Ler Beije o Estranho (Novel) – Capítulo 59 Online


Modo Claro

⚝ Capítulo 59

Depois de uma boa noite de sono, o doutor Steward parecia muito melhor. Preparei um lanche com uma bebida para ele antecipadamente e pedi para que ele me chamasse quando estivesse comendo. Olhei cuidadosamente em seus olhos, respirei fundo e abri a boca.
— Doutor Steward… Eu tenho um pedido… E não é como se eu fosse me arriscar saindo por aí nem nada.
Depois de tranquilizá-lo primeiro, continuei:
— Conversei com a Zahara no outro dia e descobri que há muitas pessoas no palácio que fazem tapeçarias e tapetes para casamentos reais. Ouvi dizer que a Princesa Najima até construiu um ateliê separado para as tecedeiras.
— Você quer tentar tecer, Yohan?
Steward perguntou enquanto bebia o seu chá. Eu disse que sim e concordei com a cabeça.
— Eu pensei que talvez pudéssemos montar uma pequena bancada de tear aqui. Eu poderia tecer e pedir para Zahara vender minhas peças no palácio?
— Oh, mas é claro que sim. É uma ótima ideia!
Steward concordou alegremente. Ele continuou falando com um sorriso suave, muito mais calmo do que no dia anterior:
— Me desculpe por ter explodido mais cedo ontem. Eu também estava um pouco chateado e assustado… E não se preocupe tanto com o Príncipe Herdeiro. Agora que o susto e o obstáculo principal passaram, parece que a segurança na nossa área foi reforçada, então vamos apenas ficar de olho um no outro.
— Certo. Obrigado, doutor.
Meu coração afundou novamente ao lembrar de Asgyle vomitando sangue e desabando na minha frente.
— Mas por que você precisa de dinheiro? — Steward perguntou, curioso. — Pensando bem, Yohan, você não trabalha há muito tempo, você vai ficar bem com o esforço físico?
— Ah, hum…
Limpei a garganta e respondi cautelosamente:
— Na verdade… Eu estava me perguntando se eu poderia ouvir alguns rumores ou conseguir alguma informação do palácio enquanto as minhas peças fossem vendidas. Talvez eu consiga pegar uma pequena pista sobre os inimigos do palácio ou sobre quem tentou matá-lo.
De fato, eu estava nervoso porque esse era o meu verdadeiro propósito. E eu sabia que, desse jeito, não haveria como Steward me dizer um “não”. Felizmente, ele murmurou para si mesmo, acariciando o queixo com uma expressão séria.
— Na verdade, as pessoas que trabalham na base sabem muito mais sobre os assuntos do palácio do que qualquer outro. Não é uma má ideia.
— Sério?
A minha expressão relaxou por conta própria e me senti aliviado, mas ele continuou, me olhando com preocupação:
— Mas você tem certeza de que está bem o suficiente para isso? Não se esforce demais. Eu sei que você só quer ajudar.
— Estou, sim! — Concordei vigorosamente. — Eu não tinha nada para fazer aqui e estava entediado, de qualquer forma. Me deixe passar o tempo fazendo isso.
E logo em seguida, minha voz saiu fraca, desaparecendo sem confiança.
— Se eu não fizer nada pelo Camar… eu acho que não vou conseguir suportar.
O doutor, que ficou em silêncio por um momento, suspirou e assentiu.
— Sim, não tem como evitar. Eu conheço bem esse sentimento.
— Eu nunca farei nada para causar problemas. E vou tomar meus remédios sem falta — prometi com todo o meu coração.
Steward sorriu com tristeza, como se aquilo fosse o suficiente.
— Tudo bem. Na verdade, como eu sou um estrangeiro, na pior das hipóteses eu seria apenas deportado. O Príncipe Herdeiro Asgyle não é alguém que ignora questões internacionais e age de forma imprudente nesse sentido. A minha única preocupação é você, Yohan.
Se algo acontecesse e minha identidade fosse revelada, o doutor não seria capaz de me ajudar em nada. Eu já sabia disso. Mas, desde o começo, nada me preocupava mais do que Rikal e o pensamento de que eu poderia acabar arruinando a vida de Steward.
— …Ah, doutor Steward, não foi nada disso que eu quis dizer.
Depois de engolir um suspiro, o doutor parou ao ouvir a minha confissão murmurada e eu continuei falando em voz baixa:
— Camar teria morrido sozinho e abandonado, sem ninguém saber, naquele oásis. Eu só tinha o Rikal. E se o Rikal morresse de velhice primeiro… eu teria que viver o resto da minha vida sozinho lá, enlouquecendo no deserto. Os gatos morrem muito mais rápido do que os humanos.
Ouvindo o próprio nome, Rikal veio correndo e esfregou o corpinho na minha perna. Levantei o gato e o segurei nos meus braços, acariciando suas costas lentamente.
