Ler Beije o Estranho (Novel) – Capítulo 55 Online


Modo Claro

⚝ Capítulo 55

Até mesmo o doutor arregalou os olhos, surpreso com a violência repentina da situação. Mas ele também não podia fazer nada. Enquanto nenhum de nós conseguia intervir e apenas ficávamos atônitos e inquietos, Najima pediu desculpas baixinho:
— …Sinto muito.
Zakriya bufou e olhou para Steward. Eu queria ajudá-la, mas me contive e recuei. Na verdade, poderia ser ainda mais humilhante para ela mostrar fraqueza na frente de alguém como eu. Abaixei o olhar e tentei não encarar Najima, mas não pude evitar notar sua movimentação trêmula pelo canto do olho. Levantei a cabeça com cautela apenas depois de me convencer de que ela já havia se levantado e estava de costas para mim.
Enquanto isso, Zakriya perguntou a Steward:
— Você realmente não sabe? Qual é a causa?
— Bem, da minha parte, só saberemos quando os resultados dos exames de sangue saírem.
— Hmm… — resmungou Zakriya, acariciando o próprio queixo. — Não funcionaria com qualquerm medicamento, o que é fascinante. Se você descobrir o que é, me avise também.
Steward sorriu de forma rígida e respondeu diplomaticamente:
— O lorde está bem ciente de que não podemos compartilhar nenhuma informação sobre a saúde de Sua Alteza com terceiros.
Essa era a mesma resposta padrão que ele tinha me dado mais cedo. Eu me perguntei como Zakriya reagiria a uma resposta tão “de manual”. Então, o lorde caiu na gargalhada.
— É verdade. Mas, como você sabe, eu não tenho a mesma constituição que Sua Alteza, não é? Então não há mal nenhum em saber a natureza do veneno. Além disso, se algo acontecer com Vossa Majestade, eu serei o responsável por governar este país, então não deveríamos nos informar sobre a ameaça comm antecedência?
Steward respondeu, sem desfazer o sorriso:
— Se algo acontecer, é claro.
O riso de Zakriya desapareceu instantaneamente. Tive medo de que ele fosse bater no doutor desta vez, mas não o fez. Em vez disso, ele soltou um som de escárnio e deu uma ordem ainda mais severa do que antes, virando-se para a filha:
— Já deixei claro. Vamos. Não fique aqui!
— Espere!
Quando vi a princesa tentando segui-lo em silêncio, acabei chamando-a sem perceber. Ao mesmo tempo, os dois se viraram para mim, parando.
Confuso e em pânico pela minha própria ousadia, tentei arranjar uma desculpa rapidamente.
— S-se… se a senhorita for embora assim… o machucado pode deixar uma cicatriz no seu rosto… Que tal fazermos um curativo primeiro?
Steward olhou para mim, entendendo a deixa, e rapidamente concordou:
— Sim. Lorde Zakriya pode ir na frente, nós cuidaremos dos ferimentos da Princesa.
Diante dessas palavras, Zakriya olhou para Najima. Ela apenas o encarou de volta com uma expressão vazia, sem dizer uma palavra. Zakriya assentiu com desdém, virou-se e saiu do quarto primeiro.
Depois que a porta se fechou e eu pude soltar um suspiro de alívio, peguei rapidamente uma cadeira e a coloquei atrás de Najima. Ela franziu a testa ao tentar dar um sorriso reconfortante. O interior de sua boca provavelmente estava cortado e sangrando. Vendo isso, o doutor suspirou, pegou uma pequena toalha estéril do carrinho médico, derramou água destilada nela e a entregou.
— Segure isso no rosto por enquanto e aplique gelo quando voltar para os seus aposentos. Meu Deus… esbofetear uma mulher no rosto com tanta força… — lamentou Steward.
— É uma ocorrência diária… coisas do tipo — retrucou Najima, antes silenciosa. Ela olhou para mim. Para minha surpresa, ela disse em voz baixa: — Você ficou com medo de que eu apanhasse de novo se saísse sozinha com o meu pai pelo corredor? Obrigada. Você é muito gentil, Yohan.
Quando encontrei o olhar dela, um canto do meu coração foi esfaqueado pela culpa.
