Ler Beije o Estranho (Novel) – Capítulo 53 Online


Modo Claro

⚝ Capítulo 53

De repente, tive a ilusão de que a minha visão estava escurecendo. Mas eu nem sequer conseguia esfregar os olhos, apenas fiquei olhando fixamente para frente. A cena continuava a passar como um filme em câmera lenta na minha visão turva. Os nobres, que antes a cercavam, recuaram educadamente e curvaram-se enquanto ela se virava.
E então, ela caminhou lentamente na nossa direção. Steward apertou a minha mão com força uma vez antes de soltá-la, e então se levantou. Tentei me levantar atrás dele também, mas meus joelhos perderam a força e quase caí de volta no assento; com muito esforço, consegui me manter de pé. Enquanto isso, ela já havia se aproximado.
— Princesa, como a senhora está?
Steward a cumprimentou primeiro e curvou a cabeça, e eu o segui, curvando-me apressadamente. Naquele momento, um aroma desconhecido se misturou ao cheiro suave de incenso que se espalhava levemente pela sala. O perfume fresco da princesa era muito atraente e agradável.
Embora o meu coração estivesse terrivelmente pesado e dolorido, eu podia perceber isso claramente. O doutor também parecia muito mais relaxado perto daquele cheiro do que o normal. Tentei engolir as emoções turbulentas, pensando que devia ser apenas um perfume caro de alfazema ou jasmim que ela usava. Mas o verdadeiro motivo de eu estar tão abalado era que sentia que iria desabar em lágrimas se baixasse a guarda por um único segundo.
— Olá, Steward. Parece que você está muito bem.
Meu coração falhou ao ouvir a voz suave. Quando o doutor levantou a cabeça cautelosamente, minha visão, que estava focada no chão, subiu aos poucos, e finalmente consegui ver a princesa claramente.
– Ah…
Sem perceber, abri a boca em choque e fiquei olhando para ela, atordoado.
Ela não usava hijab ou qualquer véu cobrindo o rosto ou o cabelo; em vez disso, usava pequenos brincos e um colar de ouro delicados. Ela tinha cabelos longos e perfeitamente negros, grandes olhos castanho-escuros e uma pele morena e bronzeada que brilhava com saúde. Ela era mais alta do que eu, e o caftã preto e luxuoso que lhe cobria o corpo era bordado com fios de prata e flores brancas nas barras das mangas, o que a fazia se destacar de forma deslumbrante no salão.
Parando no meio-caminho entre Steward e mim, ela virou o rosto e olhou para cima, para os meus olhos. Quando a mulher linda, de feições perfeitamente desenhadas, abriu um sorriso radiante, seus dentes incrivelmente brancos contrastaram de forma encantadora com a pele escura.
— É este o seu assistente de quem falam os rumores, Steward?
Ao ouvir a pergunta, o doutor olhou para mim e confirmou, me apresentando com um olhar sutil de desconforto:
— Sim, Princesa. O nome dele é Yohan. Ele deixará o palácio em breve e não voltará mais.
— Oh, Deus, por que tão cedo? Trabalhar no palácio não é divertido? — Ela perguntou num tom de brincadeira amigável.
Fiquei olhando para ela com um pequeno sorriso sem graça, como se estivesse enfeitiçado. Ela era uma beldade doce como açúcar. Como alguém podia ser tão bonita? Com o simples movimento de um dedo, a graça e a nobreza pareciam transbordar dela naturalmente.
Comparado a uma pessoa incrível assim, eu era… apenas eu. Sem graça, quebrado, miserável.
Enquanto eu abaixava a cabeça, incapaz de continuar olhando para o rosto dela por causa do meu estado patético, Steward respondeu:
— Não é que não seja divertido… Ele apenas tem outros negócios a tratar fora do palácio real.
Diante do doutor, que tentava arranjar uma desculpa esfarrapada, a Princesa Najima respondeu com uma voz ainda tingida de riso:
— Tudo bem, você não precisa esconder a verdade. Todo mundo sabe que o palácio real é um lugar chato.
— Hahaha…
Steward riu de forma constrangida, e ela continuou de forma indiferente:
— Pense bem, quando alguém fica doente, hoje em dia você vai ao hospital e o médico usa tomografia computadorizada e inteligência artificial para examinar o problema.
Então, não é um saco ter que fazer uma cerimônia de oração antiquada como esta só para pedir a cura a Deus? Estamos em uma era em que as pessoas vão para o espaço, mas este país ainda age como se estivéssemos vivendo na Idade Média.
