Ler Cão Preso na Gaiola (Novel) – Capítulo 01.3 Online


Modo Claro

Capítulo 1.3 Zona de alta criminalidade

— Chefe Nam. Tão impaciente, não é?

— Diretor Yeon! Você está realmente fazendo isso comigo?

— E o que exatamente eu fiz?

O Diretor Yeon levantou lentamente um canto da boca, cumprimentando a pessoa do outro lado com um ar casual.

— Quem foi que ignorou as ligações do Secretário Kim?

— Bem… era para ser um presente surpresa. Não tem graça estragar tudo antes da hora, certo?

— Para alguém que está dando um presente, você parecia bem ansiosa, considerando que ficou ligando no momento em que verifiquei o “item”, não é?

Pela primeira vez, o Diretor Yeon revelou uma ponta de desagrado. Embora seu tom e expressão mantivessem uma ponta de brincadeira, Kim Chulwoo, que estava por perto, reconheceu aquilo como uma postura de zombaria em relação à outra pessoa. A Chefe Nam, que conhecia o Diretor Yeon há muito tempo, entenderia isso também.

— Você teve um trabalho e tanto para conseguir um ômega dominante. Está preocupada que eu já tenha ficado encantado por esses feromônios e feito o que quis com ele?

— O quê? Haha. Diretor Yeon, se você soubesse quem aquele garoto é, ia querer cortar sua própria língua por dizer isso.

Apesar do tom áspero, o Diretor Yeon não sentiu interesse particular. Em vez de continuar a brincadeira, ele foi direto ao ponto.

— Então, e quanto ao item?

— Está sendo retido em Incheon. Vou limpá-lo e enviá-lo por outra rota em breve…

— Chefe Nam. Eu preferiria que nosso negócio aqui não fosse o último.

— Relaxe. Você acha que eu seria imprudente a ponto de roubar de você?

— Bom, então.

— Como está meu presente?

Ao tom confiante da mulher, o Diretor Yeon inclinou-se ligeiramente para olhar para dentro. Pela janela, ele viu o ômega que ele havia prendido ali.

— Não tenho certeza do que devo fazer com esse garoto fofinho que você me enviou.

Uma pausa preenchida pelo som de respiração pesada veio do outro lado. Embora o Diretor Yeon fosse normalmente paciente, sua tolerância não se estendia a assuntos triviais. Ele estava prestes a encerrar a ligação sem pensar duas vezes quando —

— Aquele garoto, ele é neto do Presidente Jung. Ele é Jung Heeyeon!

Com uma expressão calma, o Diretor Yeon encarou intensamente o ômega no carro, Jung Heeyeon. Jung Heeyeon estava com os olhos semicerrados, olhando distraidamente para as costas do banco da frente. Apesar de estar no carro de um alfa desconhecido, ele não mostrava um único sinal de ansiedade.

— Ele é Jung Heeyeon?

— Eu não disse que era um presente surpresa?

Ao contrário da empolgação na voz da outra pessoa, o rosto do Diretor Yeon permaneceu firme.

— Eu não pensei que você realmente conseguiria encontrá-lo.

— Cumpra o que você me prometeu. Assim que eu encontrasse o neto do Presidente Jung, você avançaria com o plano, certo?

— Certo. Entendido.

O Diretor Yeon endireitou o corpo, estendendo a mão. A ponta curta de seu cigarro descansava entre seus dedos. Kim Chulwoo rapidamente ofereceu um cinzeiro portátil, e o Diretor Yeon bateu a cinza antes de apagar o cigarro. Ao mesmo tempo, a ligação terminou.

— …Senhor.

— O presente que a Chefe Nam preparou é interessante, não é?

Embora sua boca estivesse curvada em um sorriso, seu rosto não parecia particularmente divertido. Após um breve silêncio, aparentemente perdido em pensamentos, ele abriu a porta do carro e entrou no banco de trás.

Kim Chulwoo evitou ocupar seu lugar habitual no banco do passageiro da frente, recuando. O carro que transportava o Diretor Yeon e o neto do Presidente Jung logo partiu.

Kim Chulwoo ficou ali, enraizado no local como se estivesse pregado ao chão, até que o carro que seguia seu chefe parou à sua frente. Aquele ômega misterioso ser neto do Presidente Jung já era chocante o suficiente — mas o que o surpreendia ainda mais era como seu chefe parecia imperturbável com isso.

***

O Diretor Yeon sentou-se ligeiramente inclinado, observando Jung Heeyeon. O ômega de pele clara olhava silenciosamente pela janela, mantendo uma expressão serena apesar da situação estranha. Por causa de sua cabeça apenas ligeiramente virada, não era difícil absorver os detalhes de seu rosto.

