Ler Beije o Estranho (Novel) – Capítulo 60 Online


Modo Claro

⚝ Capítulo 60

— Ugh…
Esfreguei meus músculos doloridos e endireitei as costas. Parecia que eu estava na mesma posição há muito tempo devido à minha concentração. Quando me levantei, meu corpo estava dormente e formigando. Dei um longo suspiro e me ergui da cadeira.
Em momentos como esse, como de costume, caminhei lentamente pelo ateliê e comecei a relaxar e esticar o corpo.
Meus passos ecoaram silenciosamente na sala silenciosa. Naquele momento, a oficina estava quase vazia. Nenhuma daquelas mulheres tinha tempo livre para ficar tecendo um tapete durante as horas mais agitadas do meio-dia, quando o palácio fervia. Graças a isso, eu também ganhei a chance de trabalhar.
Não foi fácil conseguir um lugar no ateliê. O que Steward e eu não sabíamos era o fato de que era um espaço exclusivamente para mulheres.
“Esse país é muito conservador de qualquer maneira!”
Uma risada amarga escapou quando me lembrei do doutor fugindo indignado depois da bronca que tomou. Mulheres e homens não tinham permissão para compartilhar o mesmo espaço, exceto com a família, e o palácio real era ainda mais restrito e separado por gênero. Mas, quando eu pensei que estava diante de uma dificuldade impossível e meu plano havia afundado, uma mãozinha inesperada veio para ajudar. A pequena Zahara foi implorar à Princesa Najima, que obteve a permissão do Príncipe Herdeiro.
“Não importa se você for ficar lá sozinho e escondido no meio do dia, quando todas as outras já estão trabalhando em outro lugar.”
Quando eu disse ao doutor o que Zahara havia arranjado, Steward a elogiou mais do que o normal, mas eu não pude deixar de me sentir culpado e imensamente grato ao mesmo tempo. Porque… era do pai dela de quem eu mais suspeitava do envenenamento.
Mas o que já havia acontecido não podia ser desfeito. Agora, eu rezava todos os dias para que o pai dela não fosse o verdadeiro culpado, e torcia para encontrar outro possível suspeito e provar a inocência dele. E o mais rápido possível.
No entanto, ao contrário da minha vontade, não estava sendo fácil colher rumores dentro do palácio. Como eu tinha que tecer no ateliê vazio no horário em que elas não estavam, era quase impossível encontrar com outras pessoas enquanto trabalhava e, na melhor das hipóteses, as pessoas que eu via brevemente de manhã ou à noite não sairiam por aí fofocando sobre um assassinato comigo. Claro, eu já estava preparado e sabia que levaria tempo. Mas, ainda assim, não pude deixar de me sentir ansioso e impaciente.
Felizmente, não houve mais tumultos nem mortes depois disso. O problema era que ainda não se sabia que tipo de veneno o príncipe tinha ingerido e como isso causou o colapso.
Enquanto caminhava vagarosamente entre as molduras de tear dispostas de forma irregular, meu corpo gradualmente ficou mais confortável. Fui até a janela e olhei para baixo. Era hora de os guardas do palácio trocarem de turno.
Normalmente, os soldados espalhados se reuniam na frente do pátio para trocar de posição um a um e ficar em guarda. Fiquei ali por um tempo, encarando-os sem sentido.
Um mês se passou desde que o Príncipe Herdeiro foi envenenado.
***
— Oi, Yohan. Vim te buscar.
O doutor, que chegou ao ateliê no mesmo horário de sempre, parecia mais exausto do que nunca. Apressei-me em arrumar minha bancada, me levantei e perguntei:
— Aconteceu alguma coisa, doutor Steward? Sua pele está péssima.
— Bem, tanto faz se aconteceu ou não…
Ele respondeu vagamente e depois coçou a cabeça, franzindo a testa com força.
— …Yohan, você pode me ajudar no laboratório o dia inteiro amanhã e ficar por lá? As tapeçarias não são urgentes, são?
— Ah, sim. Claro que não, eu te ajudo em qualquer coisa.
Assim que assenti, o doutor abaixou os ombros e suspirou pesadamente. Estava claro que algo sério havia acontecido. Perguntei com cautela, caminhando ao lado dele pelo corredor:
— Doutor Steward… a sua investigação não está indo bem? Algo não parece certo…
— O quê? Ah, não. Não é isso.
Ele ficou sem palavras por um instante e depois assumiu uma expressão grave e sombria. Quando vi aquele rosto, de repente, Camar cruzou a minha mente e fiquei desesperado.
“Aconteceu alguma coisa com ele?!”
Depois daquele incidente do envenenamento, não vi o rosto de Camar nem uma vez e só ouvia murmúrios rápidos de criados passando dizendo que ele havia voltado à sua agenda extenuante e cumprindo os deveres como Príncipe Herdeiro como se nada tivesse acontecido. Mas, nos bastidores, talvez ele estivesse doente. E o doutor saberia disso melhor do que qualquer um.
Quando finalmente entramos no laboratório e ficamos sozinhos, não consegui suportar o medo e perguntei:
— Doutor Steward, há algo de errado com o Cama… quer dizer, com o Príncipe Herdeiro?
A impaciência que não podia ser escondida preencheu minha voz. Steward abriu a boca sem nenhum sinal de surpresa ou embaraço, como se já esperasse que eu fizesse aquela pergunta.
— Se me perguntam se ele está mal, a resposta é sim. Mas se me perguntam se é algo fatal, a resposta é não… Bem, como devo colocar isso? Se eu fosse colocar em palavras simples, eu diria: “Se isso for um segredo de Estado, por favor, me diga se está tudo bem ou não.”
Quando perguntei ansiosamente de novo, ele fez uma pausa antes de explicar.
— Não acho que seja o rescaldo daquele envenenamento. A verdade é que o Príncipe Herdeiro sempre foi assim desde muito antes. Foi exatamente por esse motivo que ele me trouxe para cá desde o início.
Naquele momento, um pensamento de repente cruzou a minha mente.
— …A insônia?
— Sim — confirmou Steward, assentindo. — Isso sempre o atormentou, mas não se lembra que ele caiu no sono espontaneamente pela primeira e única vez depois daquele incidente? A equipe médica, inclusive eu, acredita que aquilo provavelmente estava relacionado com o fato de ele ter perdido a consciência devido ao veneno ou ter sido exposto aos seus feromônios Ômega. Mas isso não significa que ele pode ficar sendo envenenado toda semana para dormir, certo? E os sedativos ainda não funcionam. De qualquer forma, ele voltou a sofrer de insônia extrema e chegou ao limite. Ele está num pico tão alto de sensibilidade e exaustão que estamos numa situação onde temos que induzir algo para consertá-lo à força.
— Induzir como?
Minha boca estava seca. Meu coração apertou de dor e aflição ao pensar em Camar sofrendo e enlouquecendo com aquelas enxaquecas brutais. Olhando para o meu rosto pálido, Steward disse com calma:
— A maneira mais segura que consigo pensar agora para fazê-lo dormir é induzir o rut.
— …O rut? O cio?
Eu perguntei baixinho com a voz fraca e trêmula, quase patética, capaz apenas de fazer perguntas óbvias.
— Sim. Quando o rut se instala, depois do clímax, Alfas Dominantes caem num sono letárgico e profundo por um dia inteiro ou até três dias seguidos, a um ponto de perderem a consciência. Então, como equipe médica, decidimos que a única opção para salvar o Príncipe Herdeiro do colapso e forçá-lo a dormir seria se ele entrasse em rut.
— Entendi… e vocês vão induzir o rut dele amanhã? Isso é incrível, doutor Steward!
Tentei forçar um sorriso aliviado, mas a expressão de Steward ainda não era nada boa. Ele abriu a boca, parecendo perplexo com a minha reação inocente, e me olhou com uma expressão um pouco amarga.
— Yohan… quando um Alfa entra no rut, e ainda mais no caso de um rut forçado… os feromônios dele ficam descontrolados e exalam uma agressividade densa que preencherá todos os andares próximos por dias a fio. O palácio vai tremer. Você entende o que eu quero dizer, não entende?
— Ah.
Foi então que percebi por que ele havia me pedido para ficar trancado o dia inteiro no laboratório.
— Então… eu só preciso ficar no laboratório, certo? Até que o senhor me diga que é seguro sair e voltar a tecer?
— Sim.
