Ler Amber Alert (Novel) – Capítulo 1.3 Online

Capítulo 1.3
O lugar onde Tennessee entrou era um bar.
“Se não fosse por aquele maldito sobrinho.” Ao abrir a porta, Tennessee procurou por alguém.
Tennessee havia deixado seu carro e uma nova identidade ali antes. Ele tinha feito isso para o caso de uma emergência.
mas agora que pensava sobre isso, arrependeu-se brevemente, achando que tinha sido uma tolice.
Aquela pessoa lhe devia um favor, então tinha concordado em guardar as coisas, mas devido à natureza da gangue, os membros eram substituídos rapidamente, e pessoas que estavam bem num dia morriam no seguinte. Não havia garantia de que a pessoa que deveria lhe entregar a nova identidade ainda estivesse viva.
— Ei. Olha só quem é.
Mas os bastardos sem sorte sempre têm uma forte força vital. Aquele que cumprimentou Tennessee como se estivesse feliz em vê-lo era um deles.
Alejandro abriu os braços e deu as boas-vindas a Tennessee. Ele era um homem consideravelmente influente que ocupava uma posição intermediária entre as gangues latinas.
— O que te traz aqui?
— Vim buscar o que o seu tio deveria me entregar.
Assim que Tennessee terminou de falar, ele suspirou demonstrativamente.
— Sinto muito, mas ele não está mais aqui. Está nos braços do Senhor.
A cruz de prata no colar do homem balançou zombeteiramente. Tennessee não conseguia entender essa hipocrisia descarada.
Vender drogas, trazer imigrantes ilegais do México e forçá-los à prostituição,matar sem hesitação, e ainda assim ter uma fé sincera. Talvez fosse por causa de sua fé sincera que ele fazia tais coisas ainda mais. Afinal, tudo o que ele tinha que fazer era se arrepender de verdade.
— Mas eu ouvi dizer que meu tio te devia uma coisa, Tennessee.
O homem foi para trás do balcão e gesticulou. Relutantemente, Tennessee o seguiu.
Tennessee orgulhava-se de ser uma pessoa tranquila, mas se havia um tipo de pessoa de quem ele desgostava particularmente, eram traficantes de drogas. Os traficantes eram mais do que apenas detestados, eles eram odiados. Tendo tido uma viciada em heroína como mãe, Tennessee conhecia a toxicidade e a destrutividade das drogas. Ele não podia evitar odiar os traficantes que estavam diretamente envolvidos na disseminação de drogas.
Um assassino de aluguel que odeia traficantes de drogas. Tennessee sabia que era contraditório. Afinal, eles não eram diferentes no sentido de que ambos eram prejudiciais para a sociedade.
— Como o Carlito morreu?
— Foi uma morte honrosa. Ele provavelmente está orgulhoso de mim no céu.
“Acho que não.”
Tennessee deu um sorriso torto com um significado tão flagrante. O Carlito que ele conhecia era uma relíquia à moda antiga. Ele era uma pessoa que havia se envolvido na gangue não por dinheiro e diversão, mas por resistência ao poder e amor por sua família. O descontentamento encheu o rosto do homem quando ele viu a expressão de Tennessee.
— As chaves.
Mas não havia muito que Alejandro pudesse fazer. Afinal, Carlito tinha uma grande dívida com Tennessee e, como membro de uma gangue que valorizava a honra, seu parente de sangue, Alejandro, tinha a obrigação de pagar a dívida.
As chaves do carro e o passaporte caíram na mão estendida de Tennessee. Tennessee checou o nome no documento do veículo e no seu documento de identidade. “Que nome de nerd.” Com essa avaliação, Tennessee guardou os itens necessários no bolso.
— Você está procurando por algo assim, então as coisas não estão indo muito bem para você hoje em dia?
— Melhor do que o seu negócio de drogas.
— Eu poderia te arranjar um emprego, se você quiser.
Agora o ponto principal estava vindo à tona. Tennessee ficou boquiaberto.
— Conseguir um emprego com uma gangue? Por que você não usa seus próprios métodos? Tem funcionado bem até agora. Dirigir por aí em grupo e atirar. É eficiente e simples.
— Cuidado com a boca, Tennessee. Mostre algum respeito. A menos que você queira que seu rosto bonito fique arruinado.
— Tente, se for capaz.
Tennessee respondeu com leveza. Ele sabia que o outro não tinha coragem. Ele não se parecia em nada com o tio, mas, como sobrinho, devia ter herdado algumas coisas de Carlito.
— Eu não aceito trabalhos sujos.
Mesmo que eu tenha pessoas que possa usar, o fato de você querer especificamente contratar um assassino de aluguel significa que há algo obscuro acontecendo. Se eu der azar, posso acabar envolvido em guerras de gangues ou conflitos internos. Não era grande coisa, mas era irritante e não valia a pena.
— O carro?
O homem cuspiu e gesticulou com o queixo. Tennessee puxou a capa que cobria o carro e entrou no banco do motorista. Toda vez, ele sentia seu humor azedar sempre que via Alejandro. Tennessee acendeu um cigarro.
Sentindo o olhar dele através da janela, Tennessee genuinamente se perguntava como Carlito podia ter um sobrinho daqueles.