Mesmo no contêiner mal iluminado, tinha ficado claro — ele tinha um rosto jovem. Embora ele fosse um pouco mais magro que a média e seu rosto não tivesse muito peso, ainda havia um toque de suavidade, quase como gordura de bebê.

O Diretor Yeon estudou o rosto de Jung Heeyeon meticulosamente, como se procurasse traços de outra pessoa. Apesar de seu foco intenso, seus movimentos eram relaxados.

Toc, toc.

O som rítmico de seus dedos longos batendo no acabamento da porta do carro preenchia o ar. O ômega sentado ao lado dele permanecia inexpressivo, tão indiferente quanto estivera desde o início. Com olhos gentis e cílios longos, sua falta de expressão irradiava uma espécie de calor gentil — talvez devido à sua pele clara, que o fazia parecer como se tivesse sido criado intocado pela luz do sol. No entanto, o Diretor Yeon não conseguia encontrar nenhum traço do Presidente Jung nele.

— É aquele…

Jung Heeyeon virou lentamente a cabeça para olhá-lo e falou. Apesar de ter sido pego encarando, o Diretor Yeon não mostrou sinal de constrangimento e olhou de volta sem se abalar, quase como se perguntasse: “O quê?”

— É o oceano?

Embora sua expressão ainda estivesse desprovida de um sorriso, algo cintilou naqueles olhos castanhos claros, como se refletissem as ondas do mar noturno visíveis pela janela.

— Sim.

O Diretor Yeon respondeu secamente. Ele agora entendia por que Jung Heeyeon havia feito uma pergunta tão aleatória no contêiner. Era porque seu avô, o Presidente Jung, havia criado o pequeno ômega em isolamento.

Presidente Jung.

O rosto que ele nunca poderia esquecer, mesmo após 15 anos, surgiu em sua mente. Embora agora fosse conhecido como “Presidente”, o homem já fora chamado por outros títulos. O Diretor Yeon estava mais familiarizado com aqueles.

Ele era o homem que havia vendido o Diretor Yeon. Antes de ser vendido, o Diretor Yeon tinha sido criado por aquele homem como um cão de briga.

Junto com outros cães.

Em uma gaiola enferrujada.

O carro deslizou suavemente para fora do porto. As estruturas metálicas quadradas já haviam desaparecido da vista há muito tempo, mas o cheiro metálico característico parecia persistir, como uma memória indesejada da gaiola enferrujada de seu passado.

O Diretor Yeon olhou para o ômega sentado ao seu lado enquanto memórias desagradáveis surgiam. Jung Heeyeon sorriu fracamente e baixou a cabeça ligeiramente em resposta à sua breve resposta.

— Obrigado por me dizer.

A curva gentil de seus olhos seguia seu pequeno sorriso, exalando uma graça natural. Parecia ser por hábito — um sorriso educado e uma palavra de agradecimento praticada.

Enquanto Jung Heeyeon voltava seu olhar para o oceano passando pela janela, o Diretor Yeon inclinou a cabeça na direção de seu cotovelo levantado, usando os dedos para pressionar sua têmpora em uma pose relaxada.

Jung Heeyeon.

O Diretor Yeon deixou sua língua rolar sobre cada sílaba de seu nome. O neto do Presidente Jung sentava-se silenciosamente ao seu lado, envolto na riqueza que seu avô acumulou explorando inúmeros alfas e ômegas.

Mas ele não sentia a menor emoção em relação a Jung Heeyeon. Seu alvo de vingança era o Presidente Jung, não esse ômega ingênuo que nem sequer conhecia o mar.

De repente, ele se lembrou da Chefe Nam, a responsável pela situação atual.

— O Presidente Jung fugiu para a China! Você vai deixar isso passar?

O rosto dela estava corado com uma raiva rara.

— Não seria mais divertido apertar a coleira lentamente? Ele nem conseguirá dormir direito, imaginando quando eu vou atacar.

— Não, eu não posso deixar assim. Eu não ficarei satisfeita até que ele sofra tanto quanto eu sofri.

— E como exatamente eu deveria trazer de volta aquele bastardo que fugiu para a China? Chefe Nam, vá em frente e faça isso.

— Aquele bastardo, o Presidente Jung, ele merece ser despedaçado… Eu vou dar um jeito, de alguma forma.

A Chefe Nam tinha gritado como uma louca, bagunçando rudemente seu cabelo, um brilho insano em seus olhos de alfa.

