Ler Beije o Estranho (Novel) – Capítulo 50 Online


Modo Claro

⚝ Capítulo 50

Assim que retornamos ao laboratório, Steward começou a inspecionar o meu corpo inteiro. Eu achei que seria mais rápido simplesmente me lavar para me livrar dos feromônios do Príncipe Herdeiro, mas não havia como eu sugerir isso sem soar suspeito, então apenas esperei pacientemente.
O doutor, que finalmente havia se levantado após me avaliar, começou a checar o meu cheiro com mais cuidado desta vez. Depois de enfiar o nariz perto do meu pescoço várias vezes, ele inclinou a cabeça e coçou o queixo, pensativo sobre algo.
— Isso é estranho. Tem certeza de que não aconteceu nada?
Ao ouvir a murmuração dele, parei para checar o meu próprio cheiro. Seria terrível se eu acabasse entrando no cio só por inalar os feromônios de Asgyle que ainda estavam impregnados em mim.
Mesmo não sendo esse o caso, minha mente estava em branco e eu sentia falta de ar, mas não podia demonstrar um estado tão patético na frente do doutor. Fiquei esperando em silêncio que o meu coração se acalmasse. Steward, que estava pensativo há um tempo, finalmente falou:
— Yohan, talvez eu só tenha interpretado mal a situação.
— Sim…
Eu estava tão tenso e abalado que mal conseguia falar. Enquanto eu esperava ansiosamente, ele me guiou até o sofá e me fez sentar; em seguida, puxou uma cadeira e sentou-se de frente para mim.
— Você sabe que tipo de pesquisa eu faço, não sabe, Yohan?
— Sim. O senhor estuda a biologia de Alfas e Ômegas.
Quando respondi sem hesitar, Steward abriu um sorriso gentil, mas logo assumiu uma expressão muito séria.
— Como você já sabe, neste mundo existem Alfas, Ômegas, Betas e Gamas. Os Betas são a maioria esmagadora da população, seguidos pelos Ômegas, depois os Alfas e, por fim, os Gamas. Entre os Alfas e os Ômegas, existe uma variação genética rara, e os indivíduos que a possuem são classificados como Alfas Dominantes e Ômegas Dominantes.
— Sim.
Ele continuou sua explicação:
— Aqui, as estatísticas entre os dominantes se invertem. No geral, existem mais Ômegas do que Alfas no mundo, mas a quantidade de Ômegas Dominantes é infinitamente menor do que a de Alfas Dominantes. Em termos matemáticos, de cada 100 mil pessoas, cerca de mil se manifestam como Alfa ou Ômega; e, dessas mil, apenas uma ou duas se manifestam como Alfa Dominante. É por isso que eles são tão raros e há tão poucos casos de pesquisa sobre eles. Nós já conversamos sobre Alfas Dominantes antes, não é?
Quando eu balancei a cabeça afirmativamente, Steward falou com uma postura ainda mais atenta:
— Mas sabe o que é ainda mais raro do que isso? Um Ômega Dominante.
— Deve haver ainda menos casos sobre eles…
Eu não sabia por que o doutor estava me dizendo aquilo de repente, mas prestei atenção a cada palavra sua.
— Exatamente — Steward concordou, fazendo uma careta. — Mas o motivo de haver tão poucos casos registrados de Ômegas Dominantes não é apenas porque a taxa de natalidade deles é minúscula. É porque é impossível encontrá-los.
Involuntariamente, perguntei, surpreso:
— Impossível de encontrar? Como assim?
Steward assentiu antes de explicar:
— Ao contrário das outras dinâmicas, os Ômegas Dominantes têm a habilidade inata de suprimir e esconder completamente os seus próprios feromônios, o que faz com que sejam frequentemente considerados Betas ou confundidos com Ômegas comuns com baixa produção hormonal. É claro que é possível que os Alfas Dominantes também suprimam seus feromônios, mas, ao contrário dos Ômegas Dominantes, eles não conseguem fazer isso de forma semipermanente. Quanto mais um Alfa tenta reter seus feromônios intencionalmente, mais toxinas se acumulam em seu corpo, o que causa danos severos.
Mas para os Ômegas, a biologia funciona de outra forma. Os feromônios não se acumulam de forma tóxica no sistema deles. Então, se um Ômega Dominante quiser, ele pode fingir ser um Beta pelo resto da vida até o dia de sua morte, sem nenhuma consequência.
— Mas se eles se escondem tão bem… como descobriram que essa variação genética existe? – Soltei a pergunta.
Ele respondeu prontamente:
— A descoberta foi feita totalmente por acaso. Um médico estava consultando um Ômega cujos níveis de feromônios apresentavam picos excepcionalmente mais altos do que os de outros da sua classe. Ele só descobriu a variação dominante após testar esse paciente. E, depois que a existência dos Ômegas Dominantes se tornou de conhecimento público no meio médico, as coisas ficaram um pouco… complicadas.
