Ler Beije o Estranho (Novel) – Capítulo 33 Online

⚝ Capítulo 33
Depois de mais um dia inteiro de viagem, finalmente chegamos à cidade. Os prédios começaram a surgir um por um à distância, e logo a visão da cidade vibrante e colorida tomou conta do horizonte. Eu não imaginava que pudesse existir um lugar tão oposto ao deserto bem ali.
Camar sorriu para mim enquanto eu olhava para a paisagem, maravilhado.
— Você se lembra de muita coisa?
— É… — respondi, ainda meio deslumbrado. — Não sei se era assim quando eu era mais novo, faz muito tempo.
Mas o que não tinha mudado era o fato de que continuava sendo uma cidade linda, exatamente como eu me lembrava. Uma riqueza que não se comparava à simplicidade de Al Fatih transbordava por toda parte. Os carros que passavam tinham detalhes dourados, e as pessoas pareciam viver de forma muito mais relaxada. Havia placas luminosas por todos os cantos, e até os prédios altos brilhavam com luzes. Por algum motivo, me senti envergonhado de mim mesmo.
— O que foi? — Camar perguntou, achando estranho eu me encolher no banco.
Fiquei um pouco sem graça e respondi baixinho:
— É vergonhoso.
— O quê? Eu?
— Não! — Gritei sem querer e balancei a cabeça depressa. — Não é você.
— Tá com vergonha de quê, então?
Camar estava genuinamente confuso.
— É só que… — murmurei de novo, sentindo o peso da nossa situação.
Ele pareceu adivinhar o que se passava na minha cabeça e não falou nenhuma bobagem.
— Não se preocupe. Eu sou bem mais maltrapilho que você, e você continua lindo.
— Não é isso…
Meu rosto esquentou e dei um tapa fraco no braço dele. Mas Camar apenas franziu a testa, como se tivesse feito algo errado. Fiquei sem palavras e fechei a boca. Vendo meu silêncio, ele logo deu de ombros e mudou de assunto.
— Vamos achar um lugar pra ficar.
Com isso, Camar começou a procurar uma hospedagem. Ele queria arrumar o básico por ali. Mas precisávamos ter cuidado. Ele colocou óculos escuros e cobriu metade do rosto, caso houvesse algum perigo. O sol forte ajudava a disfarçar o disfarce.
— Me espera aqui.
Depois de dizer isso, ele virou as costas rapidamente e sumiu de vista. Fiquei no carro, abraçando o Rikal com força, esperando ansioso e apreensivo. O tempo parecia se arrastar. Quando Camar finalmente reapareceu, soltei um suspiro de alívio.
— Onde você foi?
Perguntei e logo reparei no jornal que ele trazia, encontrando a resposta na mesma hora. Camar explicou com tranquilidade:
— Quando fui comprar isso aqui, aproveitei pra fazer umas perguntas. Nós estamos na periferia. A capital, onde a família real vive, fica bem mais longe. São umas seis horas de carro.
— Seis horas?! — perguntei, chocado.
Eu já estava confuso de ver tanta riqueza por ali. Como seria possível que aquele lugar não fosse a capital? Como a capital poderia ser ainda mais luxuosa que aquilo? Camar continuou:
— Vamos ficar por aqui um tempo, ver como as coisas estão, e depois damos um jeito de sair do país.
Ele deu a partida no carro sem dizer mais nada. Dirigiu com confiança, como se as informações que conseguiu na banca de jornal fossem tudo o que ele precisava.
Pouco depois, Camar parou num pequeno alojamento. Ele conseguiu alugar um quarto que tinha uma pequena cozinha anexa, com a condição de que nós mesmos preparássemos nossa comida.
Fiquei surpreso ao vê-lo tirar dinheiro do bolso e contar as notas com naturalidade.
— De onde você tirou esse dinheiro? — perguntei baixinho, assim que ficamos sozinhos.
Camar respondeu enquanto andávamos pelo corredor:
— Da sua casa.
— Da minha casa? Ah… — Entendi na hora e fiquei em choque. — Você roubou?
— Roubou é uma palavra forte — ele repetiu as minhas palavras, franziu a testa e reclamou: — Se eu tivesse roubado as suas coisas, aí sim seria roubo. Mas eu peguei daquele cara.
— Não, não é isso…
Não soube o que responder e acabei deixando a frase morrer.
Depois de desconversar, Camar enfiou a chave na porta sem cerimônia e girou. Abriu a porta com vontade, deu um passo para o lado e fez um gesto para que eu entrasse primeiro.
O quarto era bem limpo e arrumado. A cozinha, separada por um painel, tinha os utensílios básicos, e havia até um banquinho simples perto de uma mesa. Meu olhar passou pelo guarda-roupa velho encostado na parede até parar na cama de casal enorme num dos cantos. Fiquei encarando a cama por um momento.
— Eu disse que éramos um casal, você e eu — Camar explicou de trás de mim.
O dono do lugar não devia ter percebido nada, porque eu estava com o rosto enrolado no pano, como o Camar tinha mandado, e não abri a boca. Mas meu rosto ferveu.
— Um casal?! Como assim?!
— E não somos?
Enquanto eu dava um pulo de susto, a expressão do Camar murchou na hora, parecendo genuinamente decepcionado. Fiquei ainda mais confuso. Nós deveríamos ser um casal? Afinal, nós dissemos que nos gostávamos, e o Camar até já tinha falado sobre ter filhos. Então, nós éramos um casal? Nós não precisávamos estar casados para isso?
Com a minha cabeça rodando de confusão, Camar me avisou, sério:
— Como você não conhece nada por aqui, fique dentro de casa o máximo possível. Não sei como tratam ômegas neste lugar.
Naquele momento, a realidade me bateu forte. Aquilo não era um oásis.
