Ler Beije o Estranho (Novel) – Capítulo 125 Online


Modo Claro

⚝ Capítulo 125

Fui saudado calorosamente pelo Doutor, que esteve ausente por um mês.
— Sinto muito, Yohan. Eu demorei muito?
Balancei a cabeça com o rosto enterrado em seu peito. Ele estava aqui, e isso era o que importava. Não havia absolutamente nenhuma razão para ele se desculpar comigo. Steward estremeceu levemente, como se tivesse percebido o que eu sentia.
— Acho que você não achou que eu voltaria.
— Oh, não. Absolutamente não — levantei a cabeça rapidamente e neguei. — Mas… mesmo que se queira vir, pode haver momentos em que não se consegue… as coisas nem sempre saem como desejamos.
— …
— Estou tão feliz em vê-lo novamente.
Enquanto eu sorria sinceramente, Steward acariciava meu cabelo com gentileza. Há quanto tempo eu não me sentia tão calmo? Não conseguia me lembrar. Sorri abertamente de novo, mas, de repente, uma voz desconhecida veio de trás de mim.
— Vossa Alteza, uma mensagem urgente acaba de chegar… Por favor, venha ao seu escritório.
Fiquei distraído com a conversa rápida. Hesitei e olhei para trás, mas era difícil reconhecer o rosto de Asgyle; apenas sua silhueta era vagamente visível. Asgyle, que permanecera em silêncio até então, falou:
— … Vai ser difícil almoçarmos juntos.
Após esse murmúrio, que parecia mais um pensamento alto, lembrei-me de que ele havia me convidado para almoçar. Provavelmente seria após o passeio a cavalo, mas os planos sempre davam errado. Curvei a cabeça e respondi:
— Sim, meu senhor. Obrigado por ter me chamado.
Asgyle não disse mais nada. Ele ficou parado ali por um momento, mas, ao final, como se não pudesse ignorar as direções repetidas e cautelosas do servo, teve que partir. Mantive minha cabeça baixa até que ele tivesse ido embora completamente.
— … Fiquei surpreso ao vê-lo cavalgando com o Príncipe Herdeiro, Yohan.
O Doutor, que estava curvado como eu, sussurrou suavemente. As pessoas que acompanhavam Asgyle já haviam desaparecido, e restávamos apenas nós dois. Enquanto eu endireitava as costas seguindo-o, Steward falou em um tom mais leve:
— Agora, vamos ouvir o que aconteceu.
Não pude evitar um sorriso sem jeito diante de suas palavras, que obviamente demonstravam curiosidade.
— Primeiro… vamos entrar e conversar.
— Claro.
O Doutor assentiu prontamente e dirigiu-se ao laboratório, seguido por mim. Mesmo caminhando lado a lado, eu ainda não conseguia acreditar. Steward estava de volta.
***
— Uau, este lugar está tão limpo!
O Doutor, ao entrar no laboratório, exclamou em voz alta. Embora estivesse sem jeito, respondi com um pouco de orgulho:
— Eu limpei todos os dias… mas não sei se fiz direito.
Como não enxergo bem, posso ter deixado passar algo, então me apressei em acrescentar isso. Steward riu, como se soubesse de tudo.
— A propósito, Yohan, você está tomando sua medicação corretamente? Não sinto cheiro nenhum.
O Doutor inclinou-se abruptamente e farejou, aproximando o nariz do meu pescoço e dos meus ombros. Perdi o fôlego de repente. Tantas coisas haviam acontecido nesse meio tempo. Minha mente ficou em branco e não consegui continuar falando, mas o Doutor levantou a cabeça e me olhou. Após um momento de silêncio, ele disse:
— Sente-se, Yohan. Conte-me tudo o que aconteceu. Tudo.
Sentamos lado a lado no sofá conforme ele me guiava, mas as palavras não saíam. Eu não tinha ideia de por onde começar. Vendo minha hesitação, Steward disse gentilmente:
— Tudo bem, vá com calma. Eu posso esperar.
Ele deu tapinhas na minha mão, que estava no meu colo, como se me encorajasse, e então silenciou, esperando que eu falasse. Surpreendentemente, não me senti desconfortável. Pelo contrário, estava tão grato por aquela gentileza que até agradeci com a voz trêmula.
— Depois que o senhor partiu…
Respirei fundo e comecei a falar. As coisas aconteceram uma após a outra, sem nenhum rodeio.

