Ler Beije o Estranho (Novel) – Capítulo 48 Online


Modo Claro

⚝ Capítulo 48

Os passos pararam não muito longe de nós. Então, fez-se silêncio. Enquanto eu continuava de cabeça baixa, prestando atenção em tudo, Zakriya finalmente quebrou o silêncio e falou com o doutor.
— Está um pouco tarde, doutor, mas o que você pretende fazer agora? Teríamos tempo para tomar uma xícara de chá e conversar um pouco?
Ao ouvir isso, Steward respondeu com um sorriso educado no rosto:
— Eu agradeço muito o convite Lorde Zakriya, mas estou realmente exausto. Este ambiente não é familiar para mim, e tudo que eu quero agora é voltar para o meu quarto e descansar.
Zakriya franziu a testa ligeiramente e insistiu
— Oh, é uma pena. Então, que tal eu ir até os seus aposentos amanhã durante o dia?
Ele parecia ter algo específico que queria ouvir. Diante da insistência do nobre, o doutor forçou outro sorriso e respondeu:
— Eu adoraria, mas…
— Mas?
— Eu pretendo me isolar para focar totalmente na minha pesquisa amanhã. O senhor poderia ser compreensivo com isso?
— …
Zakriya ficou em silêncio por um instante, e então perguntou, de forma insinuante:
— Você não está tentando me evitar, está, doutor?
— Não, de forma alguma! — Steward rapidamente acenou com a mão, negando. — Acontece que eu não posso me dar ao luxo de perder o foco na pesquisa que o próprio Príncipe Herdeiro ordenou. Como o senhor já sabe muito bem.
Ao ouvir isso, os olhos de Zakriya se estreitaram como os de uma cobra. Ele olhou ao redor pelo canto dos olhos e perguntou em um tom mais baixo:
— Não me leve a mal, eu apenas gostaria de saber como anda a saúde de Vossa Majestade pelo bem deste país e da nossa família real.
— Sim, é claro. A lealdade de Lorde Zakriya é bem conhecida por todos — Steward respondeu num tom suave. — Mas, no momento, estou apenas nos estágios iniciais, então é difícil afirmar qualquer coisa. Mesmo que o senhor venha até o meu quarto amanhã, será em vão, pois eu não terei nada de novo para lhe dizer. Na verdade, como o senhor deve saber, já faz um tempo desde que Sua Majestade retornou e nós ainda estamos investigando a situação dele. Portanto, não tenho nenhuma resposta concreta para dar no momento.
Eu achei que o doutor estava falando a verdade. Zakriya também pareceu analisar o rosto dele por um momento e, em seguida, relaxou a expressão.
— Entendo. Sendo assim, não há mais nada a ser dito. É uma pena, eu achei que esta seria uma boa oportunidade para unir forças pela saúde de Vossa Majestade.
— Não se preocupe com isso. Tenho certeza de que Sua Majestade já tem total conhecimento da devoção de Lorde Zakriya.
— Ah, é claro. — Zakriya sorriu para si mesmo, mas ainda parecia contrariado. — O problema é que ele também sabe perfeitamente disso — ele murmurou baixinho, e depois acrescentou em tom casual: — Então, faça o seu melhor. Pode me procurar a qualquer momento se precisar de ajuda com a pesquisa. Afinal, eu tenho a mesma constituição biológica de Vossa Majestade.
— Sim, muito obrigado. Tenha uma boa noite, senhor.
Após a despedida, Steward finalmente voltou a empurrar a minha cadeira de rodas e nós fomos embora. Por alguma razão, eu ainda conseguia sentir o olhar pesado de Zakriya queimando nas minhas costas, mas não tive coragem de olhar para trás.
O doutor, que se manteve calado durante todo o trajeto de volta, não disse uma única palavra até chegarmos ao quarto e fecharmos a porta. Foi só então que ele soltou um longo suspiro acima da minha cabeça.
— Conflitos entre poderosos são sempre uma dor de cabeça.
— Você trabalhou muito hoje, Steward.
Após o meu breve agradecimento, ele negou imediatamente.
— Não fui eu quem trabalhou muito. Foi você, Yohan, quem mais sofreu lá. Deve ter sido terrível, mas você aguentou firme.
— Sim…
Assim que eu respondi, as lágrimas brotaram nos meus olhos de novo. Mordi o lábio inferior para tentar me conter, mas elas rapidamente começaram a pingar nas costas das minhas mãos, e o doutor soltou mais um suspiro.
— Yohan… ah, meu Deus.
Ele suspirou como se não soubesse o que dizer, virou-se e pegou um lenço. Ajoelhando-se na minha frente enquanto eu soluçava, o doutor continuou:
— Yohan, este não é o melhor momento para termos essa conversa, mas não podemos continuar assim. É perigoso demais para você ficar aqui no palácio. Neste lugar, você é como um coelho trancado numa jaula cheia de feras selvagens. Eu não quero nem imaginar o que aconteceria se eles descobrissem que você é um ômega. Eu entendo o que você está sentindo, mas acho melhor que você volte para a estalagem e me espere lá.
O doutor hesitou por um momento, coçando a cabeça, e então continuou:
— Eu não posso sair por um tempo, então não poderei te levar de volta agora. Mas eu vou marcar a nossa saída o mais rápido possível. Até lá, fique trancado no meu quarto o máximo de tempo que puder e não saia em hipótese alguma. Entendeu?
Enxuguei minhas lágrimas com o lenço que ele me deu e perguntei cuidadosamente:
— O Príncipe Herdeiro… não há a menor chance de que ele seja o meu Camar, não é? Eles são apenas duas pessoas incrivelmente parecidas… certo?
Os soluços tornaram difícil continuar falando. Engolindo em seco com um suspiro profundo, repeti:
— O meu Camar jamais diria coisas tão horríveis daquele jeito.
— Sim, Yohan. Eles são pessoas diferentes. Ele com certeza não é o Camar — Steward respondeu com firmeza.
Mas eu senti que ele estava mentindo. Quando o encarei, o doutor hesitou e desviou o olhar, murmurando:
— Digo… eu não queria duvidar do que ele é, mas…
Ele fez uma pausa e então continuou:
— Eu também fiquei muito desconfiado no começo, então andei pesquisando. Mas não encontrei muitas informações sobre o Príncipe Herdeiro porque tudo sobre ele é tratado como ultrassecreto. No entanto, de acordo com os rumores que ouvi, dizem que o Príncipe Herdeiro sumiu por mais de seis meses, sem que ninguém o visse. Se você analisar o cronograma, as datas batem quase perfeitamente.
— Quanto tempo o Camar e eu estivemos juntos? — perguntei a mim mesmo, e Steward assentiu, acrescentando:
— E foi logo depois que o seu Camar desapareceu que o Príncipe Herdeiro Asgyle reapareceu no palácio.
“Poderia existir uma coincidência tão perfeita assim?” Mesmo enquanto processava aquele pensamento, eu ainda queria negar a possibilidade. Talvez fosse pela mesma razão que Steward tentava me convencer do contrário o tempo todo.
Eu não quero acreditar nisso.
Involuntariamente, apertei as mãos com força no meu colo.
— Sim… sim. Quando as memórias do Camar voltarem, ele vai se lembrar.
Foi muito difícil para mim conseguir falar.
— Por que ele não me reconhece? Será que ele está fingindo que não me conhece? E se o Camar simplesmente tiver me abandonado…?
— Ele não está fingindo não te conhecer, Yohan — disse Steward, enquanto minhas lágrimas fluíam novamente. — Às vezes isso acontece. Quando alguém perde a memória e depois a recupera, a pessoa pode acabar esquecendo do que viveu enquanto estava com amnésia. Então, assumindo que o Príncipe Herdeiro e o Camar são a mesma pessoa… ele te conheceu, Yohan, enquanto estava com amnésia. Mas, depois de recuperar as próprias memórias de Príncipe, ele esqueceu tudo o que aconteceu durante aquele período.
Ele me lembrou de forma brutal de uma realidade que eu mal conseguia suportar. Desabei em lágrimas e, soluçando, o questionei com desespero:
— Então, as chances dele se lembrar de mim… não existem mais, certo?
— Yohan…
Steward esticou a mão para me consolar, mas meus olhos rapidamente ficaram embaçados e eu não consegui mais ver o rosto dele. Mordi meus lábios trêmulos com força.
“O Camar me esqueceu… para sempre?”
“Eu te amo.”
Ele nunca mais diria isso para mim? Ele nunca mais olharia para mim daquele jeito, nunca mais me abraçaria?
“Eu te amo. Eu quero ficar com você para sempre, Yohan.”
“Eu não me importo que você seja um ômega. Eu não me importo com o que você é. Eu sou seu, Yohan.”
“Eu te amo.”
Nunca mais.
— Ugh…
Eu não consegui suportar. Enterrei o rosto nas mãos e chorei em voz alta até não aguentar mais.
***
Por um tempo, os dias se passaram sem maiores incidentes. Pouco a pouco, meu corpo começou a melhorar. E, mais do que tudo, Steward se certificava diligentemente de pedir refeições reforçadas, como se tivesse assumido a missão de vida de me alimentar direito.
Graças a isso, minha saúde melhorou consideravelmente. E o que mais me deixou feliz foi que a minha visão estava, aos poucos, voltando ao normal e ficando mais clara.
— Acho que já posso voltar a trabalhar no canteiro de obras — comentei um dia, enquanto conversávamos.
Mas Steward balançou a cabeça.
— Não. Já que você está registrado como meu assistente, você vai trabalhar me ajudando aqui.
Claro que eu já estava fazendo o meu melhor para ajudá-lo de qualquer forma, seja procurando materiais ou limpando o laboratório. Mas me era expressamente proibido sair do quarto para qualquer outra coisa.
— Você só precisa aguentar mais um mês.
Steward me lembrava disso sempre que eu demonstrava impaciência. Como a regra do palácio estipulava que os residentes só tinham permissão para sair uma vez por mês, ele planejava me levar com ele na próxima vez em que tivesse a oportunidade de deixar as instalações. Até lá, eu me sentia confinado, e tinha que passar o tempo tentando acalmar a minha mente olhando pela janela. E este foi apenas mais um daqueles longos e tediosos dias.
