Ler Beije o Estranho (Novel) – Capítulo 124 Online


Modo Claro

⚝ Capítulo 124

O silêncio prolongado era constrangedor. O que o Príncipe Herdeiro quer de mim? O que mais eu fiz de errado?
— … Se você não gostou, não precisa aceitar — disse Asgyle. Sua voz não parecia muito diferente do habitual, então eu apenas respondi que sim. Asgyle, que havia ficado sem palavras novamente, insistiu: — Diga com clareza se gostou ou não.
Ele parecia ofendido. Respondi honestamente:
— Eu não gostei.
— Não é bom o suficiente?
Senti um pouco de vergonha pela pergunta dele, mas assenti e repeti a mesma coisa:
— É que eu… nunca recebi nada assim. Sinto muito…
— Por que está pedindo desculpas? — Desta vez, Asgyle perguntou sem me dar chance de respirar. Senti-me encurralado de alguma forma.
— … Meu senhor, acho que o senhor está ofendido.
Ao responder com cautela, ouvi-o soltar um curto suspiro.
— Isso é possível? Como um ômega inútil como você ousaria me ofender? Você não conhece o seu lugar.
— Ah… sinto muito.
Pedi desculpas novamente. Não conseguia pensar em mais nada além disso. Ele tem razão, mas como o humor dele pôde mudar assim? Asgyle silenciou-se outra vez. Eu não o interrompi e esperei que ele falasse. Após um tempo incômodo, ele perguntou:
— Então você está dizendo que isso é algo de que não precisa? Tudo bem se eu der para outra pessoa?
— Oh… sim.
Como o objeto era dele desde o início, o Príncipe Herdeiro poderia dá-lo a quem quisesse. Ele disse que me daria, mas pensei que eu não seria capaz de aceitar se quisesse reconquistá-lo. Asgyle ficou em silêncio. Eu sentia seu olhar fixo em meu rosto, mas não havia nada a fazer senão esperar. De repente, um suspiro suave tocou minha testa e, logo em seguida, ele me abraçou.
— Você não gosta de joias? Surpreendente.
O que havia de surpreendente nisso? Fiquei perplexo, mas não disse nada. Asgyle beijou minha testa brevemente e continuou:
— Ultimamente, você não tem comido bem e parece não estar se sentindo bem, então eu preparei isso… Diga-me, o que você gostaria de ter?
Ele falou com certa urgência, como se fosse me dar qualquer coisa se eu apenas pedisse. Mas eu não queria nada de Asgyle. Absolutamente nada.
— … Nada, não há nada — respondi honestamente mais uma vez. — Nada, nada mesmo.
Asgyle ficou mudo. Ele fechou a boca em silêncio. Naquela noite, ele não me possuiu. Para ser preciso, nos abraçamos apertados, mas não tivemos relações. Em vez disso, ele apenas suspirava repetidamente, beijando-me, tocando-me e mordiscando-me de vez em quando. Eu apenas fiquei ali, deixando-o fazer o que quisesse. Como sempre.
***
Mais alguns dias se passaram. A visão embaçada agora fazia parte do cotidiano e, justo quando eu estava me ajustando até certo ponto, Meisa falou ansiosa:
— Yohan, sua aparência está péssima ultimamente. Se você não comer direito, algo ruim vai acontecer.
— Não… — Como em qualquer outro dia, balancei a cabeça diante das palavras dela enquanto ela me segurava para eu buscar o Rikal. — Está tudo bem. Estou comendo bem.
— Mas…
A voz da enfermeira interveio:
— Estamos todos preocupados, Yohan. A Princesa Najima também pediu para você passar lá. Vamos almoçar juntos.
— Obrigado. Sou sempre grato à princesa e a equipe médica — agradeci a cada um por vez. Eu estava prestes a sair com o Rikal, mas Meisa falou novamente:
— Na verdade, o Príncipe Herdeiro perguntou primeiro sobre você, Yohan. Você parece estar piorando ultimamente; o que aconteceu?
Continuei ouvindo enquanto piscava para Meisa, que aparecia como uma figura nebulosa à minha frente.
— Ele não falou muito, mas parecia muito preocupado. Então eu sugeri que seria bom dar um descanso ao Yohan…
Ah, só então entendi por que Asgyle não me procurava sexualmente ultimamente. Ele brincava comigo ou me abraçava o tempo todo, mas não chegava às vias de fato. Era verdade que eu conseguia dormir mais confortavelmente graças a isso, mas ao mesmo tempo, fiquei envergonhado.
— Os feromônios vão se acumular… Oh, se ele for descarregá-los em outro lugar… — Após fazer uma suposição lógica, Meisa respondeu com vergonha:
— Isso, até onde eu sei, não é o caso. Você vai para a cama com o Príncipe todas as noites, não vai?