Bem, considerando que um assassino de aluguel veio daquela mulher que, embora fosse uma viciada em drogas, não era uma assassina, não era algo totalmente impossível.
Os olhos de Tennessee demoraram-se em Alejandro através da janela suja por um momento. Ele estava genuinamente, embora de forma sutil, entristecido pela morte de Carlito. Ainda mais porque aquele idiota havia assumido o lugar dele. Foi por volta dessa hora que a expressão de Alejandro, que vinha reprimindo o descontentamento o tempo todo, perdeu completamente a compostura.
— Eu sei que você é o protagonista de um épico, mas abaixe o tom. Último aviso.
Ele poderia ter evitado isso se tivesse sido mais diplomático, mas Tennessee simplesmente não estava de bom humor hoje.
— Esse aviso é realmente o último?
Seus olhares se cruzaram. Ele genuinamente queria que o outro tentasse, se fosse capaz. Gangues eram, na sua maioria, apenas um bando de marginais de qualquer maneira. Eles nem sabiam como segurar uma arma direito, não tinham recebido treinamento adequado e não sabiam como encerrar as coisas com um único tiro. O ápice de um grupo ineficiente. Eles chegavam em bando, disparavam um monte de balas, presumiam que ‘eles já devem estar mortos a essa altura’, tocavam música alta e desapareciam. Tennessee zombou abertamente.
Apesar da reação indiferente de Tennessee, Alejandro no fim das contas não conseguiu puxar a arma que tinha enfiada no cós da calça.
Justo como ele pensava.
— Comporte-se. A gente se vê por aí.
A bituca de cigarro fumada pela metade caiu em cima do sapato de Alejandro.
Depois de estacionar o carro do lado fora do prédio, Tennessee direcionou-se para onde seu próprio carro estava parado. Enquanto cruzava a rua e dobrava a esquina do prédio em direção a um lugar isolado, ele sentiu um olhar. Tennessee virou-se. Três homens hispânicos perto de um poste de telefone estavam olhando na direção dele. Era óbvio demais para ser uma perseguição. Eles nem sequer faziam contato visual. Mas era cedo demais para ser por causa do que tinha acabado de acontecer com Alejandro.
“Os olhos deles são perturbadores. Devo simplesmente matá-los?”
Após pensar por um momento, Tennessee encarou a criança que estava sentada quietinha no carro.
Não era sua imaginação. Aqueles homens estavam encarando fixamente a criança.
— Abra a porta.
A criança moveu a mão rapidamente. A criança também havia notado o olhar dos homens, então, enquanto se mantinha colada a Tennessee, ela relanceou para os homens do outro lado da rua. Ela estava claramente tensa.
— O que aquelas pessoas fizeram?
— Nada, eles só estão me encarando nos últimos dez minutos.
— Eu te disse para manter a cabeça abaixada.
Cortando a tentativa da criança de argumentar, Tennessee acrescentou:
— Você deveria ter atirado neles.
A criança, que havia aberto a boca em choque, logo percebeu que Tennessee estava brincando e soltou um bufo.
O que está acontecendo? Depois de abrir a porta traseira do carro, Tennessee voltou seu olhar em direção ao poste de telefone. Os homens tinham desaparecido. Eles não estavam mirando nele, então deviam estar olhando para a criança. Como eram três, se se encontrassem novamente, ele mataria dois e capturaria um para fazê-lo falar.
— Para onde vamos agora?
A criança perguntou assim que entrou no carro. “Nós?”
Os olhos de Tennessee se estreitaram sutilmente.
— Não nós, você. Há um lugar para você ficar. Vou leva-lo lá.
A criança fechou a boca. Tennessee tamborilou no volante com os dedos. Por alguma razão, a expressão de agora há pouco da criança não saía de sua mente.
Ela estava claramente tensa. Estava segurando os braços rigidamente, quase sem respirar, e agachada em silêncio. E, no entanto, assim que ouviu “Abra a porta”, ela abaixou a arma com uma expressão aliviada. Alívio. Tennessee nunca tinha visto alguém aliviado ao ver seu rosto. Geralmente era o oposto. Havia aqueles que se resignavam ao seu destino, aqueles que ficavam aterrorizados e tentavam fugir, e aqueles que resistiam.
Ninguém jamais havia suspirado de alívio, como se estivesse bem agasalhado em um cobertor, mesmo estando sob a ameaça de uma arma. Mas a criança tinha feito isso. Ela imediatamente abaixou as mãos e até devolveu a arma com cuidado. Entregando pelo cabo, com o cano apontado para si mesma.
— Tem uma TV, então você não vai ficar entediado.
Tennessee disse depois de estacionar o carro em frente à casa. Era um lugar ao qual ele não voltava há muito tempo. Talvez por isso parecesse tão estranho. Tennessee apagou o cigarro e acendeu a luz. Havia uma TV, uma cama e um chuveiro, então a criança deveria estar pulando de alegria, mas ela apenas se sentou quietamente na cama.
— Você vai voltar, não vai?
Tennessee, que estava checando novamente a fechadura da porta, ergueu a cabeça. Ele já segurava outro cigarro na boca; nem sabia quantos havia fumado hoje.
— Quando você vai voltar?
A criança mudou sua pergunta, com medo de parecer fraca. Tennessee, que vinha lhe dando um olhar seco, checou o relógio.
