui e ali, cortados, dilacerados. Quanto mais sangue alheio suja suas mãos, mais o próprio sangue eles derramam.

Mas Pavel já não estava sozinho.

Não estar sozinho significava que, se ele se machucasse, existiria alguém que sofreria e se consumiria de preocupação por ele.

Ele vivia ostentando o anel de casamento no dedo, como se quisesse mostrar ao mundo inteiro… e afinal, o que ele achava que aquilo significava, maldito? Já casou e ainda assim age como se estivesse sozinho no mundo. Que inferno.

Hayul mordeu com força o interior dos lábios, despejando xingamentos em silêncio.

— No fim das contas, só termina quando um deles morrer.

— Por que não capturamos o Igor e o levamos para a Rússia?

— É melhor torcer para que ao menos o cadáver dele fique em um estado reconhecível.

Nem Hayul nem Viktor consideraram, em momento algum, a possibilidade de Pavel Kirov ser derrotado. Como sempre havia acontecido, Pavel sairia vencedor dessa vez também. Ainda assim, mesmo vencendo, seria problemático se ele acabasse reduzido a um trapo esburacado.

Ele não era qualquer um. Era o alfa com quem ele escolheu viver a vida inteira.

Sem dizer nada, Hayul se virou e saiu do quarto. Aproximou-se do chefe da equipe de segurança, que acabava de encerrar uma ligação, e falou:

— Me passe agora as informações sobre as bases de Igor Kuzmin na Alemanha.

Os olhos do chefe da segurança se arregalaram, como se fossem saltar das órbitas.

***

 

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Continua….

Ler Cão Real. Yaoi Mangá Online

(Do mesmo universo de: Noite De Caça.)
 
O telefone tocou em uma noite chuvosa.
Do outro lado do aparelho flui a voz de um homem que carinhosamente chama Hayul de ‘Rosie’.
[Você não sente minha falta? Eu estou quase enlouquecendo de tanta saudade.]
A ligação vinha de um número desconhecido, mas a voz de alguma forma era bastante familiar.
[Espere, irei ver você em breve.]
‘Agora me lembro dessa voz. A única pessoa que me chama de ‘Rosie’ – Pavel Yates Headington, o homem que eu matei sete anos atrás.’
***
A história de como um (Cão real) que cortou sua coleira e mordeu o dono antes de fugir, se tornou uma (Noiva real.)
Nome alternativo: Royal Dog

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