Ler Cão Real. – Capítulo 61 Online

— É um tipo de medicamento chamado de indutor de cio. É feito sob encomenda e vendido apenas para uma camada muito específica da alta sociedade, então ele deve ter gastado uma fortuna absurda para conseguir isso. O efeito básico é parecido com o de um estimulante de cio usado em porcos, mas é um novo fármaco desenvolvido com uma combinação diferente de ingredientes, adaptado para Alfas Reais e Ômegas Reais.”
Natasha despejava aquele monte de explicações sobre estimulante de cio para porcos com uma expressão incrivelmente fresca e despreocupada no rosto. Aquilo era tão absurdo que só deu vontade de rir, de tão inacreditável.
— Ele enlouqueceu.
— O quê? Você achou mesmo que o seu marido era uma pessoa normal?
Ele estava prestes a dizer para não chamar aquele cara de “marido”, mas desistiu. No fim das contas, que diferença fazia um título desses? Hayul soltou um riso seco, breve, e logo em seguida suspirou longamente.
— Então aquele desgraçado realmente quer um filho.
— Quer sim. Ele sempre quis. Por que você acha que ele não bebe nem fuma? Ele não é nenhuma donzela nobre da Idade Média, por que um Alfa Real faria um voto de castidade e se manteria puro? Foi tudo para oferecer a você, Jin, o corpo mais limpo e mais puro possível. Ele dizia que queria fornecer ao seu corpo o sêmen mais saudável do mundo, e por isso fazia exames reprodutivos separados todos os anos.
— ……
— Você já transou com ele, então deve saber. A condição genital do Pavel não é sempre a melhor possível?
— Para com isso pelo amor de Deus.
Hayul implorou, soltando quase um gemido de dor. Ele realmente queria que aquele assunto acabasse ali.
— E vivendo com um alfa real, você ainda fica com essa vergonha toda? Antigamente, quando meu pai exercia a profissão, ele às vezes ficava no quarto observando enquanto os casais de alfas reais e ômegas reais faziam sexo e passavam pelo primeiro ciclo de cio. Até mesmo as criadas e os mordomos estavam presentes.
— Q-que tipo de costume da Idade Média é esse?
— Porque um ômega real podia sofrer um choque de feromônios forte o suficiente para causar um ataque cardíaco. E além do mais Jin, a família Kirov é uma casa nobre. Nos tempos antigos, eles seriam considerados realeza.
— Então vocês realmente vão observar a nossa relação conjugal?
— Não se preocupe. Os tempos mudaram, não há mais necessidade de ir tão longe assim.
Natasha falou isso enquanto guardava instrumentos de exame dentro da bolsa médica. No instante em que Hayul se sentiu aliviado, ela lançou mais uma frase, com o mesmo sorriso fresco de sempre.
— Em vez disso, irei observar do outro quarto.
O rosto de Hayul empalideceu de imediato. Achando graça na reação dele, Natasha jogou a cabeça para trás e caiu na risada.
— Hahaha. Eu já disse que você é adorável, não disse? Agora entendo por que o Pavel adora provocar você, Jin.
— Eu também sei ficar bravo, senhorita Natasha.
Ele tentou endurecer a voz, mas ela apenas zombou. Levantando-se com a bolsa médica, ela deu seu último conselho:
— De qualquer forma, estatisticamente, seu ciclo de cio vai acabar acontecendo, mas não dá para saber quando. O Pavel provavelmente está aguardando com toda a paciência do mundo o momento em que isso irá acontecer.
— Por favor, mantenha isso em segredo do Pavel.
— Você acha que ele não vai saber mesmo que eu não conte? Um homem que registra o formato da sua ereção matinal, o número de ejaculações, até a viscosidade do sêmen? Depois dê uma olhada no celular ou no tablet dele. Aposto que existe um arquivo separado só com o seu diário de registros, Jin.
— Que tipo de desgraçado ele é, afinal?
— Ele é assim porque é completamente obcecado por você. No mundo dele, só existe o Jin. Provavelmente passa as vinte e quatro horas do dia pensando em você.
‘Por que diabos eu fui me casar com um pervertido desses?’ Foi um momento em que a dúvida realmente surgiu, do fundo do coração.