***
— … Foi isso.
Eu não sabia quanto tempo havia passado quando terminei de falar. Durante a conversa, ele me acompanhou com atenção e até me trouxe água para aliviar a garganta. Contei a verdade o máximo que pude, mas não contei tudo. Havia muita coisa acontecendo e os detalhes triviais não precisavam ser mencionados. Simplesmente disse que fui punido com chicotadas por Asgyle e segui em frente. O tempo parecia ter voado, embora eu tivesse selecionado apenas o essencial. Quando terminei, Steward ficou pensativo por um momento.
— … Então, você ainda não consegue sentir o cheiro dos feromônios? Não tomou nenhum remédio?
Assenti diante da pergunta reflexiva de Steward.
— Sim. O senhor é médico, não é? Devo ter quebrado algo dentro de mim.
Tentei sorrir, mas não consegui. Steward coçou o queixo, como se escolhesse as palavras certas, e disse:
— Yohan, você pode não ser um Ômega comum.
— O quê?
Pisquei diante das palavras inesperadas, e Steward continuou:
— Teremos que esperar um pouco mais para descobrir, mas… eu mencionei a existência de Ômegas Dominantes da última vez? Aqueles com a habilidade de esconder feromônios à vontade.
— Sim…
Confuso, ouvi o Doutor continuar:
— Não sei se você é assim, Yohan. Em resumo, eles instintivamente sentem uma crise e escondem seus feromônios.
Talvez isso fosse otimismo demais. Eu achava que estava apenas quebrado. Pensei sobre isso, mas não queria desapontar o Doutor que não via há tanto tempo, então apenas concordei e me calei. Steward me olhou em silêncio e mudou de assunto.
— Vamos comer algo primeiro. Yohan, você já comeu?
— Sim.
Após uma resposta breve, ele pegou o telefone, pediu comida e voltou para perto de mim. Esperei que ele se sentasse novamente. O retorno de Steward não poderia ter vindo em melhor hora. Com ele, minha última tarefa seria muito mais fácil.
— É que…
Quando eu ia dizer algo, senti algo estranho. Pisquei e olhei para frente. Por alguma razão, o Doutor parecia estar me encarando em silêncio. “Ele tem algo a dizer?”, pensei confuso.
— Yohan.
— Sim.
Engoli em seco, um pouco nervoso. Steward perguntou em voz baixa:
— Você não está enxergando bem, não é?
— Perdão?
Perguntei, pego de surpresa. Ele continuou calmo:
— Você está olhando para um ponto fixo há algum tempo, e já hesitou duas vezes nos movimentos, não foi? Estava fora de foco?
— Ah…
Por um lado, fiquei surpreso com a percepção de Steward; por outro, fiquei envergonhado.
— É que… piorou um pouco.
— Não acho que seja apenas “um pouco” — ele continuou. — Gostaria de fazer um exame detalhado. O quão ruim está? Você consegue enxergar até ali? Até onde?
Steward manteve distância e observou meu rosto. Vendo minha reação, ele recuou e murmurou para si mesmo após um tempo:
— É sério.
Hesitei porque não entendi o que ele quis dizer, mas Steward falou primeiro:
— Yohan, há uma razão para eu ter voltado, na verdade.
— Sim.
— Eu vim a trabalho, mas a verdade é que as coisas nos Estados Unidos estão muito urgentes agora. Eu não deveria ter saído de lá, mas consegui um tempo à força. Sabe por quê?
— … Não, mas deve ter sido algo muito importante.
— Sim.
Steward assentiu. Ele falou como se tivesse tomado uma grande decisão:
— Yohan, você gostaria de ir para os Estados Unidos comigo?
— O quê?
Surpreso, minha voz subiu sem eu perceber. Steward soltou uma risadinha, como se soubesse que eu reagiria assim.
— Tenho uma ótima oportunidade. A faculdade que me formei oferece bolsas de estudo e está recrutando alunos, e você se encaixa nos critérios. Vá estudar, ver outro mundo… Ah, mas temos que cuidar dos seus olhos primeiro. Não se preocupe, eu vou te apresentar a um bom hospital e você definitivamente recuperará sua visão. Você acredita em mim?
