Ler Cão Real. – Capítulo 63 Online


Modo Claro

Quando estava no exército, treinava porque tinha que treinar. Atirava conforme as ordens, enfrentava treinamentos infernais e aguentava firme porque, se não aguentasse, não havia pagamento. Mesmo quando o ambiente mudou, foi a mesma coisa. Tanto quando saiu do exército e entrou para uma empresa de mercenários quanto quando foi explorado pela organização de Marco, o que movia Hayul eram sempre as ordens vindas de cima.

Se voltasse ainda mais no tempo, antes mesmo de se alistar, ele não hesitava em cometer pequenos delitos, como batedor de carteira ou furtos banais. Não era porque queria. Não era por ter grandes ambições, como se tornar o rei dos ladrões da favela ou virar chefe de uma organização criminosa.

Era apenas um desespero para sobreviver. Todas as formas que Hayul encontrou para viver até então foram exatamente assim.

Aguentar o agora para continuar vivo. Isso era tudo o que a vida significava para ele, e não havia espaço para pensar em mais nada. Foi desse jeito que, cerrando os dentes, ele sobreviveu conforme as últimas palavras de sua mãe. O instinto de sobrevivência era como uma marca gravada em seu corpo.

Mas agora havia surgido uma nova marca. Além das cicatrizes grandes e pequenas espalhadas por seu corpo, uma nova marca de posse foi cravada. Independentemente de como o processo tivesse ocorrido, Hayul escolheu um Alpha Real que gravou a marca de posse em seu corpo e com ele se casou.

Pela primeira vez desde que nasceu, colocou a algema chamada aliança de casamento. Não foi imposição de ninguém, mas uma escolha feita por sua própria vontade. Não foi para sobreviver, mas sim uma escolha feita por ser arrastado por sentimentos pessoais e incômodos que antes considerava inúteis.

Hayul tocou por um instante o anel no quarto dedo da mão direita. No começo, parecia apenas estranho, mas, depois de usá-lo continuamente, agora já dormia com ele no dedo. Uma aliança exatamente igual deveria estar brilhando também no dedo de Pavel.

Pavel também devia estar em algum lugar agora, sob a chuva fria, mexendo distraidamente na aliança por hábito, pensando: “Vou proteger minha família, meu cônjuge, com as minhas próprias mãos.”

E Hayul também pensou:

‘Vou proteger o meu Alfa real, aquele que eu escolhi.’

Pela primeira vez na vida, Hayul empunhou uma arma para proteger alguém.

De acordo com as informações recebidas do chefe da equipe de segurança, o esconderijo de Kuzmin era uma cobertura em um edifício de luxo no centro de Berlim. Porém, segundo os relatórios dos agentes que já estavam infiltrados nas redondezas, Kuzmin não aparecia no local desde que feriu Pavel. No apartamento, viviam apenas as amantes de Kuzmin.

Já haviam se passado 36 horas desde que Pavel escapou do hospital. Ele desapareceu como fumaça, não havia vestígios dele em lugar nenhum.

— Kuzmin deve ter se escondido em algum lugar secreto que nem aparece no mapa. E o senhor Kirov já deve ter descoberto o esconderijo dele.

 — disse o chefe da equipe de segurança.

Hayul estava assistindo, junto com o chefe da segurança, às imagens das câmeras internas da cobertura de Kuzmin, dentro de uma van equipada com vários equipamentos. Ele também estava totalmente armado, pronto para ser enviado ao campo a qualquer momento. O colete à prova de balas, que não vestia há algum tempo, parecia estranhamente desconfortável. Nas imagens das câmeras diante de seus olhos, apenas mulheres de roupa íntima conversavam na sala de estar.

— Na operação de assassinato de Jakob Baker, há um ano, o senhor Kirov perseguiu sozinho Jakob, que fugiu para a floresta, e o eliminou. Os Alpha Reais são naturalmente sensíveis, mas os sentidos do senhor Kirov estão no nível de uma fera. Todos os sentidos dele são incrivelmente aguçados.

— Com certeza porque o senhor Oleg o treinou assim.

Desde o início, Pavel já era um indivíduo excepcional até mesmo entre os alfas reais. Oleg Kirov certamente trouxe o neto talentoso para junto de si, lapidando-o até transformá-lo na melhor arma humana possível.

— O senhor Kirov é um monstro. Não é à toa que o presidente confia tanto nele. O senhor Kirov nunca falhou em uma missão até hoje. Se Sua Excelência ordenar que ele traga alguém, o senhor Kirov dará um jeito de arrastar o inimigo pela goela.