— Ele é uma pessoa faminta por afeto, então ame-o e cuide dele. Dá até pena.
Hayul encarou Natasha com um olhar cheio de ressentimento. Ela sorriu de canto e deu dois tapinhas nos ombros caídos dele.
— Se você está tão inseguro, fuja para a casa da sua família antes que o ciclo de cio comece.
— E quando não se tem casa de família para fugir?
— Coitadinho.
Ela expressou pena com uma voz sem alma e, em seguida, continuou falando.
— Bom, então tente fazer o melhor que puder. Você não vai morrer.
Não parecia nem de longe palavras de consolo.
— Mas existe mesmo a possibilidade de eu engravidar?
— Impossível. Do ponto de vista médico. Mas o casal Baek, da Coreia, também acabou tendo um filho, não foi? Quem sabe? Talvez o senhor Jin acabe fazendo acontecer o segundo milagre.
Hayul fez uma careta, soltando um gemido de sofrimento. Observando sua reação, Natasha perguntou com seriedade.
— Jin, você não gosta de crianças?
— Deixando de lado isso de gostar ou não gostar, eu nunca sequer pensei na possibilidade de dar à luz uma criança.
— E então, o que acha de ter um filho com o sangue da família Kirov? Não gosta da ideia?
— Não é isso.
Hayul respondeu sem hesitar nem por um segundo. A pergunta de Natasha claramente carregava a intenção de saber se ele não queria ter um filho com o sangue de uma família que acumulou riqueza e poder por meios nada honrosos.
— Eu entendo a intenção da sua pergunta, mas não é isso. De verdade. Como você sabe, eu também não sou uma pessoa limpa. Isso sim me preocupa um pouco.
— Está dizendo que vocês dois, como casal, não são um casal moralmente puro para ter um filho?
Em vez de responder, Hayul apenas assentiu com o rosto endurecido. Natasha caiu na risada.
— Onde é que existe um alfa real limpo e moralmente correto? Todos são animais afogados em drogas e álcool, vivendo de prostituição. O Pavel pode não ser exatamente moral, mas ele é limpo. Ele é um ingênuo de alma imaculada, um casto. É perfeito. Vocês só têm um ao outro.
— Não é nesse sentido de “puro” que eu quis dizer……
— Não se preocupe com bobagens. Não devem existir pais melhores do que você e o Pavel. Se uma criança pudesse escolher os pais, escolheria vocês sem pensar duas vezes.
Hayul, ainda de cara fechada, pegou a xícara de chá já completamente fria e bebeu em silêncio.
— Parece que você já pensou em ter um filho sim, Jin. Só de estar considerando essas questões já mostra isso.
— É melhor ir me preparando emocionalmente com antecedência.
— Mas esse tipo de assunto você deveria discutir com o Pavel, não comigo. Se você tocar nesse assunto com ele, talvez ele fique tão feliz que comece a chorar rios de lágrimas.
Esse era exatamente o problema. O sujeito ficaria excitado demais, espalharia feromônios sem qualquer contenção, e a conversa nunca avançaria. Os dois se entrelaçariam apenas fervendo de desejo e se embolando um no outro.
— Não existe nenhum inibidor de feromônios que funcione bem em um alfa real? Algo como um supressor de cio, por exemplo?
— Acha mesmo que existiria algo assim?
Natasha zombou, rindo com desdém.
— Mesmo que existisse, não faria efeito nenhum em alguém com feromônios tão fortes quanto os do Pavel. Pelo contrário, os efeitos colaterais poderiam fazê-lo perder completamente o controle, o que seria perigoso. Se você não aguentar a energia sexual transbordante dele, por que não prepara de novo aquelas drogas ilegais e faz ele tomar? Como era mesmo o nome, Heaven?
Hayul fechou a boca. Natasha também sabia que ele próprio havia preparado aquela droga e injetado em Pavel para conseguir escapar dali. Na verdade, todos na mansão sabiam. Ainda assim, quando Oleg Kirov soube do que Hayul fizera com Pavel, reagiu com enorme satisfação.
“Hahahaha! Minha nova nora é cheia de habilidade! Muito digna da família Kirov!”
