Ler Cão Preso na Gaiola (Novel) – Capítulo 05.1 Online

Capítulo 5.1 Vínculo
O lustre estava brilhando. Toda vez que ele piscava os olhos embaçados, abrindo e fechando-os, a luz se dispersava de forma caótica. Como alguém arrancado da água pouco antes de se afogar, o homem subitamente recuperou os sentidos. Respirações ásperas rasgavam seu peito, seus pulmões queimando como se estivessem sendo dilacerados.
— Cof, cof, cof!
Antes que pudesse compreender onde estava, seus instintos entraram em ação, tornando-o consciente de sua situação.
O sujeito estava sentado em uma cadeira. O problema era que seus tornozelos e coxas estavam amarrados, deixando-o completamente imóvel. Seus braços também estavam atados atrás das costas. As cordas estavam tão apertadas que parecia que o sangue não conseguia circular por seu corpo.
O aviso para não beber nada oferecido por estranhos em uma mesa de jogo passou por sua mente, tarde demais. Engolindo em seco, ele fechou os olhos com força, tentando recuperar a compostura. Dizem que, mesmo que você seja jogado na cova de um tigre, sobreviverá contanto que mantenha o juízo.
Ele virou a cabeça — a única parte do corpo que conseguia mover — e examinou os arredores. O quarto era extravagantemente luxuoso. Um grande lustre, pisos de mármore, sofás de couro premium e uma televisão de última geração sugeriam que aquilo era, sem dúvida, uma suíte de hotel. Por que ele estava ali? Ao contrário de sua expectativa de um terreno abandonado ou canteiro de obras decadente, o espaço era opulento a ponto de ser indulgente.
Incapaz de mover o corpo, ele deslocou os olhos inquietamente. Quando voltou o olhar para a direita, a silhueta tênue da cidade entrou em seu campo de visão. Gotas de chuva riscavam o vidro, borrando as luzes do que era inconfundivelmente o horizonte noturno de Seul.
Seu coração começou a martelar. O pensamento de que algo dera errado passou por sua mente.
Ele estava em uma suíte de hotel. Se conseguisse chegar ao corredor, talvez pudesse sobreviver. Apegando-se a essa esperança vã, o homem contorceu o corpo, tentando afrouxar as cordas. Mas seu esforço desesperado foi interrompido pelo som da fechadura da porta se abrindo.
Ele congelou, prendendo a respiração enquanto encarava a entrada, sem piscar. O som de sapatos batendo no piso de mármore ecoou pelo quarto.
— ……!
Havia acontecido há quinze anos, quando o Presidente Jung vendera um alfa por um preço excepcionalmente alto.
O alfa teria sido vendido para uma gangue que controlava a área de Seul na época. Não tinha nada a ver com ele, então ele rapidamente esqueceu o assunto. Mas, alguns anos depois, ouviu dizer que o alfa havia atraído a atenção do líder da facção Yeonbeom.
Diziam que o chefe da facção ficara tão encantado com o alfa que até lhe dera um nome excepcional.
Alguns diziam que o alfa, embora jovem, tinha olhos que brilhavam como os de um predador. Afirmavam que qualquer um que encontrasse aqueles olhos — mesmo que sobrevivesse ao encontro — ficaria louco devido à ferocidade deles. Era um rumor infantil, comparando o olhar dele ao de um tigre.
Na época, o sujeito descartara o boato, pensando que, naturalmente, a facção Yeonbeom seria do tipo que ficaria obcecada por tigres.
Anos se passaram, e ele se lembrou daquele nome novamente.
Havia boatos de que o alfa matara seu mestre, cortara todos os laços e desmantelara a gangue, transformando-a em algo inteiramente novo. Não demorou muito para que o jovem alfa se tornasse o chefe da organização, Jiwoo, e ganhasse seu título infame, Diretor Yeon.
— Ugh, uhh.
Lee Yootae não conseguia virar a cabeça. Era como se estivesse paralisado pelo olhar predatório de um tigre, exatamente como os antigos rumores descreviam.
Yeon Woobeom estava parado diante dele, sorrindo levemente.