— Complicadas como…?
Senti medo de ouvir as próximas palavras. Steward soltou um suspiro, sua expressão carregada de preocupação, e continuou:
— Você sabe, Yohan, já que também é um ômega… Alfas e Ômegas reagem instintivamente aos feromônios um do outro. Nem mesmo os Ômegas Dominantes conseguem escapar dessa biologia. Mas o verdadeiro problema é que os feromônios de um Ômega Dominante são como uma arma especializada, desenhada para destruir os Alfas Dominantes. A exposição a esses feromônios os enlouquece completamente.
— Enlouquecem… de que jeito?
Senti a minha voz tremer de leve. Steward apontou para a própria têmpora com o dedo indicador.
— A densidade de feromônios que um Ômega Dominante emite é absurdamente alta. Quando o cérebro de um Alfa Dominante é bombardeado por essa carga maciça de informações genéticas, a racionalidade dele entra em colapso. A maioria deles perde a memória durante o surto, mas há casos registrados de delírio agudo, mania violenta e insanidade temporária.
Arregalei os olhos de surpresa. Ao me ver chocado, Steward acrescentou com gravidade:
— Em certo sentido, parece que o mundo em que vivemos está nas mãos de alguns poucos Alfas Dominantes. Eles têm o poder, o dinheiro e o controle. Mas, quando você analisa a fundo a nossa biologia, percebe que quem realmente está no topo da pirâmide alimentar é o Ômega Dominante. Na verdade, de todas as dinâmicas genéticas, a que é mais influenciada e vulnerável aos feromônios é o Alfa Dominante. Para eles, um Ômega Dominante é um perigo letal. É por isso que, quando esses Ômegas são descobertos, eles frequentemente são sequestrados, vendidos no mercado negro ou submetidos a experimentos científicos horrendos. E também há Alfas Dominantes que os aprisionam em cativeiro até a morte, os estupram e os engravidam repetidas vezes sem fim. Afinal de contas, os Alfas são monstros loucos mesmo quando não estão sob o efeito de feromônios.
Ele deu de ombros, como se estivesse farto daquela realidade.
— Como resultado direto de tudo isso, a grande maioria dos Ômegas Dominantes vive escondida ou se recusa a revelar a sua condição, então muito pouco se sabe sobre eles na prática.
— Isso quer dizer que é muito provável que nós nunca encontremos um Ômega Dominante nas nossas vidas — concluí.
— Exatamente. Ou, se encontrarmos, jamais o reconheceremos, mesmo estando cara a cara com um.
Abaixei a cabeça. “Mas por que ele está me contando tudo isso de repente?”
Foi então que o doutor disse para mim, com o rosto subitamente tenso:
— Ainda assim, existem momentos em que a natureza deles inevitavelmente se revela. Só porque o disfarce é instintivo, não significa que seja à prova de falhas.
Fiquei nervoso de imediato. Não era exatamente essa a desconfiança de Steward afinal de contas?
Pensei com cuidado antes de perguntar:
— O disfarce falha…? De que jeito?
Steward abriu a boca, mas hesitou antes de responder:
— Devido a uma marca no corpo.
— Uma… marca?
Após me ver repetir a palavra, confuso, ele prosseguiu:
— Sim. Não é visível normalmente. Mas um Ômega Dominante é marcado pela própria genética quando os feromônios transbordam. Como, por exemplo, durante o cio, ou quando ele fica muito excitado durante o sexo, ou até mesmo quando ele é forçado a liberar feromônios artificialmente. Em qualquer uma dessas situações, dizem que manchas aparecem ao redor da pelve do Ômega. Essas manchas formam o desenho de uma borboleta.
Steward desenhou uma borboleta no ar com a ponta do dedo. Segui o movimento com os olhos e, quando voltei a olhar para ele, o doutor falou:
— Se você for, por acaso, um Ômega Dominante, Yohan… continuar dentro deste palácio será mil vezes mais perigoso para você. Sabe disso, não sabe?
— Sim…
“Mas isso seria impossível.” Eu era apenas um ômega comum e sem importância.
Enquanto eu dava uma resposta protocolar para disfarçar o nervosismo, Steward inclinou o corpo para frente, aproximando o rosto do meu, e me encarou profundamente. Não consegui entender o significado daquele olhar afiado, então apenas pisquei em confusão.
Um silêncio estranho caiu sobre nós. Senti um constrangimento esmagador e quis desviar o olhar, mas, de alguma forma, não consegui. Steward continuou me encarando tenazmente, embora soubesse perfeitamente que aquilo estava me deixando ansioso. Era como se ainda houvesse algo não dito pairando no ar. Mas por que ele não falava logo?