Mesmo com o neto quase morto, foi isso que ele disse. Porém, no instante em que Hayul percebeu a verdadeira natureza de seus sentimentos por Pavel, tomou uma decisão. Nunca mais iria usar aquela droga maldita. Se desse errado, poderia realmente matá-lo. Na primeira vez, ele havia usado sem saber direito o que estava fazendo.
— Essa droga não dá. Eu não posso matar o Pavel. Se pelo menos existisse algo que pudesse reduzir nem que fosse um pouquinho os feromônios dele… não existe nada assim?
— E se você der essa droga escondida para o Pavel e a libido dele diminuir? Não acha que ele ia tentar controlar o próprio corpo de forma ainda mais rigorosa? Ele já é um monstro do jeito que está. Se ele der um power-up e ficar ainda mais monstruoso, o que você vai fazer?
De fato, aquilo também fazia sentido. Era algo em que ele nunca tinha pensado. Hayul teve uma grande revelação.
— Em vez de tentar reduzir a virilidade do Pavel, seria melhor fortalecer o seu estado físico Jin. Os feromônios do Pavel não podem ser suprimidos nem com cirurgia nem com procedimentos médicos.
Aquilo também era verdade, e Hayul assentiu sem perceber.
— O senhor Jin também é naturalmente saudável, mas ao sofrer a mutação para ômega, sua própria constituição mudou. Provavelmente ocorreram mudanças das quais você mesmo não tem consciência. Por isso, não faça nada que seja prejudicial ao corpo e cuide sempre bem da sua saúde, observando atentamente o seu estado físico. Se perceber qualquer anormalidade, por menor que seja, entre em contato comigo imediatamente.
O tom dela inspirava confiança. Era reconfortante. Ela era uma mulher meio estranha, isso era fato, mas continuava sendo uma médica. E, pensando bem, até agora ela vinha cumprindo muito bem o papel de médica da família.
— Obrigado. Como sempre.
Natasha olhou Hayul por um instante com um sorriso no rosto. Era um sorriso suave, quase parecia haver uma aura por trás de seu belo rosto. Ela o encarou em silêncio por alguns segundos e então abriu a boca.
— De repente, fiquei curiosa para ver o senhor Jin grávido. Esforce-se um pouco.
— Isso é algo que se consegue com esforço?
— Se realmente tiver um bebê, eu prometo que vou retirar a criança em segurança. Afinal, os ômegas masculinos passam por cirurgia.
Não “dar à luz”, mas “retirar”. A escolha de palavras evocava imagens terríveis, fazendo o rosto de Hayul se contorcer ainda mais.
— Faça o seu melhor neste próximo ciclo de cio.
Dizendo isso, ela tirou uma caixa da bolsa médica e estendeu para Hayul.
— O que é isso?
— Um teste de gravidez.
Hayul ficou sem palavras e encarou a caixa que havia recebido. Ele nunca tinha visto algo assim antes, muito menos tocado.
— Quer que eu use isso? Eu?
— Então quem vai usar? O senhor Pavel? Faça o teste depois de terem relações durante o ciclo de cio. Muitos ômegas masculinos não percebem que estão grávidos até a gestação estar bem avançada e continuam tomando supressores ou neutralizantes, ou bebendo álcool e usando drogas, o que acaba levando a abortos com muita frequência. O início da gravidez é o mais importante, então é preciso começar o acompanhamento assim que houver a fecundação.
Ele mal conseguia assimilar o que ela dizia. Semanas de gestação, gravidez, aborto, fecundação… tudo soava como uma língua alienígena.
— Você sabe como a família Kirov precisa de herdeiros. Se um milagre acontecer, vai ser necessário um acompanhamento intensivo especial para gestantes, então faça o teste, sem falta. Está me ouvindo? Não ignore o que estou dizendo, certo?
Diante da insistência, Hayul assentiu a contragosto.
Natasha só foi embora depois de despejar mais uma enxurrada de informações sobre gravidez em ômegas masculinos. Tudo o que ela disse entrou por um ouvido e saiu pelo outro.