Yeon Woobeom.
Woobeom.
Naquele momento, Lee Yootae percebeu uma coisa.
Mesmo que alguém conseguisse sobreviver na cova de um tigre, jamais sairia vivo depois de encontrar o próprio tigre.
Seus dentes começaram a bater incontrolavelmente. Era uma reação visceral — uma mistura de medo primordial, repulsa instintiva e uma certeza sinistra sobre seu destino. Seria ele capaz de sobreviver a isso? Ele buscou desesperadamente por um fiapo de esperança, mas qualquer vestígio dela desapareceu em um instante.
Yeon Woobeom afundou no amplo sofá da sala de estar. Ele não se movera rápido — seus passos eram pausados, como os de alguém deixado sozinho em um espaço vasto e vazio. Lee Yootae o observava sem sequer ousar respirar. Seus olhos doíam como se estivessem prestes a estourar com veias injetadas de sangue, mas ele não conseguia sequer piscar. Parecia que qualquer pequeno ruído resultaria em ser despedaçado no ato.
Yeon Woobeom cruzou as pernas como alguém entediado. A luz do lustre dançou brevemente em seus sapatos polidos antes de recuar. Sentado na ponta do sofá, ele apoiou a mão casualmente no braço do móvel. O olhar de Lee Yootae seguiu os movimentos do jovem alfa obsessivamente, incapaz de desviar.
Um leve toque com a ponta do pé — Yeon Woobeom ajustou o braço, inclinando a cabeça até que sua têmpora tocasse os nós dos dedos. Uma cicatriz nítida, nem particularmente grande nem longa, marcava o espaço a alguns centímetros de sua mão. Não era dramática, mas carregava uma presença pesada, somando-se ao seu ar de autoridade. Sua boca se abriu ao mesmo tempo.
— Você sabe quem eu sou, certo?
— D-Diretor Yeon.
Lee Yootae gaguejou. Seus dentes trêmulos distorciam as palavras, e sua voz vacilava incontrolavelmente. Yeon Woobeom soltou uma risada baixa. Seu sorriso poderia parecer gentil à primeira vista, mas a cicatriz no canto de seu olho, que permanecia completamente imóvel, era arrepiante. Estava claro que apenas sua boca estava sorrindo.
— Este é o nosso primeiro encontro, não é, Mordomo Lee Yootae?
Lee Yootae engoliu em seco. O terror da presença do homem ainda era palpável, mas com a longa distância entre eles, sua mente começou a funcionar novamente. Por que aquele homem estava ali? Ser subitamente deixado inconsciente e trazido para este lugar desconhecido certamente estava relacionado às suas dívidas de jogo. Lee sabia bem que suas dívidas não tinham absolutamente nada a ver com Yeon Woobeom .
Como ele acabara envolvido com aquele homem? Enquanto ele quebrava a cabeça sobre a situação, outro par de passos ecoou em seus ouvidos. Lee Yootae estremeceu, seu corpo enrijecendo. Uma pequena parte dele se sentira tranquila ao pensar que apenas duas pessoas ocupavam aquele espaço — ele mesmo e Yeon Woobeom , que estava sentado à distância no sofá.
O outro homem não parecia ter intenção de se mover, dando-lhe uma pequena chance de pensar. Mas aquele frágil momento de trégua desapareceu com o som de novos passos. Quem quer que se aproximasse poderia feri-lo fisicamente em nome de Yeon Woobeom . Forçando seu pescoço rígido a virar, Lee viu Kim Chulwoo empurrando um carrinho para dentro do quarto. O que haveria naquele carrinho? Uma arma? A imaginação de Lee Yootae espiralou em medo.
— Diretor.
— E quanto a Kim Jiwon?
— Ele acabou de chegar ao primeiro andar.
Kim Chulwoo respondeu, retirando uma garrafa de uísque e um único copo do carrinho. Vendo apenas itens comuns, Lee Yootae expirou levemente aliviado. Ele esperava drogas, seringas ou, no pior dos casos, uma arma. Mas era apenas bebida — felizmente.