— Não sei.
Tennessee colocou a arma ao lado da criança.
— Fique com ela se estiver com medo.
Tennessee segurou as mãos da criança e a ensinou novamente. — Desse jeito, solte, isso, puxe assim e mire. — A criança mordeu o lábio o tempo todo.
— Não posso ir com você? Vou esperar quietinho no carro.
Barulhos altos vinham da TV que estava ligada. Quando Tennessee demonstrou sinais de irritação, a criança balançou a cabeça.
— …Não.
Abrindo as persianas com os dedos, Tennessee olhou para fora. Lembrando-se dos homens que estavam observando a criança tão atentamente, Tennessee examinou cuidadosamente os arredores.
Era uma vigilância óbvia, mas a criança não saberia o que fazer, já que eles não a estavam ameaçando diretamente.
Ele teria atirado neles se tivessem se aproximado, mas como estavam apenas encarando de longe, ele não saberia como responder. Ele tinha onze anos, certo? Era compreensível que estivesse com medo. Felizmente ou infelizmente, não havia nada ao redor, exceto pelos postes de luz. Mas não dava para saber o que poderia estar escondido nos cantos onde a luz não alcançava.
Uma casa aninhada em um beco completamente escuro. Aquele espaço desolado sem nada e ninguém. O som ocasional da TV, uma pequena arma colocada por perto.
Tennessee já havia passado por algo parecido no passado também. A diferença era que alguém estivera ao seu lado naquela época. Sua mãe, viciada em drogas, havia perdido a consciência e desmaiado, e a casa ficou em um silêncio como se sua boca tivesse sido amordaçada à força. O som de um cachorro latindo baixinho ao longe, tiros que pareciam bombinhas de festa.
O jovem Tennessee há muito tempo sabia a localização da arma que sua mãe havia escondido secretamente.
“Devo simplesmente morrer?”
Ele havia pensado nisso dezenas de vezes.
“Devo matar essa mulher e morrer também?”
Quando sua mão tocou o metal, ele percebeu o quão pesada e leve a vida de uma pessoa podia ser. Um peso que uma criança pequena conseguia levantar com ambas as mãos. Talvez fosse porque a vida era tão leve que sua mãe levava uma vida tão desperdiçada.
Tennessee mudou de ideia.
— Você tem que ouvir com atenção.
Não era um bom lugar para uma criança ir, mas ele achou que seria melhor levá-lo consigo. Às palavras de Tennessee, uma centelha de vida brilhou nos olhos da criança.
— Sim!
— Se eu te disser quando e o que vou fazer, você tem que fazer.
— Sim!
— …Vamos.
A criança pulou para baixo. Não importava como se olhasse para ela, a criança era pequena demais para a sua idade. Fosse porque não estava sendo alimentada, ou porque recebia comida para depois tirarem dela, ela era fraca e frágil. Ele a havia assustado daquele jeito, mas Tennessee não achava que nada de grave aconteceria.
Assim que ele trouxe a criança para dentro, a atenção das pessoas naturalmente se voltou para eles. Falando estritamente, não era uma casa de apostas, nem era um bar ou clube onde apenas adultos pudessem entrar, mas era um restaurante com uma imagem não muito respeitável.
Não era como o Hooters, onde as garçonetes eram obrigadas a usar trapos, mas a atmosfera era semelhante.
— Olá, pequeno cavalheiro.
Uma garçonete com roupas sumárias beliscou a bochecha da criança. A criança, que estava tensa por causa do aviso de Tennessee, não entendeu a situação e olhou ao redor. Seu rostinho estava cheio de perplexidade.
— Tennessee.
Rick veio cumprimentá-lo assim que ele se sentou no balcão. Enquanto fazia isso, olhou para a criança sentada ao lado de Tennessee e perguntou com os olhos. “Esse garoto é seu?” Essa era definitivamente a pergunta. A criança estava intensamente focada, com a testa franzida enquanto olhava para o menu.
— Não vou te comprar nada. Não peça.
— Eu tenho cem dólares.
Ela ganhou uma dele. Tennessee ainda assim arrancou o menu que a criança estava olhando. Ah! A criança esticou a mão, mas a diferença de tamanho entre ela e Tennessee era enorme.
— Não estou planejando aumentar as vendas aqui, vou te comprar algo em outro lugar, então coma lá.
— O quê?! Por que, Tennessee, você não gosta da minha comida?
Quando Rick protestou, Tennessee relutantemente devolveu o menu. Pensando bem, ele achou que deveria aumentar um pouco as vendas para que Rick ouvisse seu pedido adequadamente. Mas Tennessee realmente odiava aquela atmosfera.
— Er, eu vou pedir.
A criança levantou a mão, mas então, percebendo algo, olhou para Tennessee e perguntou se podia pedir. Quando ele acenou com a cabeça, a criança disse:
— Torrada de Canela, por favor.
— Esse é o nome de um coquetel.
— …Ah.
— Está escrito aqui.
A criança franziu a testa enquanto acompanhava o dedo de Rick com o olhar. Olhando de perto, a palavra “Crocante” estava anexada depois de “Torrada com canela”. Enquanto a criança abaixava a cabeça de volta para o menu, Rick não conseguia esconder sua confusão.