Só de ouvi-la falar, Hayul sentia suas energias serem sugadas, e mesmo depois que ela saiu, ele permaneceu largado no sofá por um bom tempo. Pegou novamente o teste de gravidez que ela deixou, deu outra olhada e, tomado por uma dor de cabeça, colocou a caixa de lado e voltou o olhar para a janela.
Uma grande janela com cortinas blackout roxo-escuro, à altura do nome Lavender Castle, alternadas com cortinas de linho branco. Móveis todos em tons de branco e cinza. Para um quarto completamente reformado com o objetivo de ser “o quarto da nova senhora da casa”, era um interior simples e elegante, algo que lhe agradava bastante. Encostado confortavelmente na cadeira, bebendo chá enquanto olhava para fora, Hayul passou os olhos com calma por cada móvel recém-adquirido.
Foi então que seu olhar parou na fotografia pendurada acima da lareira. Era a foto do casamento de Pavel e Hayul.
Essa foto estava ali por insistência de Rock, que durante a decoração do “quarto da nova senhora” não abriu mão da foto de casamento, custasse o que custasse.
Na foto, Pavel e Hayul estavam ambos vestidos de smoking. Pavel sorria radiante, como uma flor em plena floração, mas a expressão de Hayul, segurando um buquê de lírios-do-vale, estava rígida. Para quem visse, parecia mais uma foto comemorativa do exército do que uma foto de casamento. Na verdade, naquele dia, Hayul não estava em sã consciência.
Eles trocaram alianças diante de todos, se beijaram, juraram amor e declararam que ficariam juntos para sempre. Claro, foi Pavel quem conduziu tudo. Hayul, meio fora de si, beijou quando mandaram beijar e respondeu “sim” quando perguntaram “Você promete amar?”, e, ao ouvir “Os dois, unidos pelo laço do matrimônio, prometem ficar juntos por toda a vida”, murmurou junto com Pavel: “Sim. Ficaremos juntos para sempre”.
Depois da curta cerimônia de casamento, ele sequer se lembrava do que aconteceu na recepção. Disseram que até o presidente da Rússia e sua esposa tinham comparecido e conversado com eles, mas Hayul realmente não lembrava de nada. Foi um período verdadeiramente torturante. Mais exaustivo do que os treinamentos infernais das forças especiais ou do que passar mais de dez horas em tocaia aguardando um alvo para assassinato.
Se havia algo de reconfortante, era o fato de terem feito uma cerimônia mais íntima e intimista, convidando apenas pessoas muito próximas, e de não terem ido em lua de mel.
Naquela noite, após o fim da torturante cerimônia de casamento. Pavel, depois de encerrar toda a recepção, pegou Hayul, que estava sentado cochilando de tão exausto, no colo e o levou para o quarto, sussurrando alegremente:
“Agora somos marido e mulher, hyung.”
Naquele momento, embriagado de sono, Hayul apenas piscou os olhos, largado nos braços dele. Estava cansado demais para sentir que tinha se tornado oficialmente um casal com Pavel.
“Você é mesmo meu agora, hyung.”
Exalando um perfume doce, Pavel baixou a cabeça e beijou a testa de Hayul, murmurando. Apertou-o ainda mais forte nos braços e, tomado pela emoção, continuou sussurrando sem parar.
“É todo meu. Meu Jin Hayul.”
Os lábios que tocavam sua pele eram suaves, mas quentes. Assim como a respiração que ele exalava.
“Só meu.”
Enquanto carregava Hayul até o quarto, Pavel repetiu aquilo inúmeras vezes, beijando incessantemente o rosto cansado dele. Mesmo quando Hayul disse para ele parar, Pavel não ouviu e continuou murmurando, sem descanso.
Assim, na primeira noite de núpcias, Hayul acabou adormecendo de tão exausto, ainda vestido com o smoking, sem nem trocar de roupa. Dormiu como se tivesse desmaiado e, ao abrir os olhos na manhã seguinte, seu olhar encontrou o de Pavel, deitado ao seu lado. Sorrindo, Pavel deu um beijo de bom-dia nos lábios de Hayul, que ainda estava meio adormecido. Ao notar que o branco dos olhos dele estava um pouco avermelhado, Hayul perguntou se ele não tinha dormido, e Pavel respondeu:
“Não dormi nem um pouco. Fiquei com medo de que o hyung desaparecesse enquanto eu dormia. De acordar e descobrir que tudo tinha sido um sonho.”
