Ler Beije o Estranho (Novel) – Capítulo 54 Online


Modo Claro

⚝ Capítulo 54

Uma confusão avassaladora eclodiu no salão. A cerimônia de oração foi interrompida imediatamente assim que o Príncipe Herdeiro perdeu a consciência. Onde ele esteve de pé, restaram apenas inúmeras manchas de sangue escuro no chão de mármore.
Eu mal consegui recuperar a minha própria consciência e corri apressadamente atrás de Steward.
— Tragam uma maca! Rápido, movam o Príncipe Herdeiro! — o doutor gritou para os guardas e sacerdotes. Em seguida, ele olhou para mim e ordenou:
— Yohan! Corra para o laboratório e traga o meu carrinho de emergência médica! O mais rápido que puder!
— S-sim!
Depois de entregar a ele o kit de primeiros socorros que eu carregava, me virei e corri de volta pelo corredor em direção ao laboratório. Enquanto corria, escorreguei no chão de mármore liso e caí duas vezes, mas não senti dor alguma por causa da adrenalina. Puxei o carrinho às pressas de dentro da sala e saí correndo de volta para onde eles estavam.
Não foi difícil encontrar para onde tinham levado o Príncipe. A maioria dos criados e guardas do palácio estava correndo exatamente na mesma direção.
Mas, assim que cheguei ao local, não consegui avançar mais. Uma multidão de nobres e funcionários havia se aglomerado no corredor, bloqueando completamente a passagem. Incapaz de entrar, não tive escolha a não ser ficar do lado de fora dos grandes portões do quarto, esperando pela chance de passar. Empurrei as pessoas impacientemente, pedindo licença a cada uma delas.
Eu mal havia conseguido chegar perto do portão principal quando informei ao guarda que bloqueava a entrada:
— Senhor! Eu sou o assistente do doutor Steward. Ele disse que precisaria do carrinho médico de emergência!
Ao ver o rosto severo que olhava para mim, lembranças daquele dia no jardim voltaram à minha mente. Era o mesmo capitão da guarda real chamado Daib. Ele reconheceu meu rosto e, sem dizer uma palavra, abriu a porta e me deixou passar.
Enquanto eu empurrava o carrinho para dentro do quarto luxuoso, vi pessoas que pareciam ser a verdadeira equipe médica real cercando a cama.
No meio deles, um rosto familiar olhou para mim e acenou com a mão de forma urgente.
— Venha para cá, Yohan! Por favor, abram espaço por um momento.
Puxei o carrinho apressadamente até ele e, só então, pude finalmente ver o rosto do Príncipe Herdeiro deitado na cama. Ao mesmo tempo, meu coração afundou no peito.
O rosto de Asgyle… era o mesmíssimo rosto de Camar quando nos conhecemos e eu o encontrei desmaiado. Ao vê-lo inconsciente e pálido de novo daquele jeito, engasguei e meu coração disparou violentamente.
“Camar…”
Não havia dúvidas sobre isso. Não foi exatamente assim que aconteceu naquele dia? Aquela pessoa no jardim… era o Camar envenenado.
— Assim que o soro intravenoso for conectado, preciso fazer um exame de sangue separado. Provavelmente é algum tipo de veneno agudo, então farei o teste ali — a voz de Steward continuou, quebrando os meus pensamentos.
Ao vê-lo conversando com os médicos reais do palácio com uma expressão tão séria e tensa no rosto, fiquei ansioso a ponto de não conseguir suportar. Se eu pudesse, queria apenas segurar a mão de Camar com força e rezar para que ele ficasse seguro.
— Mas isso tem como ser veneno? Todo mundo sabe que, devido à constituição genética de Vossa Majestade, esse tipo de substância não funciona no sistema dele. — Um dos médicos reais argumentou, e os outros trocaram olhares, concordando com aquele ponto de vista.
Steward respondeu prontamente:
— Isso é verdade, mas não significa que ele seja completamente imune a absolutamente tudo. Mesmo sendo um Alfa Dominante, isso não significa que drogas não afetem o corpo em alguma medida. Não funcionar muito bem e não funcionar de jeito nenhum são duas coisas completamente diferentes.
— Mas não é absurdamente difícil encontrar um veneno capaz de derrubar alguém com uma constituição como a de Vossa Majestade? Não é algo que se encontre no mercado comum — outro médico retrucou.