Não era nada difícil, então fiquei bastante confuso. Por que o doutor continuava me olhando com uma expressão tão pesarosa e culpada?
— Há mais alguma coisa importante sobre como o rut dele vai passar?
Quando perguntei de novo, ele imediatamente virou a cabeça para o lado.
— Eu não sei de nada.
A resposta veio rápida demais e soou como uma mentira barata. Além do mais, Steward era o médico-chefe e um pesquisador focado exatamente em Alfas Dominantes; não havia como ele não saber os detalhes de um rut induzido. E mesmo que não soubesse, ele teria tentado descobrir a qualquer custo. Aquela reação estranha era muito incomum para ele. Tendo isso em mente, não tive coragem de pressionar mais.
Deve haver um motivo profundo pelo qual Steward não quer me contar como o rut será resolvido. Pensei que seria melhor não fazer perguntas.
Mas o meu instinto sabia muito bem que não era só isso. Meu coração batia dolorosamente de medo, se despedaçando no fundo do meu peito. Eu não queria saber a resposta. Eu me forcei a não pensar nisso.
“Não pense nisso.”
“É melhor que você não saiba como o cio de Asgyle será saciado amanhã. É melhor não saber.”
Inconscientemente, esfreguei as minhas palmas suadas de frio nas minhas roupas, percebi isso tarde demais e tirei as mãos às pressas. Logo, Steward casualmente puxou outro assunto aleatório, e nós conversamos e rimos sem jeito, mas tanto ele quanto eu provavelmente sabíamos muito bem a verdade. O fato de que estávamos evitando dizer o que realmente queríamos um para o outro.
E naquela mesma madrugada silenciosa, no meio da noite, fui acordado de sobressalto pelo som de um telefone tocando estridente.
Após a proibição de sair ser instaurada, o doutor, que continuava dormindo na cama de solteiro do laboratório, atendeu o celular com uma voz ainda pesada de sono. E, de repente, a voz dele mudou drasticamente.
— …O quê?! Ele foi pego?! Isso é mesmo verdade?!
Sentei-me na cama, assustado com a voz aguda do doutor. Levantei-me, abri a porta do anexo com cuidado e olhei para fora, apenas para ver Steward andando de um lado para o outro pelo laboratório, balançando a cabeça freneticamente e falando aos tropeços. Ele estava tão alterado e ansioso que misturava inglês com árabe sem perceber, então eu não consegui entender metade do que ele falava. Mas a tensão no ar era palpável.
— Que maldição!
O doutor desligou o telefone, desabou no sofá e curvou o torso para frente, agarrando a própria cabeça com as mãos trêmulas. Vendo a sua agonia, fiquei ainda mais ansioso e finalmente perguntei da porta:
— Doutor Steward… O que está acontecendo…?
O corpo de Steward estremeceu com a minha voz e, depois de um longo momento de puro silêncio, ele levantou a cabeça. Fiquei chocado com o rosto dele. Aquela foi a primeira vez em todos esses meses que vi o doutor, sempre tão enérgico, gentil e paciente, exibir uma expressão de pânico tão nua e crua. Ele engoliu a seco e abriu a boca.
— Yohan…
E então, soltou a bomba sobre os meus pés de uma vez só:
— Eu preciso voltar para os Estados Unidos.

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✦ Tradução, revisão e Raws: Jor&Belladonna

Ler Beije o Estranho (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse:
Em um país do Oriente Médio onde a discriminação contra ômegas é profundamente enraizada, Yohan, um ômega abandonado após a manifestação de seu gênero secundário, vive sozinho em um oásis com apenas um gato como companhia. Um dia, ele resgata um homem ferido que perdeu completamente a memória do seu passado. Conforme passam o tempo juntos, Yohan se apaixona por ele… mas, um dia, o homem desaparece subitamente, sem deixar rastros.
Depois de esperar por ele em vão por muito tempo, Yohan encontra inesperadamente o príncipe herdeiro, um homem exatamente igual àquele que um dia amou. No entanto, o príncipe não o reconhece de forma alguma…
Nome alternativo: Kiss The Stranger Beije O Estranho

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