Não é mesmo, Yohan?
Assustado por ser chamado de repente, levantei a cabeça, atordoado.
No mesmo instante, meus olhos se encontraram com os da princesa. Ao ver o sorriso benevolente, gentil e incrivelmente bondoso no rosto dela, fiquei sem palavras, esmagado pela culpa. Essa era a noiva dele. A mulher com quem o meu Camar ia se casar.
Steward, vendo que eu estava incapaz de abrir a boca, respondeu no meu lugar:
— Bem, mas o Príncipe Herdeiro Asgyle é muito desperto sobre isso, não é? Ele estudou na Inglaterra por anos, acredito que muita coisa vai mudar drasticamente nas tradições do país quando ele oficialmente ascender ao trono.
Então, Princesa Najima deu um sorriso enigmático.
— É verdade. Se não fosse pelo Asgyle, eu sequer teria sido autorizada a vir a esta cerimônia com o rosto descoberto e as roupas que escolhi. Será ainda melhor quando ele for coroado.
Após uma pausa, ela murmurou num tom um pouco mais sombrio, quase para si mesma:
— …Isso, claro, se ele conseguir ascender ao trono.
— Hã?
Quando a interjeição confusa escapou da minha boca sem eu perceber, a Princesa Najima apenas sorriu novamente em vez de explicar. Steward devolveu um sorriso estranho, com o rosto confuso, como se não tivesse certeza se tinha ouvido direito ou se a princesa estava apenas fazendo uma piada de mau gosto.
Naquele momento, uma dama de companhia se aproximou em silêncio e estendeu um xale de seda para que Najima pudesse cobrir a cabeça antes do início da cerimônia religiosa. Observando Najima aceitar o véu, Steward mudou de assunto e perguntou:
— Mas a senhora chegou bem cedo, Princesa. Ainda falta um bom tempo até o jantar cerimonial.
Najima, que observava as famílias nobres entrando no salão uma a uma, respondeu casualmente:
— Eu quis sair de casa mais cedo. Prefiro me adiantar do que me atrasar.
— Ah… então aquela sua amiga ficou sozinha em casa?
Assim que fiz a pergunta sem pensar, as cabeças dos dois viraram para mim ao mesmo tempo. Fechei a boca imediatamente em choque com a minha própria burrice, mas Najima perguntou de volta, parecendo se divertir:
— Minha amiga voltou para o interior há muito tempo. Mas como você sabia sobre ela, Yohan? Quase ninguém fora da minha casa sabia que ela tinha vindo dormir no palácio comigo naquela noite.
Steward também olhou para mim com o rosto transbordando de pânico. Dessa vez, ele nem sequer tentou me acobertar. Sentindo uma culpa tremenda por ter encurralado o doutor naquela situação, abri a boca com muita dificuldade.
— E-eu… é que… Vossa Majestade, o Príncipe Herdeiro… ele me confundiu com ela, então eu presumi que…
Ao ouvir isso, Najima fez uma expressão peculiar. Ela não perdeu o sorriso no rosto, mas me olhou com uma feição de quem estava analisando algo diferente, e perguntou de forma gentil, mas afiada:
— Você já conheceu o Príncipe Herdeiro pessoalmente, Yohan?
— Ah…
O rosto de Camar, sorrindo docemente para mim, brilhou na minha mente por um segundo, e eu tentei ao máximo engolir a dor no meu peito para responder:
— S-sim…
Minha voz tremeu e eu tive que fechar a boca para não chorar. Mais uma vez, a Princesa Najima demonstrou uma confusão autêntica e inclinou a cabeça. Steward, notando a minha crise iminente, correu para me salvar:
— Ele esbarrou com o Príncipe Herdeiro por acaso, no jardim, há alguns dias.
— Sério? Como foi isso?
Diante da pergunta insistente da noiva, engoli o nó quente na minha garganta e respondi num fio de voz:
— E-eu saí por um segundo à noite… e acabei esbarrando com o Príncipe Herdeiro enquanto andava…
— E então?
— E então o Príncipe perguntou se eu era a amiga da Princesa Najima que os guardas relataram estar no palácio. Ele ia me escoltar de volta… mas logo depois, o doutor apareceu me procurando e esclareceu que eu era o assistente dele, e fomos embora. Foi apenas isso.
Entrei em pânico e olhei nos olhos dela, esperando que o assunto morresse ali. Najima ficou encarando o meu rosto em absoluto silêncio. Como se estivesse tentando encontrar o menor traço de mentira nos meus olhos. Eu estava morrendo de medo, mas me forcei a não desviar o olhar.