Balancei a cabeça, nervoso, e Camar me abraçou com ternura.
— Não se preocupe. Vai ficar tudo bem.
— …Tá bom.
Concordei de novo, e Camar se inclinou para beijar meus lábios. Fiquei surpreso que ele tivesse achado minha boca tão rápido, já que meu rosto ainda estava meio coberto.
— Como você sabia?
— O quê?
— Que a minha boca tava aqui.
Ele riu e me deu outro beijo.
— Sei lá, eu só senti vontade de te beijar bem aqui.
Depois de dizer isso, ele encostou a testa na minha de leve e se afastou, endireitando as costas.
— Você quer comer alguma coisa? Tá com fome? Tem comida sobrando no carro. Eu vou lá pegar.
Assim que ele falou de comida, Rikal se enroscou nos meus pés e começou a miar apressado.
***
Pouco tempo depois, Camar voltou para o quarto com um saco cheio de mantimentos no ombro. Enquanto ele estava na cozinha, parecendo se preparar para cozinhar, fui até ele num impulso e o abracei por trás. Era o que ele sempre fazia comigo.
Camar olhou para baixo, deu um sorriso suave e virou o rosto para mim. Estiquei a cabeça tentando espiar o que ele estava fazendo.
— O que você vai preparar?
— Bom… carne?
Ao ouvir isso, me toquei de que a única coisa que ele tinha feito até agora era assar carne. Se ele tivesse que fazer qualquer outra coisa, o máximo era ferver arroz. Será que ele não sabia cozinhar de verdade? Uma dúvida de repente passou pela minha cabeça e perguntei, ainda abraçado nele:
— Camar, você sabe cozinhar?
Ele travou. Olhou para trás com um sorrisinho de canto. Camar largou a faca, segurou meus braços e me puxou para a frente dele. Assim que fiquei de frente, ele agarrou minha cintura e sorriu largo.
— E se não tiver carne?
— E se não tiver?
— É bem grave.
Ele fez uma cara de preocupação exagerada, depois estreitou os olhos e deu um sorriso malicioso.
— Então, que tal isso… Eu como o Yohan.
— Não!
O fôlego dele bateu no meu pescoço, me fazendo cócegas, e eu caí na risada. Ele me apertou enquanto eu me contorcia, beijando meu pescoço, minhas bochechas, todos os lugares, e sussurrou:
— Por onde você quer que eu comece a comer? Peito, bunda, cintura…
— Para com isso, eu não sou de comer!
Tentei me contorcer para escapar, mas acabei virando de costas para ele dentro do abraço. Imediatamente, senti o quadril dele encostar em mim. E não fui só eu que percebi. Camar também notou.
De repente, o clima no ar mudou. O ar pareceu ficar denso. Enquanto eu olhava devagar por cima do ombro, os olhos do Camar se arregalaram. Eu devia ter tirado a roupa mais cedo. Me arrependi vagamente. Se a gente tivesse tirado a roupa…
— Miaaau! Kyyyyaaaah!
Ele parou centímetros antes de encostar os lábios em mim, assustado com o miado agressivo. Olhamos para baixo no susto e vimos o Rikal, com os pelos todos arrepiados, gritando com a gente.
Vendo a cena, resmunguei baixinho:
— O Rikal salva a pátria…
Camar ficou em silêncio por um segundo, olhando para o gato, e depois suspirou pesado.
— Quando é que você vai jogar esse gato fora?
— Eu não vou jogar ele fora! — respondi firme.
Camar ficou sem palavras de novo.
— Você não tá falando sério, né?
— Metade sério — respondi de cara limpa, fingindo que era piada.
A outra metade de mim, na verdade, se soltou do abraço dele de mansinho, com medo de saber o que ia acontecer a seguir.
Camar virou as costas e começou a assar a carne. Pouco depois, o cheiro de comida gostosa encheu o quarto.
Ele estava prestes a se sentar para comer quando ouvimos batidas na porta.
Toc, toc.
Olhei para Camar, confuso. Ele fez um sinal para eu ficar afastado, se levantou e caminhou até a entrada. Depois de hesitar por um instante, abriu um pouco a porta.
A fresta estava completamente bloqueada pelo corpo largo dele. Fiquei assistindo ansioso. A voz irritada do Camar ecoou pelo quarto:
— …O quê? Quem é você?
Esperei apreensivo pela resposta. Nós não conhecíamos ninguém ali, então quem poderia ser? Enquanto eu tentava pensar no que fazer caso a situação saísse do controle, a voz fraca de um homem veio do outro lado da porta.
— …Ajuda.
Camar travou ao ouvir o tom desesperado. Eu não conseguia ver a expressão dele, mas tinha quase certeza de que ele ia fechar a porta na cara do estranho. Eu estava prestes a pedir para ele escutar o homem, mas a voz do lado de fora continuou.
— Tô com fome.
E, junto com a palavra, um estrondo alto ecoou pelo corredor, como o som de um corpo caindo no chão.
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✦ Tradução, revisão e Raws: Jor&Belladonna
Ler Beije o Estranho (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Em um país do Oriente Médio onde a discriminação contra ômegas é profundamente enraizada, Yohan, um ômega abandonado após a manifestação de seu gênero secundário, vive sozinho em um oásis com apenas um gato como companhia. Um dia, ele resgata um homem ferido que perdeu completamente a memória do seu passado. Conforme passam o tempo juntos, Yohan se apaixona por ele… mas, um dia, o homem desaparece subitamente, sem deixar rastros.
Depois de esperar por ele em vão por muito tempo, Yohan encontra inesperadamente o príncipe herdeiro, um homem exatamente igual àquele que um dia amou. No entanto, o príncipe não o reconhece de forma alguma…
Nome alternativo: Kiss The Stranger Beije O Estranho