Ler Beije o Estranho (Novel) – Capítulo 69 Online

⚝ Capítulo 69
Assim que o vi, senti como se meu coração afundasse. O aroma de feromônio que flutuava levemente no quarto intensificou-se em um instante e, embora eu já estivesse preparado, meu corpo inteiro começou a tremer.
— Uh, uh…
Cada vez que eu tremia, minhas costas latejavam e doíam, e um gemido saía espontaneamente. Sem ter para onde fugir, encolhi-me contra a parede, agachado com o corpo todo tenso e os olhos cheios de lágrimas, apenas observando.
“Haa… haa…”
O campo de visão continuava a oscilar conforme eu respirava. Asgyle olhou para mim em silêncio. Um silêncio pesado se seguiu. Eu não conseguia sequer adivinhar o que ele faria, mas de repente lembrei-me das palavras de Meisa que eu havia esquecido:
“De qualquer forma, ele vai morrer logo.”
De repente, surgiu uma dúvida. Se eu morrer, será por causa dos ferimentos ou do medo? Não sei se agora seria o momento certo.
Quando pensei nisso, Asgyle, que apenas me encarava, moveu-se subitamente. Sobressaltei-me e meu corpo inteiro endureceu. O pavor de que meu coração parasse tomou conta de mim. Observei, prendendo a respiração, enquanto ele caminhava casualmente até o sofá ao lado. Sem piscar, vi Asgyle tirar o caftã vermelho bordado a ouro e deixá-lo casualmente sobre o sofá. Ele continuou a remover seus pertences um a um: o colar com joias grandes, o anel real em seu dedo e o tecido preto que envolvia sua cintura.
Ao contrário de mim, que arquejava em busca de ar, ele estava calmo. Não havia mudança em sua expressão, nenhum sinal de hesitação. Ele não fez nada comigo inicialmente. Eu apenas o olhava, imóvel, como um sapo diante de uma cobra.
Enquanto isso, Asgyle virou-se vestindo apenas uma camisa fina e calças.
Sentado ali, com os olhos seguindo cada movimento dele, imaginei vagamente se Asgyle teria se esquecido de mim. É claro que era uma ilusão absurda. Ele se sentou na cama e olhou para mim. Assim que nossos olhares se cruzaram, meu corpo, que parecia ter se acalmado minimamente, voltou a tremer. Vendo meus dentes baterem, Asgyle franziu a testa e murmurou:
— … Não serve para nada.
Eu não tive tempo nem de pensar no que aquilo significava. Asgyle levantou a mão. Os vincos entre suas sobrancelhas se aprofundaram ao me ver encostado na parede, rígido de surpresa. Eu não conseguia suportar o medo do menor movimento vindo dele. A dor do chicote envolvendo meu corpo voltou de forma vívida. O latejar das costas tornava a dor inesquecível.
Mas eu não podia deixar de fazer o que ele mandava. Se eu o ofendesse de novo, morreria de verdade desta vez. Eu não tinha medo de morrer, mas tinha pavor de ser espancado. Dói tanto agora… quanta dor eu sentiria se fosse espancado até a morte?
Um medo maior que o próprio temor me dominou. Eu tremia, mas não conseguia colocar força nas pernas, então tive que rastejar de quatro como um cão.
— Uh, ah…
Cada vez que eu me aproximava, minhas costas queimavam e doíam, e um grito escapava por conta própria. As lágrimas voltaram, mas não havia tempo para chorar. Asgyle, que observava, ordenou:
— Mais rápido.
Hesitei diante daquelas palavras e me movi depressa. Meu corpo todo doía, mas agora eu não conseguia nem gritar. Quando cheguei aos pés dele, estava exausto, como se fosse desmaiar.
Ele falou acima de mim, respirando pesadamente:
— Levante a cabeça.
Hesitei e segui a ordem. No momento em que vi seu rosto, um terror gélido atravessou meu coração. Com os olhos bem abertos e prendendo a respiração, Asgyle apenas me encarava. Ele fez uma careta, como se analisasse meu rosto meticulosamente, e soltou em voz baixa:
— É realmente feio.