O chefe da equipe de segurança pegou um dos donuts que estavam ali como lanche e deu uma grande mordida.

— Se fosse eu, nunca faria do senhor Kirov um inimigo.

— Eu também não.

Ao ouvir isso, o homem sorriu de leve. Pavel era um aliado extremamente confiável quando estava do seu lado, mas era do tipo mais problemático quando se tornava inimigo.

— Então, para ser sincero, quando o senhor Kirov disse que ia se casar, eu fiquei em choque. Eu pensei: ‘Puxa, então ele também é um ser humano que sabe amar’.

Dessa vez, Hayul não respondeu nada. Apenas continuou encarando as imagens do CCTV. Uma das mulheres que estava largada no sofá atendeu o telefone, levantou-se e desapareceu para dentro do quarto. Pouco depois, voltou já vestida. A equipe que fazia a vigilância ao redor do edifício passaria a segui-la.

— Ela é a prostituta ômega favorita de Kuzmin. Vamos nos mover também.

Com a fala do chefe, o homem no banco do motorista deu partida no carro. O tempo estava uma porcaria, com uma garoa fina caindo. Houve uma época em que dias de chuva lhe traziam enxaquecas horríveis. Depois que encontrou Pavel e se transformou em ômega, os sintomas desapareceram, mas, muito de vez em quando, quando chovia, uma dor de cabeça leve surgia, como uma dor fantasma.

Mesmo assim, o que mais o preocupava não era a própria dor, mas o estado de Pavel, que certamente estava em algum lugar tomando uma chuva fria. Será que ele estava bem? Não estaria com frio? Não estaria com dor? Pensar em Pavel fazia um canto do peito doer.

O silêncio dentro do carro foi rasgado pelo toque agudo de um telefone tocando. Pensou que fosse o celular de alguém, mas era o telefone de emergência instalado no painel abaixo do monitor que exibia as imagens das câmeras. Junto ao som estridente, a luz azul do aparelho piscava de forma caótica.

Hayul sentiu na hora. Era uma ligação de Pavel.

O homem sentado diante do monitor virou a cabeça para olhar o chefe da equipe. Antes que ele estendesse a mão, Hayul já havia pegado o telefone.

— Pavel.

Assim que atendeu, chamou o nome dele.

[Uhum.]

Ao ouvir o nome, como sempre, a resposta veio de imediato.

[Hyung, você não precisa se envolver. É melhor voltar. Eu cuido do Kuzmin.]

— Está sentindo dor?

Hayul interrompeu e perguntou. Do outro lado da linha escapou um riso fraco.

[Haha, estou. ]

Depois da resposta curta, Pavel soltou um suspiro longo e continuou:

[Dói.]

Hayul ergueu levemente os ombros e soltou um suspiro curto também. Só de ouvir a voz dele, sentiu-se um pouco mais tranquilo. Tinha inúmeras coisas para dizer, mas eram tantas que, ao contrário, não conseguia organizá-las. Também pensou que não adiantava nada descontar sua raiva. Além disso, o homem não era o tipo de pessoa que obedece, mesmo que ele mandasse voltar e não fizesse besteira, Pavel não faria.

Enquanto isso não fosse resolvido, ele não apareceria. O Pavel Kirov que Hayul conhecia era exatamente assim. Se dizia que iria cuidar pessoalmente, ele cumpria, custasse o que custasse.

— Pavel Kirov.

Chamou o nome dele de novo, em voz baixa. Mais uma vez, a resposta veio.

[Sim.]

— Não se machuque mais.

Haha. Um riso seco, sem humor, ecoou do outro lado.

— E pare agora com essa merda de “pode voltar, eu resolvo sozinho”. Você não está sozinho. Nós estamos casados porra. Por que insiste em agir como se estivesse sozinho?

O riso continuou. Pelo telefone, ouviu-se o som dos pingos da chuva caindo. Hayul imaginou os lábios de Pavel curvados num sorriso, o vapor branco da respiração escapando e se dissipando no ar frio e úmido.

[Não quero sujar mais as mãos do hyung com sangue.]

— Minhas mãos já estão sujas, caralho. O que muda sujar um pouco mais? E duas pessoas fazendo o que um faria sozinho termina mais rápido. Porra, quero resolver isso logo e voltar para casa.

Tentou falar com naturalidade, mas a irritação subiu de repente, e os palavrões escaparam.

— Acha mesmo que eu vou ficar parado depois que aquele filho da puta abriu um buraco no corpo do meu marido? Sou eu que vou abrir um buraco na cabeça daquele desgraçado.

