Ler Beije o Estranho (Novel) – Capítulo 115 Online

⚝ Capítulo 115
— Como… ?
O rei murmurou com a pronúncia incerta, como se estivesse embriagado. Tentei escapar debaixo dele às pressas, aproveitando sua hesitação. No entanto, o rei percebeu imediatamente e me agarrou pelo colarinho; minha fuga desajeitada falhou logo de cara.
— Uh, uh…
Tentei com todas as minhas forças sair, mas era impossível. Gemia sem forças, enquanto ouvia sons urgentes do lado de fora.
— Senhor, não deve fazer isso. Sua Majestade, o Rei, está realizando uma cerimônia sagrada. Mesmo sendo o Príncipe Herdeiro, não pode interferir.
O assistente do rei gritou com uma voz irritada. Outra pessoa saiu da multidão. Era Haham.
— Está correto, meu senhor. Por favor, retire-se. Não interrompa a cerimônia.
— …
Diante das palavras dele, Asgyle apenas olhou. Por um momento, ele abriu a boca:
— Quem ousa tocar em meu corpo?
Haham parou ao ouvir a voz fria e deu um passo para trás. Ao ver sua expressão distorcida, ficou claro que ele agiu sem pensar. Ele olhou em volta ansiosamente e falou novamente:
— Perdoe minha grosseria, meu senhor. As cerimônias de Sua Majestade ainda não terminaram. Por favor, deixe o trabalho conosco e seja gentil para que o ritual possa ser concluído em segurança.
Haham, curvando-se profundamente em súplica, acrescentou suavemente:
— Mesmo que o Príncipe Herdeiro agora lide com os assuntos de Estado como representante de Sua Majestade, ele ainda não assumiu oficialmente o trono. A divindade de Sua Majestade ainda está viva; se o senhor a ignorar, não importa se seja o herdeiro, será questionado.
As últimas palavras soaram como um aviso. Haham estava certo. Ele ainda era o “Príncipe”. Mesmo que o rei estivesse doente, era ele quem detinha a autoridade real. O que acontecia agora era claramente uma provocação contra a realeza.
“Eu estou bem.”
Reuni coragem e tentei me acalmar. A dor terminaria logo. Eu só precisava fechar os olhos e aguentar.
“Ainda há pessoas feridas, por que não tirá-las primeiro e pedir para curá-las? Se eu estiver bem, posso pedir ao menos isso. Porque se essas pessoas morrerem, eu não ganharia nada.”
O pensamento de que eu poderia morrer ali mesmo me atingiu como um presságio terrível. Meus olhos encontraram os de Asgyle. Eu ainda estava sendo sufocado pelo rei e pressionado sob ele. O pau ereto do rei tocava claramente meu corpo nu, e o olhar de Asgyle parou ali também. Eu já imaginava o que viria a seguir. Asgyle voltaria a me desprezar.
Assim que as lágrimas brotaram novamente, a expressão dele ficou turva em minha visão embaçada. De certa forma, tive sorte. Eu não queria ver seu rosto de desdém. Enquanto eu divagava, Asgyle subitamente se moveu.
— Vossa Alteza…!
Vozes urgentes ecoaram por toda parte junto com choros sofridos. Ao contrário do que eu esperava — que ele desse as costas e fosse embora —, vi Asgyle entrar no recinto. Arregalei os olhos em espanto.
— Senhor, por favor, pare! Está se rebelando contra Sua Majestade, o Rei, agora?
Haham gritou atrás dele enquanto ele avançava sem hesitação. As palavras de Haham eram a regra. Não havia objeções; nem mesmo o Príncipe Herdeiro era exceção. Todos prenderam a respiração, esperando a reação de Asgyle. Todos devem ter pensado a mesma coisa. Até eu achei que Asgyle não teria escolha senão recuar desta vez. A porta se fecharia e não se abriria até que a cerimônia acabasse.
“Será que estarei vivo quando essa porta abrir de novo?”
Pensando assim, observei Asgyle, que parou ereto e falou:
— Haham.
— Sim, meu senhor.
Haham, inclinando a cabeça rapidamente, perguntou, mantendo os olhos fixos no rei:
— Você está vendo aquilo?
Haham olhou para onde Asgyle apontava e depois para ele, como se não fizesse ideia do que o Príncipe Herdeiro queria dizer. Asgyle continuou olhando para o rei e desdenhou:
— Onde há divindade naquela besta que rasteja pelo chão sobre quatro patas?
Por um momento, o choque tomou conta do lugar. Suspiros foram ouvidos por toda parte. O servo exclamou com urgência:
— Senhor, o que está dizendo?
— Vossa Alteza! Como pode ser tão rude…!
