Ler Cão Preso na Gaiola (Novel) – Capítulo 01.2 Online

Capítulo 1.2 Zona de alta criminalidade
O cheiro familiar de metal enferrujado rasgou o odor salgado do mar. A luz da lua se derramava pelo espaço entre as portas. Não era clara o suficiente para iluminar completamente o conteúdo lá dentro, mas não parecia que precisariam de mais luz. Mesmo do lado de fora, era evidente que o contêiner estava vazio.
Exceto por um aroma tênue que se sobrepunha à salmoura do mar. Diretor Yeon enrugou o nariz, uma rachadura se formando em sua expressão, que até então permanecia calma.
— Senhor!
Ignorando o chamado de Kim Chulwoo, o homem entrou a passos largos no contêiner. O cheiro de metal enferrujado típico dos contêineres e o eco tênue em seu interior lhe deixaram uma sensação de desconforto.
Ao chegar ao fundo do contêiner, ele parou. Um forte aroma de feromônios preenchia o ar. Ali, encolhido no canto mais distante, havia um ômega, agachado com a cabeça baixa. O topo arredondado de sua cabeça entrou no campo de visão afiado do homem.
— O que é isso agora?
Ao som de sua voz, o ômega ergueu lentamente o rosto. O ômega inclinou a cabeça, observando o homem.
— O que eu deveria receber…
Um ômega que nem sequer conseguia controlar seus feromônios.
— …não era um vira-lata como este.
Não havia nenhum traço de zombaria em sua voz. Ele falou com calma, como se estivesse declarando um simples fato.
Por hábito, os lábios de Diretor Yeon se curvaram ligeiramente. Kim Chulwoo, que o havia seguido para dentro, usou o celular para iluminar o canto do contêiner. Naquele momento, seus olhos encontraram os do ômega agachado ali.
— …Ah.
O rosto pálido do ômega, sem expressão, deixou escapar um breve som de surpresa.
Só então Diretor Yeon pôde observar de perto o rosto do ômega enquanto ele olhava para cima.
— Tsc.
O ômega era apenas um garoto, ainda com uma aparência macia e delicada.
Esse breve pensamento foi tudo o que ele teve. O que importava para ele não era o ômega que vazava feromônios, mas o motivo pelo qual Chefe Nam havia enviado aquele ômega.
Eles haviam verificado o contêiner quando ele chegou da Sérvia, passou pelo Vietnã e depois por Incheon. Como o lado de Chefe Nam administrava a carga na Coreia, se ele tivesse trocado o conteúdo intencionalmente, isso provavelmente teria acontecido em Incheon.
Mesmo em uma situação em que centenas de milhões haviam desaparecido, Diretor Yeon não demonstrou nenhum sinal de urgência. Ele nem sequer parecia irritado com a situação. Com o mesmo olhar entediado, apenas encarava o ômega agachado no contêiner, em vez do armamento frio de metal que esperava encontrar.
Embora a luz artificial do celular de Kim Chulwoo fosse bastante forte, o pequeno ômega apenas olhava quietamente para ele, com olhos vazios. Diretor Yeon estreitou ligeiramente o olhar.
Nesse exato momento, um celular vibrou. Kim Chulwoo desligou a lanterna, verificando o nome exibido na tela. Era Chefe Nam.
— Senhor. É Chefe Nam.
Kim Chulwoo informou, tirando os olhos da tela do celular. Seu tom era o de sempre, mas ele se esforçou ao máximo para esconder o cenho franzido. Os feromônios que vinham do canto do contêiner estavam irritando seus nervos. Para um alfa como ele, não era exatamente uma sensação agradável.
Se ele fosse um alfa comum, teria enlouquecido com o cheiro e perdido o controle, mas Kim Chulwoo, assim como os outros por perto, não eram alfas comuns. Para eles, os feromônios não passavam de uma irritação, algo que lhes feria os nervos, nem mais, nem menos.
— O que gostaria de fazer?
Kim Chulwoo perguntou a Diretor Yeon, lançando um olhar ao ômega agachado no canto. Não parecia que o ômega estivesse liberando feromônios de propósito. O cheiro dava menos a impressão de uma onda intensa e mais de um rastro persistente de perfume. Mas, se aquilo conseguia deixar alguém tão bem treinado quanto ele em alerta, então o ômega devia ser dominante.