“Esse garoto é seu?! Esse garoto é seu! Ele parece ter pelo menos uns sete ou oito anos de idade?!”
Rick conseguia ser barulhento apenas com os olhos. Tennessee ignorou os gritos intensos e desesperados. Quando o desprezo continuou, Rick simplesmente perguntou em voz alta:
— Tennessee, esse garoto é seu?
A voz foi tão alta que a criança que estava pedindo a comida e a garçonete ao lado dela se viraram, então Tennessee abriu a boca.
— Não tem a menor chance de ele ser meu filho.
— Ele se parece bastante com você.
— Só um pouco os olhos.
A garçonete juntou-se à avaliação de Rick enquanto ele cruzava os braços. Tennessee franziu a testa.
— É um garoto que eu acabei sequestrando.
Ele pensou que eles encarariam isso como uma piada e perguntariam: “De onde você o sequestrou?”, mas, inesperadamente, Rick apagou completamente sua expressão e encarou Tennessee. Era um olhar que parecia estar avaliando-o.
— Você não faria… Não faria, faria?
Ele não sabia o que aquilo significava, mas parecia que algo estava acontecendo. Não parecia uma história para se contar na frente da criança, então Tennessee gesticulou com o queixo em direção à sala dos fundos. Aquele lugar, que era estritamente um restaurante, tinha até um pequeno escritório. Tennessee tamborilou na mesa do balcão para chamar a atenção da criança.
— Vou conversar com o Rick, então coma aqui.
— Sim.
— Não me faça falar duas vezes.
Quando Tennessee disse isso, Rick chamou a garçonete e pediu para ela cuidar da criança.
— Tudo bem.
A criança, que havia relaxado a guarda por um momento porque era um restaurante lotado, ficou tensa novamente com a atmosfera descontraída.
── ⋆⋅☆⋅⋆ ──
Ele deixou a criança e seguiu Rick para outro assento. Tennessee passou a mão pela testa enquanto se sentava na cadeira oferecida. Rick abriu uma gaveta, pegou um copo e o encheu de bebida alcoólica.
— Você não faria isso?
— Não faria o quê?
— Você não faria, não pode ser.
A esta altura, Tennessee estava farto do jogo das vinte perguntas. Vendo a expressão de Tennessee, que dizia que ele rasgaria sua boca se não falasse direito, Rick continuou rapidamente.
— Tem um negócio que os *Latin Emperors* estão fazendo recentemente.
*Latin Emperors* era o nome da gangue à qual pertencia Alejandro, de quem Tennessee havia recebido o carro e o documento de identidade.
— Eles pegam qualquer criança que veem sozinha na rua. Há até um boato correndo de que as únicas crianças que estão se dando bem são os membros da família dos integrantes da gangue. Esse boato, na verdade, aumentou o tamanho da gangue. As pessoas que têm famílias para cuidar querem todas se juntar aos Latin Emperors.
Os olhares dos homens que estavam encarando fixamente a criança naturalmente vieram à mente. Tennessee acenou com a cabeça. Ele apenas tinha achado aquilo estranho, mas não tinha lhe parecido uma ameaça; devia ser porque eles estavam visando a criança.
Crimes envolvendo crianças pequenas existiam há muito tempo. Era comum que fitas de sexo apresentando crianças fossem importadas. Mesmo dentro dos Estados Unidos, era comum que crianças fossem vendidas por causa de drogas.
Mas nos Estados Unidos, o simples fato de possuir pornografia infantil podia ser punido, e havia regras rígidas dentro das gangues, então eles não usavam a pedofilia para ganhar dinheiro. Além disso, nas prisões americanas, aqueles que cometiam abusos sexuais contra crianças ficavam bem no final da hierarquia.
Eles tinham sorte se fossem usados apenas como sacos de pancada pelos membros das gangues. Muitas vezes eram agredidos sexualmente ou sofriam invalidez devido à extrema violência.
Portanto, para as gangues, ganhar dinheiro vendendo crianças não fazia sentido. Tennessee franziu a testa, e Rick balançou a cabeça, indicando que não se tratava de prostituição.
— É tráfico de drogas. Às vezes eles colocam dentro dos corpos dos mortos. Ficou mais difícil trazer drogas desde que a segurança na fronteira com o México foi reforçada.
Rick abaixou a voz e sussurrou rapidamente:
— Então, supostamente eles atraem crianças com a promessa de contrabandeá-las do México. Tanto imigrantes ilegais quanto outros. Algumas pessoas pegam essas crianças com antecedência e as vendem para os Latin Emperors.
Apenas ouvir aquilo era desagradável.
— Você achou que eu iria vender aquela criança? Isso é um absurdo.
— Estou te contando porque não achei que você faria isso. Você tem bastante dinheiro.
— Pensar que você acreditou que eu vivia pagando tributo a tais gangues. Isso é insultante.
Especialmente pensar que ele poderia ter se aliado a Alejandro; Tennessee sentiu-se ofendido por essa mera suposição.
— …E vender o garoto?
— Se eu estivesse prestes a morrer de fome, teria que vendê-lo. Mas dada a minha profissão, eu poderia até morrer, mas não morreria de fome.
Eu sei que você só está dizendo isso da boca pra fora, Tennessee.