Quando acordei no meio da noite, o quarto estava silencioso. Fechei os olhos para tentar voltar a dormir, mas minha mente já estava desperta e o sono desapareceu. Levantei-me com cuidado da cama, caminhei em silêncio e abri a porta que ligava o meu quartinho ao laboratório.
Steward estava dormindo encolhido no sofá comprido que ficava num dos cantos do laboratório. Vendo como ele estava largado ali de qualquer jeito, sem sequer ter tirado as roupas direito, imaginei que ele devia ter caído no sono de exaustão logo após se deitar.
Eu já tinha dito a ele que não havia problema em pedir mais uma cama para o meu quarto e oferecido para dormir lá com ele, mas Steward sempre recusava. O motivo era simples: ele dizia que, quando trabalhava até tarde da noite, preferia capotar logo no sofá do laboratório.
A explicação dele fazia sentido, mas toda vez que eu o via daquele jeito, me sentia culpado. Assim que chegasse o dia em que eu pudesse ir embora, eu iria, sem falta.
“Me desculpe, Steward.” Pedi perdão mentalmente, mordendo o lábio, me virei para o meu quarto e peguei o cobertor fino da minha cama. Voltei e o cobri com cuidado. Também retirei delicadamente os óculos que ainda estavam pendurados no nariz dele e os coloquei sobre a mesa. Vendo o rosto exausto e adormecido do doutor, sorri de forma involuntária.
Olhei para o relógio na parede: já passava da meia-noite. Fiquei ali parado por um instante, piscando de forma ausente. O céu azul índigo do lado de fora da janela estava salpicado de estrelas. Tão brilhantes quanto as que eu via no deserto.
Após um momento de hesitação, caminhei em direção à porta do laboratório como se estivesse possuído. Ao destrancar, ouvi um pequeno clique, mas o doutor nem se mexeu.
Dei uma última olhada nele e saí, fechando a porta em silêncio atrás de mim, e comecei a caminhar pelo corredor lentamente.
– Ah…
Inspirei o ar fresco da noite e soltei um suspiro longo; minha mente logo pareceu clarear.
Fui me guiando pelos corredores do palácio. Como eu esperava, não havia viva alma por ali. Talvez todos estivessem em sono profundo àquela hora. Meu coração começou a bater mais rápido. Era a primeira vez que eu saía daquele quarto desde o dia do banquete.
“Eu vou dar só uma volta rápida para respirar e já volto… Ninguém vai esbarrar comigo a esta hora.” Com esse pensamento na cabeça, continuei andando. Senti meu peito apertar de saudade. Desde que eu me mudei para a estalagem de Steward, raramente tinha saído, então eu estava acostumado a ficar trancado.
Mas aquela foi a primeira vez que fiquei mais de uma semana confinado num único quarto. Inspirar o ar fresco do lado de fora pela primeira vez em dias me fez sentir vivo de novo.
Porque, naquele momento, eu senti como se Camar também estivesse ali comigo.
Franzi o nariz ao pensar nisso e balancei a cabeça para afastar a ideia. Soltei mais um suspiro.
“Talvez, no futuro…”
Foi então que um leve e doce aroma preencheu o ar, trazendo consigo uma onda de nostalgia. Talvez fosse porque eu estava pensando nele. Às vezes, as minhas lembranças brincavam com o meu olfato e me faziam ter alucinações com o cheiro do Camar, então tentei ignorar. Mas, à medida que eu continuava a andar, o cheiro foi ficando cada vez mais forte, e eu finalmente percebi que não era coisa da minha cabeça.
Finalmente, um belíssimo jardim surgiu no fim do corredor, e o cheiro doce e inconfundível foi trazido até mim por uma brisa fria. Imediatamente, parei de andar.
Era o Camar.
Não. O Príncipe Herdeiro Asgyle estava bem ali.

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✦ Tradução, revisão e Raws: Jor&Belladonna

Ler Beije o Estranho (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse:
Em um país do Oriente Médio onde a discriminação contra ômegas é profundamente enraizada, Yohan, um ômega abandonado após a manifestação de seu gênero secundário, vive sozinho em um oásis com apenas um gato como companhia. Um dia, ele resgata um homem ferido que perdeu completamente a memória do seu passado. Conforme passam o tempo juntos, Yohan se apaixona por ele… mas, um dia, o homem desaparece subitamente, sem deixar rastros.
Depois de esperar por ele em vão por muito tempo, Yohan encontra inesperadamente o príncipe herdeiro, um homem exatamente igual àquele que um dia amou. No entanto, o príncipe não o reconhece de forma alguma…
Nome alternativo: Kiss The Stranger Beije O Estranho

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