Tendo passado a noite em claro, ele sussurrou com a voz mais baixa e grave do que o normal. No quarto aquecido pela luz da manhã, ouviam-se os passarinhos chilreando, e o sol entrava em cascatas douradas. Ao acordar, a primeira coisa que Hayul viu foi o belo rosto de Pavel e sentiu o perfume agradável dos feromônios invadindo suavemente seu nariz.
Os sentimentos que se formavam como pequenos grãos no coração de Hayul pareciam ferver. Não eram emoções sombrias como raiva ou intenção de matar, mas sim uma sensação calorosa e relaxante, como a névoa que surge sob o sol da primavera.
Era incrivelmente aconchegante e confortável, mesmo com Pavel deitado bem ao seu lado. Desde que passou a viver na mansão Kirov, aquela era a primeira manhã em que se sentia assim. Até então, mesmo estando com Pavel, ele nunca conseguiu relaxar o corpo inteiro daquele jeito. Mas naquela manhã, ele se sentia como se estivesse flutuando na superfície quente de um lago no verão.
Não havia motivo para tensão. Como Pavel disse, agora eles eram um casal. Porque ele sabia que aquele homem de olhos azuis ao seu lado jamais lhe faria mal. Porque sabia que ele o estimava e amava de verdade.
E porque também percebeu que ele próprio amava aquele alfa real de olhos azuis.
Marido e mulher. Sua família legalmente constituída.
Quando tudo isso finalmente se tornou real, os músculos do rosto de Hayul se afrouxaram. O fato de Pavel não ter conseguido dormir nem depois do casamento, com medo de que ele fugisse, era ao mesmo tempo engraçado, fofo e um pouco comovente, o que fez Hayul sorrir.
Ainda com os olhos pesados de sono, Hayul piscou e beliscou a bochecha de Pavel, que o observava. A pele macia se esticou como queijo derretido. Talvez tenha doído, porque um dos olhos de Pavel se contraiu levemente.
“Não é um sonho, certo?”
“Parece que não.”
Com a bochecha avermelhada pelo beliscão, Pavel mostrou os dentes brancos num sorriso. Era bem fofo.
O Pavel na foto de casamento pendurada na parede parecia muito distante do assassino conhecido como o “cão louco dos Kirov”. Em nenhuma das fotos divulgadas pela mídia ele aparecia sorrindo daquele jeito. Ele só sorria assim diante de Hayul. Diante dele, não era uma fera cruel de presas afiadas, mas sim um cachorro adorável.
Um cachorro que só olha para o dono e lhe é fiel até a morte.
Hayul, por hábito, acariciou a aliança no quarto dedo e olhou para a foto do casamento.
‘Se tivéssemos um filho, uma foto de nós três ficaria pendurada ao lado daquela.’
Ele finalmente desviou o olhar da foto de casamento e pegou o celular. Pesquisou novamente sobre o casal Baek, da Coreia. Um alfa real bonito, um ômega mutante branco e adorável, e uma criança pequena incrivelmente fofa.
O filho dos dois era um menino saudável que parecia uma mistura perfeita de Baek Doha e Yoo Seolwoo. A criança sorria radiante nos braços de Yoo Seolwoo, e o olhar de Baek Doha, ao encarar os dois, transbordava amor. Um olhar cheio de afeto, assim como Pavel olhava para Hayul.
Assim como todos os Sub-Betas do mundo, o passado de Yoo Seol-woo parecia ter sido tão conturbado quanto o de Hayul. Na Coreia, sub-betas eram ainda mais raros e, em vez de um nome oficial, eram chamados apenas de mestiços ou mutantes, então a vida dele certamente não foi tranquila. Ele também deve ter sido solitário, assim como Hayul.
Mas agora, aquele homem provavelmente vivia em paz. Acordando todas as manhãs em um ambiente aconchegante e tranquilo, levando uma vida feliz. Ao lado de um filho adorável que se parecia com ele.
Hayul abaixou o celular e pegou o teste de gravidez, entrando no banheiro. Pensou que não custava tentar. Como esperado, não apareceram as duas linhas vermelhas da gravidez.