“Ela é noiva do Camar.”
Tive pavor de que ela notasse meus sentimentos impuros. Se essa mulher soubesse o que eu sentia pelo noivo dela… será que ainda conseguiria sorrir e agradecer para mim daquele jeito?
O doutor resmungou com uma voz indignada:
— O tratamento dado às mulheres aqui é realmente terrível. Como a Princesa já estudou no exterior, deve sentir esse retrocesso em direitos humanos ainda mais.
Najima sorriu levemente e respondeu com indiferença:
— Ainda me consola saber que a minha situação é melhor do que a de um Ômega.
De repente, meus dedos ficaram gelados. Fiquei tenso por um momento, paralisado e incapaz de dizer qualquer coisa, mas Najima continuou a falar de forma apática:
— Sou mulher, mas, se eu tivesse manifestado como uma Ômega… meu pai provavelmente teria me matado na mesma hora. Isso é algo pelo qual devo agradecer a Deus. Deve ser uma bênção o fato de ser extremamente raro uma mulher manifestar como ômega por aqui.
E ela sorriu casualmente, um sorriso triste e vazio.
— Na melhor das hipóteses, mesmo nascendo como homem, manifestar-se como ômega… isso não seria o verdadeiro inferno?
— Existem muitos outros países no mundo que tratam os ômegas com igualdade. O mesmo vale para o tratamento das mulheres. Afinal, a maioria das nações hoje em dia proíbe todas as formas de discriminação — ponderou Steward, tentando quebrar aquele fatalismo.
Najima apenas deu de ombros.
— Mas nós vivemos neste país.
Desta vez, o doutor não soube o que responder. Najima se levantou da cadeira, dando a conversa por encerrada.
— Meu pai já deve ter deixado o palácio. Vou retornar aos meus aposentos agora.
Ela endireitou as costas e, olhando para Steward de uma posição um pouco superior, comentou com perspicácia:
— Ele saiu na frente esperando arrancar alguma informação médica de você amanhã, mas você provavelmente não vai contar nada a ele de qualquer jeito, não é?
— Sinto muito, mas não — Steward recusou sem rodeios.
Ela sorriu brevemente, como se já esperasse por aquilo, e devolveu a toalha úmida. Najima a colocou no carrinho, me deu um sorriso educado, fez uma leve reverência para o doutor e se virou para sair. Logo a grande porta se fechou e apenas Steward e eu restamos no quarto de hospital. Quando olhei de volta para Camar, que ainda estava deitado inconsciente, Steward abriu a boca.
— Não se esqueça da sua posição, Yohan. Aquela mulher é a futura esposa de Camar.
— Eu sei — respondi rapidamente ao aviso severo, baixando os olhos. — Eu sei que tenho que ir embora daqui… o mais rápido possível.
Agora era, de fato, a reta final. Eu realmente nunca mais o veria de novo. Eu não podia continuar ali com um coração tão egoísta e impuro enquanto ele tinha uma vida e um noivado. Tentei engolir o choro, forcei um sorriso e perguntei:
— Mas Camar vai melhorar logo, não é?
Steward bagunçou o próprio cabelo, frustrado.
— Ele tem que melhorar.
Essa foi a melhor resposta que ele pôde dar. Olhei para Camar em silêncio. Steward suspirou novamente, como se lesse a dor no meu coração.
— Foi bom você ter vindo hoje, Yohan. De qualquer forma, como meu assistente, você terá que passar a noite em claro aqui comigo.
— …S-sério?
Senti como se estivesse sendo presenteado com uma oportunidade inesperada. Poder cuidar dele uma última vez…
Steward sorriu amargamente e assentiu.
— Sim, não há sinal de que o Príncipe Herdeiro vá recuperar a consciência tão cedo… Ah, espere um instante. Você já tomou o seu remédio hoje? Por precaução, tome logo agora.
Peguei o supressor que o doutor me entregou, servi água da jarra que estava na mesa e o engoli de uma vez. Depois de confirmar que eu havia tomado o medicamento, Steward recostou-se pesadamente na poltrona, parecendo esgotado.