— Ah! Certo, eu sei. Ainda resta um dos parentes de sangue do Presidente Jung na Coreia.

— Parente de sangue? …Eu acho que ele tinha um filho ômega, mas ele não está morto?

— O filho está morto, mas o neto está vivo. Ouvi dizer que ele o criou cuidadosamente para vender a algum alfa do Grupo Sunha. Dizem que apenas um mordomo viu seu rosto — aparentemente, ele nunca saiu de casa nem uma vez.

— E daí?

Embora desinteressado, o Diretor Yeon a tratou com leveza.

— O Presidente Jung fugiu para a China, deixando seu neto aqui. Aposto que ele planeja vendê-lo por um preço alto assim que ele completar vinte anos. Ouvi dizer que ele é um ômega dominante. Vou tirá-lo de lá e usá-lo para atrair o Presidente Jung de volta à Coreia.

— Certo, faça isso então.

Foi uma promessa feita com pouco peso.

Ele não tinha feito aquela promessa esperando que uma situação como essa surgisse. Não era que ele subestimasse a determinação e as habilidades da Chefe Nam; ele simplesmente achava que seria uma promessa quase impossível de manter. Afinal, se o Presidente Jung tinha ido tão longe para esconder seu neto, tirá-lo de lá seria quase impossível. No entanto, ela realmente conseguiu.

Lembrando-se da voz da Chefe Nam, carregada de empolgação, o Diretor Yeon curvou os lábios levemente. Ele sabia bem por que ela estava tão determinada a se vingar.

A Chefe Nam era uma alfa, como ele, criada como uma cadela de briga. Ela, seu secretário Kim Chulwoo, e vários outros alfas, que agora ocupavam altos cargos na Jiwoo (馶遇), todos compartilharam aquela criação brutal.

O Presidente Jung nunca poderia ter imaginado que as crianças que ele abusava cresceriam tão “bem”. A maioria dos alfas e ômegas que ele vendeu encontrou os destinos trágicos esperados. Mas o Diretor Yeon sobreviveu, rastejando desde o fundo e agora aproveitando sua vida atual.

Embora oficialmente chefe de uma empresa de segurança privada, seu principal negócio era, na verdade, o comércio de armas avançadas. Legalmente, o título de Diretor pertencia a outra pessoa, mas na indústria, todos sabiam que ele era o verdadeiro proprietário. A mera criança, cujo nascimento nunca tinha sido registrado, que não tinha nome real nem idade, tinha se tornado um peso-pesado intocável.

Além dele, havia alguns outros alfas e ômegas que também tinham crescido “bem”, e uma delas era a Chefe Nam. Ela foi quem levou Jung Heeyeon embora de Seul, transformando-o em uma isca.

Continua…

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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna

Ler Cão Preso na Gaiola (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse:
A sensação de flutuando na água. O cheiro de ferro enferrujado. Uma jaula cercada por todos os lados.
— O que é isso agora?
Um rosto tão frio quanto o ar do inverno.
— O que eu deveria receber era…
Uma cicatriz acima da pálpebra e,
— Não esse tipo de vira-lata.
Olhos ferozes, como se pudessem devorar alguém.
— …Ah.
E o cheiro salgado do mar.
Esse era um mundo que Jung Heeyeon nunca tinha visto antes.
Nem uma única vez.

Abrindo os olhos dentro de um contêiner vazio, Jung Heeyeon segue um homem que nunca conheceu antes sem resistência, simplesmente porque o homem é um alfa dominante.
Enquanto isso, o Diretor Yeon recebe uma ligação do Chefe Nam, que lhe enviou um “presente”, e descobre que o ômega no contêiner é parente do Presidente Jung, uma figura de um passado sombrio.
— Heeyeon.
— … Sim?
— Você tem dezenove anos?
— Sim.
— Então você é um bebê.
— Eu não sou um bebê.
— Bebês geralmente odeiam ser chamados de bebê.
— Não é assim… Quer dizer, eu tenho dezenove…?
Diante dessa resposta sincera, o Diretor Yeon solta uma risada suave.
— Você vai dar trabalho, não vai?
— Vou tentar… não ser um fardo.
— Não se preocupe, Heeyeon.
— ……
— Eu gosto de coisas que exigem muita atenção.
O homem, que trouxe Jung Heeyeon para dentro de sua casa, faz uma sugestão gentil.
— Que tal chamarmos isso de acordo?
— Acordo?
— Porque eu preciso de você.
Nome alternativo: Dog On The Hutch Co Preso Na Gaiola Cachorro Preso Na Gaiola

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