Eu não conseguia dizer nada. Estava agachado diante de Asgyle, que me olhava com uma expressão de nojo. Foi então que percebi que podia ouvir o som fraco da chuva.
— … Ah!
Com isso, Asgyle subitamente estendeu a mão, agarrou meu braço e me puxou. Perdi o sentido por um instante com o grito que surgiu reflexivamente. A sensação de ser jogado na cama seguiu-se, mas minha mente continuava em branco. Eu sentia o calor atrás de mim, incapaz de me mover.
Asgyle encostou o rosto na minha nuca e no meu ombro e sentiu o meu cheiro. O cheiro forte de feromônio que parecia pressionar meu corpo inteiro tornou-se mais suave. Quando me lembrei vagamente de ter uma memória assim no passado, o pior aconteceu. Asgyle agarrou minha bunda e abriu minha entrada.
— … uh, uh.
Um gemido escapou involuntariamente ao sentir os dedos grossos dele se espremendo lá dentro. Mas Asgyle não parou. Ele posicionou os dedos de qualquer jeito e forçou a abertura, então parou como se estivesse incomodado. E ele entrou em mim.
— …!
A consciência, que estava longe, voltou em um instante, seguida por uma dor tremenda. Asgyle continuava a derramar feromônios sobre mim, mas, por algum motivo, eu não ficava lubrificado. Já era difícil recebê-lo mesmo em condições normais, mas nesta situação a dor multiplicou-se e era impossível até respirar. Minhas partes íntimas, onde ele havia entrado forçando a abertura, latejavam sozinhas.
“Ah!”
Lembrei-me vagamente: eu preferia morrer assim.
E perdi completamente a consciência.
***
Acordei em uma atmosfera caótica. Eu não conseguia nem sonhar por causa da consciência completamente negra. Mal percebi que não estava dormindo, mas que na verdade havia desmaiado. Os sussurros ao meu redor ficavam cada vez mais próximos.
— Meu Deus, o quarto inteiro está manchado. A parede, a cama, tudo… Fiquei apavorada ao saber que o Príncipe Herdeiro estava dormindo com um cadáver nos braços.
Era a voz da enfermeira que trabalhava com Meisa. Ela continuou:
— Você deveria ter visto, Meisa. O Príncipe Herdeiro também está coberto de sangue… Ele estava muito irritado e foi para o banheiro. Deve ser bem difícil para os servos limparem o quarto.
— Você está dizendo que vai me chamar hoje? — Ela respondeu à pergunta de Meisa. — Pois é. A estação chuvosa continua.
— Existem muitos outros ômegas. Não é necessário usar um ômega nestas condições.
— Pois é.
A enfermeira fez uma pausa por um momento.
— Sua Majestade disse que este ômega não tem cheiro de feromônios. Ele perguntou se tínhamos injetado algum inibidor.
— Certamente não! Por que faríamos isso? Ele morreria de verdade se tomássemos um inibidor neste estado.
Ela contou a Meisa o que aconteceu e só.
— Eu disse que absolutamente não, e então me mandaram testar a característica dele de novo… Mas realmente não tinha cheiro. O que aconteceu? Olhe agora, só dá para sentir cheiro de sangue.
A enfermeira terminou a conversa com uma voz rígida, como se estivesse tapando o nariz. Um momento de silêncio passou. Eu ainda não conseguia abrir os olhos nem me mover, apenas os escutava. De repente, senti alguém se aproximando e cheirando meu nariz. Pela voz muito mais próxima, reconheci que era Meisa.
— Realmente. Não sinto cheiro de nada. O que aconteceu?
— Obviamente, você nasceu enquanto recebia tratamento aqui, não foi?
Meisa confirmou a pergunta da enfermeira e ficou em silêncio por um momento.
— … Talvez um mecanismo de defesa tenha sido ativado.
— O que quer dizer?
Meisa respondeu:
— É algo que todos possuem. No caso deste ômega, pode haver uma anomalia nos feromônios porque a vida dele está em perigo. Ele pode ter pensado que conseguiria viver como um beta.
— Mas não se pode controlar os feromônios só com o pensamento, certo?
— Por isso se chama mecanismo de defesa. Não é pela vontade, mas pelo instinto. Ele está inconsciente disso.