Um ômega dominante. Não era algo que se via todos os dias.
— Será que nossa querida Chefe Nam instalou câmeras aqui para nos observar?
Diretor Yeon fez uma piada displicente enquanto olhava para o celular que Kim Chulwoo lhe entregava.
— Ele está ligando em um momento tão perfeito.
Mas o homem não atendeu a chamada. Ele não era algum cão obediente esperando ansiosamente para atender ao chamado do dono. Se alguém deveria esperar por uma ligação, era a pessoa do outro lado, não ele.
Bip.
A chamada terminou enquanto ele brincava sobre isso. Quase imediatamente, o celular vibrou de novo, indicando que Chefe Nam ligara novamente assim que a linha ficou livre. Kim Chulwoo, que trabalhava ao lado do homem havia muito tempo, guardou o celular de volta no bolso. Embora o aparelho continuasse vibrando, ele o ignorou, com o rosto sem expressão.
— Espere lá fora.
— Sim.
— E providencie um beta para dirigir o carro.
— Entendido.
Kim Chulwoo se virou e desapareceu do lado de fora do contêiner. O som do metal rangendo sob seus pés ecoou pelo espaço vazio. Suportando o ruído desagradável, Diretor Yeon examinou cuidadosamente o ômega agachado. Seu casaco, suas roupas, seus sapatos, até as meias; o ômega estava vestido dos pés à cabeça com marcas de grife caras. Ainda assim, não era exatamente uma roupa adequada para afastar o frio.
Embora a distância de Incheon até Busan fosse relativamente curta para uma carga, era dezembro. Naquela roupa, suportar o frio gelado do contêiner devia ter sido difícil. Ainda assim, o ômega usava uma expressão distante, como se estivesse acostumado àquilo. Nenhum pedido de misericórdia, nenhuma pergunta sobre onde estava, nem sequer uma única palavra perguntando quem era o homem. O ômega apenas olhava para cima, nada além disso.
— Diga qualquer coisa.
Diretor Yeon empurrou de leve o pé do ômega com o seu, seus sapatos grandes pressionando contra os tênis menores.
— …Sim?
Um rosto claro respondeu lentamente. Era uma conversa estranha para se ter no limiar do inverno, perto de um porto frio e ventoso, dentro de um contêiner. Aquela era uma cena incomum que poderia parecer risível para os outros, mas nenhum dos dois sorria.
Ao ouvir a voz fraca, Diretor Yeon ergueu uma sobrancelha.
— A julgar pela sua resposta coerente, não parece que você esteja drogado.
O homem inclinou levemente a cabeça. Por que um ômega dominante, adornado em luxo, havia acabado escondido naquele contêiner? Certamente era um presente de Chefe Nam, mas a intenção por trás disso era um mistério. E ele detestava presentes com intenções pouco claras.
— Este lugar…
Assim que começava a sentir um leve traço de tédio, o ômega falou. A voz era baixa, mas clara. Diretor Yeon olhou para ele com curiosidade, intrigado com o que ele diria primeiro. Seria um pedido de misericórdia, ou algum apelo desesperado semelhante ao que tantos outros já haviam tentado contra ele?
— Nós estamos… perto do mar?
Era uma pergunta estranha.
Inconscientemente, a boca de Diretor Yeon se torceu em um sorriso. Ele não conseguia dizer se o som que escapou de si mesmo era uma risada divertida ou algo mais próximo de um escárnio. Mas uma coisa estava clara: ele não se sentia completamente descontente. Para alguém resignado a um tédio perpétuo, como se pudesse morrer amanhã sem se importar, sentiu uma faísca tênue de interesse naquele momento estranho.
Parte dele se perguntou se, afinal, aquele ômega talvez estivesse drogado com alguma coisa. O ômega acabara de atravessar o oceano enfiado em um contêiner e agora perguntava se eles estavam perto do mar.
Mas se o pequeno ômega estava drogado ou não tinha pouca importância para ele.
— Quem sabe?
— …
— Quer conferir?
Lentamente, Diretor Yeon virou as costas para o ômega. Como seu sapato estava pressionado contra o dele, o pé calçado com tênis deslizou junto, produzindo um som de raspagem ao se arrastar pelo chão de metal. Ele franziu ligeiramente a testa com o ruído, mas não fez mais nada.