Após um longo momento de tensão, Najima deu um sorriso suave e soltou:
— Que engraçado. Você definitivamente não faz o tipo do Asgyle.
Pisquei, perplexo com o comentário aleatório e direto. Steward olhou para mim, depois para Najima, e perguntou confuso:
— O tipo dele? Ele não faria de jeito nenhum?
Então, Najima assentiu com firmeza e continuou:
— Sim. Esse menino de pele branca e pálida… tão magro que só tem ossos. O gosto do Asgyle não tem nada a ver com isso.
Ela abriu um sorriso de pena como se estivesse sentindo muito por mim, mas eu fiquei mais chocado do que ofendido. Eu não era mais uma criança para ser chamado de “menino”. E, acima de tudo, o que ela quis dizer com isso?! Qual é o problema dela reagir assim depois de eu apenas ter explicado um mal-entendido casual?
Eu fiquei plantado no lugar, muito confuso para perguntar o que ela queria dizer com aquilo. Najima, no entanto, acrescentou em tom de escárnio, com um ar nostálgico e sombrio:
— O Príncipe costuma ficar mentalmente confuso desse jeito de vez em quando. Quando é que foi mesmo…? Ah, sim. Uma vez, quando ele era bem mais jovem, ele chegou ao ponto de dizer que havia se apaixonado por um menino de forma doentia…
— Já chega, Princesa. Evite conversas e especulações desnecessárias.
Uma voz fria e cortante rasgou o espaço entre nós de forma repentina. Virei a cabeça num susto e esqueci até de como se respira.
O Príncipe Herdeiro Asgyle estava de pé logo atrás de nós, vestido em um uniforme puramente branco, em toda a sua glória. Insígnias e medalhas de ouro e pedras preciosas, gravadas com o brasão de armas da família real, cobriam as golas e os ombros da túnica dourada. Havia uma longa espada cerimonial presa à sua cintura, cuja bainha também era deslumbrantemente cravejada de ouro e rubis.
Mas o que capturou toda a minha atenção foi um motivo completamente diferente.
O cabelo preto curto. A pele escura e bronzeada logo abaixo. Os olhos num tom hipnotizante de ametista. E a doce e nostálgica fragrância de feromônios que flutuou até o meu nariz, me lembrando das noites no deserto.
“Camar.”
Sem que eu percebesse, meu corpo se moveu por instinto, e eu quase me joguei na direção dele para abraçá-lo. No entanto, tudo o que eu consegui fazer foi cravar as unhas na palma da mão e ficar imóvel, lutando com todas as minhas forças para não ceder.
O Príncipe Herdeiro Asgyle não olhou para mim. Ele apenas observou a Princesa Najima de cima a baixo, com a testa levemente franzida num misto de desdém e aborrecimento.
Ela piscou suavemente, cobriu a cabeça com o xale de seda e fez uma reverência educada.
— Perdoe a minha falta de modos, Vossa Majestade.
Em seguida, ela se despediu de mim e do doutor com um leve aceno de cabeça e caminhou na direção do tapete reservado para ela na primeira fileira. Enquanto eu observava Asgyle seguir Najima com os olhos frios enquanto ela se afastava, o silêncio pesado tomou conta de nós.
Quando ele virou o rosto para frente de novo, ele ostentava a inegável e impenetrável expressão de Príncipe Herdeiro da Nação.
— Vejo que esse não foi embora ainda — ele soltou a farpa, se referindo a mim.
Steward pigarreou e respondeu de forma estritamente profissional:
— A cerimônia de hoje é vital para a nação, Vossa Majestade. Foi por isso que eu ordenei que ele permanecesse no palácio até o fim do dia para me auxiliar no trabalho médico. Se a simples presença dele no salão ofende o Príncipe, eu o mandarei sair imediatamente.
O meu coração disparou de pavor pela ideia de ser enxotado, mas Asgyle virou as costas sem demonstrar qualquer emoção e não disse mais nada. O Príncipe Herdeiro caminhou majestosamente até o altar, e o cheiro doce de seus feromônios desapareceu aos poucos.
Enquanto eu continuava a olhar fixamente para as costas dele, Steward agarrou o meu ombro e me puxou gentilmente para baixo. Assim que me ajoelhei no meu tapete ao lado dele, a situação ao redor ficou clara. Quase todos os assentos vazios já estavam ocupados pelos nobres. O silêncio tomava conta do salão. Era a hora de a cerimônia começar.