— Doutor… mas o que está acontecendo de verdade? — coloquei o copo na mesa e perguntei cautelosamente: — O senhor realmente não sabe o que causou isso…?
Steward esfregou a testa, me olhando por entre os dedos. Após um momento de silêncio pesado e indeciso, ele suspirou e finalmente confessou:
— Para ser honesto… meus experimentos ultimamente têm sido voltados para testar medicamentos contra o sistema imunológico dos Alfas Dominantes.
— O quê? Medicamentos? — perguntei involuntariamente, surpreso pela revelação. Steward continuou com uma expressão amarga.
— Como você já sabe, drogas comuns não funcionam no sistema deles. Então, tentei usar uma terapia de coquetel, misturando um medicamento e outro. Mesmo assim, há muitos casos em que o efeito no Príncipe era quase nulo, então eu precisava aumentar as dosagens gradativamente. Eu tinha que testar todas essas combinações rigorosas, e é verdade que não havia mais ninguém em quem eu pudesse testar isso além do próprio Asgyle, em segredo.
— Você não acha que… — murmurei, atônito, pensando no pior.
— Não, não! — ele me cortou imediatamente. — O medicamento que o Príncipe Herdeiro estava usando não era nem de perto letal a esse ponto! Sua Alteza sofria de uma insônia severa. As dores de cabeça eram tão fortes que ele passava o dia e a noite em agonia. Era literalmente um ciclo vicioso: ele não conseguia dormir porque a cabeça doía demais, e a cabeça doía ainda mais porque ele não conseguia dormir!
— Então… eram apenas pílulas para dormir? Os medicamentos que você estava testando.
— Sim — disse Steward, assentindo com a testa cheia de rugas de preocupação. — E não teria como um sonífero se tornar um veneno fulminante do nada, então eu também estou num beco sem saída. Se o Príncipe Herdeiro não abrir os olhos logo…
Ele murmurou a última frase e fechou a boca com uma expressão sombria. Ele não tinha mais o que dizer.
Minha cabeça estava uma confusão, mas um pensamento lógico começou a se formar de forma nítida.
Steward nunca faria algo para machucá-lo. Mesmo que ele tivesse errado na dosagem de um teste, seria impossível um sonífero causar o vômito de sangue e o colapso repentino daquela forma agressiva.
Como Steward disse que não era veneno, era evidente que alguém havia manipulado alguma coisa nos bastidores.
“Mas como?”
Meu coração começou a bater forte de ansiedade novamente. O interior esplêndido do quarto que se estendia ao meu redor de repente me pareceu uma prisão assustadora.
“Quando nos encontramos… Camar estava gravemente ferido.”
A lembrança repentina me causou arrepios violentos na espinha.
Alguém estava ativamente tentando matar o Camar.
“Quem?”
Por uma fração de segundo, o rosto frio e os olhos roxos calculistas de Zakriya passaram pela minha mente, e eu cobri a boca com as mãos, tremendo de puro pavor.

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✦ Tradução, revisão e Raws: Jor&Belladonna

Ler Beije o Estranho (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse:
Em um país do Oriente Médio onde a discriminação contra ômegas é profundamente enraizada, Yohan, um ômega abandonado após a manifestação de seu gênero secundário, vive sozinho em um oásis com apenas um gato como companhia. Um dia, ele resgata um homem ferido que perdeu completamente a memória do seu passado. Conforme passam o tempo juntos, Yohan se apaixona por ele… mas, um dia, o homem desaparece subitamente, sem deixar rastros.
Depois de esperar por ele em vão por muito tempo, Yohan encontra inesperadamente o príncipe herdeiro, um homem exatamente igual àquele que um dia amou. No entanto, o príncipe não o reconhece de forma alguma…
Nome alternativo: Kiss The Stranger Beije O Estranho

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