Ele segurou minha mão e a apertou como um sinal de confiança. Eu estava atordoado e não soltei sua mão facilmente. Bolsa de estudo? Estados Unidos? Outro mundo? O que tudo isso significava?
— É difícil processar agora, então pense sobre isso. Temos tempo. Não se preocupe, se você estiver nos Estados Unidos, eu posso ajudar.
— Por que… por que eu…?
Enquanto eu gaguejava, ouvi uma batida na porta. O Doutor levantou-se e abriu; alguém entrou para servir a refeição. Depois que saíram, a conversa foi retomada.
— Pense nisso, depois falaremos mais. Agora, vamos comer, Yohan. Céus, você só bebeu água enquanto eu estive fora? Como alguém pode estar tão magro?
Hesitante diante de suas palavras gentis, estendi a mão, mas parei e olhei para Steward novamente.
— … Antes disso, há algo de que preciso resolver.
Steward apenas me observou sem pegar o pão. Quando me levantei e fui para a parte interna do laboratório, ele me seguiu.
— Espere um momento, por favor, me ajude aqui.
Resmunguei ao tentar erguer o colchão, e o Doutor o segurou para mim.
— É pesado…
Tentei ajudá-lo rapidamente, mas antes que eu pudesse tocar as mãos, o colchão já estava inclinado no ar.
— O que é isso? — ele perguntou, surpreso.
Puxei o pano bem embrulhado que eu havia escondido ali embaixo. Depois que Steward abaixou o colchão, eu o entreguei a ele.
— Quero que o senhor veja isto.
Disse enquanto observava o Doutor, ainda confuso, desenrolar o pano.
— É o pó que o Rei ingeriu. Ele vomitou sangue logo depois… É parecido com os sintomas do Príncipe Herdeiro, por precaução.
Steward parou de mover a cabeça. Um olhar mais atento revelou uma expressão séria em seu rosto, diferente de antes.
— … Como você conseguiu isso?
Engoli em seco e respondi:
— Na Cerimônia Sagrada de Sua Majestade… eu também fui sequestrado.
Ao ver o Doutor tencionar, balancei a cabeça rapidamente.
— Não foi nada demais, o Príncipe Herdeiro me ajudou. — Após tranquilizá-lo, continuei: — Se este for o mesmo pó e os mesmos ingredientes que o Príncipe ingeriu… pode ser a pista decisiva para pegar o culpado.
— … Pode ser.
O Doutor assentiu e olhou para o pó novamente.
— Em resumo, você quer que eu investigue isso.
— Sim.
Respirei fundo e acrescentei:
— Então acho que poderei sair daqui também.
Steward olhou para mim novamente, como se estivesse avaliando se eu falava sério. Sorri brevemente.
— Se não houver mais perigo para o Príncipe Herdeiro, não há razão para eu permanecer aqui.
A expressão de Steward mudou de forma estranha. Ele parecia que ia dizer algo, mas calou-se. O Doutor, observando o pó no pano macio, falou apenas após um tempo:
— … Tudo bem. — Ele assentiu. — Vamos ver.
Sorri sinceramente.
— Obrigado, doutor.

⌀ ⌀ ⌀

✦ Tradução, revisão e Raws: Jor&Belladonna

Ler Beije o Estranho (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse:
Em um país do Oriente Médio onde a discriminação contra ômegas é profundamente enraizada, Yohan, um ômega abandonado após a manifestação de seu gênero secundário, vive sozinho em um oásis com apenas um gato como companhia. Um dia, ele resgata um homem ferido que perdeu completamente a memória do seu passado. Conforme passam o tempo juntos, Yohan se apaixona por ele… mas, um dia, o homem desaparece subitamente, sem deixar rastros.
Depois de esperar por ele em vão por muito tempo, Yohan encontra inesperadamente o príncipe herdeiro, um homem exatamente igual àquele que um dia amou. No entanto, o príncipe não o reconhece de forma alguma…
Nome alternativo: Kiss The Stranger Beije O Estranho

Gostou de ler Beije o Estranho (Novel) – Capítulo 125?
Então compartilhe o anime hentai com seus amigos para que todos conheçam o nosso trabalho!