Ler Beije o Estranho (Novel) – Capítulo 126 Online


Modo Claro

⚝ Capítulo 126

Quando abri os olhos subitamente, parecia que tudo ao redor havia escurecido. Sentei-me na cama, esfregando os olhos diante da visão que estava muito pior do que antes. Ao perceber que havia caído no sono, uma voz acolhedora soou:
— Oh, você acordou? Como se sente?
— Doutor…
Acordei atordoado ao ver que ele ainda estava aqui. Realmente, Steward está de volta. Senti meu peito aquecer e tentei me acalmar. Meus olhos arderam novamente; respirei fundo e fiz sinal de me levantar, mas Steward aproximou-se e disse:
— Gostaria de dormir mais um pouco? Eu te acordo quando o jantar chegar.
— Ah… — Hesitei em responder. — Eu tenho que jantar com o Príncipe Herdeiro. Tenho que… preparar a cama.
— …
O Doutor, em silêncio por um momento, suspirou.
— Yohan, você está mesmo bem? Quando abri os olhos agora pouco, fiquei em choque ao te encontrar jogado no sofá, dormindo. Mesmo quando te segurei para te mover, você não acordou por nada… Você parece estar com febre. Como se sente agora? Seja honesto.
— É que…
Hesitei, mas expliquei minha condição a ele.
— Um pouco… uma febre leve… ela continua. Parece que já faz uma semana… meu corpo continua mole e estou cansado, mas está piorando. Ontem e hoje, especialmente, parece que estou afundando cada vez mais… quando percebo, já estou dormindo.
— Oh, você estava completamente apagado.
Dito isso, Steward virou-se e foi buscar algo. Logo ele retornou e encostou algo frio em minha orelha. Houve um bipe e eu percebi que era um termômetro.
— Ei, isso não é uma febre leve. Está com 38 graus, Yohan.
— Oh… sério?
Só então percebi a sensação de calor. Mas, como não havia sinais de calafrios ou febre alta, fiquei confuso. Quando toquei minha testa, ela estava definitivamente quente.
— Antes, eu quase não tinha febre… estava apenas um pouco quente.
Após minha desculpa, Steward falou em tom sério:
— Mesmo que seja uma febre baixa, é estranho que dure tanto tempo… e agora subiu. É melhor você ser examinado, Yohan. Descanse aqui hoje e faremos isso amanhã cedo. Eu cuidarei de tudo.
Antes que eu pudesse protestar, ele saiu. Deixado sozinho, sentei-me novamente na cama. Só então percebi que não tinha visto o Rikal o dia todo. Quando comecei a ter a esperança de que poderíamos dormir juntos hoje, acompanhado de um sentimento de culpa, Steward voltou.
— Yohan.
Notei que sua voz não estava animada e logo imaginei o motivo.
— Sinto muito, o Príncipe Herdeiro já está esperando.
— Sim.
Levantei-me prontamente para não perder tempo e não causar problemas ao Doutor. Eu ia me despedir e sair, mas ele me seguiu.
— Eu acompanho você, Yohan. Vamos juntos.
Ele parecia preocupado com minha visão debilitada. Como recusar parecia incomodá-lo, apenas assenti.
— Steward, eu tenho um pedido.
— Sim, pode pedir qualquer coisa.
Enquanto caminhávamos pelo corredor, falei com cautela. Abri meu coração com mais leveza:
— Lembra que eu disse que deixei o Rikal na sala de tratamento?
— Sim, eu lembro.
— Sinto muito… mas enquanto o senhor estiver aqui, eu poderia deixá-lo no laboratório? Eu me sentia mal em deixá-lo sozinho à noite, então o confiava à Meisa ou a uma enfermeira, mas o Rikal brinca bem sozinho e gosta do senhor, então não vai atrapalhar suas pesquisas. Mesmo que haja apenas uma pessoa ao lado dele…
— Oh, mas é claro! Tudo bem, eu também gosto do Rikal. Então, no caminho de volta após deixar você, passarei no consultório para buscá-lo. Assim, você não precisará passar na clínica todas as manhãs, certo?
Senti-me ainda mais aliviado com as palavras de Steward, que expressou casualmente o que eu estava pensando.
— Sim, exatamente. Obrigado, Steward.
— Não precisa agradecer. Fiquei até decepcionado porque o pedido foi algo tão simples. Eu esperava que fosse algo maior — ele brincou e sorriu. Olhei para o Doutor e sorri com gratidão e um pouco de vergonha.