— É exatamente por isso que precisamos fazer um exame de sangue primeiro e descobrir que tipo de substância é essa. Só assim vamos saber o que fazer em seguida! — Steward bagunçou os próprios cabelos, num claro sinal de nervosismo e frustração.
Os olhares que os médicos locais lançavam para ele eram estranhos e hostis. De repente, senti um frio percorrer meu coração. Percebendo a tensão, os médicos se entreolharam e logo mudaram o tom das palavras:
— Então o que você sugere que façamos a partir de agora? Você não é o médico encarregado que melhor conhece o estado atual do corpo de Vossa Majestade?
— Sim, o senhor tem cuidado de tudo sobre ele ultimamente, incluindo os exames de rotina, não é? — outro cutucou, jogando a responsabilidade de forma cínica.
Ouvindo aquelas falsas ofertas de “ajuda”, Steward esfregou a testa, parecendo cansado, e respondeu:
— Como não há mais sintomas visíveis por enquanto, temos que ficar de olho nele. Não se preocupem, nós vamos esperar aqui perto e, se qualquer coisa acontecer, avisaremos vocês imediatamente.
Assim como da primeira vez, Camar estava deitado imóvel na cama. Eu sentia um pavor absurdo de que ele pudesse morrer. Olhei repetidas vezes para os médicos, apertando e soltando as minhas mãos suadas. A equipe médica, que havia transferido Camar para a cama e observado a condição dele por um tempo, confirmou que não havia mais mudanças e começou a discutir entre si novamente:
— O que devemos fazer? Não deveríamos relatar isso ao Rei e proteger o nosso paciente?
— Claro que sim. Não podemos simplesmente confiar no estrangeiro. Pelo menos vamos nos revezar de guarda aqui até que Vossa Majestade recobre a consciência.
Na verdade, os médicos estavam conversando apenas entre si, ignorando Steward e agindo como se ele sequer estivesse ali. Sentindo novamente a mesma hostilidade fria e o isolamento que eu tinha testemunhado antes, engoli em seco e me aproximei cautelosamente de Steward.
— D-doutor…
Assim que tentei falar com ele em voz baixa, a porta se abriu repentinamente e uma lufada de vento frio invadiu o quarto.
Os olhares atônitos de todos se voltaram para a entrada e, assim que reconheceram o rosto do homem que acabara de chegar, a equipe médica inteira entrou em pânico e curvou-se profundamente em sinal de respeito.
Eu também curvei as costas apressadamente. O homem que entrou abriu a boca num tom autoritário, mas falsamente casual:
— Muito bem, todos podem se acalmar. Só estou aqui para verificar a condição de Sua Alteza, o Príncipe.
Atrás do Lorde Zakriya, que falava de forma bastante solta, uma mulher alta e belíssima entrou no quarto.
Najima, vestindo as mesmas roupas de antes, mas agora sem o xale na cabeça, me viu e sorriu levemente. Perdi a linha de raciocínio por um momento ao encará-la e me senti constrangido, mas rapidamente recobrei os sentidos e abaixei o olhar para o chão.
Pelo canto do olho, pude ver a bainha luxuosa do vestido de Najima passando na minha frente. Levantando os olhos devagar, observei Zakriya e Najima pararem ao lado da cama e olharem para Camar.
— Sua Alteza parece estar num estado estável — comentou Zakriya.
Um dos médicos da equipe real correu para responder com subserviência:
— Sim, milorde. Ele se estabilizou agora e…
— Steward, o que você acha?
Zakriya interrompeu as palavras do médico secamente e fez a pergunta diretamente ao doutor estrangeiro. Ao mesmo tempo, todos os olhos no quarto voltaram-se para ele. Steward coçou a cabeça e respondeu:
— Teremos que esperar para ver, meu lorde. É fato que ele foi envenenado por alguma substância no vinho, mas ainda não descobri que veneno é esse.
— Entendo…
A visão de Zakriya acariciando o próprio queixo de forma pensativa me deixou extremamente ansioso de novo. Os olhos roxos dele pareciam penetrantes e afiados. Diferente de Camar, ele também emanava um aroma sutil, mas que me causava um embrulho ruim no estômago.
— Muito bem, então. Isso deve ser tudo por hoje. Todos vocês trabalharam duro, já podem se retirar.
— Perdão?
— Lorde Zakriya?
Um pequeno murmúrio de surpresa e confusão estourou pelo quarto. Vendo a equipe médica atônita com a ordem de dispensa, Zakriya sorriu friamente.
