Ler Beije o Estranho (Novel) – Capítulo 44 Online

⚝ Capítulo 44
— Você está mais calmo agora? — Steward finalmente perguntou, após colocar o último curativo no meu rosto e afastar as mãos.
Na verdade, cada vez que eu respirava, um lado do meu peito doía intensamente, mas eu não quis incomodá-lo. Ainda soluçando, forcei um sorriso.
— Sim. Obrigado, Steward. Já estou um pouco melhor.
Ele apertou meu nariz de leve antes de soltá-lo, guardou a caixa de primeiros socorros e se levantou.
— De agora em diante, aja de forma mais racional, Yohan. Se você fizer algo assim de novo, a situação pode ficar realmente grave.
— Sim… Me desculpe, Steward. Sinto muito por causar problemas.
Diante do meu pedido sincero de desculpas, Steward balançou a cabeça.
— Eu sou estrangeiro, então para mim está tudo bem. No máximo, eles iriam me deportar se as coisas dessem muito errado. Mas o que me preocupa é você. Eles poderiam te prender e te torturar por dias. Além do mais, sem mim, o Príncipe Herdeiro está numa situação complicada agora.
Lembrei-me do que ele havia dito antes, sobre ter vindo para cá estudar a constituição peculiar da família real.
— Então… você está fazendo uma pesquisa sobre alfas dominantes?
Steward assentiu para a minha pergunta.
— Atualmente, não existem muitos estudos sobre alfas dominantes no mundo. Como eu te disse, eles geralmente são pessoas que já nascem com muito dinheiro e poder. Ninguém dessa classe se ofereceria para servir de cobaia num laboratório. Como resultado, as pesquisas se baseiam apenas em teorias e, por isso, eles acabam servindo de cobaias de si mesmos sempre que precisam tomar algum medicamento ou fazer um tratamento inevitável. Graças a isso, agora, eu finalmente tenho amostras incrivelmente valiosas.
Perguntei hesitante:
— Então… quer dizer que o Camar também está doente?
— É Príncipe Asgyle, Yohan.
Depois de me corrigir duramente, ele continuou:
— Não existe evidência do seu Camar em lugar nenhum. Portanto, não o chame mais assim. Ele é o Príncipe Asgyle. É isso que ele é agora.
Steward, que havia falado com firmeza, suavizou o tom e acrescentou:
— Eu entendo o que você está sentindo, mas, por favor, tente manter a calma.
— …Sim. Me desculpe.
Assim que abaixei a cabeça, ouvi o doutor suspirar.
— E pare de pedir desculpas. Você não precisa ficar abaixando a cabeça para mim. Basta dizer que entendeu.
— De…
Quando eu, sem querer, tentei pedir desculpas de novo, olhei nos olhos do Steward e parei abruptamente ao ver a testa dele franzida.
— Eu entendi.
— Ótimo — ele assentiu e bateu as palmas das mãos uma vez para mudar de assunto. — A partir de agora, eu vou começar a trabalhar na minha pesquisa. Você pode passar o tempo brincando com o Rikal e descansando um pouco. Se sentir fome, é só me avisar que eu peço alguma coisa.
— Ah, Steward!
Eu o chamei quando ele se virou. Ele olhou para mim.
— Tem alguma coisa que eu possa fazer para ajudar? Bem, já que eu estou aqui registrado como seu assistente, eu deveria fazer alguma coisa pra disfarçar, certo?
Steward assentiu, como se tivesse acabado de se lembrar daquele detalhe.
— Ah, é verdade. Vai ser ruim se descobrirem que você não faz nada. E você precisa esconder o que sente. Como dissemos, se eles descobrirem quem você realmente é, as coisas vão ficar muito piores.
Senti um arrepio só de pensar em estragar tudo e trair a confiança do Steward.
— Tudo bem, eu entendi.
Steward estalou os dedos e, depois de dar uma olhada em volta do quarto, voltou o olhar para mim.
— Então faremos o seguinte. Tome este remédio.
— O quê? Ah, sim.
Assim que estendi a mão, Steward tirou um comprimido do frasco, mas recuou a mão de repente e disse num tom muito severo:
— Você nunca deve aceitar nada sem antes perguntar o que é, Yohan. Muito menos colocar na boca. Você sabe o que é isso?
Como era o Steward quem estava me dando o comprimido, é claro que eu não hesitei. Mas ele estava me dizendo que, ali dentro, não deveria haver exceções nem mesmo para ele.
— Existem inúmeras pessoas no mundo dispostas a trair a sua confiança. A partir de agora, não confie em ninguém. Em ninguém.
Depois de reforçar o aviso, ele finalmente colocou o comprimido na minha palma. Eu concordei com a cabeça e engoli a pílula. Steward me entregou um copo d’água e suspirou, rindo de leve.
— Você acabou de dizer que tinha entendido a lição… Tudo bem. Agora venha por aqui.