— Mas o Camar veio até mim.
No momento em que coloquei o nome dele nos meus lábios, senti minha garganta fechar, e eu não consegui falar. Depois de respirar fundo e trêmulo, mal consegui soltar um som da garganta.
— Ele me disse que me amava… me abraçou e disse que não se importava que eu fosse um Ômega. Então… eu pude viver de verdade pela primeira vez. Eu pensei que finalmente poderia ter uma vida…
Eu falava aos trancos, sem conseguir conter as lágrimas. Sentindo o fundo dos meus olhos queimar, confessei com dificuldade:
— Mas aquele Camar se foi. E agora não sobrou mais nada. …Doutor Steward, o senhor acha mesmo que eu estou vivo agora?
Steward não disse nada. Ele apenas me olhou com uma expressão de cortar o coração. Coloquei em palavras o que eu vinha pensando esse tempo todo:
— Assim que eu tiver a certeza de que Camar estará seguro e ficará bem… eu vou voltar para o meu oásis.
— Perdão? Mas por quê? Você não tem nada lá.
O doutor ficou chocado e logo fechou a boca.
Em vez de responder, eu apenas dei um sorriso dolorido.
Eu só voltaria a ser o meu antigo eu. Eu voltaria para o momento antes dele, quando eu não era nada, e morreria sozinho.
Talvez essa fosse a vida que me foi dada desde o início. Eu tive um sonho incrivelmente feliz por um tempo, e agora eu só estava voltando à realidade normal.
Steward me observou sem dizer uma palavra e abaixou a cabeça com um suspiro curto.
— …Vou pedir para montarem a sua bancada.
Desta vez, eu realmente sorri de verdade.
— Muito obrigado, doutor Steward.
Steward levantou a xícara de chá até os lábios sem dizer mais nada.
***
— Oh, o que é isso, Yohan?! Você realmente fez isso sozinho?
A primeira reação foi, como esperado, de Zahara, que trouxe o almoço como de costume. Mesmo quando eu montei a bancada pela primeira vez, ela já havia mostrado curiosidade e pareceu achar que era só um passatempo quando eu disse que era um hobby. No entanto, quando ela viu a tapeçaria terminada depois de alguns dias, a reação dela foi bem diferente.
— É… sim. Faz muito tempo desde a última vez que teci, então as bordas ficaram meio feias…
Eu estava tímido e envergonhado, então desviei o olhar e murmurei. Não era apenas falsa modéstia, era a verdade. Eu havia cometido muitos erros no começo porque minhas mãos estavam destreinadas e rígidas, e eu estava pensando que a tapeçaria não serviria para nada, mesmo tendo terminado tudo.
Mas Zahara pensava o contrário.
— Oh, nossa… Yohan, com quem você aprendeu a fazer isso? Quanto tempo você demorou? Você tem certeza de que foi você mesmo quem teceu isso tudo?!
Enquanto eu olhava para a tapeçaria e ela me bombardeava de perguntas, sem parar, apenas assenti com a cabeça.
— Minha mãe me ensinou… Mas essa é só uma peça de prática, por isso tem muitos erros…
— O que você vai fazer com ela?!
Eu estava prestes a dizer que a esconderia ou jogaria fora quando Zahara perguntou de repente. Eu respondi com honestidade:
— Vou ter que descartá-la. Não dá para mostrar isso para ninguém assim.
— Você vai jogar fora?! Então me dê!
— O quê?
Pisquei confuso, e ela continuou com uma voz mais animada do que o normal:
— Você ia jogar fora de qualquer jeito, não ia? Deixa eu ficar com ela! Você pode me dar, por favor?
— Não, Zahara, espere… O que você vai fazer com isso?
Gaguejei, surpreso com a reação dela. Mas ela parecia mais séria do que nunca.
Tendo mal conseguido evitar que ela arrancasse a tapeçaria dos meus braços para levá-la embora na mesma hora, prometi que faria uma de verdade e muito mais bonita só para ela no futuro. Depois disso, Zahara finalmente apagou a expressão de decepção e sorriu brilhantemente, e ainda assim insistiu com um: “seria ainda melhor se você me desse as duas!”. Não pude evitar balançar a cabeça, dando risada, mesmo muito envergonhado.
Enquanto jantávamos juntos e eu contava sobre o que havia acontecido durante o dia, Steward assentiu sem muita surpresa.
— Eu não te disse? O trabalho de Yohan tem um grande valor.
— Obrigado por pensar assim, doutor Steward.
Enquanto eu sentia meu rosto esquentar e agradecia a ele, Steward enfatizou mais uma vez com uma expressão séria.
— Eu não minto e nem elogio coisas de que não gosto, sabia? Ou será que eu simplesmente não tenho um bom olho para a arte, por isso não acho o seu trabalho incrível?
— Ah, não, claro que não!
Balancei a cabeça rapidamente e adicionei, honestamente:
— Mas eu ouvi dizer que as pessoas sempre julgam melhor as coisas quando gostam muito de quem as fez.
Camar me disse algo parecido uma vez. Se ele olhasse para a minha tapeçaria de novo, será que ele não se lembraria de nada de mim?
Quando de repente criei uma pequena expectativa na mente, Steward abriu a boca.
— É verdade que eu gosto muito de você, Yohan. Bem, isso você já sabe.
— Eu também adoro o senhor, doutor.
Com minhas palavras, ele riu e perguntou de forma provocativa:
— Obrigado, mas aposto que eu ainda estou atrás do Camar, não é?
Eu não consegui responder a isso. Steward mudou de assunto levemente e perguntou:
— Então, o que Zahara disse depois? Espero que possamos começar a apresentar suas peças para os outros.
— Sim! Eu ouvi dizer que os pais de Zahara também trabalham no palácio real nas alas mais baixas. Eu espero poder continuar trabalhando com isso para ela por um bom tempo, porque acho que ela tem muitos contatos.
Sem perceber, minha voz subiu e eu soei muito animado. Steward sorriu compreensivo e assentiu.
— Desejo-lhe boa sorte, Yohan.
— Obrigado.
Depois que o jantar terminou, me sentei de novo. Normalmente eu estaria brincando com Rikal e passando um tempo com o doutor até arrumar as coisas e ir para a cama, mas a partir de hoje a minha rotina mudou.
Steward perguntou, surpreso ao me ver indo direto para a bancada.
— Você já vai começar a tecer outra vez agora?
— Sim — assenti. — Tenho muito trabalho a fazer. Acho que as pessoas ficarão muito mais interessadas se houver várias peças de amostra para verem.
— Entendo.
O doutor assentiu, pensou por um momento e então sugeriu:
— Então, Yohan… eu mencionei antes que havia um ateliê de tecelagem separado, não é? O que acha de trabalhar lá?
— O quê?
Meus olhos se arregalaram de surpresa.
— M-mas tem problema? Eu teria que sair do laboratório.
Steward assentiu e explicou:
— Acho que ficaria tudo bem se você apenas fosse e voltasse do ateliê. O que eu não queria antes era que você ficasse andando e vagando por todo o palácio sem rumo, e como não sabemos quando a proibição de saída será suspensa, seria sufocante e difícil para você ficar preso neste laboratório 24 horas por dia… Em vez disso, eu posso te deixar no ateliê quando eu sair de manhã, você fica lá tecendo em segurança e volta para o laboratório à tarde. O que acha?
Meus olhos continuavam arregalados com a sugestão inesperada e eu olhei para ele, boquiaberto. Steward sorriu para mim com um ar travesso.
— Se você trabalhar diretamente no ateliê e se enturmar, será notado muito mais rápido do que apenas vendendo um produto final. Lá, nós com certeza conseguiremos ouvir muito mais coisas das outras tecedeiras.
— Bem… sim.
— Se possível, seria ainda melhor se você aprendesse a fazer tapetes de grande escala. Dizem que o nosso espaço aqui é pequeno demais para isso, e leva quase dez anos para fazer um tapete bom. Lá você terá as ferramentas certas.
Eu abri a boca com dificuldade, não havia muito que eu pudesse dizer. Apenas:
— …Muito obrigado, doutor Steward.
Como essas palavras por si só eram infinitamente insuficientes para transmitir todo o alívio que eu estava sentindo, adicionei sinceramente do fundo do meu coração:
— O senhor é um gênio!
— Oh!
Steward abriu um sorriso gigantesco com uma exclamação feliz.
— Eu já te disse qual é a coisa que eu mais amo ouvir no mundo, não é, Yohan? Ah, foi tão bom ouvir você me chamando de gênio!
E nós não conseguimos parar de rir.

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✦ Tradução, revisão e Raws: Jor&Belladonna

Ler Beije o Estranho (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse:
Em um país do Oriente Médio onde a discriminação contra ômegas é profundamente enraizada, Yohan, um ômega abandonado após a manifestação de seu gênero secundário, vive sozinho em um oásis com apenas um gato como companhia. Um dia, ele resgata um homem ferido que perdeu completamente a memória do seu passado. Conforme passam o tempo juntos, Yohan se apaixona por ele… mas, um dia, o homem desaparece subitamente, sem deixar rastros.
Depois de esperar por ele em vão por muito tempo, Yohan encontra inesperadamente o príncipe herdeiro, um homem exatamente igual àquele que um dia amou. No entanto, o príncipe não o reconhece de forma alguma…
Nome alternativo: Kiss The Stranger Beije O Estranho

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