— Que incrível. Já existiu algum caso assim?
— Não, não sei. É apenas um palpite.
— Ainda assim, faz bastante sentido, Meisa.
Elas conversaram mais, mas perdi a consciência novamente. Lá fora, a chuva continuava a fustigar.
***
— Uh, uh… Oh.
Um gemido continuava a sair da minha boca. Asgyle não se importava comigo e apenas entrava em mim mecanicamente. A parede vermelha oscilava como um fantasma em minha visão enquanto eu estava deitado de bruços recebendo-o.
As manchas de sangue permaneciam na parede em que ele se apoiava. Dizem que eram tão grandes e profundas que nunca foram apagadas. Talvez o lugar fosse repintado ou preenchido com decorações.
Durante uma semana, Asgyle chamou-me para a cama todas as noites. E, como se fosse natural, ele ejaculava dentro de mim e adormecia. Claro, isso é apenas uma suposição. Nunca o vi adormecer, porque toda vez não consigo suportar a dor e desmaio logo no início. Quando abria os olhos, estava sempre na enfermaria, e todos os dias Meisa e a enfermeira aplicavam remédio em mim e enfaixavam minhas costas.
De qualquer forma, minha entrada não lubrificava. Mas, ainda assim, era impossível que Asgyle tivesse consideração por mim. Naturalmente, no primeiro dia o local rasgou e ele continuou forçando sem dar tempo para melhorar. Conforme o sangue escorria, a área ficava úmida, o que acelerava os movimentos de Asgyle. A cada vez, eu apenas desejava desmaiar e, felizmente, esse desejo se realizava facilmente.
“Haa… haa…”
Respirei fundo e estremeci enquanto ele se movia. A dor nas costas tornou-se rotina e parecia natural. Perdi a consciência ao som do último trovão distante.
***
— Se continuar assim, a ferida nunca vai cicatrizar.
A enfermeira que me atendia suspirou e disse em tom de lamento.
Quanto tempo significa “nunca”? De repente me perguntei. A verdade era que eu estava morrendo. Três dias, dois dias, talvez amanhã. Eu mal sobrevivia a cada dia.
— Olhe só, a respiração dele está tão fraca — murmurou Meisa. — Mesmo se eu fizesse uma transfusão de sangue, ele sangra muito todos os dias… Sua Majestade realmente não dá tempo para ele melhorar.
Foi então que percebi: é graças a essas pessoas que estou vivendo assim. Mas chegará um momento em que elas não poderão mais fazer nada.
“Então…”
Assim que pensei que ia morrer, algo me veio à mente de repente.
Talvez hoje seja minha última chance. Ao fim desse pensamento, minha consciência nublou-se novamente.
Ao mesmo tempo de sempre, fui levado ao quarto de Asgyle. Como de costume, respirei fundo enquanto esperava que ele chegasse após os assuntos do governo terminarem. Eu preciso contar a ele, eu tenho que dizer. Só de pensar nisso meu corpo tremeu. Depois daquele dia, toda vez que eu via Asgyle, nunca estive tão nervoso. É claro que Asgyle não se importava nem um pouco.
Quando pensei que talvez eu pudesse me matar no momento em que dissesse essas palavras, a porta se abriu e um aroma doce entrou imediatamente, como se me alcançasse.
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✦ Tradução, revisão e Raws: Jor&Belladonna
Ler Beije o Estranho (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Em um país do Oriente Médio onde a discriminação contra ômegas é profundamente enraizada, Yohan, um ômega abandonado após a manifestação de seu gênero secundário, vive sozinho em um oásis com apenas um gato como companhia. Um dia, ele resgata um homem ferido que perdeu completamente a memória do seu passado. Conforme passam o tempo juntos, Yohan se apaixona por ele… mas, um dia, o homem desaparece subitamente, sem deixar rastros.
Depois de esperar por ele em vão por muito tempo, Yohan encontra inesperadamente o príncipe herdeiro, um homem exatamente igual àquele que um dia amou. No entanto, o príncipe não o reconhece de forma alguma…
Nome alternativo: Kiss The Stranger Beije O Estranho