Enquanto eu o seguia, ele abriu uma porta conectada a uma das paredes do laboratório. No pequeno cômodo havia uma cama, uma cadeira e uma mesinha. Enquanto eu olhava em volta, maravilhado, Steward disse num tom casual:
— Este é o meu quarto. Eu já solicitei que preparassem um quarto só para você, mas até lá, você pode descansar aqui primeiro.
— Mas eu não estou com sono nenhum.
— Você vai ficar. O remédio que você acabou de tomar era um sonífero.
Fiquei chocado por um momento e Steward riu.
— Eu não acabei de te avisar para não tomar nada sem perguntar o que era?
Hesitei, mas ele falou de forma despreocupada:
— Você está gravemente ferido agora. Precisa se recuperar primeiro. Quanto a me ajudar com a pesquisa, você pode fazer isso depois que seu corpo melhorar.
E então acrescentou de forma rígida:
— Além disso, se eu te colocar para trabalhar num estado desses, eu vou acabar sendo processado por violação das leis trabalhistas. Eu não sei como funcionam as coisas neste país, mas eu sou cidadão americano, então tenho que obedecer às leis do meu país também, sabia?
“Será que existe mesmo uma lei assim?”
Steward parecia estar inventando desculpas só para me deixar descansar, mas eu sorri porque me sentia muito grato por ele estar cuidando de mim. Porém, assim que os cantos da minha boca se ergueram para sorrir, eu soltei um gemido involuntário de dor.
— Ai!
— Viu só? A sua boca está toda cortada e seu rosto cheio de hematomas. Sinceramente, eu nem sei como você está conseguindo respirar direito com essas costelas. Eu achei que você tivesse quebrado algum osso com os chutes, mas vendo você se mexer, parece que não houve nenhuma fratura grave. No entanto, contusões assim causam dores musculares horríveis. Vamos, vá dormir. A gente se vê amanhã.
— Vamos lá, deite-se — Steward disse, segurando minha mão para me apoiar.
Assim que deitei, ele puxou o cobertor até o meu pescoço. A cama era incrivelmente aconchegante e confortável. Diante daquela sensação macia que eu nunca havia sentido antes, murmurei, já meio grogue:
— Essa cama é muito boa…
Ele assentiu, falando baixinho.
— É um colchão de um material novo desenvolvido pela NASA. É tão confortável quanto deitar numa nuvem…
Eu queria ouvir mais do que Steward tinha a dizer, mas já estava sonolento demais. Ouvindo a voz dele se afastar como uma canção de ninar, caí num sono profundo.
***
— Argh…
Acordei com um gemido. Cada vez que eu tossia ou tentava mover o corpo, eu sentia que ia desmaiar de tanta dor. Não apenas o meu peito, que já latejava antes de eu dormir, mas o meu corpo inteiro doía. Mesmo tentando me segurar, os gemidos escapavam. Contorci o rosto ao tentar me ajeitar na cama, abrindo os olhos com dificuldade. O rosto de Steward entrou no meu campo de visão turvo.
— Você está bem, Yohan? Eu ouvi seus gemidos e vim ver.
Ele examinou meu corpo e então olhou para o meu rosto.
— Você deve estar com muita dor. Eu trouxe alguns analgésicos. Coma alguma coisa primeiro.
— Obrigado…
Agradeci com dificuldade, pegando a água e os remédios. Steward, que me observava em silêncio, finalmente disse:
— Eu estou preocupado de que você tenha trincado uma costela. Eu trouxe uma cadeira de rodas. Vamos até a ala médica tirar um raio-x. Eu sei operar a máquina, então posso fazer isso por você.
— Vamos logo.
Ele me ajudou a sentar na cadeira de rodas e me empurrou para o corredor. Logo o som de música suave ecoou de longe, e eu vi várias pessoas passando pelo palácio num clima agitado.
— Eles começaram a preparar o jantar mais cedo — comentou Steward. Parando ao sentir um cheiro doce e suave no ar, ele reconheceu a movimentação e acrescentou: — Parece que vários membros da realeza vieram esta noite. Dizem que é muito raro eles comerem todos juntos assim num banquete.
Enquanto ele falava, um servo que passava por ali cumprimentou Steward, familiarizado com ele.
— Doutor! Como o senhor está? E quem é este jovem?
Steward respondeu de forma mecânica, já acostumado a repetir a mesma história:
— Este é o assistente que veio comigo desta vez. O nome dele é Yohan.
— Entendo! Então o seu assistente também estará presente no jantar de hoje?
Diante da pergunta inesperada, olhei para Steward. Ele balançou a cabeça rapidamente.
— Não, nós não vamos. O clima em eventos com os membros da alta cúpula é sempre muito desconfortável para mim.
— Ah, que pena. Então devo levar o jantar do senhor para os seus aposentos como de costume?
— Sim, por favor. Hoje serão duas refeições. Ah, e traga também algo que um gato possa comer.
— O meu assistente trouxe o gato dele com ele — Steward explicou.