Um grito agudo, quase um berro, irrompeu. Haham também o olhou com uma expressão perplexa. Mas a atitude de Asgyle não mudou.
— Deus também faz parte da natureza. Ele ascende e perece. E a hora chegou.
— Vossa Alteza!
— Fechem a porta.
Asgyle, que entrara sem hesitar, ordenou. Ele continuou olhando para mim e para o rei.
— Se esta porta abrir novamente e o Rei me punir, aceitarei o quanto ele desejar. Mas por agora, sigam minhas ordens. Caso contrário, suas cabeças serão cortadas antes que Sua Majestade recupere os sentidos.
Os servos se entreolharam. Seus olhares ansiosos voltaram-se para Haham, mas eles não conseguiam lidar com aquela situação. Ele demonstrou ressentimento, mas acabou saindo sem dizer nada. Como se fosse um sinal, os servos apressadamente fecharam a porta. E, finalmente, o quarto ficou em silêncio.
— Ha… ha…
Eu, segurando meu pescoço fragilmente, respirei fundo e olhei para Asgyle. O rei ainda estava agachado sobre mim, olhando para ele também. No meio disso, Asgyle caminhou em nossa direção. Olhei para ele como se estivesse possuído, vendo-o se aproximar passo a passo.
Ao passar pelos ômegas que se contorciam e gemiam, atraídos pelo cheiro de seus feromônios, os que ainda estavam conscientes tentavam alcançá-lo com as mãos estendidas, mas Asgyle nunca olhou para baixo.
O rei apenas encarava o filho maduro que se aproximava. Ele subitamente parecia dez anos mais velho. Os feromônios que me sufocavam desapareceram rapidamente, e em seu lugar veio outro aroma. Era o de Asgyle.
*Suspiro*
Respirei fundo, sentindo o alívio após tanto tempo sufocado. Agora sinto que nada mais importa. Está tudo bem.
Asgyle parou de caminhar. Parado a dois passos de distância, ele olhou para o rei. Aos poucos, a força da mão que apertava meu pescoço sumiu. O rei olhou para o filho e não se moveu, como se estivesse congelado.
Asgyle abriu a boca:
— Saia daí.
Quando pisquei de surpresa, ele franziu a testa e falou de novo:
— Não me ouviu? Ou quer abrir as pernas para o rei na minha frente?
Nenhuma das opções era verdade. Saí apressadamente de debaixo do rei. O rei, percebendo tarde demais, tentou me agarrar com uma expressão sombria. Mas sua mão estendida parou logo na minha frente. Asgyle segurou seu braço.
— Majestade, o que é isso?
A voz de Asgyle era calma e baixa, diferente de antes. Sentei-me e dei um passo para trás. O rei desviou o olhar de mim e virou-se para Asgyle. A figura do Príncipe Herdeiro, vestindo uma tobe branca bordada com fios de ouro, com o gutra preso à cabeça pelo agal, era jovem e radiante como o sol, absolutamente perfeita.
O rei, por outro lado, era apenas um velho decrépito. As palavras de Asgyle estavam corretas. Estava claro quem detinha o poder divino ali. E o próprio rei sabia disso muito bem.
— Sim… o fim…
O rei falou com a voz trêmula. Com olhos ardentes, ele encarava o filho. O som de dentes rangendo era claramente audível. Parecia que um fiapo de razão havia voltado ao rei, que até agora parecia insano. Seus olhos injetados de sangue voltaram-se para Asgyle com um ódio imenso.
— Seu desgraçado maligno…! Você é o demônio! Você… você me deixou assim, você!
— Sua Majestade está agora enlouquecido pelos feromônios.
Ao contrário do grito feroz do rei, Asgyle falou com total calma. Ele continuou com uma atitude condescendente, como se falasse com um mendigo na rua:
— …com uma doença na cabeça. Caso contrário, poderia se orgulhar de exibir essa coisa abominável? Existe a vergonha e a desonra, e não sei se Sua Majestade ainda as possui.
Ele franziu a testa e sorriu amargamente.
— É triste que um homem outrora adorado como um deus tenha caído ao nível de uma besta.
O rei explodiu de raiva contra o filho, que falava em um tom nada piedoso.
— Seu moleque…!
Eu estava tremendo, encolhido contra a parede, e naquele momento, vi os dentes do rei expostos na penumbra.
— Vossa Alteza, cuidado…! Fuja!
Gritei com urgência e corri para a frente dele. Eu precisava salvar o Príncipe Herdeiro. Era a única coisa em minha mente. O rei, bloqueado por mim, virou a cabeça e me olhou. No momento em que vi seu rosto severamente contorcido, ele balançou os braços violentamente. Minha visão lampejou e eu simplesmente fui arremessado.