— Yohan.
Assustado com a voz grave dele, respondi num fio de voz:
— S-sim?
Steward falou em um sussurro sombrio:
— Se eu dissesse que quero confirmar isso pessoalmente… eu seria considerado um louco?
— Como é que é?!
Desta vez, minha voz saiu quase como um grito de pavor. Fiquei completamente sem palavras diante da vergonha e do choque, e arregalei os olhos. O rosto de Steward estava tão sério que assustava.
Assim que a pergunta registrou na minha mente, senti uma sensação de perigo extremo me atacar.
De repente, uma memória sombria e traumática que eu havia lutado para esquecer voltou à tona. As mãos pesadas que me seguravam à força, o meu corpo amarrado de tal forma que eu não conseguia me mover na cama…
Engoli em seco sem perceber. Meu coração começou a bater descontroladamente de novo. Meu corpo inteiro tremia e eu fiquei paralisado, incapaz de me afastar um único milímetro do sofá.
Quando comecei a ter a sensação de que minha visão estava apagando pelo pânico, o miado de um gato cortou o ar de repente. Era Rikal.
A tensão do ambiente desmoronou na mesma hora. O gato, que havia acordado da soneca, miou preguiçosamente e veio esfregar a cabeça na minha perna. Inclinei-me às pressas, usando Rikal como desculpa perfeita para desviar o olhar do doutor.
Felizmente, quando levantei os olhos novamente, o rosto de Steward havia voltado à sua expressão gentil de sempre.
— Ah, é hora de Rikal acordar. Esse pestinha deve estar morto de fome — ele comentou com naturalidade.
Acariciando gentilmente a cabeça do gato com a ponta dos dedos, Steward se levantou da cadeira e sorriu de volta para mim.
— Não se preocupe, Yohan. Eu não sou um louco sádico como os Alfas Dominantes.
— Sim, eu sei disso.
Concordei apressadamente, mas logo senti que havia algo estranho naquela frase. Sem me dar tempo para pensar a respeito, Steward concluiu:
— O ponto principal é: Ômegas Dominantes não podem ser descobertos a menos que se entreguem por vontade própria. Então, contanto que você controle rigorosamente os seus feromônios, estará seguro.
Ele deu de ombros levemente.
— Mas é claro, é impossível que você seja um Ômega Dominante, não é, Yohan?
— I-isso mesmo. É impossível.
Enquanto eu assentia repetidas vezes, Steward deu aquele seu sorriso habitual, virou-se e caminhou de volta para a sua mesa de trabalho. Sentou-se na cadeira, espreguiçou-se e voltou aos seus relatórios de pesquisa.
Eu me movi em silêncio para não atrapalhar, fui até o armário, peguei cuidadosamente a ração de Rikal e coloquei numa tigela.
Enquanto o gato comia, eu enchi a vasilha de água, e Steward começou a organizar os papéis do sofá onde estava dormindo antes. Olhei para trás e o vi imerso em seus papéis, exatamente como sempre fazia.
Só então, soltei um longo suspiro de alívio. De repente, minha mente ficou em branco.
Fiquei ali parado, olhando para o vazio por um longo tempo. Fazia apenas duas horas desde o meu encontro chocante com o Príncipe Herdeiro Asgyle no jardim, mas já parecia que tinha sido um delírio.
“Yohan.”
“Eu te amo.”
Meus olhos se encheram de lágrimas de novo, e eu balancei a cabeça apressadamente para enxugar o rosto. Tentei manter as mãos e o corpo ocupados para afastar as memórias e não pensar em mais nada. Mas as lembranças insistiam em vagar pela minha mente. Junto com aquele aroma doce e inesquecível que, por mais que eu tentasse, nunca deixava o meu corpo.

⌀ ⌀ ⌀

✦ Tradução, revisão e Raws: Jor&Belladonna

Ler Beije o Estranho (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse:
Em um país do Oriente Médio onde a discriminação contra ômegas é profundamente enraizada, Yohan, um ômega abandonado após a manifestação de seu gênero secundário, vive sozinho em um oásis com apenas um gato como companhia. Um dia, ele resgata um homem ferido que perdeu completamente a memória do seu passado. Conforme passam o tempo juntos, Yohan se apaixona por ele… mas, um dia, o homem desaparece subitamente, sem deixar rastros.
Depois de esperar por ele em vão por muito tempo, Yohan encontra inesperadamente o príncipe herdeiro, um homem exatamente igual àquele que um dia amou. No entanto, o príncipe não o reconhece de forma alguma…
Nome alternativo: Kiss The Stranger Beije O Estranho

Gostou de ler Beije o Estranho (Novel) – Capítulo 50?
Então compartilhe o anime hentai com seus amigos para que todos conheçam o nosso trabalho!