Eu estava prestes a dizer que não precisava se incomodar com o gato, mas o servo sorriu gentilmente.
— Sem problemas. Peito de frango cozido seria uma boa opção? — O servo me perguntou. Fui pego de surpresa e rapidamente disse que sim.
— Muito obrigado…
— Certo. Então, a partir de hoje, nós prepararemos duas refeições e a comida para o gato, e as entregaremos nos aposentos do doutor. Está bom assim?
Não tinha como ser melhor. Agradeci novamente pela atenção dele.
Após uma breve reverência, o servo nos deixou. Observando-o se afastar, eu disse a Steward:
— Eu posso ficar sozinho, Steward. Você pode ir ao banquete. Você não veio aqui para estudar os alfas dominantes da família real? Seria bom se você fosse e os visse de perto o máximo possível.
Eu achava que fazia sentido, mas Steward pensava o contrário.
— Bem, a verdade é que não é só hoje… Eu sempre prefiro ficar sozinho no meu quarto nessas ocasiões.
Abaixei a cabeça, não ousando insistir mais diante da resposta seca dele. Fomos até a ala médica e Steward tirou o meu raio-x. Depois de examinar a chapa, ele me disse:
— Por sorte, as costelas não estão quebradas, mas há fissuras graves. Vai doer bastante por um tempo. Não há muito o que fazer pelos ossos além de esperar que calcifiquem sozinhos, então tenha muito cuidado ao se mover e não faça nenhum esforço brusco, ouviu?
— Sim, obrigado.
Eu disse a ele que conseguia andar, mas Steward insistiu na cadeira de rodas.
— Eu me sinto um idiota empurrando essa cadeira vazia, então senta logo aí, Yohan.
O argumento dele fazia sentido, então me sentei quieto e deixei que ele me levasse. Enquanto voltávamos pelo mesmo caminho, esbarramos novamente no servo de antes.
— Doutor!
Diferente da outra vez, o servo sorria, mas tinha uma expressão de urgência.
— Que bom que o encontrei. Eu estava indo procurá-lo agora mesmo.
— Me procurando? Aconteceu alguma coisa? — perguntou Steward. O servo respondeu sem hesitar.
— Sua Alteza, o Príncipe Herdeiro, ordenou pessoalmente que o doutor comparecesse ao jantar desta noite. O senhor deve comparecer. O seu assistente está incluído no convite.
Olhei para o servo, completamente surpreso com as últimas palavras. Steward também perguntou num tom chocado:
— O Yohan também? Mas por quê?
— Bem, não posso dizer com certeza, mas como ele é seu novo assistente, talvez Sua Alteza queira que o senhor o apresente formalmente?
— Eu acho que não há necessi…
Steward tentou recusar educadamente e demonstrou relutância, mas a postura do servo foi irredutível.
— Esta é uma ordem direta de Sua Alteza Real, o Príncipe Herdeiro. O senhor não pode recusar. Roupas adequadas para a ocasião já foram preparadas e deixadas no seu laboratório. Seu assistente, sem falta, deve acompanhá-lo.
Apesar da polidez e do sorriso no rosto, o tom do servo não deixava margem para recusas. Após dar o recado, ele fez uma reverência e se retirou. Steward não se conteve e praguejou baixinho.
— Filhos da mãe! Eles acham que podem simplesmente sair dando ordens pra todo mundo? O Yohan precisa descansar, os imbecis não sabem quem foi que o deixou nesse estado?!
Olhei para ele, me sentindo culpado.
— Está tudo bem, Steward. Eu já tomei o analgésico e a dor diminuiu bastante.
— Eu vou lá e vou dizer que você não está em condições. Você vai ficar no quarto e descansar — Steward retrucou, irredutível.
Mas eu rapidamente balancei a cabeça.
— Não, sério, eu estou bem. E também… eu… eu quero ver o Ca… Digo, o Príncipe Asgyle…
Diante do meu pedido sincero, Steward pareceu perder todos os argumentos e apenas soltou um longo suspiro.
Caminhamos pelo longo corredor até o quarto em completo silêncio. A hora do banquete para o qual o Príncipe Herdeiro nos havia “convidado” se aproximava rapidamente.
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✦ Tradução, revisão e Raws: Jor&Belladonna
Ler Beije o Estranho (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Em um país do Oriente Médio onde a discriminação contra ômegas é profundamente enraizada, Yohan, um ômega abandonado após a manifestação de seu gênero secundário, vive sozinho em um oásis com apenas um gato como companhia. Um dia, ele resgata um homem ferido que perdeu completamente a memória do seu passado. Conforme passam o tempo juntos, Yohan se apaixona por ele… mas, um dia, o homem desaparece subitamente, sem deixar rastros.
Depois de esperar por ele em vão por muito tempo, Yohan encontra inesperadamente o príncipe herdeiro, um homem exatamente igual àquele que um dia amou. No entanto, o príncipe não o reconhece de forma alguma…
Nome alternativo: Kiss The Stranger Beije O Estranho