— Que diferença faria ter todos vocês amontoados aqui? Primeiro descubram qual é o veneno, depois tomem uma providência. Steward ficará de vigia aqui. Estou certo?
Diante da imposição de Zakriya disfarçada de pergunta, Steward assentiu com o rosto visivelmente descontente.
— Sim. Acredito que deva ser assim.
— Ótimo, está resolvido. Vamos, todos vocês, podem ir descansar. O trabalho duro já foi feito.
Eu também tinha a sensação ruim de que as coisas não estavam certas. Os médicos se entreolharam nervosos, e um deles teve coragem suficiente para se pronunciar:
— Mas, Lorde Zakriya, nós não podemos simplesmente abandonar nosso posto e entregar a segurança de Vossa Majestade nas mãos de um médico estrangeiro que sequer faz parte da equipe médica real oficial.
Ao ouvir isso, Zakriya deu uma risada baixa.
— Mesmo sendo estrangeiro, ele não deixa de ser médico, não é? E não se preocupem. Minha filha, que é a noiva do Príncipe, ficará aqui para cuidar dele durante a noite também.
— Isso não seria apropriado, pai.
Zakriya parou de sorrir pela primeira vez ao ouvir a voz elegante e firme que soou ao seu lado. Najima mantinha um sorriso impecável no rosto, mas suas palavras foram diretas:
— Nós ainda não oficializamos o casamento com a cerimônia. Uma mulher passar a noite inteira no quarto de um homem, mesmo que seja o meu noivo, vai contra as regras e a nossa tradição.
— O que você está dizendo, Najima…?
O sorriso sumiu do rosto de Zakriya, e ele fechou a expressão, prestes a repreendê-la. Um olhar perverso e irritado cruzou o rosto dele por uma fração de segundo, mas ele casualmente recuperou a postura e sorriu de novo.
— Tudo bem, como queira. Pode ir dormir — ele disse a ela, então se virou de volta para a equipe médica. — Além disso, Steward é o responsável direto pela saúde de Sua Alteza ultimamente, então ele deve conhecer o corpo do Príncipe melhor do que ninguém. Podem confiar nele. Saiam.
— No entanto, milorde…
Quando o médico tentou recusar a ordem de novo, o ar no quarto ficou congelante. O peso da autoridade autoritária de Zakriya esmagou qualquer tentativa de rebelião, e ninguém mais teve coragem de abrir a boca.
No final, derrotados politicamente, os médicos curvaram-se e deixaram o quarto um por um.
Ficaram apenas nós cinco: Asgyle inconsciente na cama, eu, Steward, o Lorde Zakriya e a Princesa Najima.
Assim que a porta se fechou e os passos se afastaram pelo corredor, uma atmosfera sombria e pesada tomou conta do quarto.
Eu estava me perguntando o que ele estava pensando, quando, de repente, antes que eu pudesse sequer piscar, Zakriya levantou a mão direita e deu um tapa estrondoso e violento no rosto da própria filha.
*Estalo!*
— Princesa Najima! — gritei de choque.
O som agudo ecoou pelo quarto silencioso. O corpo esguio de Najima cambaleou violentamente para o lado com a força do golpe, e ela caiu sentada no chão. Meu coração pulou na garganta, e eu quase corri para segurá-la sem perceber. No entanto, o medo me paralisou e eu não ousei tocar na princesa. Fiquei congelado no lugar, sem saber o que fazer.
Zakriya cerrou os dentes e cuspiu as palavras como veneno, olhando para a filha caída:
— Como ousa me desonrar e me contrariar na frente daquela escória de plebeus e médicos inúteis?!

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✦ Tradução, revisão e Raws: Jor&Belladonna

Ler Beije o Estranho (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse:
Em um país do Oriente Médio onde a discriminação contra ômegas é profundamente enraizada, Yohan, um ômega abandonado após a manifestação de seu gênero secundário, vive sozinho em um oásis com apenas um gato como companhia. Um dia, ele resgata um homem ferido que perdeu completamente a memória do seu passado. Conforme passam o tempo juntos, Yohan se apaixona por ele… mas, um dia, o homem desaparece subitamente, sem deixar rastros.
Depois de esperar por ele em vão por muito tempo, Yohan encontra inesperadamente o príncipe herdeiro, um homem exatamente igual àquele que um dia amou. No entanto, o príncipe não o reconhece de forma alguma…
Nome alternativo: Kiss The Stranger Beije O Estranho

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