Dito isso, ele poderia fazer a qualquer hora do dia e com quem quisesse. E eu não conhecia a realidade muito bem para pensar que ele não teria relações com mais ninguém além de mim. Talvez o Príncipe Herdeiro tenha outro motivo para isso. Era inconveniente falar assim na frente de Meisa, que poderia até se tornar a esposa do Príncipe Herdeiro. Como Najima, ela conseguia expressar as coisas casualmente, mas eu não conseguia evitar de pensar nelas. Vendo-me parado, Meisa ia dizer algo, hesitou, mas logo mudou de assunto:
— Yohan, eu quero que você faça um check-up… até um exame de sangue…
— Não, está tudo bem — recusei sem hesitar. Meisa, claro, pareceu surpresa, mas não importava. — Agradeço por sua bondade… é apenas um pouco de cansaço. Por isso, está tudo bem.
Despedi-me mais uma vez e saí da sala de tratamento. Desta vez, nem fui chamado.
Caminhando pelo corredor, uma brisa refrescante entrou pela janela e acariciou minhas bochechas. Caminhei lentamente em direção ao laboratório. O quarto estava silencioso e tudo o que eu ouvia era o sussurro das folhas. Parecia que eu estava, de alguma forma, flutuando além da luz solar lânguida e da visão turva.
“Camar.”
Os cantos da minha boca se abriram em um sorriso fraco. Na verdade, eu tinha sorte de poder vê-lo. Agora eu podia vê-lo em qualquer lugar. Bem, eu pensei sobre isso. Em um mundo tão ambíguo, ele é o único que consigo ver com tanta clareza.
“Yohan.”
Porque até a voz dele me chamando eu consigo ouvir nitidamente. Então… eu estou bem. Honestamente, eu pensava assim. E era verdade.
***
Alguns dias depois, recebi ordens para almoçar com o Príncipe Herdeiro. Esperei no quarto para aliviar o desapontamento de não poder ver o Rikal, mas Asgyle, que retornou antes do horário, não se sentou direto e me abraçou do nada.
Para minha surpresa, ele se aproximou apressado e disse:
— Ficar no palácio o tempo todo deve ser frustrante. Um pouco de ar fresco fará você se sentir melhor.
Sua voz, como sempre, estava cheia de confiança. Eu disse que sim, pensando que o Príncipe não poderia estar errado. Asgyle olhou para mim, mas logo virou a cabeça, acelerou o passo e saiu do salão.
Quando chegamos à saída, algo enorme estava parado ali. Quando a figura negra e colossal se moveu, eu estremeci sem perceber; o Príncipe, notando isso, apertou o braço que me envolvia e me puxou para mais perto.
— Está tudo bem, não se preocupe. Ele não vai te machucar.
Ele me prometeu, mas não me senti aliviado. O que é aquilo? Franzindo as sobrancelhas e tentando me concentrar, mal percebi o que era. Um cavalo, completamente negro com uma crina e cauda abundantes, ocasionalmente batia os cascos no chão e se agitava. Asgyle parou na frente do animal e me colocou sobre o dorso dele. Ele se acomodou na sela logo atrás de mim.
— Senhor, está tudo bem? Nós faremos a escolta — a voz de Dive veio de perto.
— Esperem, voltarei logo — a voz de Asgyle ecoou atrás de mim.
Após dizer isso, ele deu um leve toque nos flancos do cavalo. Logo, o animal começou a correr e Asgyle ordenou:
— Segure minha cintura para não cair.
Fiz o que me foi dito. O vento, que sempre soprava suavemente, parecia atingir meu corpo com uma ferocidade incomum. Eu não sabia dizer se era porque eu não enxergava bem ou se ficaria com mais medo se pudesse ver melhor. Fechei os olhos em silêncio e abracei sua cintura, prendendo a respiração. O som dos cascos batendo no chão misturava-se ao rugido do vento.
— … Por quê? Há algo errado? — Asgyle perguntou. Talvez por causa do vento, sua voz soou mais alta que o normal.
Balancei a cabeça vigorosamente, abraçando sua cintura e descansando a cabeça em seu peito. Ele imediatamente puxou as rédeas e o cavalo parou. Por um momento, fiquei chocado e perdi o fôlego.
— … Ei! — Asgyle agarrou minha cintura com um braço e me puxou para perto. Seus braços fortes me envolveram como se para me proteger, mas meu coração ainda batia forte. — … Você está com muito medo?
Asgyle perguntou. Sua voz parecia ter perdido a confiança de antes e tremia estranhamente. “Devo estar sem fôlego”, pensei, e abri a boca com dificuldade:
— Um pouco… sinto muito…
— Não peça desculpas — a voz de Asgyle subiu um tom. Assustei-me sem querer, e então uma voz suave desceu sobre mim: — Está tudo bem em não se desculpar. Entendeu?
Quando ele me pediu para ficar mais confortável, eu só pude dizer que sim. Asgyle, em silêncio por um momento, observou-me e deu um leve toque no cavalo. Então o animal começou a caminhar lentamente. Um vento quente, diferente do que eu sentia no palácio, atingiu meu corpo. Quando senti como se houvesse areia misturada ao ar, Asgyle falou:
— Se continuar por este caminho, chegaremos ao deserto.
Involuntariamente, virei a cabeça. Asgyle afrouxou o braço em minha cintura e apontou para o lado.
— Quando saio para caçar com falcões, sigo este caminho até o deserto. Você já passou uma noite no deserto?
— … Sim — respondi. — Muitas.
— Sério? E caça com falcões?
Balancei a cabeça em silêncio.
— Vou te levar na próxima vez. Tenho muitos falcões de caça. Vou te dar um também.
Havia um entusiasmo estranho na voz de Asgyle. Eu não tive escolha a não ser dar a mesma resposta de sempre:
— … Sim.
Asgyle silenciou. Ele abriu a boca quando subitamente lembrou que tem havido muitas interrupções em nossas conversas ultimamente.
— … Por que você não está rindo?
Olhei para ele por causa da voz baixa. Talvez pela distância, o rosto de Asgyle parecia contraído, embora eu o visse vagamente.
— Por que você não sorri ultimamente? Ultimamente…
Ele não terminou a frase e calou-se. Eu apenas o encarei em silêncio. Asgyle abriu a boca e então as palavras saíram:
— Há algo que você quer de mim? — ele perguntou em uma voz quase furiosa.
— Não há absolutamente nada que eu queira. Nem sequer uma única coisa.
Houve silêncio novamente. Apenas olhei para ele e lentamente falei:
— … Eu quero que o senhor seja feliz.
Asgyle contraiu o rosto. Não, ele parecia confuso. Ele não sabia exatamente o que dizer. Acrescentei em um sussurro:
— Isso é tudo o que eu quero… Meu senhor, se o senhor for muito feliz…
— …
— É isso.
Fechei a boca e ele não falou mais nada. Apenas o vento quente do deserto passava por nós.
***
Diferente de quando partimos, ele fez o cavalo caminhar lentamente, e Asgyle não disse muito ao retornar. Senti que ele estava pensando em algo, então mantive minha boca fechada. Conforme o palácio que se via ao longe ficava mais próximo, Asgyle disse atrás de mim:
— Após cuidar dos assuntos do governo à tarde, retornarei ao meu quarto o mais rápido possível. — Ele falou em voz baixa. — Pense em algo mais que queira que eu faça… por você.
Após dizer isso, Asgyle beijou o topo da minha cabeça. Ele apertou o braço que envolvia minha cintura, segurando-me com força. Eu não tinha o que responder, então não disse nada.
— Majestade.
A sombra que rondava por ali parou e aproximou-se apressadamente. Pela voz, soube que era Dive. Asgyle desceu do cavalo primeiro, segurou-me pela cintura e me colocou no chão. Quando o Príncipe se virou, Dive continuou:
— Majestade, tenho uma mensagem para o senhor. A pessoa que acaba de chegar ao palácio real deseja saudar o Príncipe Herdeiro.
Seguindo o olhar de Dive, Asgyle virou a cabeça e parou. Quando direcionei meus olhos para aquela cena estranha, fiquei atônito por um momento. Um homem alto e barbudo estava parado a uma curta distância. Ele falou comigo, que piscava confuso diante daquela aparência familiar e ao mesmo tempo estranha.
— Senhor, faz tempo que não o saúdo.
Quando ouvi a voz, arregalei os olhos. Ele virou a cabeça para mim e disse com um sorriso:
— Yohan, faz tempo. Como você está?
— Doutor…!
Naquele momento, gritei em choque. Lágrimas brotaram de alegria e meu corpo se moveu sem eu perceber. Escapei da mão do Príncipe Herdeiro, que segurava minha cintura até então, e corri em direção ao Doutor, pulando em seus braços abertos após um mês de separação.

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✦ Tradução, revisão e Raws: Jor&Belladonna

Ler Beije o Estranho (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse:
Em um país do Oriente Médio onde a discriminação contra ômegas é profundamente enraizada, Yohan, um ômega abandonado após a manifestação de seu gênero secundário, vive sozinho em um oásis com apenas um gato como companhia. Um dia, ele resgata um homem ferido que perdeu completamente a memória do seu passado. Conforme passam o tempo juntos, Yohan se apaixona por ele… mas, um dia, o homem desaparece subitamente, sem deixar rastros.
Depois de esperar por ele em vão por muito tempo, Yohan encontra inesperadamente o príncipe herdeiro, um homem exatamente igual àquele que um dia amou. No entanto, o príncipe não o reconhece de forma alguma…
Nome alternativo: Kiss The Stranger Beije O Estranho

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