A risada de Pavel ficou ainda mais alta. Era uma risada boa de ouvir. ‘Ele sempre ria assim.’ Inocente e vibrante, como uma criança que se diverte com um jogo.

— Onde o Kuzmin está escondido?

[Eu cuido do Kuzmin e depois vou até você, hyung. Espere.]

Ele não respondeu à pergunta e desviou o assunto.

— O que você acha que vai fazer sozinho?

[Se aumentar o número de pessoas, só vai aumentar o número de feridos.]

— Então o plano é você se machucar sozinho, é isso?

Não houve resposta. Do outro lado da linha, só se ouvia o som da chuva caindo.

— Porra, eu até me casei com você, o que você pensa que está fazendo? Falávamos em ter um filho. E não posso ter um filho sozinho, caralho!

Não devia ter mencionado filhos. Arrependeu-se tarde demais, mas a água já tinha sido derramada. Do outro lado do telefone, ouviu-se um haaah longo, um suspiro profundo.

[Você pensa em ter filhos? Você também, hyung? Meu Deus… isso me deixa tão feliz.]

A voz era genuinamente emocionada. Ele suspirou mais uma vez e continuou, agora com a voz trêmula.

[Hyung… haaah, eu te amo. Amo de verdade. Amo tanto a ponto de ficar louco.]

Uma confissão de amor doce, embalada pelo som da chuva caindo. Mas, em seguida, disparos de arma de fogo despedaçaram aquele clima açucarado. Após os tiros, ouviu-se algo se quebrando, depois gritos agudos de homens xingando, seguidos por mais dois disparos.

— Pavel! Ei, Pavel!

Hayul apertou o telefone com força e chamou o nome dele às pressas. Uma voz baixa respondeu.

[Sim, hyung.]

Ao ouvir a voz de Pavel, só então um suspiro de alívio escapou. Os primeiros tiros deviam ter sido do inimigo; os disparos seguintes, de Pavel revidando. O coração de Hayul batia como um louco. Pavel certamente estava no meio do território inimigo. Sozinho. E isso logo depois de uma cirurgia, com o corpo ainda em frangalhos e um buraco aberto no ombro.

— Onde você está agora? Qual é a sua localização?!

[Vamos conversar depois. Estou meio ocupado agora. Te amo, querido. Prometa que vai me dar um beijo quando a gente se encontrar.]

No meio de tudo isso, o idiota ainda deu um beijo estalado no telefone e desligou. — Ei! — Hayul gritou, mas a ligação já tinha sido encerrada.

— O sinal caiu neste ponto.

Enquanto Hayul falava ao telefone, os outros tentavam rastrear a localização. Por ordem do chefe da equipe, o carro seguiu até o ponto onde o sinal havia sido perdido. A partir dali, bastaria dividir a equipe e iniciar a busca.

‘Droga. Beijo é o caralho.’

Decidido a acertar um soco naquele rosto assim que o visse, Hayul cerrou os dentes com força.

O local onde o sinal de Pavel desapareceu ficava numa área florestal ao sul de Berlim. Havia uma fábrica de cimento ali e, um pouco mais afastado, parecia haver zona residencial, mas nos arredores da fábrica não havia absolutamente nada. Um terreno desolado e vazio.

O ponto exato do corte de sinal era o portão principal da fábrica. E não do lado de fora, mas dentro do muro do complexo. Eles desceram do veículo e perguntaram ao guarda da entrada, mas ele apenas repetiu que aquela área era restrita a funcionários com crachá.

Enquanto o chefe da segurança e os outros investigavam os arredores, Hayul permaneceu parado sobre o chão coberto de mato alto, observando tudo ao redor. A chuva havia parado, mas o ar permanecia úmido, frio e desolador. O solo encharcado estava mole e escorregadio.

Pássaros desconhecidos cruzavam o céu cinzento, soltando berros agudos.

Hayul fechou os olhos e puxou um longo suspiro. Cheiro de água, cheiro de terra molhada, cheiro de grama úmida, o odor do ar frio… e, misturado a tudo isso, um leve perfume floral. E, no meio deles, um aroma cítrico suave.

Hayul abriu os olhos de repente.Esse aroma cítrico de Pavel, apenas Hayul conseguia sentir.

Na floresta atrás da área da fábrica, um bando de pássaros levantou voo de repente, batendo as asas com força. O instinto de Hayul, afiado por anos vivendo como atirador de elite, gritava dentro dele.

‘É ali. Pavel está naquele ponto.’