Com um som surdo, meu corpo inteiro colidiu contra o chão.
— Uh, uh…
Um gemido escapou da minha boca. Eu estava completamente atordoado. Tentei me levantar, mas não foi fácil. Erguendo a cabeça tardiamente, parei de respirar em choque. O rei avançara contra Asgyle e mordera o ombro dele.
— … !
Parei de gritar e cobri a boca com as duas mãos. Senti vontade de chorar, mas Asgyle não olhou para mim. Quase evitando que ele mordesse seu pescoço, ele contorceu o rosto como se estivesse cansado das tentativas persistentes de seu pai de arrancar sua carne.
— Ah…
Ele soltou um suspiro curto e, sem hesitar, levantou a mão e puxou violentamente o cabelo do rei.
— Argh!
Vendo o rei gritar e se encolher, engoli em seco de espanto. Asgyle olhou para o pai sem mudar em nada sua expressão. Manchas vermelhas se espalhavam por sua tobe branca. Sem saber o que fazer, olhei em volta. Pensei em chamar um médico, mas não ousei abrir a porta, temendo atrapalhar o Príncipe Herdeiro.
O rei, que acabara de desabar no chão e gemer, olhou para cima ansiosamente. Assim que seus olhos encontraram os do filho, soltou um rosnado asqueroso e cuspiu as palavras:
— Quando eu matei aquela cadela, deveria ter matado você também…!
Não se sabia de quem ele falava. No entanto, ficou claro que as bochechas de Asgyle tremeram por um breve instante, indicando que aquelas palavras tocaram em um nervo. Felizmente, ele ainda falou com voz fria:
— É tarde demais para arrependimentos, Majestade.
Asgyle levantou-se rapidamente e continuou:
— Vendo que o cheiro de feromônio enfraqueceu tanto, parece que o cio acabou. Dizem que o período de calor encurta conforme se envelhece. — Asgyle sorriu friamente para o pai idoso. — Deve ser o caminho para a morte.
O rei o encarava com a boca aberta, sem palavras. Um olhar de dúvida era evidente em seu rosto enquanto olhava para o filho com olhos trêmulos.
— Você… você realmente quer me matar.
— De acordo com a vontade de Deus. Majestade, se o senhor morrer, deve ser a vontade de Deus ou a sua própria. Como eu ousaria desafiar a divindade?
O tom soou sarcástico. O rei também endureceu, parecendo pensar o mesmo, mas não conseguiu retrucar e calou a boca. Asgyle olhou para ele e disse calmamente:
— Tudo é feito conforme a vontade divina. Como eu poderia ir contra isso? Não se preocupe, tudo se resolverá.
Os olhos de Asgyle se estreitaram, mas ele não sorriu. Num sussurro ainda mais baixo, acrescentou:
— Como aconteceu com minha mãe.
— Seu… seu moleque…!
O rei tentou atacá-lo novamente. Mas desta vez falhou. Apenas dando um passo atrás, Asgyle simplesmente evitou o ataque. O rei caiu pesadamente no chão de mármore e soltou um som de dor, incapaz de se levantar.
Asgyle, que olhava para o rei caído com um rosto frio, virou a cabeça. Nossos olhos se encontraram imediatamente e eu encolhi os ombros em choque. Asgyle começou a caminhar em minha direção sem mudar de expressão. Eu não sabia como reagir e apenas o observei se aproximar.
Num instante, ele estava diante de mim. Asgyle parou e inclinou-se. Congelei e fechei os olhos.
— … !
De repente, braços fortes me ergueram. Respirei fundo e abri os olhos. Eu estava nos braços do Príncipe Herdeiro. O rosto de Asgyle estava visível em meu campo de visão. Ele me abraçava como se segurasse uma dama nobre e falou:
— Fique calmo, ou posso acabar desistindo.
A voz baixa tornava difícil discernir as emoções. Ele começou a caminhar. Estreitei meu corpo e juntei as mãos, apertando-as contra o peito. Ele olhou por cima do meu ombro para os corpos ali, soltando um estalo com a língua. “Eu pareço patético? Acho que sim.”
Fiquei surpreso ao ver marcas vermelhas espalhadas pelo chão. Asgyle franziu a testa enquanto se movia.
— O quê?
Antes de responder, engoli em seco. Eu precisava dizer aquilo. O medo veio de repente, mas não havia mais ninguém a quem pedir ajuda exceto este homem agora. Apertei as mãos com força e mal consegui emitir um som:
— Eu, uh… Majestade.
Uma voz trêmula escapou.
— Os feridos… são muitos. Por favor, ajude-os… por favor. Eu imploro…
Asgyle não disse nada. De repente chegamos à porta e ele gritou alto:
— Abram a porta.