— Saia. A menos que queira ser estuprado por alguns alfas no cio.
Não havia nenhum alfa ali naquele tipo de estado naquele momento, mas, assim que ele deixasse o porto com os homens que trouxera, a situação poderia se tornar outra história.
Aquela área era uma zona de alta criminalidade. Algumas pessoas iam até ali para pequenas negociações ilegais, enquanto outras se escondiam ali para evitar serem vistas. Se o ômega continuasse emitindo feromônios daquele jeito, era improvável que passasse a noite ileso.
Em vez de tentar convencer ainda mais a figura pequena e curvada, Diretor Yeon se virou e seguiu direto para fora do contêiner. Mais uma vez, o ruído desagradável feriu seus ouvidos de forma cortante.
Quando ele saiu, Kim Chulwoo se aproximou. Na tela de seu celular, o nome “Chefe Nam” ainda era exibido. O olhar de Kim Chulwoo oscilou brevemente para o ômega parado atrás de Diretor Yeon e então retornou rapidamente.
— Senhor.
Diretor Yeon pegou o celular de Kim Chulwoo justamente quando a vibração parou. Ele lançou um olhar para a tela, onde a palavra “perdida” vinha acompanhada do número 18.
— O motorista?
— Eu o substituí por um beta.
— Siga em outro carro.
— Entendido.
Embora Kim Chulwoo exibisse uma expressão ligeiramente desconfiada, achando incomum o aparecimento repentino do ômega, respondeu obedientemente. Ele não se moveu, claramente esperando até que seu chefe entrasse primeiro no carro. Os outros alfas também permaneceram em suas posições.
Em vez de entrar no carro, Diretor Yeon abriu ele mesmo a porta traseira. Então, inclinou a cabeça na direção do ômega que o havia seguido para fora. O celular em sua mão continuava piscando e vibrando com chamadas insistentes.
— Entre.
Ao contrário da possibilidade de o ômega demonstrar resistência, ele apenas olhou para o homem, sem expressão, antes de entrar no carro.
Clique.
A porta se fechou. O homem que havia fechado a porta ficou encostado no carro, pegando um cigarro na mão por hábito. Kim Chulwoo se aproximou rapidamente para acendê-lo. O número na tela já havia passado de 20.
Outra chamada entrou, mas, em vez de atender, Diretor Yeon deu uma longa tragada no cigarro.
Ele finalmente moveu os dedos justo quando a chamada estava prestes a terminar.
Continua…
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna
Ler Cão Preso na Gaiola (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
A sensação de flutuando na água. O cheiro de ferro enferrujado. Uma jaula cercada por todos os lados.
— O que é isso agora?
Um rosto tão frio quanto o ar do inverno.
— O que eu deveria receber era…
Uma cicatriz acima da pálpebra e,
— Não esse tipo de vira-lata.
Olhos ferozes, como se pudessem devorar alguém.
— …Ah.
E o cheiro salgado do mar.
Esse era um mundo que Jung Heeyeon nunca tinha visto antes.
Nem uma única vez.
—
Abrindo os olhos dentro de um contêiner vazio, Jung Heeyeon segue um homem que nunca conheceu antes sem resistência, simplesmente porque o homem é um alfa dominante.
Enquanto isso, o Diretor Yeon recebe uma ligação do Chefe Nam, que lhe enviou um “presente”, e descobre que o ômega no contêiner é parente do Presidente Jung, uma figura de um passado sombrio.
— Heeyeon.
— … Sim?
— Você tem dezenove anos?
— Sim.
— Então você é um bebê.
— Eu não sou um bebê.
— Bebês geralmente odeiam ser chamados de bebê.
— Não é assim… Quer dizer, eu tenho dezenove…?
Diante dessa resposta sincera, o Diretor Yeon solta uma risada suave.
— Você vai dar trabalho, não vai?
— Vou tentar… não ser um fardo.
— Não se preocupe, Heeyeon.
— ……
— Eu gosto de coisas que exigem muita atenção.
O homem, que trouxe Jung Heeyeon para dentro de sua casa, faz uma sugestão gentil.
— Que tal chamarmos isso de acordo?
— Acordo?
— Porque eu preciso de você.
Nome alternativo: Dog On The Hutch Co Preso Na Gaiola Cachorro Preso Na Gaiola