Assim como Hayul havia captado o cheiro de Pavel, Pavel, em algum lugar por ali, também já devia ter sentido os feromônios de Hayul.

Quando Hayul ficou imóvel, encarando fixamente um único ponto, o chefe da equipe percebeu e falou com ele.

— O que foi? Há algo naquela direção?

— Você não sentiu nada?

— Você percebeu alguma coisa?

Ele devolveu a pergunta, piscando os olhos. Mesmo que não fosse o aroma cítrico, perguntou pensando se Hayul tinha sentido a abertura dos feromônios de um Alfa real. Afinal, se fosse algo que desse para perceber imediatamente, Igor Kuzmin já teria contra-atacado.

— N-não… mas parece que toda aquela floresta é território do Kuzmin.

O chefe da segurança, rápido no entendimento, não perdeu tempo perguntando coisas desnecessárias.

— Então isso significa que toda a floresta pode ser a fortaleza do Kuzmin.

Hayul assentiu com a cabeça. Como ex-integrante das forças especiais, ele também sabia muito bem o que aquilo significava. Quando Hayul pediu um binóculo, um dos homens ao lado prontamente lhe entregou. Entre a vegetação e as árvores, era possível ver algumas casas. Na extremidade da floresta, perto das residências, um homem cortava lenha. O estranho era que ele carregava um rifle, não parecia um simples agricultor. E, nos dias de hoje, dificilmente seria um caçador profissional.

Logo depois, mais dois ou três homens saíram da casa para fumar. Eles também portavam rifles. Pouco depois, um dos membros da escolta, que consultava os registros da região, repassou a informação.

— Toda essa área consta como propriedade privada de um único agricultor. Diz aqui que ele cultiva batatas.

Devia ser um terreno comprado por Kuzmin usando o nome de algum alemão local.

— Batata, uma ova. Desde quando agricultor corta lenha carregando rifle?

Hayul soltou um riso de desdém enquanto observava a cena distante pelo binóculo.

— É bem provável que seja uma plantação de drogas do Kuzmin. E o senhor Kirov deve estar lá dentro.

Diante das palavras do chefe da segurança, Hayul não confirmou nem negou. Já tendo uma boa noção da situação, o chefe passou a dar ordens rápidas e precisas aos subordinados.

— Dividam-se em vários grupos e avancem. A missão principal é proteger o senhor Kirov. Os inimigos podem ser abatidos.

Enquanto ele distribuía as ordens, Hayul começou a caminhar sozinho em direção à floresta. Ao ouvir o homem chamá-lo, parou por um instante e virou a cabeça.

— Tem certeza de que ficará bem sozinho?

— No estado em que o Pavel está agora, ele deve estar extremamente instável. Não há necessidade de provocar e piorar a situação. Isto aqui não é a Rússia. Eu vou encontrá-lo e ficar ao lado dele. Peço apenas que façam a segurança de mim e do Pavel.

O chefe assentiu sem discutir. No momento, o mais importante era resolver tudo da forma mais silenciosa e rápida possível e recuar. Separando-se dos demais e seguindo sozinho em direção à floresta, Hayul tirou do coldre uma seringa de inibidor e cravou a agulha no próprio pescoço. Não havia alternativa se quisesse suprimir completamente os feromônios.

Quanto mais se aproximava da floresta, mais intenso ficava o aroma cítrico carregado pelo vento. A lama grudava nas botas militares, fazendo um som pegajoso a cada passo. O tempo estava desagradável, a umidade era infernal e o frio, irritante. Tudo estava molhado e incômodo, mas, ainda assim, o perfume que lhe chegava ao nariz era refrescante como nenhum outro.

Um aroma sempre brilhante. Em algum ponto daquela floresta úmida e gelada, estava um homem ainda mais belo do que o próprio perfume. Certamente, como um animal, ele mantinha os ouvidos atentos, olhando na direção de onde Hayul se aproximava.

Mesmo que ele tivesse controlado os feromônios com a injeção supressora, Pavel certamente sentiria o cheiro de seus feromônios. Assim como Hayul conseguia sentir o aroma cítrico de Pavel.

Foi então que aconteceu. De repente, num único instante, o cheiro desapareceu.

Hayul parou no lugar e examinou atentamente os arredores.

Por que o cheiro tinha desaparecido de repente? Será que algo tinha acontecido com Pavel? A inquietação veio como uma enxurrada. Não. Não podia ser. Hayul forçou a si mesmo a se acalmar e, além do olfato, abriu todos os sentidos ao máximo, aguçando cada nervo do corpo.