Rick ofereceu um pouco de maconha a Tennessee enquanto tirava um cigarro. Tennessee recusou e acendeu o seu próprio cigarro. Rick deu uma risadinha e apontou para ele sem hesitação.
— Você é um cara engraçado. Um assassino de aluguel que é exigente com os clientes e não usa drogas.
— Você tem que ser exigente com seus clientes. Se não quiser se ferrar.
— Você só tenta matar caras maus. Disse o assassino.
Tennessee deu de ombros. Ele deu uma tragada profunda e soltou um suspiro que parecia um lamento.
“Ele é um homem de poucas palavras.” Rick pensou, olhando para Tennessee, que economizava nas palavras. Tennessee não disse nada enquanto fumava um cigarro inteiro. Embora claramente tivesse algo a dizer, Tennessee não respondeu. Incapaz de suportar, Rick falou primeiro.
— O que te traz até o Texas?
Tennessee colocou um segundo cigarro entre os lábios.
— Mesmo que o que você faz não tenha fronteiras, não há necessidade de vir até o Sul, há?
— Ouvi dizer que o cliente mora no Texas.
Enquanto Rick assentia, Tennessee acrescentou:
— Investigue o meu intermediário para mim.
Tennessee explicou a premonição arrepiante que havia sentido quando tinha acabado de terminar o trabalho.
— Você está dizendo que o intermediário te armou uma cilada? Isso não é um exagero?
Mesmo para Tennessee, parecia uma ideia implausível. Esse mundo era ao mesmo tempo amplo e estreito, profundo e raso. Se corresse a notícia de que um intermediário havia sido comprado, os trabalhos sumiriam.
Afinal, havia muitas pessoas neste mundo que diriam: ‘Eu te dou dinheiro, então mate aquela pessoa’. Não havia necessidade de aceitar trabalhos de alguém com uma impressão ruim.
— Descubra sobre o alvo e o cliente também.
— Quem eram eles?
Tennessee revelou de forma concisa as informações pessoais do homem.
— Tudo bem.
Quando Tennessee estava prestes a se levantar porque a conversa havia terminado, Rick o impediu.
— Então, qual é a desse garoto?
Em vez de responder à curiosidade de Rick, Tennessee parecia perdido em pensamentos.
— Você disse que os Latin Emperors têm raptado crianças ultimamente, certo?
— Na maioria fugitivos. Crianças que vivem nas ruas porque não têm conexões, imigrantes ilegais, coisas do tipo. Dizem que, se as coisas derem errado, eles pegam até crianças perfeitamente normais que têm pais. Mas isso provavelmente é apenas um boato malicioso.
— Quão difundido está esse boato?
— Todas as crianças nas ruas já sabem disso. Os abrigos juvenis em todas as principais cidades do Texas supostamente estão lotados.
“Então o Texas não vai servir.”
Tennessee mudou de ideia sobre deixar o garoto no Texas. Ele não podia ficar com ele para sempre. Não parecia que o garoto iria à polícia dizer que havia sido sequestrado, então, se as coisas corressem bem, ele o levaria para onde quer que o garoto quisesse ir.
Mas com coisas tão sinistras acontecendo agora, o Texas não serviria. Ou talvez tirá-lo totalmente do Sul e deixá-lo em outro estado seria uma boa ideia. O Sul era um lugar conservador de várias maneiras, com a pena de morte ainda em vigor. Tennessee imaginou o garoto sendo adotado por uma família católica conservadora.
O garoto tendo que ir à missa todo fim de semana. Ele sorriu ironicamente, e os olhos de Rick se arregalaram com a cena.
Quando Rick e Tennessee saíram do escritório, o garoto já havia comido mais da metade de seu hambúrguer. Duas garçonetes estavam grudadas nele. Elas pareciam achar o garoto fofo e estavam acariciando seu cabelo preto feito loucas.
Rick deu uma risadinha por trás.
— Qual é o nome dele?
— …Me disseram para não falar com estranhos.
— Disseram? Quantos anos você tem?
— …
As garçonetes continuaram a conversar descontraidamente, achando o garoto fofo. Era apenas uma provocação brincalhona, mas o garoto pareceu tão incomodado que franziu a testa e largou o hambúrguer que estava prestes a comer.
— Sua bebida está vazia, vou pegar outra para você.
O garoto olhou fixamente para a garçonete que levou embora o copo com um restinho no fundo. Então, ao notar Tennessee se aproximando, seu rosto se iluminou como se um interruptor tivesse sido ligado.
— Aqui, Tennessee, a sua também acabou.
Tennessee aceitou a comida sem recusar. Comida sulista gordurosa não era do seu agrado. Tennessee não era alguém particularmente exigente com sabor e ingredientes, mas a comida do Sul era especialmente doce, salgada e gordurosa. Oferecer chá doce em vez de uma bebida, e aquele sotaque com som de bêbado também.
Não, na verdade, Tennessee não desgostava tanto assim do Sul. O sotaque também era aceitável. Talvez fosse porque a primeira pessoa que Tennessee conheceu com sotaque sulista estava sempre bêbada.
“Vá buscar uma cerveja para mim.”
Quando sua mãe, sofrendo de depressão severa e vício em heroína, estava deitada na cama, seu pai, que chamava prostitutas para a sala de estar para fazer o ato, dava tarefas para Tennessee fazer.