Como todos os outros nobres devotos presentes, abaixei a cabeça e esperei. E quando o Príncipe Herdeiro finalmente se posicionou no centro, as dezenas de pessoas reunidas no grande salão pararam de respirar num silêncio obsequioso e solene.
Asgyle ficou diante do grande altar de pedra e, em seguida, o sumo sacerdote designado surgiu de uma sala lateral, segurando uma bandeja com uma taça de ouro incrustada de diamantes.
Para marcar o início das orações, o Príncipe Herdeiro deveria beber o vinho sagrado purificado na taça de ouro. Embora o álcool fosse estritamente proibido pela lei e pela religião na vida diária, o consumo simbólico de vinho era permitido apenas nesta cerimônia em particular.
O sacerdote, após oferecer a taça para purificar o corpo do futuro rei, deu um passo para trás.
Asgyle pegou a taça de ouro pesada e levou-a aos lábios. Ele esvaziou todo o conteúdo líquido sem fazer um único som, colocou a taça vazia de volta na bandeja segurada pelo sacerdote, e virou-se para o altar novamente.
Asgyle ergueu ambas as mãos ao lado do rosto, palmas voltadas para a frente, e a sua voz rouca e imponente ecoou no silêncio sufocante:
— Allahu Akbar*. ¹
E então, cruzou as mãos e as pousou sobre o peito.
Eu também abaixei a cabeça, colei minhas próprias mãos no peito e rezei fervorosamente para que a saúde do Rei melhorasse e a dor nos ombros de Asgyle diminuísse.
Enquanto eu rezava, Asgyle começou a recitar as orações de abertura da cerimônia para o salão inteiro ouvir:
— Louvado seja o Senhor da glória, aquém de toda perfeição. Agradeço infinitamente ao Senhor Todo-Poderoso…
E então… de repente, a voz dele tremeu de forma antinatural.
Levantei a cabeça, confuso, e vi a figura imponente do Príncipe parar bruscamente. Ele continuava na mesma posição de oração, congelado no lugar.
Mas ele não estava mais recitando a reza. O silêncio estendeu-se e, em seguida, um murmúrio confuso começou a se espalhar entre os nobres ao nosso redor.
Asgyle abriu a boca novamente. Ele tentou puxar o ar para continuar as palavras da oração, mas o que saiu da sua boca… não foi uma palavra.
— …urk!
Sangue.
Sangue fresco e vermelho-escuro espirrou dos lábios dele, jorrando em grande quantidade para frente. Arregalei os olhos em puro horror.
O manto branco imaculado que Asgyle estava usando manchou-se de vermelho carmesim em um instante. Asgyle abaixou os olhos lentamente para o próprio peito. Ele olhou para a mancha vermelha por um breve segundo, como se não conseguisse entender o que ele próprio havia acabado de vomitar.
E então, a testa dele se franziu de dor.
Ele pareceu murmurar algo, mas eu não consegui ouvir por causa do pânico zumbindo nos meus ouvidos. A única coisa que ficou clara, dolorosamente clara, foi a visão do corpo alto e forte de Asgyle desmoronando, tombando lentamente em direção ao chão de mármore.
— CAMAR!!!
Quando eu gritei instintivamente, meus pulmões rasgando de desespero, Steward já tinha pulado e estava correndo em direção ao altar como um louco.
E, em menos de um segundo, o salão inteiro explodiu num caos infernal de choque e gritos ensurdecedores.

N/R:
1. Termo religioso que marca o início da oração formal. Significa: “Deus é o maior/Deus é grande”

⌀ ⌀ ⌀

✦ Tradução, revisão e Raws: Jor&Belladonna

Ler Beije o Estranho (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse:
Em um país do Oriente Médio onde a discriminação contra ômegas é profundamente enraizada, Yohan, um ômega abandonado após a manifestação de seu gênero secundário, vive sozinho em um oásis com apenas um gato como companhia. Um dia, ele resgata um homem ferido que perdeu completamente a memória do seu passado. Conforme passam o tempo juntos, Yohan se apaixona por ele… mas, um dia, o homem desaparece subitamente, sem deixar rastros.
Depois de esperar por ele em vão por muito tempo, Yohan encontra inesperadamente o príncipe herdeiro, um homem exatamente igual àquele que um dia amou. No entanto, o príncipe não o reconhece de forma alguma…
Nome alternativo: Kiss The Stranger Beije O Estranho

Gostou de ler Beije o Estranho (Novel) – Capítulo 53?
Então compartilhe o anime hentai com seus amigos para que todos conheçam o nosso trabalho!