Foi então que, mais adiante, ouviu-se um farfalhar. Logo depois, vozes humanas se seguiram. Hayul se apressou em se esconder atrás de uma árvore.

Pouco depois, dois homens armados com rifles surgiram por trás das árvores. Pareciam estar em patrulha.

— Deveríamos ter matado o Kirov de uma vez.

Um deles falou. Hayul prendeu a respiração e se concentrou na conversa.

— Como é que a gente ia fazer isso? Aquele homem era um monstro que, mesmo sangrando feito um porco, matou cinco e ainda conseguiu fugir.

— Era só ter disparado um míssil.

— Vamos matar todos os companheiros que estavam lá só pra pegar um cachorro louco? Droga. Se você estivesse lá, diria a mesma coisa?

— Foi só um jeito de dizer.

Ouviu-se um clique seco, seguido do chiado do isqueiro sendo aceso. Um deles devia ter colocado um cigarro na boca.

— Mas ouvi dizer que a esposa do Kirov também veio para cá. Se a gente pegar aquele desgraçado, pode comer ela?

— Comer um homem moreno daquele? Que gosto isso teria?

— Se ele não fosse gostoso, o Kirov não teria enlouquecido daquele jeito. Aposto que desde a época em que ele era chamado de Anjo da Morte já devia ficar de pau duro levando por trás. Agora sendo um ômega, se enfiar dois ao mesmo tempo num buraco só, ele deve até gritar de prazer.

Os dois tagarelavam coisas nojentas e riam. Ao ouvir aquilo sentiu que seus ouvidos iriam apodrecer. Hayul puxou silenciosamente a arma com silenciador e apontou para os dois.

No instante em que estava prestes a puxar o gatilho, um disparo seco cortou o ar, um som abafado típico de silenciador. Ao mesmo tempo, a cabeça de um deles foi perfurada e ele caiu, jorrando sangue.

O tiro veio de cima. Hayul ergueu a cabeça e olhou para o alto. Mas tudo o que via eram árvores que se estendiam sem fim em direção ao céu. De onde tinha vindo o disparo? O outro homem olhou em volta, xingando, enquanto levantava o rifle. Logo depois, mais um tiro ecoou. A cabeça dele também foi atravessada, e o corpo tombou sem vida.

De onde diabos ele atirou? Enquanto Hayul vasculhava o ar com o olhar, uma sombra saltou de uma árvore, além da vegetação. Por um momento, pensou ser um animal, mas era uma pessoa. Animais não andam sobre duas pernas.

Era um homem alto. Vestia roupas inteiramente pretas, da cabeça aos pés. Até a arma em sua mão enluvada de preto era negra. Com botas pretas, pisando nas folhas molhadas, o homem que caminhou na direção onde os dois haviam caído parou diante deles. Um dos corpos ainda se mexia, soltando um gemido fraco.

— Q-quem é você…?

— Seu bastardo, como ousa insultar a esposa dos outros.

O homem xingou em voz baixa e elegante ao mesmo tempo, e então atirou na virilha do sujeito com a arma que segurava. Foi um tiro brutal, cruel. O homem gritou com todas as forças, embora o som não fosse tão alto. Em seguida, ele disparou mais uma vez, agora na cabeça do sujeito caído. O corpo, que ainda se debatia em agonia, ficou completamente imóvel.

Naquele instante, o aroma cítrico que havia desaparecido se espalhou de forma intensa, como se tivesse sido mantido dentro de um recipiente fechado e a tampa tivesse sido aberta de repente.

Depois de ter lidado com os dois com tanta tranquilidade, a próxima ação de Pavel foi esfregar o cigarro aceso no chão para apagá-lo.

 

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Continua…

Ler Cão Real. Yaoi Mangá Online

(Do mesmo universo de: Noite De Caça.)
 
O telefone tocou em uma noite chuvosa.
Do outro lado do aparelho flui a voz de um homem que carinhosamente chama Hayul de ‘Rosie’.
[Você não sente minha falta? Eu estou quase enlouquecendo de tanta saudade.]
A ligação vinha de um número desconhecido, mas a voz de alguma forma era bastante familiar.
[Espere, irei ver você em breve.]
‘Agora me lembro dessa voz. A única pessoa que me chama de ‘Rosie’ – Pavel Yates Headington, o homem que eu matei sete anos atrás.’
***
A história de como um (Cão real) que cortou sua coleira e mordeu o dono antes de fugir, se tornou uma (Noiva real.)
Nome alternativo: Royal Dog

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