‘Será que veio com defeito?’
Com esse pensamento, pegou mais um e fez o teste novamente. O resultado foi o mesmo. Depois de usar dois testes seguidos no banheiro, Hayul percebeu algo.
Que ele queria ter um filho mais do que imaginava. Que estava desejando, no fundo, que o impossível se transformasse em um milagre.
***
Naquela noite, uma ligação chegou de Viktor. Justamente quando Hayul estava pensando em ligar para Pavel.
[ Jin. Acho que vamos ter que ir para a Alemanha.]
— O que aconteceu?
[Parece que Pavel levou um tiro e foi levado a um hospital local.]
Naquele instante, Hayul sentiu a visão ficar completamente branca. De forma patética, a mão que segurava o celular começou a tremer sem controle.
— E-ele… está muito ferido?
Até a voz que escapou de sua boca tremia violentamente.
[Não sei ao certo. Parece que o estado dele é bem grave. Disseram no hospital para se prepararem para o pior cenário. Por enquanto, se arrume e saia imediatamente. Eu também vou me preparar e ir direto para o aeroporto.]
Depois de desligar, uma tontura súbita o atingiu, e ele precisou se apoiar na mesa por um momento, ofegante. O peito batia de forma inquieta, o coração doía como se estivesse sendo espremido. Um medo desconhecido, algo que ele nunca tinha sentido antes, avançou como uma maré gigantesca e engoliu todo o seu corpo.
Pavel ferido. Aquele desgraçado que nunca morria, por mais que Hayul avançasse contra ele dizendo que ia matá-lo, agora estava gravemente ferido.
‘E se Pavel morrer? O que eu vou fazer?’
Ao pensar nisso, tudo à sua frente pareceu ficar escuro, e por um instante ele só quis perder a consciência ali mesmo. Depois de alguns segundos, Hayul respirou fundo várias vezes, forçando-se a se recompor.
Ao longo da vida, incontáveis dificuldades o acompanharam. Nunca houve um único momento em que sua vida tivesse sido tranquila. Sempre que uma provação surgia, ele dava um jeito de superá-la. Então, dessa vez também seria assim.
‘Como sempre passará.’
Hayul respirou fundo mais uma vez e endireitou o corpo. Quem tinha sofrido o acidente era Pavel, não ele. Não podia se deixar abalar. Arrumou as coisas o mais rápido possível e, quando estava prestes a sair, Rock bateu à porta e entrou.
— Está tudo pronto, senhor Jin.
Pelo visto, ele também tinha sido contatado separadamente por Viktor. Antes de sair do quarto, Hayul lançou um rápido olhar para a foto de casamento pendurada na parede. Ao lado do seu próprio rosto endurecido e sério na foto, via-se vagamente Pavel sorrindo de forma radiante.
‘Esse desgraçado não pode morrer e me deixar para trás. Ele não é alguém que morreria e me deixaria aqui. Jamais faria isso.’
Rock e algumas criadas acompanharam Hayul até a porta. Um Rolls-Royce preto aguardava em frente à mansão.
— Desejamos que ambos retornem em segurança. Estaremos aguardando.
Ouvindo Rock e as criadas se curvarem em despedida, Hayul seguiu em direção ao carro. Era uma noite fria, com pequenos flocos de neve fina, como algodão branco, dançando pelo ar.
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Continua…..
Ler Cão Real. Yaoi Mangá Online
(Do mesmo universo de: Noite De Caça.)
O telefone tocou em uma noite chuvosa.
Do outro lado do aparelho flui a voz de um homem que carinhosamente chama Hayul de ‘Rosie’.
[Você não sente minha falta? Eu estou quase enlouquecendo de tanta saudade.]
A ligação vinha de um número desconhecido, mas a voz de alguma forma era bastante familiar.
[Espere, irei ver você em breve.]
‘Agora me lembro dessa voz. A única pessoa que me chama de ‘Rosie’ – Pavel Yates Headington, o homem que eu matei sete anos atrás.’
***
A história de como um (Cão real) que cortou sua coleira e mordeu o dono antes de fugir, se tornou uma (Noiva real.)
Nome alternativo: Royal Dog