Pouco depois, a porta pesada abriu-se lentamente. Um suspiro de alívio escapou com o ar fresco que entrava. Fechei os olhos, incapaz de abraçar o pescoço de Asgyle, mas de repente ele apertou o braço que me segurava e me puxou para mais perto. Com isso, minhas bochechas tocaram naturalmente seus ombros firmes. Abri os olhos em espanto.
— Eu, meu senhor… como…
A voz abafada de Haham foi ouvida. Asgyle passou por ele sem hesitar e ordenou:
— A Cerimônia Sagrada de Sua Majestade, o Rei, terminou. Levem-nos para seus quartos para que possam descansar e curem os ômegas feridos.
— Sim, sim!
Outro servo respondeu apressadamente e observou-o enquanto ele saía do quarto. Outros servos o seguiram, assim como Haham.
Asgyle caminhou pelo longo corredor segurando-me firmemente. Apenas seus passos ecoavam regularmente no corredor silencioso, mas isso não importava. Era avassalador poder sentir a temperatura do seu corpo tão quente.
“Você me salvou.”
Enquanto eu encostava minha cabeça suavemente no ombro firme, mal conseguia conter as lágrimas.
“Camar me salvou de novo. Você ouviu o meu pedido…”
Meu coração estava disparado. Asgyle permaneceu em silêncio o tempo todo.
***
Ele me carregou e seguiu para o quarto. Ao entrar no espaço familiar, senti uma sensação de alívio. Soltei um pequeno suspiro trêmulo.
— … !
Asgyle cruzou o quarto e de repente me jogou na cama. Respirei fundo pela surpresa. Ele parou diante de mim e abriu a boca:
— Você enlouqueceu também?
— O-oi?
Enquanto eu gaguejava de embaraço, Asgyle continuou falando em uma voz extraordinariamente fria:
— Você pulou na frente de um louco, estava tentando se matar?
Ah, eu entendi. Hesitei e murmurei:
— Vossa Alteza, eu tive medo de que o senhor se machucasse.
— E o que você poderia fazer? Nunca mais se meta no meu caminho.
Meu coração, que estivera tão aquecido, murchou novamente. Assenti e disse que sim bem baixinho.
Não parou por aí. Asgyle imediatamente estendeu a mão, agarrou meu tornozelo e me puxou para perto. Caí sobre a cama e me preparei mentalmente para o pior, mas o que ele fez foi completamente diferente.
Começando pelos tornozelos, ele examinou meus joelhos, coxas e virilha; após tocar meu estômago e peito para verificar meu pescoço, ele parou. Gelei por um momento quando sua mão acariciou meu pescoço.
Ainda havia traços do sufocamento anterior. Eu estava coberto por uma camisa, mas ela fora claramente rasgada. Além disso, o rei também havia me apertado, então as marcas deviam estar horríveis. Senti vergonha do meu pescoço manchado e baixei a cabeça. A mão que acariciava meu pescoço se afastou. Ela desceu pelas minhas costas e nádegas até os tornozelos antes de me soltar. Um toque muito profissional, longe de ser um carinho. O silêncio se seguiu. Após hesitar e levantar a cabeça, Asgyle falou:
— Há algum ferimento?
Percebendo que ele mesmo tinha verificado as feridas, balancei a cabeça apressadamente.
— Uh, não… estou bem.
— …está bem.
Asgyle murmurou suavemente e esfregou a testa com a ponta do dedo. Ele subitamente parecia exausto. Hesitei e abri a boca com cuidado:
— Eu, meu senhor… sinto muito, eu… como o senhor soube?
Reunindo coragem, perguntei em voz trêmula, mas ao levantar a cabeça, percebi que ele não tinha condições de responder. Foi porque o sangue que brotara da mordida do rei já estava encharcando o ombro da sua tobe branca, assim como sua cintura. Parei de encarar e gritei:
— Vossa Alteza…!
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✦ Tradução, revisão e Raws: Jor&Belladonna
Ler Beije o Estranho (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Em um país do Oriente Médio onde a discriminação contra ômegas é profundamente enraizada, Yohan, um ômega abandonado após a manifestação de seu gênero secundário, vive sozinho em um oásis com apenas um gato como companhia. Um dia, ele resgata um homem ferido que perdeu completamente a memória do seu passado. Conforme passam o tempo juntos, Yohan se apaixona por ele… mas, um dia, o homem desaparece subitamente, sem deixar rastros.
Depois de esperar por ele em vão por muito tempo, Yohan encontra inesperadamente o príncipe herdeiro, um homem exatamente igual àquele que um dia amou. No entanto, o príncipe não o reconhece de forma alguma…
Nome alternativo: Kiss The Stranger Beije O Estranho