Afinal, aquele não era um canteiro de obras abandonado ou um prédio deserto. Era um hotel no coração de Seul. Embora seu corpo inteiro estivesse amarrado a uma cadeira, não parecia que sua vida corria perigo imediato. Por que ele fora arrastado para ali, diante de Yeon Woobeom ? Lee Yootae ponderou com sua mente endurecida para encontrar uma resposta.
Yeon Woobeom notou que a respiração anteriormente errática de Lee Yootae havia se estabilizado gradualmente. Seus olhos varreram o beta de longe, da cabeça aos pés. Lee Yootae. Trinta e oito anos. Beta. Para um beta, seu porte era bastante imponente. Um físico sólido e compacto que passava uma impressão de força.
E ele também bateu em Jung Heeyeon com esse físico. Yeon Woobeom não tinha como saber por quanto tempo o abuso durara, mas não havia como negar o fato de que Jung Heeyeon fora submetido a uma violência contínua por esse adulto durante um longo período.
O hematoma escuro que havia manchado a clavícula de Jung Heeyeon permanecia vívido na memória de Yeon Woobeom . Ele falou lentamente, direcionando suas palavras não a Lee Yootae, mas a Kim Chulwoo.
— Desamarre-o. Não sejamos rudes.
Sem dizer uma palavra, Kim Chulwoo aproximou-se de Lee Yootae. Puxando uma faca militar do bolso, ele cortou as cordas que prendiam o corpo de Lee Yootae com eficiência brusca. Temendo que a lâmina pudesse rasgar sua carne, Lee Yootae prendeu a respiração aterrorizado. Somente quando Kim Chulwoo cortou a corda em volta de seus pulsos e recuou, ele finalmente expirou.
— D-Diretor, o que o traz até mim…?
Lee Yootae gaguejou enquanto escorregava da cadeira, caindo imediatamente de joelhos no piso de mármore. Suas pernas haviam enfraquecido, e o movimento foi mais próximo de um colapso. Um baque surdo ecoou quando seus joelhos atingiram o chão, enviando uma dor aguda através de seus ossos, mas ele não tinha capacidade para se concentrar em tal desconforto trivial. Rastejando para frente em uma posição patética e rastejante, ele se aproximou de Yeon Woobeom.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna
Ler Cão Preso na Gaiola (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
A sensação de flutuando na água. O cheiro de ferro enferrujado. Uma jaula cercada por todos os lados.
— O que é isso agora?
Um rosto tão frio quanto o ar do inverno.
— O que eu deveria receber era…
Uma cicatriz acima da pálpebra e,
— Não esse tipo de vira-lata.
Olhos ferozes, como se pudessem devorar alguém.
— …Ah.
E o cheiro salgado do mar.
Esse era um mundo que Jung Heeyeon nunca tinha visto antes.
Nem uma única vez.
—
Abrindo os olhos dentro de um contêiner vazio, Jung Heeyeon segue um homem que nunca conheceu antes sem resistência, simplesmente porque o homem é um alfa dominante.
Enquanto isso, o Diretor Yeon recebe uma ligação do Chefe Nam, que lhe enviou um “presente”, e descobre que o ômega no contêiner é parente do Presidente Jung, uma figura de um passado sombrio.
— Heeyeon.
— … Sim?
— Você tem dezenove anos?
— Sim.
— Então você é um bebê.
— Eu não sou um bebê.
— Bebês geralmente odeiam ser chamados de bebê.
— Não é assim… Quer dizer, eu tenho dezenove…?
Diante dessa resposta sincera, o Diretor Yeon solta uma risada suave.
— Você vai dar trabalho, não vai?
— Vou tentar… não ser um fardo.
— Não se preocupe, Heeyeon.
— ……
— Eu gosto de coisas que exigem muita atenção.
O homem, que trouxe Jung Heeyeon para dentro de sua casa, faz uma sugestão gentil.
— Que tal chamarmos isso de acordo?
— Acordo?
— Porque eu preciso de você.
Nome alternativo: Dog On The Hutch Co Preso Na Gaiola Cachorro Preso Na Gaiola