Era bastante lamentável que, embora ele vivesse um novo dia a cada dia, não conseguia se libertar do velho passado.
— Tennessee.
O Garoto se aproximou de Tennessee, que estava apagando seu cigarro. Ele parecia ter muito a perguntar.
— Seu nome é Tennessee porque você realmente nasceu no Tennessee?
— Boa pergunta, Garoto. Eu sempre me perguntei isso também.
Rick interveio. Ele fez um coquetel e o empurrou em direção a Tennessee.
— Torrada de Canela — disse Rick de forma brincalhona. O Garoto, percebendo que estavam zombando dele, torceu o nariz.
— Eu nasci no Tennessee, mas cresci em outro lugar.
— O oposto de Elvis Presley.
Rick continuou interrompendo. Tennessee se aproximou, e o Garoto, que havia recuperado o apetite, deu uma grande mordida em seu hambúrguer.
— Elvis Presley nasceu na cidade vizinha, mas cresceu no Tennessee.
— De que adianta ensinar isso a ele?
Tennessee, que o havia repreendido, balançou a cabeça, dizendo para ele não escutar.
— Você fala demais.
— Talvez você seja apenas calado, Tennessee.
— Vocês dois são amigos?
O Garoto perguntou assim que Rick terminou de falar.
— Não.
— Sim.
Respostas diferentes surgiram ao mesmo tempo. Tennessee largou a comida que estava comendo e se levantou. Ele não tinha vindo aqui para ser amigável com Rick. Não tinha a intenção de se sentar ao lado dele, compartilhar novidades ou jogar conversa fora sobre o desempenho do time de futebol americano.
Ele parecia querer comer mais do seu hambúrguer, mas assim que Tennessee se levantou, o Garoto desceu da cadeira.
— O pagamento será feito da forma habitual.
Rick, sabendo que aquela era a maneira de Tennessee se despedir, acenou com a mão. Ele não se esqueceu de falar com o Garoto até o fim.
— Adeus, Garoto. Ah, qual é o seu nome? Nós nem nos apresentamos. Eu sou o Rick.
No rosto do Garoto, surgiu um sinal claro que dizia: “Aviso. Estranho”. Com a fisionomia estampando desconfiança, ele deu um passo para trás e não respondeu.
— O Tennessee não conta a história dele, mas responde quando você pergunta. Você poderia estar no FBI, Garoto.
— Vamos.
Tennessee cortou Rick e gesticulou com o queixo. O Garoto, que o vinha seguindo de perto, parou e se virou de volta para Rick. Rick estava sorrindo de forma brincalhona e acenando com a mão. As bochechas do Garoto estavam sutilmente coradas, e ele rapidamente levantou e abaixou a mão. Foi um cumprimento tão rápido que mal deu para ver direito.
— Fofo.
Sem notar que Rick estava rindo, o Garoto seguiu Tennessee com passos rápidos.
── ⋆⋅☆⋅⋆ ──
— Então, onde você cresceu?
O Garoto perguntou enquanto entrava no carro estacionado.
— Vários lugares.
— Por que você mudou tanto de lugar?
— Fui adotado e rejeitado várias vezes.
— Tennessee é o seu nome real?
— Não.
Ele estava respondendo diligentemente pela primeira vez, e o Garoto estava animado. Estava tão animado que seus ombros já estavam saltitando.
— Então qual é o seu nome real? Quantos anos você tem? Por que veio para o Texas?
— Pare. Você é barulhento.
Ele o cortou como uma faca quando as perguntas começaram a jorrar. O Garoto abaixou os ombros tristemente no banco de trás. Ainda assim, ele não se esqueceu de afivelar o cinto de segurança enquanto Tennessee dava a partida no carro. Dentro do carro que partia, o Garoto olhou para baixo, para os seus sapatos meio desamarrados. “Que saco. Parecia que ele teria respondido a tudo se eu tivesse perguntado devagar. Que pena.”
“Eram apenas algumas perguntas. Será que foi porque ele ouviu Rick dizer que estava recebendo um tratamento especial?” Seu coração havia se enchido de expectativa. Ao mesmo tempo, ele se sentiu desapontado e abatido. “Estou curioso. Quem me dera se ele me contasse mais.” Ele também sentiu um arrependimento exagerado por ter perdido a grande oportunidade da sua vida.
Mesmo sabendo que não deveria confiar em adultos, ele ficava eufórico e cabisbaixo como se fosse um cão tendo Tennessee como seu dono. “Não posso baixar totalmente a minha guarda.” O Garoto lembrou a si mesmo, mas não pôde evitar voltar o seu olhar para Tennessee.
— A que horas saímos amanhã? Só me diga isso.
— 0600.
“Ele deve ser um soldado de verdade. Ele fala o horário de um jeito estranho.”
— …Seis horas.
Tennessee, que testemunhou a expressão vazia do Garoto pelo espelho retrovisor, acrescentou uma palavra. O Garoto achou engraçado que ele estivesse dizendo novamente, e ele deu uma risadinha discreta para si mesmo até o carro parar.
— Levante-se.
Era uma ordem curta, mas os olhos do Garoto se abriram num estalo. Reclamar era um luxo. O Garoto imediatamente saiu da cama e calçou os sapatos. Ele ainda não estava totalmente acordado e não conseguia manter o equilíbrio direito, mas amarrou os cadarços dos sapatos enquanto cambaleava.