— A propósito, Doutor… a Meisa é irmã do Haham, não é?
— Sim, exatamente — respondeu Steward.
O Doutor acariciou o queixo e, assumindo um tom mais sério, baixou a voz para perguntar
— Yohan, sobre aquele pó… você já contou a alguém?
— Não, a ninguém — neguei enfaticamente. — O senhor é o único.
— Entendo. — O Doutor concordou com um aceno sério. — Por enquanto, na minha opinião, é perigoso tentar analisá-lo aqui. Se enviarmos para os Estados Unidos e pedirmos a uma agência de inspeção lá… talvez leve uma semana, no mínimo. Os resultados sairiam em um mês, no máximo. Eu gostaria de fazer isso.
Aceitei de bom grado.
— Farei o que você achar melhor, Steward. O senhor é muito mais profissional do que eu.
— Meus ombros estão ficando pesados — Steward brincou, mas logo voltou ao tom sério. — De qualquer forma, quando isso estiver resolvido, venha comigo. Vou mandar examinar seus olhos também; você precisa ao menos conseguir enxergar algo. Desde que possa ser corrigido com óculos…
Agradeci a Steward, que gesticulava como se estivesse ajustando óculos. No entanto, havia outra razão pela qual eu não podia aceitar o convite de imediato, apesar de sua insistência.
— Agradeço por pensar em mim, mas… provavelmente será difícil — falei de frente para o rosto dele, que parecia confuso. — O senhor sabe o porquê não posso sair daqui… Eu não tenho documentos e é praticamente impossível deixar este país para ir para outro.
— Oh, não se preocupe com isso, Yohan. Podemos dar um jeito nisso também.
Steward virou o corredor comigo e acrescentou em tom leve:
— Se houver um jeito, deixe comigo. Você só precisa decidir se quer ir ou não. Não pense em mais nada.
Ele riu. Sorri sem jeito, mas então virei a cabeça e parei. Steward parou ao mesmo tempo. Um homem estava parado além da minha visão turva. No corredor escuro, sua sombra parecia maior do que o normal. Steward falou, constrangido:
— Meu senhor, eu… estávamos a caminho do quarto. Achei que o senhor estaria esperando lá…
— Você sabe que ele não pode deixar este palácio sem a minha permissão.
Antes que Steward terminasse de falar, Asgyle abriu a boca. Como de costume, não havia emoção em sua voz calma. Mas eu sabia que aquela voz era a mesma de quando ele me punia. Era difícil ler os sentimentos de Asgyle, mas agora ele tinha razão.
— Verdade, Steward.
Assim que concordei com o Príncipe Herdeiro, senti o olhar de ambos sobre mim. Expliquei ao Doutor com clareza:
— Sua Alteza disse antes que, quando ele cansasse, me deixaria ir embora com uma grande recompensa. Então, está tudo bem.
Surpreendentemente, tudo ao redor ficou em silêncio. Nem Steward, nem Asgyle abriram a boca, então olhei para o Príncipe e perguntei para confirmar:
— Não é?
Asgyle não respondeu de imediato. Estava escuro e ele estava distante, tornando difícil ver sua expressão. Esperei que ele falasse.
— … Exato.
Com algumas pausas entre as palavras, ele respondeu. Olhei para Steward como se confirmasse a situação. No entanto, ao contrário da expectativa de que ele ficaria aliviado, a expressão de Steward era estranha. Por que ele estava com a cabeça baixa e o cenho franzido?
Enquanto eu pensava nisso, ouvi passos repentinos.
— Ah…!
Logo em seguida, meus braços foram agarrados violentamente e um grito escapou sem que eu percebesse. Sem hesitar, Asgyle me interceptou. Eu, que estava ao lado de Steward até então, caí desamparado em seus braços. Asgyle, que agarrou meu ombro e me abraçou com força, disse por cima da minha cabeça:
— Até lá, ele é meu.
Assenti silenciosamente diante daquela voz que soava como se ele estivesse rangendo os dentes. Ele imediatamente virou-se e começou a caminhar a passos largos e violentos, segurando-me pelo ombro. Por causa disso, tive dificuldade para acompanhá-lo e logo fiquei sem fôlego.
– Ha… ha…
Enquanto eu ofegava rapidamente e tropeçava, Asgyle parou subitamente e inclinou o corpo. Ele me pegou no colo sem hesitar e seguiu pelo corredor em um ritmo ainda mais acelerado. Descansei a cabeça em seu ombro, cobri a boca e tentei acalmar minha respiração pesada. O aroma dos feromônios, que já pairava no ar, tornou-se mais forte e, ao mesmo tempo, parecia distante. Senti que ia perder os sentidos. Meu estômago palpitava e a febre fervia, tornando difícil respirar. Fechei os olhos.
O ar mudou subitamente e eu percebi vagamente: o vento frio havia sumido. O corpo dele subitamente tornou-se macio. Foi então que percebi que havíamos entrado no quarto de Asgyle. Meu corpo caiu sobre a cama como se tivesse sido arremessado.
— … Oh!
Uma pequena exclamação saiu da minha boca. Minha mente estava confusa.
“Quente.”
Eu não conseguia controlar meu corpo ardente e lutava por ar, mas a voz de Asgyle veio de cima:
— Você disse que não estava se sentindo bem, então eu o observei o tempo todo.
Ouvindo o ranger de seus dentes, movi minhas pálpebras pesadas e tentei focar no borrão à minha frente, mas não foi fácil. É difícil organizar os pensamentos quando se está sem fôlego, mas Asgyle continuou, sarcástico:
— Você esteve se deliciando com outro homem só porque seu corpo está carente? Bem, o que há de diferente em você? É apenas um ômega qualquer.
— Espere… eu não…
Mal consegui abrir a boca para negar. Não importava o que ele dissesse sobre mim, mas eu temia que isso prejudicasse o Doutor.
— Steward, ele… por favor, perdoe-o…
Eu estava sem fôlego e não conseguia mais falar. Senti uma necessidade urgente de aliviar o aperto no ventre e rapidamente desabotoei minhas calças. Meus pensamentos estavam selvagens e minha mente um caos. A única coisa que me vinha à cabeça era que eu precisava satisfazer este homem pelo bem de Steward.
— O que você está fazendo?
A voz de Asgyle tornou-se ainda mais amarga. Ele me agarrou enquanto eu puxava minhas calças e roupas de baixo para baixo e me pressionou contra a cama, rangendo os dentes.
— Eu pareço um cão no cio para você? Como você ousa…!
A força em sua mão segurando meu pulso me atingiu, e a dor instantaneamente me despertou. Milagrosamente, naquele momento, a expressão de Asgyle apareceu com clareza. O rosto que me olhava estava cheio de raiva, mas não era apenas isso. Decepção? Preocupação? Desejo? Era como se tudo estivesse emaranhado.
Isso foi tudo o que consegui pensar. Ao fechar os olhos, sentindo os feromônios dele caírem sobre mim, um cheiro diferente se espalhou, misturado ao aroma doce que derretia meu olfato.
“Oh…?”
Não fui o único que parou. A mão de Asgyle, que segurava a minha, tremeu e perdeu a força.
— O que é isso…
Asgyle não conseguiu terminar a frase. Logo depois, um aroma avassalador preencheu o quarto o suficiente para engolir completamente os feromônios dele. Era o cheiro que transbordava de mim.
“Ah!”
Percebi isso junto com a sensação de estar desfalecendo.
O período de cio havia chegado.

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✦ Tradução, revisão e Raws: Jor&Belladonna

Ler Beije o Estranho (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse:
Em um país do Oriente Médio onde a discriminação contra ômegas é profundamente enraizada, Yohan, um ômega abandonado após a manifestação de seu gênero secundário, vive sozinho em um oásis com apenas um gato como companhia. Um dia, ele resgata um homem ferido que perdeu completamente a memória do seu passado. Conforme passam o tempo juntos, Yohan se apaixona por ele… mas, um dia, o homem desaparece subitamente, sem deixar rastros.
Depois de esperar por ele em vão por muito tempo, Yohan encontra inesperadamente o príncipe herdeiro, um homem exatamente igual àquele que um dia amou. No entanto, o príncipe não o reconhece de forma alguma…
Nome alternativo: Kiss The Stranger Beije O Estranho

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