O Garoto olhou para Tennessee. Ele já estava totalmente vestido. Ele não tinha muita bagagem, então podia simplesmente ir, mas Tennessee estava preparado demais. Ele estava sentado e fumando um cigarro agora, mas se ele não terminasse de se arrumar em cinco minutos, parecia que iria embora sem olhar para trás.
— Só um minuto, já terminei.
Enquanto a criança se vestia, Tennessee gesticulava em direção ao banheiro. A criança correu apressadamente para o banheiro. Demonstrando o comportamento excêntrico de lavar o rosto e escovar os dentes quase simultaneamente, a criança deixou a porta do banheiro aberta de propósito. Planejava sair correndo se ouvisse Tennessee abrir a porta e sair. Apesar da pressa, a atenção da criança estava completamente voltada para Tennessee na sala de estar.
Ele estava prestes a cuspir uma boca cheia de pasta de dente quando ouviu a porta da frente se abrindo, como se ele tivesse terminado o cigarro. A sensação foi a de ter mergulhado na água fria de um lago em pleno inverno. O Garoto empurrou os produtos de higiene de lado, com as mãos trêmulas devido à impaciência e correu para fora.
— Espere, só um minuto!
Ao ver Tennessee já no banco do motorista e afivelando o cinto de segurança, o Garoto abriu as pressas a porta traseira. Depois de afivelar seu cinto de segurança adequadamente e colocar os produtos de higiene de lado, o Garoto soltou um suspiro de alívio.
Mas o carro estava silencioso. Ele não havia ligado o motor. O olhar de Tennessee alcançou o Garoto, que estava confuso. Para começar, não tinha havido muitas oportunidades de fazer contato visual, mas o Garoto sempre ficava confuso quando olhava nos olhos de Tennessee. Porque ele não conseguia prever de forma alguma as emoções por trás deles.
O Garoto sempre pensou que era bastante perceptivo. Quando via alguém pela primeira vez, se a base de sua espinha ficasse tensa e seus dedos dos pés formigassem, havia uma probabilidade muito alta de que aquelas pessoas não fossem boas. Esse foi o caso do Sr. Hurston e de outros.
Mas Tennessee era um mistério. Impossível de decifrar. Ele parecia alguém que atiraria sem hesitação, mas não apontava sua arma de forma imprudente. Ele só a usava quando necessário, e raramente a puxava para começar. Ele era habilidoso em roubar carros e, de muitas maneiras, transmitia o ar de uma pessoa perigosa, mas a maneira como o tratava tão bem fazia com que ele sentisse que podia simplesmente se deitar e fazer birra.
Tennessee, com seus insondáveis olhos azuis fixos nele, saiu do banco do motorista.
Ele não diria para ele sair, diria? Com uma sensação de nervosismo, ele segurou o cinto de segurança com firmeza, mas para o seu desespero, Tennessee abriu a porta traseira.
— Saia.
— …Hã?
— Eu disse, saia.
“De jeito nenhum. Eu ouvi errado, certo? Mas ele disse ontem que eles partiriam às seis. Então isso significava que ele deveria se arrumar porque eles partiriam juntos, não era? Foi porque ele não se levantou imediatamente? Ou porque era a casa dele?”
Naquele breve momento, a mente do garoto correu, e Tennessee olhou para baixo, para a cabeça pequena, onde a tensão e a ansiedade eram evidentes. Jogando a ponta do cigarro fora, Tennessee apontou para a casa.
— Você ainda tem espuma no rosto. Vá se lavar.
— …Ah.
O garoto, com as bochechas coradas, correu para dentro de casa como um esquilo. A maneira como ele desapareceu lá dentro, parecendo envergonhado, fez Tennessee dar uma risadinha.
Quando o garoto saiu novamente, não apenas a espuma havia sumido, mas também o seu comportamento vulnerável. A maneira como ele estivera tão ansioso, desestabilizado e dependente de alguém, não combinava com ele. Tennessee se sentiu confuso. Observando o garoto entrar no carro, Tennessee trancou a casa. Era um lugar ao qual ele não sabia quando voltaria.
— O que você quer comer?
Tennessee perguntou enquanto dava a partida no carro suavemente. Nesse meio tempo, eles tinham parado em muitos restaurantes. Eles jantavam em lanchonetes, churrascarias ou restaurantes de franquias famosas, e o café da manhã geralmente era em casas de panquecas ou pequenos restaurantes na periferia da cidade.
O garoto ficava confuso se Tennessee tinha muito dinheiro ou se apenas não tinha noção de dinheiro. Ele não economizava nem um pouco. Ele próprio comia apenas exatamente uma porção, mas pedia duas refeições infantis e empurrava todas as entradas e sobremesas para ele. Ele até foi a um restaurante diferente depois de sair da loja de Rick ontem.
Quando ele perguntava: — Você está com fome? — ele pedia comida nova, dizendo: — Você não terminou de comer. Quando dizia que era um desperdício porque tinha deixado metade, ele embalava a comida para viagem. Como convinha a uma idade em que estava crescendo rapidamente, o garoto, cujo estômago se esvaziava rápido, comia tudo antes de ir para a cama.
“Rude, mas gentil. Hehe. …Não, ele é definitivamente uma pessoa ruim, mesmo sendo gentil.”
Enquanto o ego do garoto se dividia e causava conflito, Tennessee silenciosamente direcionou o carro em direção ao McDonald’s.
Era o início da noite quando eles estavam quase em Austin. As luzes do centro brilhavam como decorações de Natal. As ruas estavam cheias de carros, e as calçadas estavam cheias de pessoas.
— Acorde.
Tennessee acordou o garoto, que vinha cochilando desde o almoço. Quando ele o chamou mais uma vez, o garoto abriu os olhos cambaleante. Foi por volta dessa hora. O som de uma sirene veio de trás. Era uma viatura policial.
Os olhos do garoto se arregalaram, e ele rapidamente olhou para trás. Tennessee, com seu rosto inexpressivo de sempre, encostou no acostamento. Os olhos do garoto foram tingidos de vermelho e azul pelas luzes da viatura.
— Por que você está com medo?
Tennessee deu uma risadinha do garoto, que estava rígido de medo, e o garoto, diante daquelas palavras, sentiu uma onda de emoção, mas também relaxou.
— Boa tarde, policial.
— Boa tarde.
Abrindo a janela, um policial de meia-idade se aproximou e olhou para dentro. O garoto não sabia o que fazer e o cumprimentou sem jeito.
— Eu estava acima do limite de velocidade?
— Você estava um pouco rápido. Não deveria fazer isso com uma criança no carro.
— Sinto muito.
Geralmente, em casos assim, eles pediriam o registro do veículo. Mas talvez por causa da criança, ele encerrou a situação apenas com uma advertência verbal. Mas ele não abriu mão de ser enxerido.
— A criança não está em um assento apropriado?
— Policial.
Tennessee sorriu gentilmente.
— Ele pode parecer pequeno, mas tem onze anos de idade. Ele é velho demais para andar em um.
Assento de elevação? Você está brincando comigo? Eu tenho onze anos de idade. Vendo a expressão do garoto, o policial acenou a cabeça algumas vezes e deu um passo para trás.
— Ainda assim, obrigado pelo conselho.
— De nada, tenha um bom dia.
Tennessee deu um leve sorriso e um cumprimento, então deu a partida no carro.
— Ufa.
Embora ele fosse a criança sequestrada, e não o sequestrador, o garoto expirou como se tivesse envelhecido dez anos. O breve encontro o deixou sentindo como se todo o seu sangue tivesse secado. Tennessee ficou mais uma vez estupefato com aquela reação. Não era síndrome de Estocolmo, ele deveria estar se agarrando ao policial e dizendo: “— Esta pessoa me sequestrou, eu nem sei onde estou.”
Ele deveria dar a ele uma cenoura ou algo assim. Enquanto Tennessee pensava isso, o garoto olhava pela janela. Eles nem sequer estavam juntos há uma semana, mas era a primeira vez que ele ouvia Tennessee falar daquele jeito. Então ele era alguém que conseguia falar daquele jeito.
Ao contrário do habitual, foi gentil e, de alguma forma… normal. Ele era alguém que conseguia falar daquele jeito. O garoto apoiou o queixo na mão. Então, de repente, ele teve um pensamento. Mesmo se ele falasse em um tom gentil e como as pessoas comuns, ele teria sabido. Ele teria sido capaz de ver o vazio envolto em um tom normal.
↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Lᥙ꧑ᥲ Hᥲrtzᥣᥱr
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Sinopse:
Um assassino de aluguel. Tennessee não tinha a intenção de maquiar sua profissão. Ele se mantinha fiel à sua própria natureza moralmente falida e ao seu passado. Era uma vida monótona, mas ele não achava que fosse ruim.
Pelo menos até encontrar algo no carro roubado.
— Qual é o seu nome?
— …Não vou te contar. Você vai rir.
— Então qual é o seu nome?
— Tennessee.
— Isso é seu nome ou sobrenome?
— Você não precisa saber.
A criança inclinou a testa para fora pela janela traseira. Seu cabelo preto esvoaçava ao vento.
Um sequestro involuntário. Foi assim que a relação entre Tennessee e a criança começou.
***
Fogo ardia em seus olhos.
Tennessee, eu deveria ter arrancado essas suas pernas.
Ele respirou fundo, sobrecarregado pelas emoções intensas que se transformavam numa mistura de amor e ódio.
Sua perna não deveria ter sido apenas quebrada, deixada para você se apoiar torto nela, deveria ter sido danificada além de qualquer reparo.
Eu deveria cortar suas duas pernas e colocá-las num saco, depois colocar uma coleira no seu pescoço. Vou amarrar essa coleira nas minhas pernas perfeitamente saudáveis.
Um silêncio sufocante se instalou. Seu corpo desabou, sem forças.
Suas palmas estavam pegajosas. O que ele pensava ser suor era, na verdade, sangue escorrendo. Sem energia nem para enxugá-lo, ele enterrou o rosto nas mãos.
Era horrível. Esta versão de si mesmo. A situação toda. Era o próprio desespero. Se ele desistisse, se Tennessee escapasse assim…
Ele não conseguiria seguir vivendo.
Nome alternativo: Amber Alert Alerta Amber